domingo, 2 de dezembro de 2007

Comentário à entrevista com o Dr. Nahor

DARWIN EM XEQUE???












Ao vagar pela internet, em sites de cunho criacionista depareime com um nome deveras citado nesse meio. Trata-se do Professor Doutor Nahor Neves de Souza Jr. . É ele realmente um dos melhores em sua área, a geologia. Em hipótese alguma desmereceria suas credenciais, pois tenho por ele grande admiração e respeito. Entretanto, quedei-me surpreso com a entrevista cedida à revista Kerygm@.
A impressão que me deixou é que, infelizmente, o Dr Nahor parece deixar de lado todo o critério científico e se entregar ao fundamentalismo religioso.

Ao criticar a famigerada Teoria da Evolução comete equívocos terríveis (creio eu intencionais) que nem mesmo um calouro cometeria. Ao longo da entrevista, passarei a evidenciar e esclarecer tais equívocos, mantendo-me dentro do cientificismo e não do religiosismo.

vejamos:

http://www.unasp.edu.br/kerygma/entrevista03.asp

Darwinismo em xeque


A controvérsia entre evolucionistas e criacionistas tem ganhando cada vez mais espaço na mídia e nas universidades. O geólogo adventista Dr. Nahor Neves de Souza Jr. tem participado de vários debates no meio acadêmico. No último dia 6 de junho, ele palestrou num mini-curso sobre a origem da vida para alunos de Biologia da Universidade de Taubaté (Unitau), no interior de São Paulo. O professor Nahor é um dos mais ativos divulgadores do Criacionismo no Brasil. Ele é membro do Núcleo de Estudos das Origens (NEO) do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), no qual também leciona. Parte dos seus quase 30 anos de estudo da Geologia se transformaram no livro Uma Breve História da Terra, lançado em 2002 pela Sociedade Criacionista Brasileira (SCB).
Nesta entrevista, o professor Nahor aponta as principais evidências científicas do criacionismo, critica o dogmatismo evolucionista e explica porque acredita ser possível conciliar ciência e religião.


A introdução à entrevista já começa errada. Por parte dos cientistas sérios, não há qualquer rivalidade entre criacionismo e Teoria da Evolução, uma vez que esta é ciência, pois se submete ao método científico no que se refere às premissas e às evidências que embasam suas teorias e aquele, nada tem de científico.

Essa rivalidade é oriunda do próprio criacionismo, uma vez que seus adeptos, a todo custo, querem lhe dar o mesmo lugar de destaque que aquele ocupado pela verdadeira ciência.

A rivalidade surge porque os fatos científicos rechaçam a mítica religiosa, à medida que novos métodos e tecnologias se desenvolvem e aprimoram os meios de se estudar os fenômenos naturais, suas causas e efeitos.

Em sendo assim, os meios criacionistas, geralmente ligados a seitas religiosas, em especial cristãs protestantes e católicos fanáticos (caso brasileiro), não poupam esforços em mobilizar seus exércitos de indivíduos detentores de credenciais científicas a fim de apoiar suas hipóteses e confirmar a "veracidade" das escrituras de modo a angariar e conservar seus fiéis.
Os títulos desses indivíduos, em tese, parece serem reais. Entretanto os mesmos indivíduos apresentam hipóteses que, do ponto de vista científico, não trazem nada de concreto para o avanço de ciência e do conhecimento humano, pelo contrário csausam confusão ao universo leigo. Propagam a ignorância, o preconceito, a superstição e a intolerância, o que é extremamente prejudicial ao desenvolvimento tanto da ciência como humano.

Dentro do universo científico, tais trabalhos apenas fazem estes supostos cientistas cairem no ridículo.
Desse modo, alimentados pelo poder de suas seitas religiosas, as quais insulflam seus fiéis, a maioria pessoas leigas em qualquer assunto, estes indivíduos ganham combustível para criticarem os verdadeiros meios científicos como preconceituosos, autoritários, intolerantes e contrários à liberdade de expressão.

Trabalho científico não se trata de liberdade de expressão, intolerância, autoritarismo ou preconceito contra este ou aquele sujeito. Tratam-se de serem plausíveis ou não.

A fim de ser estudado por outros especialistas qualquer estudo deve, primeiramente, ser analisado cuidadosamente por uma banca de cientistas e ser submetido ao metodo da falseabilidade.

Caso seja aprovado, serão feitos estudos mais profundos. Se reprovado, o pesquisador deverá rever suas premissas e evidências.

Não basta apenas retórica. O trabalho tem de trazer evidências que confirmem a teoria desenvolvida sob análise e estudo.

A respeito do criacionismo, gostaria de saber qual é o método científico que lhe dá respaldo. Seriam meras observações e interpretações pessoais de seus adeptos? Onde estão as evidências que o confirmam como sendo uma teoria plausível? Como fazer para contestar sua premissa principal, a de que um deus fez tudo? Como aplicar o método da falseabilidade?

Ora, ao criticar o dogmatismo, o Dr. Nahor deveria antes olhar para a hipótese criacionista, que se pauta numa premissa de pronto dogmática.
Eu diria hipotese, pois, sequer, se trata de teoria, dado que não possui qualquer evidência que a confirme, sob a ótica científica, a fim de tornar a hipótese criacionista uma teoria.
Sua premissa principal é a existência de um deus que fez tudo e, obviamente, o Deus judaico-cristão-islâmico. Por que Ele?

A essa pergunta, religiosos afirmam ser a Bíblia a inspiração divina, pois seu conteúdo possui profecias que se cumpriram e que se haverão de cumprir no fim dos tempos.
Resposta excelente!!!
Porém ressalvo que os textos maias também possuem profecias a respeito do fim do mundo, mas isso é um outro assunto, o qual pretendo abordar numa próxima oportunidade.

De acordo com o que presencio em meios religiosos, a ciência e a religião somente podem se conciliar desde que aquela se coadune a esta, ou seja a ciência só é boa, merecedora de crédito e aceita desde que não caminhe na contra-mão das escrituras (bíblicas, claro).
Mesmo que estudos demonstrem diversas evidências de que os pontos descritos nos livros sagrados estão completamente equivocados, no que se refere à descrição, causas e origens dos fenômenos naturais estes são veementemente rechaçados e cientistas acusados de ateus que querem destruir a fé do povo entre outras lenga-lengas. Pura teoria da conspiração...

Diante disso, quem seriam os verdadeiros dogmáticos: os cientistas ou os religiosos e seus asseclas?

Kerygm@ - Muitos críticos do Criacionismo têm afirmado que esta teoria não possui evidências científicas. Esta informação procede? Por quê?

Dr. Nahor Neves de Souza Jr. - As evidências científicas do criacionismo são mais abundantes e mais consistentes, relativamente, àquelas levantadas pelo evolucionismo. Na Biologia, as evidências de planejamento e propósito estão presentes em todos os seres vivos. Já na Geologia, as rochas e os fósseis fanerozóicos, mediante a compreensão dos fenômenos geológicos globais, apontam, inequivocamente, para uma catástrofe de proporções globais (o Dilúvio bíblico).

Quanto a questão das catastrofes, o planeta já passou por várias delas. Porém, não há nada científico que evidencie a ocorrência de um dilúvio universal, exceto no seio do universo criacionista.

Aliás restam perguntas até hoje não respondida de modo concreto:

1- Onde foi parar toda a água do dilúvio e de onde veio?
2-Por que Noé não colocou dinossauros pequenos na arca em vez de elefantes?

3- Como fez Noé para buscar uma onça pintada na américa do Sul, um canguru na Austália, pinguins na Antártida e focas da Groenlândia ?
4- Como o mundo se recuperou dessa catástrove em alguns anos apenas?
5- Por que não houve uma extinção em massa da vida aquática de mares, lagos ou rios?

6- Como era a pressão atmosférica antes do dilúvio e como ficou depois?

Talvez, tenha sido o poder divino.....


Existe uma evidência a respeito da extinção em massa entre o período cretácio da era mesozóica e o período terciário da era cenozóica denominado limite KT.
Abaixo desse limite encontramos dinossauros; acima dele mamíferos de pequeno porte e répteis que vivem até hoje.

Para saber mais sobre o limite KT, consulte os links abaixo:


http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=36509

http://www.comciencia.br/reportagens/espaco/espc16.htm


O fanerozóico divide-se em três eras Paleozóico, Mesozóico, Cenozóico.











A Era Paleozóica (do grego: palaeo = antiga + zoe = vida) é limitada por dois importantes eventos na história da vida na Terra: o seu início, há 545 milhões de anos, marca o primeiro registro seguro de animais com partes mineralizadas (conchas, carapaças), e seu final, há 248,2 milhões de anos, marca a maior extinção em massa que já ocorreu no nosso planeta.

Esse limite inferior foi alvo de discussões por mais de 20 anos, até que em 1987 os membros da Subcommission on Cambrian Stratigraphy definiram a localidade-tipo da base do Fanerozóico: Fortune Head na Península de Burin, Newfoundland, Canadá, com idade em torno de 545 milhões de anos (Brasier, et al. 1994).

O Paleozóico é dividido em seis períodos: Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero e Permiano.









A Era Mesozóica (do grego: meso = meio + zoe = vida) durou de 248,2 a 65 milhões de anos. Os limites do Mesozóico também são marcados por grandes extinções em massa. A extinção no limite Paleozóico/Mesozóico tem causas desconhecidas, mas a extinção no limite Mesozóico/ Cenozóico aparentemente foi causada pelo impacto de um grande meteoro, que gerou uma cratera com mais de 170 km de diâmetro, na península de Yucatan, México.

O Mesozóico é divido em três períodos: Triássico, Jurássico e Cretáceo.









A Era Cenozóica (do grego: kainos = recente + zoe = vida) dura de 65 milhões de anos até os dias de hoje. Acredita-se que o meteoro de Chicxulub, no México tenha sido o responsável indireto pela extinção de várias formas de vida na transição entre as eras Mesozóica e Cenozóica. O impacto causado por esse corpo celeste teria gerado uma espessa nuvem de poeira, impedindo a fotossíntese e alterando o clima terrestre.

O Cenozóico é dividido em dois períodos: Terciário e Quaternário.

O homem apareceu na Terra no Período Quaternário, há apenas 1.8 milhões de anos.

Desse modo a afirmação "Já na Geologia, as rochas e os fósseis fanerozóicos, mediante a compreensão dos fenômenos geológicos globais, apontam, inequivocamente, para uma catástrofe de proporções globais (o Dilúvio bíblico)" é por demais imprecisa. qual o peróodo que se deu o dilúvio afinal? Temos um intervalo de 545 milhões de anos. Mamíferos existem há 65 milhões de anos e humanos há 1,8 milhões de anos (nossas formas ancestrais) e nós homo sapiens há mais ou menos entre 40 e 50 mil anos.



A característica mais marcante, do período quaternário (quando sirgiram os hominídeos há 1,8 milhões de anos), é a ocorrência de sucessivos períodos de glaciação.

Veja o link abaixo:

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.scb.org.br/pergresp/imagens/eragelo.jpg&imgrefurl=http://www.scb.org.br/pergresp/eraglacial.htm&h=239&w=350&sz=74&hl=pt-BR&start=2&sig2=nT8bJqNcLYmmfLSu7jem5g&tbnid=8sW_5tlY45h24M:&tbnh=82&tbnw=120&eid=CEFWR7yYAp3EeK3xmckO&prev=


O Quaternário é um período de modelagem de relevo, com sedimentação predominantemente mecânica inconsolidada.

Podemos entender a lenda do dilúvio entre todos os povos da Terra devido ao degelo quando do fim das eras glaciais.

No tocante a variações do nível do mar subdividida em três fases:

  • fase 1 - de 17.500 à 16.000 anos. O nível do mar era, pelo menos, 130m abaixo do atual. Praticamente toda a plataforma continental estava exposta.
  • fase 2 - de 16.000 à 11.000 anos. O nível do mar estava entre 60 e 70m abaixo do atual.
  • fase 3 - de 11.000 à 6.500 anos. O nível do mar estava entre 45 e 25 metros abaixo do atual.

O Período Holoceno representa o período após a última glaciação. Como essa glaciação foi progressiva, o limite é variável, mas geralmente é aceito o limite de 10.000 anos.
A fauna e a flora são praticamente as mesmas dos dias de hoje, com excessão de algumas formas de vida que se extinguiram devido à ação do próprio homem.

A essa época já havia homo sapiens sobre a Terra e o mundo estava descongelando com o fim da última era glacial.
Sabemos que quando ocorrem eras glaciais o gelo se concentra no hemisfério norte (influência da continentalidade) e a água some do hemisfério sul que se torna seco e quente.
Que surpresa não seria ver um rio ou um lago se formar onde havia terra e o mar elevar seu nível e as tempestades serem mais fortes e chover onde havia savanas, semi-áridos e desertos? Realmente deve ter sido um choque para nossos antepassados, afinal o ciclo hidrológico existe, ou seja, a quantidade de água no planeta é praticamente uniforme. assim se o mundo aquece, a água evapora, as correntes de ar e marítimas tornam-se mais intensas e ocorrem chuvas em diversos lugares.
Quanto às marcas do dilúvio, o degelo certamente as esculpiria nas rochas, principalmente do hemisfério norte.
Há também indícios de que uma forte tempestade tenha ocorrido no crescente fértil (Mesopotâmia) , em relação à qual lendas babilônicas mencionam sete dias e sete noites de chuva torrencial (evento totalmente plausível) e uma inundação (mais ou menos uma área equivalente ao Estado de Minas Gerais ficou submersa). Daí, extrapolar para 40 dias e 40 noites .... estariamos antes e após o dilúvio sob uma pressão de umas 400 atmosferas. Acredito que Noé e sua família morreriam achatados no solo.


Kerygm@ - O que seriam os fósseis fanerozóicos? E os fenômenos geológicos globais?

Dr. Nahor - O Fanerozóico corresponde a parte da coluna geológica que contém a maioria dos registros fósseis. Ao se analisar essa seqüência de camadas geológicas, verifica-se muitas evidências inequívocas de tempos bastante reduzidos (dias, semanas e meses), tanto para o rápido soterramento dos fósseis, como para a deposição contínua das respectivas camadas sedimentares. Além disso, ao se estudar os fenômenos geológicos catastróficos atuais (soterramento da cidade de Armero, o maremoto do ano passado no sudeste asiático, etc), percebe-se a possibilidade de correlação entre estes recentes e aqueles passados (fenômenos geológicos globais) responsáveis pela mortandade generalizada de seres (hoje fósseis) fanerozóicos. Portanto, as centenas de milhões de anos atribuídas ao fanerozóico, pela Geologia convencional, deverão ser traduzidos por tempos equivalentes a poucos meses.



Sobre o Fanerozóico já explicamos. Porém há que se considerar a questão dos soterramentos. Quando ocorrem chuvas, e há inundação animais saem nadando. Presume-se que qualquer ser vivo faça isso, afinal há nas espécies o instinto de proteção à vida e, acredito que com dinossauros não seria diferente.
É óbvio que terremotos e maremotos, além de meteoros e vulcanismo eram bem mais intensos durante a era Mesozóica e anteriores.

Assim catastrofes ocorriam de surpresa, ou seja realmente se dão em instantes (daí ao soterramento e a posição de agonia de fósseis mezozóicos) . Mesmo hoje em dia isso ocorre. Basta nos lembrarmos do tsunami que causou diversos estragos e ceifou muitas vidas em 2004.
Em nada eventos catastróficos e camadas fósseis contradizem a idade do planeta Terra e nem de que períodos geológicos se deram em semanas ou meses ou de que houve um dilúvio.
O raciocínio ora apresentado é uma falácia típica do estilo sem substância e
post hoc ergo propter hoc.


Kerygm@ - O senhor já sofreu preconceito na sua carreira acadêmica por defender o Criacionismo?

Dr. Nahor – Não, até porque os temas ligados a minha especialidade, Geologia Aplicada à Engenharia, praticamente não se valem dos cálculos de bilhões de anos defendidos pela Geologia convencional.

A questão de métodos de datação é complexa, uma vez que lida com diversas categorias de isótopos e cada um deses métodos é direcionado para um tipo de medição e cada um deles possui a sua limitação.




Os links abaixo podem esclarecer essa questão àqueles interessados.

http://www.oceanografia.ufba.br/ftp/Geologia_Marinha/Aula_6_Metodos_Datacao.pdf

http://www.igc.usp.br/geologia/geocronologia.php



Entretanto, pelo fato de contradizerem as Escrituras, há muitos fundamentalistas que criticam os métodos de datação. Porém a critica é altamente infundada, sem nenhum rigor ou critério científico, conforme demonstra o link abaixo.

http://www.drleadnet.com/textos/a_comedia%20da%20datacao_gn.htm

eis seu autor

http://www.gennet.org/mac/people.html


para variar.... mais um cristão fundamentalista.

Infelizmente esse tipo de material nada acrescenta para o desenvolvimento da ciência. A crítica é valida, porém temos também de construir. Não basta encerrarmos com uma pregação religiosa a fim de convencer o leitor de que somos sérios. Aliás isso é uma constante em trabalhos criacionistas, bem como uma falácia do apelo a autoridade e do egocentrismo ideológico.


Kerygm@ - Como o senhor avalia a abordagem que a imprensa nacional tem feito sobre o debate entre evolucionistas e criacionistas?

Dr. Nahor – Ela tem apoiado de modo incondicional e irrestrito as idéias evolucionistas. Portanto, uma abordagem extremamente tendenciosa, unilateral e, muitas vezes agressiva. Na imprensa não existe espaço para o modelo criacionista. E quando há, é tratado pejorativamente. Nas entrevistas, as respostas criacionistas, via de regra, são desvirtuadas. Antes de combater o Criacionismo, aqueles que o atacam deveriam conhecê-lo.

Criacionismo não é ciência. É crença religiosa. Portanto, suas idéias não devem ter o status de teorias científicas.
Cientistas passam anos a fio estudando um fenômeno ou uma evidência a fim de desenvolver uma teoria e, constantemente, estas são submetidas ao método da falseabilidade.

Quanto às hipóteses criacionistas? Como são testadas?

No universo científico, não há qualquer desvirtuamento do que é apresentado pelo criacionismo, pois este não é reconhecido como algo que mereça crédito. Se há esse desvirtuamento é da parte dos criacionistas em relação à ciência.


Para se conhecer o criacionismo, basta frequentar a escolinha dominical na igreja mais próxima de sua casa. Lá terá o material completo, basta apenas ter em mãos uma Bíblia (OBS. não pode ser o Evangelho de Buda, o Al Corão, os Vedas ou qualquer outro livro que se intitule como sagrado, pois, segundo a ótica criacionista cristã são falsos).

A aula será ministrada por um religioso que não entende quase nada da área. Mas leu a Bíblia de cabo a rabo, o que lhe torna uma autoridade conceituada em Astrofísica, Física Quântica, Física Nuclear, Química, Termodinâmica de Reações Químicas, Biologia (em todas as suas cadeiras), História, Geologia e o que mais quiser, pois é a sabedoria divina.


Kerygm@ - O senhor acredita que é possível conciliar ciência e religião? Por quê?

Dr. Nahor – Eu creio que existam duas importantes fontes de conhecimento legítimo: a Bíblia e a natureza. São muitos os exemplos de significativa harmonia da integração do conhecimento científico com o conhecimento bíblico. Ambos se complementam, possibilitando assim, em muitos casos, a mútua fiscalização, o que, por sua vez, tende a inibir qualquer tipo de dogmatismo, seja religioso ou científico.

A Bíblia não é fonte legítima de nada, pois fora escrita durante o cativeiro da Babilônia (o Velho Testamento) e mesclou lendas sumerianas, caldéias, hebraicas, egípcias, babilônicas, persas e indiretamente elementos orientais indianos. Quanto ao novo testamento, foi escrito uns 70 anos após a morte de Jesus.


Dessa forma, A Bíblia possui fatos históricos, embora haja incongruências entre os mesmos (basta ler os evangelhos de Mateus e Lucas), envolto em mito, bem como passou por modificações ao bel prazer de seus copistas. Tal conduta é características de povos antigos.

A bíblia não se trata de um compêndio científico. É um livro que diz respeito a um povo, seus valores e sua cultura, os quais se fazem presentes hoje no mundo ocidentalizado, devido à divulgação da crença cristã.

Usar-se a Bíblia como meio de se fazer ciência é um grande equívoco. Isso se trata de uma maneira dogmática de se fazer ciência, ou seja, conforme já abordado: "Se está de acordo com as Escrituras passa no nosso critério de fiscalização; do contrário é reprovado".



Um bom material sobre as nuances da Bíblia segue conforme abaixo:

EHRMAN, Bart D. O que Jesus disse? O que jesus não disse? Quem mudou a Bíblia e por que. Ed. Prestígio.

FINKELSTEIN, Israel & SILBERMAN, Neil Asher. A Bíblia não tinha razão. Ed. A Girafa.

ROGERSON, J. W. O Livro de Ouro da Bíblia. Ediouro.

MARQUES, Leonardo Arantes. História das religiões e a Dialética do Sagrado. Ed. Madras.

SCHEINDLIN, Raymond. História Ilustrada do Povo Judeu. Ediouro.

BOWKER, John. O Livro de Ouro das Religiões. Ediouro.

Aos interessados boa leitura... Irão adorar e mergulhar numa jornada no tempo.



Kerygm@ - Alguns acreditam que Deus usou a evolução para criar, portanto, o relato bíblico seria simbólico. Por que os criacionistas não aceitam essa posição?

Dr. Nahor – Esta posição é conhecida como Evolucionismo Teísta. O primeiro problema com este modelo se refere às inconsistências e incoerências do próprio Evolucionismo. A tentativa de se associar o paradigma da evolução com o texto bíblico, de imediato, exige a reinterpretação dos primeiros 11 capítulos de Gênesis, transformando-os, de relatos históricos e literais, em narrativas simbólicas ou folclóricas do povo hebreu. Certamente, tal modificação descaracterizaria totalmente a Bíblia e a sua procedência divina. Um segundo aspecto, é que alguns teólogos do Evolucionismo Teísta se sentem ainda encorajados em retratar um deus humilde, que teria deixado a natureza livre para realizar a sua própria criação. Que deus então seria esse, que viabilizou um processo que se desenvolve de maneira extremamente lenta (centenas de milhões de anos), passando por um tortuoso caminho de morte e destruição, em que apenas o mais forte prevalece na luta pela sobrevivência, para finalmente atingir o objetivo supremo – a “criação” do homem? Teria esse mesmo deus extraído – deliberadamente – do registro fóssil todos os seres de transição? Em terceiro lugar, a lentidão do processo evolutivo e o fator competição são incompatíveis com as características de Deus, como relatadas na Bíblia. Logo, o Evolucionismo Teísta se revela como a estrutura conceitual que traduz as maiores incoerências entre a ciência e a religião bíblico-cristã. (grifos nossos).

Bem, diante da explicação acima, quem seria o dogmático: o cientista ou o religioso?

Não há animais de transição. Há espécies em transição constantemente, de acordo com o meio em que vivem, uma vez quer nenhuma espécie termina seu ciclo evolutivo.
Entender espécies como algo imutável é um erro. Elas mudam conforme o comando do ambiente em que vivem, ou seja, conforme este muda.

Mutações são aleatórias, pois se dão nos genes, por fatores externos (agentes físicos, químicos e biológicos), ou durante a divisão celular.
Após ocorrerem, o meio selecionará o indivíduo com a característica mais favorável à sobrevivência.

Na natureza não há valores ou condutas a serem seguidas. Há a luta pela sobrevivência da espécie e do indivíduo.

Seres humanos não tem nada de especial. Apenas desenvolveram sua inteligência, a única arma para enfrentar os predadores que cercavam nossos ancestrais.

Após determos a capacidade de pensar criamos nossos valores culturais, de modo a sobrevivermos em harmonia com nossos semelhantes e, por conseqüência, não comprometermos a sobrevivência de nossa espécie.

Daí, mais tarde o surgimento da religião, do direito, da política, objetos estudados pela Filosofia, Antropologia e Sociologia. Isso também será assunto para um tema futuro.

Os links abaixo esclarecem a respeito da evolução das espécies e sobre as mutações.

http://www.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/especies/especie8.html

http://www.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/coevol/


http://www.virtual.epm.br/cursos/genetica/htm/mutacao.htm


http://www.ufv.br/dbg/labgen/mut.html




Kerygm@ – O senhor já participou em debates na Unesp, UFMG, UFBA e Unitau. Eventos como estes não são comuns. O criacionismo tem ganhado credibilidade junto a comunidade científica? Por quê?

Dr. Nahor – Primeiramente, não sei se é credibilidade ou tolerância, já que existe ainda muito preconceito e desconhecimento do que seja o Criacionismo. Espero que os evolucionistas abandonem sua excessiva e infundada implicância, sua costumeira arrogância e se debrucem (com o verdadeiro espírito científico) sobre os bons textos criacionistas indicados, por exemplo, no site da Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br). Por outro lado, o desenvolvimento da ciência, especialmente na Biologia e Geologia, tem tornado a teoria evolucionista cada vez mais questionável, enquanto surgem consistentes modelos criacionistas com forte argumentação científica. (grifos nossos).

Bons textos da SCB? Acho que o Dr. Nahor deve estar brincando... Confiram o material.

http://www.scb.org.br/


Os textos são péssimos ao abordarem a questão científica.
Estão repletos de erros conceituais e usam sempre a velha tática religiosa:






1- bombardeiam com perguntas a respeito de temas ainda sob investigação científica;

2- valem-se de mudanças ocorridas em teorias a fim de invalidar todo o estudo científico que contraria sua ideologia;

3- fecham com uma mensagem religiosa a fim de convencer o leitor.


Tais textos valem-se de linguagem científica, porém estão apenas travestidos de ciência. Também são verdadeiras armadilhas sofismático-falaciosas, uma vez que seus escritores detêm credenciais científicas e sabem qual é a tática a ser empregada a fim de embaralhar a mente do leitor leigo.

Desse modo, convencem o leitor a acreditar
em suas idéias, as quais parecem ter fundamento, mas se analisadas cuidadosamente, perceberemos as falhas lógicas e conceituais em sua confecção.

O"acreditar" ora referido é no sentido de argumentação e no sentido de busca de uma crença, que em nada se coaduna ao "acreditar" referente ao raciocínio científico que necessita de confirmações a fim de ter fundamento.

É obvio que se novas evidências surgem, as teorias mudam, afinal estamos falando de ciência e não de crenças.

Quanto a:

"Por outro lado, o desenvolvimento da ciência, especialmente na Biologia e Geologia, tem tornado a teoria evolucionista cada vez mais questionável, enquanto surgem consistentes modelos criacionistas com forte argumentação científica."


Deve ser mais um "hoax" do Dr. Nahor...
O que tem acontecido é justamente o oposto de sua afirmação, exceto no mundo pseudocientífico dos criacionistas. Desde Darwin a Teoria da Evolução passou por muitas mudanças, à medida que o conhecimento em outras disciplinas avançou.
Darwin não tinha idéia da existência dos genes, os quais vieram a ser questionados por Mendel. Durante a década de 50, Watson e Crick descobrem o DNA que abriu um novo horizonte para a biologia evolutiva.
Com essa descoberta , muito se fez no campo da Teoria da Evolução. Teorias foram rechaçadas, revistas e corroboradas, tudo de acordo com o método científico.

Restam-me perguntas...
1- Quais são esses modelos criacionistas tão consistentes assim?
2- Em qual revista de cunho científico eles foram publicados (não vale citar as da SCB)?
3- Por quais testes de falseabilidade passaram?
4- Quais as evidências que levam a formular as teorias criacionistas?

Deixo tais perguntas para que sejam respondidas por quem se habilitar. Entretanto, asseguro que em 20 anos de vida acadêmica, jamais vi algo nesse sentido sendo levado a sério, nem nada que desse respaldo a confirmação de tal linha de estudo, devido às inconssistências que tais trabalhos apresentam sob a ótica científica.



Kerygm@ – Como o senhor avalia o poder de testemunho desses debates? Eles têm um impacto espiritual sobre as pessoas?

Dr. Nahor – Para aqueles que estão à procura da verdade, as evidências do criacionismo causam surpresa pela sua consistência e forte argumentação científica. Em algumas situações a ênfase espiritual parte, como uma necessidade básica, dos próprios ouvintes. No último debate, na Universidade de Taubaté, dez universitários decidiram estudar o Criacionismo com mais profundidade, e um deles pediu estudo bíblico.

Bem, para estudar o criacionismo necessita-se de "ênfase espiritual". Eu diria que para tudo precisamos disso.







Caso alguma evidência criacionista fosse consistente, eu realmente ficaria surpreso. No mais, caso elas se baseiem nos textos da SCB, como o norte para seus trabalhos, sinto muito Dr. Nahor, elas deixam é muito a desejar. Estão mais para uma piada de mau gosto e para pseudociência que para qualquer outra coisa.




Kerygm@ - O senhor afirma que o evolucionismo e o criacionismo não são teorias científicas. Por quê?

Dr. Nahor – Ao se considerar o clássico método científico, que se baseia na experimentação e observação, tanto o evolucionismo como o criacionismo não podem ser classificados como teorias científicas, mas sim, estruturas conceituais (ou paradigmas). Os dois modelos recorrem, além da ciência, a outras fontes de conhecimento, ao não poderem aplicar o método científico para explicar a origem da vida e outros eventos ocorridos no passado. No caso do Criacionismo, a fonte legítima de conhecimento não científico é a Bíblia, que apresenta Deus como o agente criador. Já na filosofia evolucionista, o tempo e o acaso são capazes de realizar contínuos milagres criativos. Na verdade, não existe nenhum cientista puramente objetivo, pois a visão pessoal ou determinada postura filosófica influenciam a atividade científica muito mais do se imagina.

Aqui o Dr. Nahor comete um erro crasso; A Teoria da Evolução é constantemente submetida ao método científico, o que não se dá com o criacionismo. Basta vermos o material que os próprios meios criacionistas publicam com o fito de criticá-la.

Ao quererem criticar o suposto "dogmatismo" dos cientistas, os criacionistas dão um tiro no próprio pé, pois a revisão em teorias científicas somente tem a revelar o caráter zetético destas, bem ao contrário das hipóteses criacionistas.

Sobre a questão dos paradigmas, estes se referem a padrões e modelos. A criação destes se verifica em física e química, mas não em biologia. Nesta disciplina não há um modelo para se aproximar nada da realidade. Ela é o que é, o que se identifica por meio do método científico e da observação.

É claro que a tarefa de se repetir o evento da vida e a Teoria da Evolução em um laboratório, no momento se faz impossível e, até uma criança sabe disso.

Entretanto, há estudos a respeito de micro-evolulção em vírus e bactérias que estão sendo feitos em escala laboratorial e os resultados são favoráveis à Teoria da Evolução.

Em física, há determinados comportamentos segundo determinadas faixas. Por exemplo viscosidade de um fluido - se estuda esse "paradigma" numa determinada faixa de temperatura e assim se estabelece uma equação que o aproxima de seu real comportamento.

Ciências como a biologia, a geologia e a astrofísica se pautam por observações, não por adaptar a realidade a modelos que funcionem bem, a fim de serem úteis à nossa realidade. Isso é típico da mecânica geral, da termodinâmica, da mecânica dos fluídos, de operações unitárias, do mercado financeiro, etc.

Qualquer campo sob pesquisa recorre a outras formas de conhecimento a fim de embasar suas hipóteses e formular suas teorias. Isso não desmerece em nada qualquer teoria existente, pelo contrário ou a corrobora ou a rechaça. O que o Dr. Nahor coloca nesse ponto é mais uma falácia, mais uma vez, do estilo sem substância.
Neste tópico também há uma grande confusão entre filosofia e ciência. Porém vale lembrar que a filosofia e a ciência há muito se separaram e que filosofia não se vale do método científico a fim de desenvolver suas idéias.

O Conhecimento científico não se trata de meras idéias tiradas da cabeça de alguém que achou legal pensar naquilo e estabelecer um "paradigma" de pensamento.
Tal conhecimento e suas evidências têm de ser confirmados e, caso se estabeleçam "paradigmas" conforme citei, estes devem se mostrar satisfatórios dentro de sua faixa de operação. A satisfatoriedade em tela é testada por meio de métodos estatísticos que lhes estabelecem intervalos de confiança.

Mais uma vez, vale citar que a Bíblia não se trata de um compêndio científico. Assim seu conhecimento, o qual não passou pelo método científico, nem jamais passará e, se passar, será de pronto reprovado, não é parâmetro para ser base de nenhuma teoria que procure assumir o caráter de científica.

Cientistas sérios realmente não se deixam influenciar por convicções político-filosóficas- valorativas, pois não é esse o objetivo de seus trabalhos.

Isso deve ser deixado para "paradigmas" criados em filosofias dentro das ciências humanas ligadas ao pensamento.

A entrevista apresentada pelo Dr. Nahor é bem clara; suas convicções pessoais parecem impregnar seu trabalho.

É claro que todo cientista possui um fim ao realizar uma pesquisa. O fim buscado na TE, grosso modo (algum especialista pode definir isso de forma melhor), é entender como os seres evoluem, o que leva a esta modificação e como e por que ela se dá, de modo a ser aplicada para nosso uso e bem estar (produção de remédios, combate a pragas, seleção genética de animais e plantas, desenvolvimento e bloqueio de mutações).


Tempo e acaso não fazem milagres. Fazem seres se adaptar aos meios em que vivem, sendo que esses meios estão permanentemente mudando. O campo dos milagres se encaixa melhor no criacionismo.






Basta ver a sua premissa principal e as 6 pérolas que sustentam a "Terra jovem", além do argumento da entropia contrário à teoria da evolução.

Conforme os links abaixo, abordo e rechaço com base científica a argumentação sustentáculo do criacionismo.

http://cienciaxreligiao.blogspot.com/2007/07/terra-jovem-refutada.html

http://cienciaxreligiao.blogspot.com/2007/02/entropia-e-evoluo-confuso.html


Os textos referentes aos "cientistas" criacionistas, podem ser encontrados no site da SCB e em sites de cunho criacionista.


Kerygm@ - Por que o senhor considera o criacionismo mais consistente que o evolucionismo?

Dr. Nahor - Em primeiro lugar, por experiência pessoal – as pesquisas desenvolvidas no mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo, com rochas basálticas, me forneceram dados totalmente compatíveis com outras evidências que apontam para um cataclismo global. Ressalto ainda que os vários problemas enfrentados pelo evolucionismo não são periféricos ou superficiais. O paradigma evolucionista, muito embora não seja admitido por seus adeptos, está sendo solapado gradual e irreversivelmente ao ser questionado, nos seus fundamentos, não por criacionistas, mas, pela própria realidade dos fatos.

Isso tudo é óbvio, porém o planeta já foi várias vezes vítima de cataclismos - basta lembrar de Yucatan e de Yellowstone. Rochas basálticas são produto de lava endurecida e não trazem marca de nenhum dilúvio, exceto das interpéries.



A explicação em nada se coaduna a criação de uma Terra jovem ou de um dilúvio.

Bacias sedimentares existem porque existem movimentos orogênicos, vento, chuva, frio e calor, o que provoca a decomposição das rochas.

O fato de acharmos dinossauros em pose de agonia e soterrados é explicado não por um dilúvio, mas por terem sido soterrados por desmoronamentos, tsunamis, lahars, fendas repentinamente abertas por terremotos, quedas de corpos celestes (à época isso era bem mais freqüente). É engrado não termos achado esqueletos humanos e de mamíferos nos mesmos extratos se realmente ocorreu um dilúvio.


Quanto a "os vários problemas enfrentados pelo evolucionismo não são periféricos ou superficiais", certamente, eu diria isso da argumentação criacionista e daquela referente ao DI, pois sequer se submetem ao método científico. Apenas ficam no plano das idéias.

Isso em termos científicos não confirma nada. A retórica ora empregada serve apenas para confundir o leitor leigo. Não adianta somente se valer dessa tática argumentativa. As premissas referentes a trabalhos de cunho científico tem de ser confirmadas a fim de sustentar os pontos propostos em teorias nessa área.

Quanto a "O paradigma evolucionista, muito embora não seja admitido por seus adeptos, está sendo solapado gradual e irreversivelmente ao ser questionado, nos seus fundamentos, não por criacionistas, mas, pela própria realidade dos fatos."

Esse parece ser um desejo do Dr. Nahor, porém não é o que verifico hoje, nem o que verifiquei durante minha vida acadêmica, uma vez que não há "paradigmas" a serem solapados. É claro que a A Teoria da Evolução do tempo de Darwin e a de hoje são bem diferentes, afinal o conhecimento "evolui".

Lembrem-se do big bang à época de Lemaitre e Einstein (este disse que aquilo era um absurdo, porém sabemos hoje que ele errou feio - a questão foi confirmada por Wilson e Penzias).

Os fatos que ele parece se referir se tratam de mudanças ocorridas na Teoria da Evolução. Tal comportamento ocorre em qualquer campo do conhecimento, o qual se guie pela zetética.

Fatos novos são descobertos a todo tempo. Podem rechaçar por completo ou dar maior confiabilidade a uma teoria, a qual jamais será reconhecida como a verdade absoluta. A teoria se sustentará enquanto as evidências assim o permitirem. Basta apenas um detalhe que contradiga a teoria sob estudo para que ela desmorone ou seja revista.

Isso não se trata de "paradigmas" sendo derrubados, mas de fatos corroborando ou rechaçando teorias.

Mas quanto a religião e suas máscaras (criacionismo e seu correlato o design inteligente), será que tal sistemática é aplicável?

Quem seriam os verdadeiros dogmáticos:

Os cientistas empenhados em entender nosso mundo ou os pseudocientistas tentando assegurar a existência de suas crenças?


Kerygm@ - O senhor defende o ensino do criacionismo nas escolas públicas? Por quê?

Dr. Nahor - Criacionismo pressupõe um domínio suficientemente abrangente e a capacidade de integração (com equilíbrio) dos conhecimentos bíblico e científico. Infelizmente, são muito raros os educadores que estão preparados para essa função. A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) está efetivamente empenhada em capacitar profissionais nesta área, há mais de 30 anos.

Muito bem, por que deve ser o criacionismo bíblico o ensinado nas escolas e não qualquer outro? Na maioria brasileiros descendem de africanos e indígenas. Esses povos possuiam suas crenças antes de terem tido contato com o elemento europeu.

Foram escravizados e dizimados respectivamente e, aos que sobreviveram, impôs-se uma crença alienígena, o cristianismo.




Desse modo, deveria ser também ensinado em conjunto com a mítica judaico-cristã-islâmica a mítica indígena e africana, além de toda a mítica criacionista dos demais credos existentes no país. Lembro aos fundamentalistas que vivemos num país livre, sendo que a garantia e liberdade de culto encontram respaldo ma Constituição da República Federativa do Brasil.

Assim, assegurar-se-ía a liberdade de crença e de livre escolha de religião, direito constitucional garantido.

Esse é o objetivo mor do criacionismo; ENFIAR GOELA ABAIXO DAS CRIANÇAS O CRISTIANISMO.

Dessa forma, ele, sorrateiramente, surge travestido de ciência, a fim de garantir a próxima geração de fiéis que sustentarão a grande empresa denominada Igreja Cristã S/A.



Kerygm@ - Uma pesquisa recentemente publicada na revista Época (03/01/05) mostrou que a maioria dos brasileiros não acredita no evolucionismo e defende o ensino do criacionismo nas escolas públicas. Como o senhor explica esses dados?

Dr. Nahor - Creio que ninguém ousaria taxar a maioria dos entrevistados de ignorantes. Resultado semelhante foi verificado com pesquisa realizada nos EUA. É interessante notar que, apesar de toda a imposição do Evolucionismo (semelhante ao exercício do poder político-religioso da Idade Média) nas universidades e na mídia em geral, o mesmo não consiga prevalecer.

O senso comum não entende porque não estuda, porque não há material adequado, porque as escolas são péssimas, porque os professores são despreparados e mal remunerados e porque livros custam caríssimo, se comparado seu preço à miséria que o povo brasileiro ganha para sobreviver.

O link abaixo explica de maneira clara e suscinta a Teoria da Evolução àqueles que tiverem interesse em conhecê-la.

http://www.xr.pro.br/teoria_evolucao.html



Há que se considerar também o bombardeio diário na TV de programas religiosos, o que se trata de uma imposição de crenças e, com o perdão da palavra, de propagação da ignorância e de idiotização do povo.



Dr. Nahor, quantos são os brasileiros que tem acesso à Universidade? Não passam de 5% da população. Como educador deve saber disso muito bem.

O que está havendo é o oposto, está ocorrendo uma imposição religiosa, basta ver o avanço da teologia da prosperidade e do absurdo de Rosinha Mateus e seu marido no Rio de Janeiro ao enfiarem o criacionismo nas escolas laicas por meio de uma lei totalmente inconstitucional.

Certamente, é aqui que vemos a imposição ao estilo da Idade Média.

Universidade não é lugar de se aprender crenças, é lugar de se estudar e se formar indivíduos para exercerem uma carreira como profissionais liberais.


Kerygm@ - Por ser um assunto muito complexo e técnico, a maioria dos cristãos não conhece as evidências científicas do Criacionismo. Como os pastores e líderes da igreja podem promover o estudo da origem da vida entre os membros, especialmente entre os universitários?

Dr. Nahor -
Apenas algumas sugestões: (1) De início, seria interessante que os universitários tivessem acesso à literatura pertinente. A fonte principal para o conhecimento e aquisição desta literatura é o site da Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br); (2) Sendo possível, a própria igreja poderia ainda adquirir a referida literatura, organizar uma biblioteca e disponibilizar todo esse valioso material aos interessados; (3) Um próximo passo seria organizar grupos de estudos ou reuniões temáticas, onde os vários assuntos envolvidos na controvérsia criacionismo versus evolucionismo fossem abordados; (4) Promover eventos locais e convidar palestrantes para realizarem mini-cursos; (5) Patrocinar universitários interessados em participar de eventos criacionistas regionais, nacionais e até internacionais. Os beneficiados, evidentemente, deveriam repassar os conhecimentos à sua própria comunidade; (6) A igreja deveria ainda, estimular, acompanhar, e se possível custear a carreira universitária de jovens promissores e comprometidos com Deus - especialmente nas áreas de biologia, geologia e física - visando o aprimoramento acadêmico de pesquisadores criacionistas.


O que vemos aqui se trata de uma propagação ideológica, tal como a nazi-fascista-stalinista. Tudo pelo partido e pelo nosso ideal. Ao inferno com o resto!!!




Quanto a pesquisadores criacionistas... deve ser outra piadinha do Dr. Nahor!!! Ele deveria dizer: "IDEÓLOGOS E MULTIPLICADORES DA MINHA CRENÇA".
Pois a pretensão não é de criar um pesquisador sério e isento, mas de criar um assecla da seita religiosa financiadora. No fundo é uma troca de favores: "Eu o garanto e você endossa o que eu proponho aos meus fiéis e promitentes fiéis, me garantindo."

É a intensão de criar mais um nome a fim de se utilizarem da falácia do apelo à autoridade, típica em meios criacionistas.

Jamais reprovaria a atitude de uma igreja em financiar os estudos de uma pessoa, pois isso é a verdadeira
caridade e a função social de uma igreja, em relação àqueles que não possuem recursos para cursar uma universidade, realidade da maioria esmagadora dos brasileiros.

Mas impor condições para isso em prol de uma ideologia... sinceramente isso é demais!!! O senhor como o educador conceituado que é, me decepciona!!! Deveria se envergonhar ao sugerir tal proposição!!!!
Mas, de boas intenções o Inferno está cheio!!!!!



Volto a repetir, o material da SCB é péssimo para quem quer estudar e conhecer ciências, principalmente Big-Bang, Origem da Vida e Teoria da Evolução, é melhor que se recorra às fontes científicas e não à pseudociência.


Kerygm@ - O senhor vê um papel profético na defesa do Criacionismo?

Dr. Nahor - A própria Bíblia, profeticamente, apresenta de maneira muita clara nossa principal missão como adventistas do sétimo dia: a igreja remanescente (a última) deve proclamar em bom e alto som as três mensagens angélicas. Essas mensagens conclamam a todos para adorar o Criador, “Aquele que fez...”, e destacam o memorial da criação: o sábado.

Aqui a entrevista é encerrada com "chave de ouro". Nos é apresentada a verdadeira missão do criacionismo: ANGARIAR FIÉIS PARA A IGREJA. É nitidamente o proselitismo cristão.




CONCLUSÃO:

É triste saber que o câncer da superstição está ganhando cada vez mais espaço em nosso meio, inclusive nos meios universitários.






Infelizmente vejo que estamos nos encaminhando para uma teocracia cristã, basta ver que tais elementos perniciosos se encontram ocupando cadeiras do Senado e da Câmara dos Deputados e se encontram distribuídos em todas as esferas do poder.


A mensagem cristã, como sempre, assume 4 momentos:


1 - busca-se convencer pelo amor;






2- se o anterior não der certo, amedronta-se com a danação;







3- se o anterior não der certo, tortura-se;


antigamente por dores físicas,






hoje psicologicamente.







4- se o anterior não der certo, mata-se; hoje não se faz mais isso porque a igreja se desvinculou do Estado e, portanto, perdeu seu aparelho repressor.





A morte hoje é social, pois o indivíduo que não aceita a superstição religiosa é vítima de preconceitos e é rotulado de incrédulo e portanto mau elemento.







O pior é que sempre há fundamentalistas religiosos tentando a todo o custo obrigar que sua crença seja ensinada às crianças a, fim de fazer sua nova geração de fiéis e assim manter sua igreja funcionando.




A religião tem aumentado, pelo menos no Brasil, pela falta de esperança que há nas pessoas, pois é grande a dificuldade de se sobreviver, mesmo para quem, trabalha.

A miséria é o combustível para a ignorância. Esta alimenta a religiosidade do povo e as superstições. A massa é incapaz de avaliar qualquer coisa por meio do senso crítico, que somente se adquire por meio do estudo e da leitura de materiais corretos e pelo estímulo ao pensamento, desde a mais ternra infância.

Religião é algo excelente quando nos ensina valores a fim de convivermos com nossos semelhantes e conosco mesmos, que é a mensagem presente nos livros sagrados, se lidas suas metáforas corretamente.

Entretanto, a partir do momento que a crença religiosa se envereda por caminhos que não lhe dizem respeito, ela se torna um veneno mortal, pois ideologiza negativamente as pessoas. Estas se tornam autômatos, uma vez que deixam de ter senso crítico e param de raciocinar logicamente.

Se tornam verdadeiros fantoches nas mãos de seus dominadores, capazes de promoverem as coisas mais descabidas que, em sã consciência, jamais fariam (11 de setembro, santa da janela, crença em milagres, negar a vida ao semelhante, como o caso dos testemunhas de Jeová, ao interpretarem errônea e equivocadamente a Bíblia, proíbirem a administração de uma transfusão de sangue, entre outras maluquices).






Alguns relatos sobre aparição de santos.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55152.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55494.shtml

http://www.terra.com.br/istoegente/158/reportagens/santa_janela.htm

Estudar em nada tem a ver com ser ateu ou religioso, pois Teoria da Evolução, big bang e Origem da Vida não se tratam de manuais de conduta para ninguém.

Simplesmente, textos sagrados devem ser lidos pela mensagem boa que nos legaram os antigos com sua sabedoria.
Jamais devem ser levados ao pé da letra e tidos como verdades absolutas e incontestáveis. Isso sim é o dogma que tanto os religiosos acusam os cientístas.





Essa postura dogmática da religião é que é a mãe dos preconceitos, da ignorância e da intolerância, quando mal administrada.





Não há que se acusar a postura científica de dogmática, uma vez que suas teorias estão sob constante processo de aperfeçoamento e submissão a métodos de falseabilidade, cujo fim é testar o quanto são confiáveis e eaté quando se confirmarão.

É ingenuidade atribuir que a ciência tem respostas para tudo, pois oconhecimento é como uma cebola, aempre há outra casca por baixo a ser desvendada.

Entretanto, é o que de melhor possuímos a fim de enterder racionalmente o mundo em que vivemos, sem a presença do elemento divino, a qual em nada beneficia o avanço científico.

A ciencia não se encerra em um ponto como o criacionismo. Ela dá seqüência a infinitos por quês, os quais cabem às gerações futuras e às futuras das futuras a responderem.





sexta-feira, 21 de setembro de 2007

DISCURSO SOBRE A VERDADE, AS RELIGIÕES E O MÉTODO CIENTÍFICO








1- INTRODUÇÃO

Geralmente, as crenças religiosas possuem a característica de se atribuírem como verdades incontestáveis, além de compararem seus valores com as demais.
Tal problemática é patente, principalmente no que se refere ao tronco judaico-cristão-islâmico, o qual se põe, de acordo com suas nuances, como crenças cujos valores estão acima de quaisquer outras e não admitem qualquer forma de contestação em suas bases.
Dessa forma, há que se tecer uma breve discussão a respeirto do que vem a ser a verdade e qual a sua carácterística de acordo com o tema abordado.



2- CONCEPÇÕES A RESPEITO DA VERDADE:
Há concepções diferentes do que é verdade. Na construção do pensamento ocidental, ela está no ver, perceber, dizer e crer. Desse modo, ela se desdobre em duas atitudes:
1- Dogmática: o verdadeiro é o que funciona e não surpreende. Verdade e realidade são entendidas como unas. Entretanto, quando a identidade verdade/realidade se desfaz, se dá a incerteza, a qual busca readquirir as certezas.
2- Crítico-filosófica: a verdade nasce da decisão deliberada de encontrá-la, da consciência, do espanto, da ignorância e do desejo de saber. Isto leva a três concepções da verdade:
a) do ver – perceber: é a concepção grega; verdade é a manifestação do que é realmente ou do que existe realmente, tal como se manifesta ou se mostra. Refere-se ao que as coisas foram, são e serão. Nesse critério, a evidência é a marca do conhecimento.
b) do falar-dizer: é a concepção latina; o verdadeiro se refere à linguagem, ou seja, a narrativa fiel de fatos acontecidos. Refere-se aos fatos que foram. Nesse critério, a linguagem em seu rigor é quem exprime idéias e acontecimentos. Assim, o conhecimento se dá pela validade lógica dos argumentos.
c) do crer-confiar: é a visão hebraica; a verdade se relaciona com a presença de alguém (Deus ou humano), com a espera que o pactuado será cumprido. Aqui, a verdade é uma crença fundada na esperança e na confiança numa promessa referida ao futuro. Expressa-se na revelação divina e nas profecias, no que tange a sua fonte mais elevada. Refere-se às ações que serão. O conhecimento se dá pelo consenso e confiança recíproca entre todos.
Observa-se que as três formas dessa teoria dizem respeito a campos distintos do conhecimento.
No primeiro caso, é o conhecimento das ciências naturais, no segundo, se trata da lógica e o terceiro envolve o campo dos valores.
Há também a Teoria Pragmática: um conhecimento é verdadeiro por seus resultados e suas aplicações práticas, sendo verificado pela experimentação e pela experiência. Assim a verificabilidade dos resultados e a eficácia de sua aplicação são a marca do verdadeiro. É o acordo entre pensamento e realidade.
Desse modo, a fim de se formular um juízo verdadeiro, faz-se necessário conhecer a essência, por meio da intuição, dedução ou indução. A verdade exige a libertação das aparências das coisas, de modo a ver intelectualmente suas essências. Exige que nos libertemos de opiniões estabelecidas e ilusões de nossos sentidos.
A verdade por ser o conhecimento da essência real e profunda dos seres é sempre universal e necessária, enquanto opiniões variam de acordo com lugares, épocas, sociedades e pessoas.
Opiniões impedem o conhecimento da essência dos seres. Daí não é por meio delas que se atinge a verdade. O mesmo vale para as sensações, que variam conforme o nosso estado e conforme as condições externas em que se dão.
Sendo assim, estabelecer o tronco judaico-cristão-islâmico, a divindade adorada por esses três ramos, bem como seus livros sagrados, suas filosofias e doutrinas como uma verdade, se trata de uma mera questão de opinião criada no seio de uma determinada sociedade. dessa forma, os valores de outros povos que não conhecem ou não aceitam os valores ora expostos seriam vistos como um erro, o que é equivicado.

Exemplificando essas três concepções de verdade tem-se:


1 - Para se contestar ou se exaltar os fundamentos capitalistas, a linha a ser usada para tal será uma abordagem histórico-filosófico-sociolígico-econômica do tema e, a partir destas, será dada na conclusão a opinião do autor, ou seja, como ele pensa, quais são suas convicções, de acordo com os fatos observados, as respeito do tema sob discussão. Nessa temática não há o certo nem o errado. Há linhas de pensamento distintas e, muitas vezes, antagônicas ao extremo. Aqui se encontram as ciências humanas com os estudos filosóficos, sociológicos, de pensamento econômico, de pensamento jurídico, de administração de empresas.
2 - A fim de criar uma planta para a produção de 1,2 dicloroetano, há que se estudar o mecanismo de reação para a formação de 1,2 dicloroetano no que se refere ao rendimento de reações químicas, há que se buscar subsídios também em cinética química, termoquímica, química quantitativa e qualitativa, eletroquímica, efeitos coligativos, reações orgânicas, isomeria de hidrocarbonetos, efeitos de catalisadores e venenos, engenharia de equipamentos, operações unitárias, transporte de calor e massa, resistência dos materiais, custos, análise de investimentos, pesquisas de mercado, movimentação e armazenagem, controle de processos, transporte, processos de fabricação, controle ambiental, legislação, contabilidade, em fim, há muitas disciplinas envolvidas, sendo que não há lugar para convicções.
Os relatórios devem ser isentos de qualquer elemento pessoal. Assim, suas bases serão fundadas em análises e fatos relacionados à planta de 1,2 dicloroetano.
Aqui não há linhas de pensamento, há a presença da evidência respaldando ou rechaçando o estudo. Logo, temos as ciências naturais como matemática, medicina, engenharia, contabilidade, biologia, física, química, respaldando porque devemos ou não fazer tal planta, além de normas a serem cumpridas (a legislação).
3 - Quanto à questão religiosa e a crença em divindades, nos deparamos com os dogmas, que impedem qualquer forma de contestação no que se refere à veracidade ou não de uma crença religiosa.
Não há evidências concretas de que divindades não existam ou de que elas existam (nesse caso, há alegações referentes a experiências transcendentais, porém fogem ao escopo científico). Como dizer se o cristianismo é verdadeiro ou falso? Não há como dizer isso, uma vez que a forma para corroborar sua veracidade seria o uso de fundamentos cristãos a fim de validá-lo, o que nos faria cair na falácia da circularidade.
Desse modo, cada crença religiosa possui a sua teologia específica, o que torna essa temática singular a cada uma delas, devendo estas estarem completamente alijadas no que se refere a comparações sobre seus valores, ritos, dogmas ou poder de suas divindades.
Portanto, não há propriedade em se estabelecer paralelos entre crenças distintas a fim de suscitar uma como verdadeira em detrimento de outra. O mesmo se dá para valores sociais.
Sendo assim, a verdade de crenças e valores é algo relativo a cada povo, cultura, momento histórico-social e político, o que nos remeteria à forma 1 de pensamento, com a ressalva de que na forma 1, a contestação pode ocorrer por meio da dialética da argumentação, e na 3, esta se faz impossível.
Quanto à forma 2 de pensar, pouco se coaduna à forma 1 (algum cientista social pode vir a questionar os benefícios e malefícios para as comunidades do local da planta de 1,2 dicloroetano).
A forma 3 se coaduna a forma 1 caso se faça um estudo sobre valores das religiões e, no caso 2, em se tratando de um estudo científico sobre as religiões, sua história, seu contexto sócio-político.
Mas, buscar a explicação das formas 1 e 2, por meio da forma 3, tal tentativa em nada se coaduna estudos que possam ser caracterizados como científicos.
Desse modo, assim apresentam-se os três discursos sobre a verdade:
caso 1→ véritas;
caso 2 → alethea (onde há elementos da teoria pragmática inseridos);
caso 3 → emunah.

Como conclusão, é patente que cada uma dessas verdades é aplicada a campos distintos do conhecimento, não se confundindo um com o outro, exceto se as abordagens dos respectivos temas enveredarem pelo caminho que solicite abordagens diferentes daquela ora realizada.

3- OS MÉTODOS:

Há uma grande tendência por parte de religiosos em tentar traçar um paralelo entre a crença e os métodos científicos.
Tal paralelo não procede, uma vez que um método, conforme o estabelecido pela seara científica, não se trata de uma verdade, uma vez que a qualquer momento ele pode ser desmantelado, caso surja outro melhor. Nem tão pouco é uma questão de valores a ser considerada no seio de uma sociedade.
Trata-se apenas de uma forma por meio da qual se estabelece um critério de trabalho, passível de ser convencionado, a fim de uniformizar procedimentos.
Não se classifica como uma crença, uma vez que o indivíduo não pautará sua vida por tal método, nem tão pouco, o tem como uma verdade incontestável.
Um método é apenas uma disciplina de trabalho, mais nada. Como se pode perceber, é algo bem diferente de valores sociais, os quais são o modo como levamos nossa vida em todas as esferas.
Basta apurarmos, ao longo do tempo, quantos métodos foram criados e esquecidos (um bom exemplo é a própria teoria da Administração).

3.1 René Descartes (31/03/1596 a 11/02/1650)







3.1.1 A Cultura é inimiga da Razão

O pensamento de Descartes é revolucionário para uma sociedade feudalista em que ele nasceu, onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda não existia uma tradição de "produção de conhecimento". Para a sociedade feudal, o conhecimento estava nas mãos da Igreja. Aristóteles tinha deixado um legado intelectual que o clero se encarregava de disseminar.
Descartes viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre Protestantes e Católicos na Europa. Ele viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes, mesmo contraditórias. Aquilo que numa região é tido por verdadeiro, é achado como ridículo, disparatado, mentira, nos outros lugares.
Descartes viu que os "costumes", a história de um povo, sua tradição "cultural" influenciam a forma como as pessoas pensam, aquilo em que acreditam.

3.1.2 O primeiro pensador "moderno"

Descartes é considerado o primeiro filósofo "moderno". Sua contribuição à epistemologia é essencial, assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou o seu desenvolvimento. Descartes criou, em suas obras Discurso sobre o método e Meditações - ambas escritas no vernáculo, ao invés do latim tradicional dos trabalhos de filosofia - as bases da ciência contemporânea.
O método cartesiano consiste no Ceticismo Metodológico - duvida-se de cada idéia que pode ser duvidada. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim deve ser, etc, Descartes institui a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que possa ser provado, sendo o ato de duvidar indubitável. Baseado nisso, Descartes busca provar a existência do próprio eu (que duvida, portanto, é sujeito de algo - cogito ergo sum, penso logo existo) e de Deus.
Também consiste o método na realização de quatro tarefas básicas: verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada; analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades de composição, fundamentais, e estudar essas coisas mais simples que aparecem; sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro; e enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.
Em relação a Ciência, Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos, até ser passada pela metodologia de Newton. Ele mantinha, por exemplo, que o universo era pleno e não poderia haver vácuo. Descartes acreditava que a matéria não possuía qualidades inerentes, mas era simplesmente o material bruto que ocupava o espaço. Ele dividia a realidade em res cogitans (consciência, mente) e res extensa (matéria). Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de moção vertical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então.
Matemáticos consideram Descartes muito importante por sua descoberta da geometria analítica. Até Descartes, a geometria e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da Matemática. Descartes mostrou como traduzir problemas de geometria para a álgebra, abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas.
A Teoria de Descartes providenciou a base para o Cálculo de Newton e Leibniz, e então, para muito da matemática moderna. Isso parece ainda mais incrível tendo em mente que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu Discurso Sobre o Método.

3.2 O método segundo Francis Bacon (22/01/1561 a 09/04/1626)

Francis Bacon

O pensamento filosófico de Bacon representa a tentativa de realizar aquilo que ele mesmo chamou de Instauratio magna (Grande restauração). A realização desse plano compreendia uma série de tratados que, partindo do estado em que se encontrava a ciência da época, acabaria por apresentar um novo método que deveria superar e substituir o de Aristóteles. Esses tratados deveriam apresentar um modo específico de investigação dos fatos, passando, a seguir, para a investigação das leis e retornavam para o mundo dos fatos para nele promover as ações que se revelassem possíveis. Bacon desejava uma reforma completa do conhecimento. A tarefa era, obviamente, gigantesca e o filósofo produziu apenas certo número de tratados. Não obstante, a primeira parte da Instauratio foi concluída.
A reforma do conhecimento é justificada em uma crítica à filosofia anterior (especialmente a Escolástica), considerada estéril por não apresentar nenhum resultado prático para a vida do homem. O conhecimento científico, para Bacon, tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. A ciência antiga, de origem aristotélica, também é criticada. Demócrito, contudo, era tido em alta conta por Bacon, que o considerava mais importante que Platão e Aristóteles.
A ciência deve restabelecer o imperium hominis (império do homem) sobre as coisas. A filosofia verdadeira não é apenas a ciência das coisas divinas e humanas. É também algo prático. Saber é poder. A mentalidade científica somente será alcançada através do expurgo de uma série de preconceitos por Bacon chamados ídolos. O conhecimento, o saber, é apenas um meio vigoroso e seguro de conquistar poder sobre a natureza.
O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogísticoraciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenômenos. aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo
Para isso, no entanto, deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para, em seguida, confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presençatábua de ausênciatábua da comparação responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam). Com isso, seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e, pelo registro da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia. (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam), a (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a
O método, no entanto, possui pelo menos duas falhas importantes. Em primeiro lugar, Bacon não dá muito valor à hipótese. De acordo com seu método, a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. Isso, contudo, raramente ocorre. Em segundo lugar, Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. A origem para isso, talvez, foi o fato de ter estudado em Cambridge, reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão.
O discurso de Descartes tinha a pretensão de que por meio do "método" se alcançaria a verdade absoluta. Seu raciocínio se equivocou, contudo, não há desconsiderar os méritos dele oriundos, uma vez que Descartes foi o precursor do que hoje é o método científico, cujos aprimoramentos seguem o modelo de Popper.

3.3 A filosofia de Karl Popper (28/07/1902 a 17/09/1994)



Popper cunhou o termo "Racionalismo Crítico" para descrever a sua filosofia. Esta designação é significante e é um indício da sua rejeição do empirismo clássico e do observacionalismo-inductivista da ciência, que disso resulta. Apesar disso, alguns académicos, incluindo Ernest Gellner, defendem que Popper, não obstante não se ter visto como um positivista, se encontra claramente mais próximo desta via do que da tradição metafísica ou dedutiva.
Popper argumentou que a teoria científica será sempre conjectural e provisória. Não é possível confirmar a veracidade de uma teoria pela simples constatação de que os resultados de uma previsão efectuada com base naquela teoria se verificaram. Essa teoria deverá gozar apenas do estatuto de uma teoria não (ou ainda não) contrariada pelos factos.
O que a experiência e as observações do mundo real podem e devem tentar fazer é encontrar provas da falsidade daquela teoria. Este processo de confronto da teoria com as observações poderá provar a falsidade (falsify) da teoria em análise. Nesse caso há que eliminar essa teoria que se provou falsa e procurar uma outra teoria para explicar o fenómeno em análise. (Ver Falseabilidade).
Alguns consideram este aspecto fulcral para a definição da ciência. Chegando a afirmar que "científico" é apenas aquilo que se sujeita a este confronto com os factos. Ou seja: afirmam que só é científica aquela teoria que possa ser falseável (refutável). Existem críticas contundentes quanto a esse aspecto. Essas remanescem no bojo da própria Filosofia que Popper propõe. E por que? Ao afirmar que toda e qualquer teoria deve ser falseável, isso se aplica à própria teoria da falseabilidade popperiana. Portanto, a falseabilidade deve ser falseável em si mesma. Diante dessa evidente necessidade - sob a pena de sua teoria ser não-universal e portanto derrogada pela sua imprecisão - poderá existir proposições, em que a falseabilidade não é aplicável (vide teorema da incompletude de Kurt Gödel). Nos dias de hoje, verifica-se que a falseabilidade popperiana não é princípio de exclusão, mas tão somente de atribuição de graus de confiança ao objeto passível do crivo científico.
Para Popper a verdade é inalcançável, todavia devemos nos aproximar dela por tentativas. O estado actual da ciência é sempre provisório. Ao encontrarmos uma teoria ainda não refutada pelos factos e pelas observações, devemos nos perguntar, será que é mesmo assim ? Ou será que posso demonstrar que ela é falsa ? Einstein é o melhor exemplo de um cientista que rompeu com as teorias da física estabelecidas.
Popper debruçou-se intensamente com a teoria Marxista e com a filosofia que lhe é subjacente, de Hegel, retirando-lhes qualquer estatuto científico. O mesmo em relação à psicanálise, cujas teorias subjacentes não são falseáveis (refutáveis).
O seu trabalho científico foi influenciado pelo seu estudo da teoria da relatividade de Albert Einstein.

3.3.1 Popper X Bacon
Comparando o método científico de Karl Popper com a visão baconiana da ciência, Ernest Gellner afirma em "Relativism and the social sciences" ("Relativismo e as ciências sociais"):
"a definição do método científico de Popper difere da versão baconiana de empirismo por sua ênfase na eliminação em vez da ênfase na verificação. No entanto eles têm em comum um determinado ponto: quer nós verifiquêmos ou refutemos, de qualquer forma fazêmo-lo com a ajuda de duas ferramentas e apenas duas: a lógica e a confrontação com os factos. As teorias são julgadas por dois juízes: consistência lógica e conformidade com os factos. A diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se os factos condenam os pecadores ou canonizam os santos. Para o jovem Popper havia alguns pecadores apropriadamente certificados, mas nunca santos definitivamente canonizados".
Logo, a argumentação religiosa de que ciência é crença, não possui qualquer fundamento concreto, nem mesmo apoiado por questões filosóficas.



4- CONCEITOS:


Geralmente, no universo leigo, há grande confusão conceitual no que se refere à metodologia científica. Tais confusões geram dificuldades imensas na compreensão da metodologia em tela, o que leva a equívocos. Disso se aproveitam os pseudocientistas, com suas teorias sem sentido, cuja carga de falácias e sofismas é imensa. Tal fato se verifica uma poderosa arma a fim de convencer os leigos a respeito da certeza das mal formuladas teses pseudocientíficas.

Sendo assim, há que se esclarecer alguns conceitos a fim de elucidar o raciocínio científico e propiciar um bom entendimento do que vem a ser a metodologia científica.

- Postulados: existem na matemática. Estes não são evidentes e não se provam. Apenas dão base à demonstração dos teoremas e deduções lógicas da matemática.

- Axioma: premissa imediatamente evidente admitida como universalmente verdadeira sem exigência de demonstração. Da proposição axiomática podem-se deduzir as proposições de uma teoria ou sistema lógico ou matemático.

- Sistema: Conjunto de elementos, materiais ou ideais entre os quais se possa definir alguma relação.

- Princípio: é o ponto de partida de um processo qualquer. Ele é observável, porém não é demonstrável. É freqüente o seu uso em ciências naturais e humanas, a fim de construir o raciocínio de uma teoria. Porém estão abertos à contestação.

- Dogma: se trata de um ponto fundamental indiscutível de uma doutrina, ou seja, é uma verdade certa e incontestável.

-Hipótese: é uma suposição ou conjectura. Isto é, uma tese cuja verdade ainda não foi demonstrada, o que quer duizer que nem todos os seus dados foram confirmados pela evidência. Ex. as suposições de haver vida em Europa.

-Premissa: fato ou princípio que serve de base para um raciocínio.

-Evidência: qualidade daquilo que não oferece dúvida, que se compreende prontamente dispensando demonstração; claro, manifesto, patente.

-Fato: coisa ou ação feita, acontecimento, coisa que realmente existe, o que é real.

-Tese: proposição que se expõe a fim de ser defendida; é o inicio do processo dialético.

-Teoria: conjunto de princípios fundamentais e sistematizados acerca de determinados assuntos. As teorias fundamentam uma arte ou ciência cujo conhecimento apresenta sistematização e credibilidade que se propõe a explicar fenômenos observáveis na prática, direta ou indiretamente. Ex. Teoria da relatividade, teoria da evolução, teoria atômica, teoria da gravitação, teoria genética.

As leis científicas integram as teorias sem defini-las, sendo que a teoria é algo bem mais abrangente que uma lei natural ou cinetífica.

Disso se pode concluir que a a teoria é um grau de conhecimento muito mais avançado e melhor explicado que uma lei.
 


- Lei natural ou científica: é o enunciado que descreve uma relação necessária e constante entre determinados fatos e fenômenos que ocorrem com regularidade. Ou seja, decorre a lei da natureza interna dos coisas (sua essência). Tem abrangência geral que, sendo exaustivamente confrontada, testada e validada frente a um espectro de fatos, lhes confere sentido cronológico, lógico e causal. Ex. as leis da gravitação, do eletromagnetismo e da conservação da energia.


Dessa forma, há que se considerar que estes conceitos não se confundem, pois tratam de pontos distintos na seara das ciências.

Geralmente a confusão parte dos círculos religiosos os quais tentam confundir o leigo valendo-se erroneamente dos conceitos ora apresentados e assim lançar na incredulidade o conhecimento científico.


5- Alegações cristãs padrão e respostas adequadas:

Geralmente, as afirmações abaixo se fazem muito freqüentes no discurso religioso, em especial no fundamentalista cristão de linha protestante e em alguns císculos católicos;
A argumnetação que se segue, não passa de falácias e sofismas, a fim de causar impacto e iludir o leitor leigo.

Vejamos:


1- Um evento XYZ no futuro provará que o cristianismo é verdadeiro.

Evidências anunciadas para o futuro não servem como evidência no presente.

2- A ciência se baseia em fé.

A ciência assume que as leis da natureza são constantes. A ciência se baseia em observações e experiências. Fé é crença sem evidência. A ciência trabalha com evidências.

3- A ciência está cheia de lacunas.

Qualquer ciência tem lacunas, que vão sendo preenchidas por novas descobertas e teorias melhores. À medida em que a ciência faz novas descobertas, aparecem novas lacunas e mistérios, a serem resolvidos pela ciência do futuro. Todas as teorias científicas são provisórias e incompletas. Se você quer verdades absolutas, fique com a filosofia e a teologia.

4- A evolução tem muitas lacunas.

Apenas uma porcentagem mínima dos seres vivos se fossiliza. Olhe em volta enquanto anda e repare nos seres vivos. Quantos deles vão se fossilizar e ser um dia descobertos por cientistas? Tente achar um fóssil de uma espécie moderna. A falta de fósseis não significa falta de formas de vida. Quanto mais fósseis são achados, mais lacunas são criadas.

5- A ciência não sabe tudo. Ainda não descobriu XYZ.

A ciência sabe mais a cada ano, corrigindo teorias anteriores. Todas as teorias científicas são aproximações experimentais. Os cristãos vivem tentando destruir o ensino da ciência mas depois se queixam de que a ciência é lenta demais em seu avanço para satisfazê-los. Pense nos problemas difíceis que a ciência resolveu no passado, tudo sem recorrer a atos de deuses ou milagres.

6- A Segunda Lei da Termodinâmica impede a evolução, já que diz que tudo se torna cada vez mais desorganizado com o tempo.

A versão científica (ao contrário da versão dos fundamentalistas), diz que a Segunda Lei descreve as condições num sistema fechado. Em tal sistema, a energia se dissipa com o tempo. Não diz nada que impeça que a evolução ocorra. A Terra não é um sistema fechado, já que a energia solar está sempre entrando.

7- A ciência tem fraudes e erros, como os Homens de Piltdown e Nebraska.

A ciência tem métodos para detectar e corrigir fraudes e erros. A longa história de previsões acertadas da ciência valida suas teorias e métodos.

8- A ciência não sabe qual a origem do Big Bang.

A ciência observou os resultados do Big Bang no universo em expansão, os 2,7 graus de radiação de microondas e a proporção de isótopos leves. A origem do Big Bang ainda é um mistério científico. A expressão “antes do Big Bang” não tem significado científico já que o tempo é um resultado do Big Bang. “Causa” não se aplica ao Big Bang em si, já que causa pressupõe leis e passagem de tempo. Ambos são produtos do Big Bang, há 13,7 bilhões de anos.

9- A ciência não conhece a origem das primeiras células.

Há mistérios na ciência. Um dia, eles são desvendados pelos avanços da ciência. Químicos e biólogos estão trabalhando neste problema. A superfície original da Terra foi intensamente bombardeada durante a fase da evolução química. Isto destruiu evidências de traços biológicos, deixando apenas carbono. A proporção entre carbono 13 e carbono 12 nos diz que ele já foi um dia parte de um sistema vivo. As células das plantas têm preferência pelo carbono 12 quando absorvem dióxido de carbono. Leia a edição de março de 1998 da National Geographic Magazine para mais detalhes sobre a origem da vida.

10- A evolução não é válida como ciência.

A comunidade científica e a Suprema Corte americana decidiram que a evolução é válida como ciência e que o criacionismo é religião. Nenhuma publicação científica profissional contesta que a evolução é fato. Nenhuma evidência física contradiz a realidade da evolução. A continuidade genética é uma lei da biologia. Ancestrais comuns são um fato na biologia. Cada período geológico teve espécies diferentes, todas derivadas de espécies de períodos anteriores. A evolução não foi provada, foi confirmada.

11- A ciência encontrou a Arca de Noé.

Nenhuma arca foi encontrada. Não há menção a nenhuma montanha da região do Ararat.

12- A ciência descobriu provas do dilúvio de Noé.

A ciência não faz nenhuma referência ao dilúvio de Noé. Não há vestígios desta inundação em nenhum lugar. Nem a história nem a ciência falam do dilúvio mundial de Noé.

13- É preciso muito mais fé para se acreditar na evolução que em Deus.

A evolução é a variação genética ao longo das gerações de num determinado grupo. Isto foi observado. Não se observou nenhum deus.

14- Muitos cientistas, agora e no passado, acreditavam em Deus e tinham uma religião.

As escolhas religiosas dos cientistas não têm nenhuma validade científica. O valor da opinião de um cientista é proporcional às evidências que ele apresenta. Cientistas também se deixam iludir por religiões.

15- A ciência confirma o Gênesis.

A única semelhança entre os fatos científicos e o Gênesis é que ambos têm um começo. O Gênesis fala em plantas na Terra antes da criação do Sol, da Lua e das estrelas. No Gênesis há uma cobra que anda e fala, gente e bichos sem pais. Não houve chuva até que o homem apareceu e então houve um dilúvio universal. Diz que os pássaros foram os primeiros animais terrestres. Tudo isto foi refutado pelas observações científicas.

16- Foi tudo um milagre de Deus.

Qualquer história, por mais maluca que seja, pode ser explicada como milagre de Deus.

17- Quando você nega a Bíblia, você está chamando Deus de mentiroso.

Humanos falíveis escreveram, editaram e selecionaram os textos da Bíblia, não Deus. A Bíblia tem alguns fatos históricos mas também tem muitos erros.

18- A evolução e o Big Bang são apenas teorias que não foram provadas.

As teorias científicas são explicações aceitas para fatos observados. Todas as teorias científicas são tentativas de explicar as coisas, e são aproximações. Teorias científicas nunca são provadas; provas só existem em matemática. Mostre-nos evidências físicas para as teorias do criacionismo.

19- A ciência não pode lhe dar vida eterna no céu ou evitar a vida eterna no inferno.

Não há evidências de céu, inferno e vida eterna. O que a ciência pode fazer é dar uma vida mais longa e saudável na terra.

20- Não há evidências da evolução.

Cada era geológica tem espécies diferentes, começando pelas bactérias procariotes do Pré-Cambriano, há 3,5 bilhões de anos, no Apex Chert, Austrália. A continuidade genética é uma lei, que diz que animais e plantas SEMPRE descendem de organismos mais antigos, a partir do momento em que se formaram as primeiras células. A similaridade de estrutura física, genética e proteínas das formas de vida mostra que elas têm ancestrais comuns. A comunidade científica aceita a evolução como ciência válida.

21- Deus criou as pessoas.

Os humanos evoluíram durante milhões de anos. Deixaram fósseis e ferramentas das etapas intermediárias. As pessoas sempre descendem de um pai e uma mãe. Misturar Deus com ciência nunca melhora a ciência e só serve para aumentar a complexidade.

22- Deus inventou a ciência.

A ciência é um processo para solucionar mistérios. Deus supostamente já conhece tudo e não teria nenhuma aplicação para a ciência. Foram pessoas curiosas que desenvolveram a ciência ao longo dos séculos.

23- Tudo pode ser explicado pelo Projeto Inteligente.

Não há sinais de projeto na natureza. Histórias sobre projeto pressupõem um Projetista. Projeto Inteligente é apenas outro modo de dizer “Deus criou”.

24- É lógico acreditar em Deus. Você não pode provar que ele não existe.

Provas só existem em matemática. Todos os deuses se baseiam igualmente na fé. Todos os deuses se mantêm em silêncio e invisíveis, a menos que você considere que coisas físicas como planetas e vulcões são deuses. A Bíblia e outros Livros Sagrados divergem bastante sobre a natureza e a vontade de seus deuses. As pessoas inventam os deuses e eles são tão variados quanto a imaginação humana. Processos lógicos seguem o princípio de que “se entra lixo, sai lixo”, Falei com muitos especialistas em Deus. Eles divergem entre si. O ateísmo, se considerado como ausência de crença em deuses, é racional, já que não se vêem deuses. Não é possível provar que deuses não existem. Mas podemos deixar de acreditar neles. Qualquer deus pode ser apoiado pela fé, popularidade e emoções.

25- As leis da probabilidade indicam que a vida não poderia ter surgido por si só, sem Deus.

Já que o processo químico que levou à vida é desconhecido, a matemática não pode ser aplicada de forma útil. O melhor que os cientistas podem dizer, com um mínimo de certeza científica, é que eles ainda não conhecem o processo.

26- Tudo tem uma causa, portanto o Big Bang foi causado. Por Deus.

A ciência ainda não tem explicações para o Big Bang. Está além da ciência atual. O que causa o decaimento atômico e as partículas virtuais? Incluir Deus na ciência nunca melhora uma teoria científica e só serve para aumentar a complexidade. O que causou Deus?

27- Pasteur provou que a vida não pode surgir da ausência de vida.

Pasteur mostrou apenas que um caldo de cultura mantido em ambiente esterilizado permanecia estéril. Sua experiência não se aplica à origem da vida no ambiente do Pré-Cambriano, num período de milhões de anos.

28- Foram encontrados fósseis no topo de montanhas, provando que o dilúvio de Noé ocorreu.

As montanhas foram no passado o fundo do mar, com fósseis marinhos, empurradas para cima pelas colisões das placas continentais, como o Himalaia e os Andes. Fósseis são formas de vida extintas. As enchentes modernas não depositam resíduos marinhos com fósseis de espécies extintas.

29- As camadas geológicas não existem em lugar nenhum da Terra. São ficção.

Cada lugar na Terra tem uma história única, com formações diferentes, com diferentes períodos, profundidades e composições. Há em torno de 25 locais onde amostras de todos os períodos são encontradas. O sistema de colunas foi desenvolvido muito antes de Darwin escrever seu livro.

30- Os cientistas já pensaram que a Terra era plana.

Aristóteles e outros gregos antigos viram que a Terra era esférica, ao observar a sombra dela na Lua. Você conhece algum cientista que defenda que a Terra é plana?

31- A ciência afirma que tudo aconteceu por acaso.

A ciência explica as coisas pela ação das leis naturais. “Acaso” é uma medida da ignorância humana, não a falta de leis físicas agindo.



Estes fui eu que acrescentei com base em sofismas religiosos:
32 - "Todos temos o direito do livre pensar. Ou será que vamos produzir uma ditadura do conhecimento dos especialistas. Se assim fosse os evolucionistas deveriam aceitar o ensino dos Teólogos, pois eles é que são especialistas em religião".
O ensino teológico nada tem a ver com o científico, são dois mundos completamente distintos, embora suas raízes estejam fundadas na filosofia a qual se desenvolveu a partir de questionamentos sobre os mitos e crenças religiosas.
Existe uma grande diferença entre o acreditar científico e o filosófico-teológico. Neste, valemo-nos de nossas convicções; naquele, das evidências que apresentam.
Desse modo, tentar estabelecer semelhanças entre teologia e ciência é equivocado.
O aprendizado na área cientifica não se aceita; aprende-se, contesta-se e modifica-se.
Quanto ao ensinamento teológico se aceita, uma vez que não possui bases científicas que atestem ou não sua certeza, bem como possui a característica dogmática que o fecha a qualquer contestação, além de ser singular a cada crença.
Pensar é uma coisa, discorrer sobre temas científicos e contestar métodos também científicos é outra bem diferente. Há que se trazer evidências concretas para se corroborar ou rechaçar algo. Nesse ponto, convicções pessoais em nada colaboram para o desenvolvimento científico. Sendo assim a critica corre o risco de se perder e tornar-se infundada.
33 - "O evolucionismo, como sistema da linha filosófico racionalista, não tem resposta para as grandes questões da vida, indagações às quais todo ser humano, mais dia ou menos dia, irá se deparar com elas, tais como: de onde vim? Para onde vou, depois da morte? O que vim fazer neste planeta? Porque o homem entre todos os animais é o único dotado de razão? Será que um universo altamente complexo e organizado do nada? O nada ou o acaso podem criar alguma coisa? Porque tantas pessoas inocentes morrem?"
Tais questões são fáceis de serem respondidas se encaradas sob a ótica do naturalismo filosófico.
Entretanto, há que se elucidar mais dois pontos:
Evolucionismo é uma filosofia de vida (“ismo”). Não se trata de teoria da evolução a qual é uma teoria científica ( “logia”). Como se pode perceber, há dois sufixos gregos distintos para ambas as questões :
"ismo" --->seita, crença, partido;
"logia" ---> ciência.

Vamos à elucidação dos conceitos:

Evolucionismo social:

"Evolucionismo Social refere-se às teorias antropológicas de desenvolvimento social segundo as quais acredita-se que as sociedades têm início num estado primitivo e gradualmente tornam-se mais civilizadas com o passar do tempo. Nesse contexto, o primitivo é associado com comportamento animalístico; enquanto civilização é associada com a cultura européia do século XIX. O Evolucionismo Social tem relação com o Social-Darwinismo e representa a primeira teoria de Evolução Cultural.
O Evolucionismo Social era a teoria social prevalecente no início da Antropologia Socio-Cultural e explicação social, e é associada a acadêmicos como Tylor, Lewis Henry Morgan e Herbert Spencer. O Evolucionismo Social representou uma tentativa de formalizar o pensamento social com linhas científicas modeladas conforme a teoria biológica da evolução. Se organismos podem se desenvolver com o passar do tempo de acordo com leis compreensíveis e deterministas, parece então razoável que sociedades também o podem. Isso marca o início da Antropologia como disciplina científica e uma despedida das tradicionais visões religiosas de culturas "primitivas"
Além de influenciado pela biologia, o Evolucionismo Social tinha raízes na filosofia iluminista e pós-iluminista. Hegel, por exemplo, argumentou que o desenvolvimento social era um processo inevitável e determinado, similar a uma bolota que não tem escolha a não ser tornar-se um carvalho. Da mesma forma, assumia-se que as sociedades começavam primitivas, talvez num estado Hobbesiano de natureza, e naturalmente progredindo a algo parecido com a Europa industrial.
Embora a idéia de que as sociedades desenvolvem-se com o passar do tempo não tenha desaparecido, outras teorias modernas são muito mais sensíveis culturalmente, e geralmente incorporadas a entendimentos mais progressivos de teoria evolucionária.



Teoria da Evolução:


A teoria da evolução se refere à adaptação biológica — não implica em alguma forma de melhoria "absoluta", rumo a uma perfeição ideal, mas é meramente o resultado do acúmulo de características hereditárias que ao longo do tempo, em dado momento da história das linhagens, foram relativamente vantajosas aos seus portadores em seus respectivos ambientes.
Também, lhe asseguro que as questões que levantou não são relevantes para cientistas, uma vez que não são objetos de seus estudos, mas do estudo de teólogos e filósofos.
Assim, é patente a diferença entre ambos os conceitos.
Autor: Graham Kendall


Como se pode perceber, todos os argumentos aqui apresentados pelo autor são falaciosos, conforme provam as contestações por ele elaboradas.
Geralmente, esse rol de falácias traz mais dúvidas que elucidações às pessoas não familiarizadas com a ciência.



CONCLUSÃO:

A fim de poder-se tecer uma argumentação, principalmente no campo científico, é necessário o conhecimento relativo a conceitos, bem como uma base científica sob o assunto em tela, além de um bom conhecimento de lógica, no que se refere a evitar e encontrar a argumentação falaciosa e sofismática e, conhecimento filosófico de modo a discorrer com propriedade sobre as implicações da teoria científica nesse campo.

Porém há que se lembrar que filosofia e ciência não mais caminham juntas, uma vez que suas linhas de raciocínio em nada se coadunam, conforme apurado no decorrer deste trabalho.




Fontes Bibliográficas:

Standard Christian Claims and Suitable Answers

http://ateusdobrasil.com.br/artigos/contradicoes/alegacoes_cristas_padrao







 BAZARIAN, Jacob. O Problema da Verdade. Teoria do Conhecimento. Ed. Alfa- Omega.


CHAUÍ. Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo, Ed. Ática.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Descartes

http://pt.wikipedia.org/wiki/Popper

http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Bacon_%28fil%C3%B3sofo%29


MARCONDES. Danilo. Iniciação à História da Filosofia, São Paulo, Ed. Zahar