domingo, 19 de outubro de 2008

Nova pérola cristã

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O mercado de livros cristãos em prol da defesa de suas crenças é algo que me parece alarmante. Todavia sua temática e a famosa BO (boa para otários), pois a argumentação possui falhas lógicas e impropriedades de raciocínio, além de demonstrar falta de conhecimento no que concerna à metodologia utilizada pela ciência.

Eis mais uma das pérolas do cristianismo:

Sabe aquele ditado popular de que os melhores perfumes estão nos menores frascos? Às vezes, isso também é verdade em relação aos livros. Em apenas 63 páginas, Ken Taylor dá seu recado no Crer Para Ver (Editora Textus), livreto que aborda, entre outras coisas, a possibilidade da realidade dos milagres, a importância dos pressupostos, a existência de Deus, a experiência cristã, as evidências da ressurreição de Jesus e a revelação na Bíblia. Taylor é o tradutor da paráfrase A Bíblia Viva e fala com propriedade e concisão dos temas mencionados.



Algumas citações de seu opúsculo:


"Afirmar que já se provou que todas as coisas seguem as leis naturais significa dizer que tudo já foi observado. Isso não é verdade. No caso dos milagres nas Escrituras, as observações das testemunhas oculares, tanto crédulas quanto céticas, encontram-se registradas, e é impossível conseguir mais detalhes dos eventos."

Ninguém, desde que seja sério, no campo das ciências jamais fez tal afirmativa. Quanto a testemunhas oculares, o monstro do lago Ness, o chupa cabras, vampiros, yetis, pé grande e lobisomens também as possuem.
Daí, afirmar que tais relatos são verdadeiros, há um longo percurso.


"A questão mais importante é saber se o Deus pessoal dos cristãos existe. Se Ele existe, os milagres são não apenas concebíveis, mas devem ser esperados."

Partindo-se do pressuponsto que Deus exista, na versão judaico-cristã-islâmica, não sei até que ponto milagres seriam obras exclusivamente do Deus Cristão, ou de outros deuses ou mesmo de entidades malígnas.

Caso tais supostos milagres ocorram em outras formas de crenças, (deus Ganesh que bebe leite, visões de Fátima, curas milagrosas por meio de óleo bento, curandeirismo, etc) cristãos, principalmente evangélicos, são os primeiros a afirmar que tais fenômenos não passam de obras do mal.

Como separar um suposto milagre como obra de Deus ou de Lúcifer? Se este ser é tão ardiloso, como não saber que foi ele quem atendeu ao chamamento do indivíduo? Como não saber se é ele quem domina as crenças que cegam a humanidade? Como não saber se é ele o patrocinador de toda essa intensa religiosidade que ocorre principalmente no mundo cristão? Como saber se a inspiração bíblica ou de outros livros sagrados não foi dada por ele ou por seus assistentes a fim de ludibriar os pobres humanos?

Nossa subjetividade seria suficiente para elucidar tal problema? Creio que não e, aqui paira uma sombra de dúvidas.

"Quando um cientista racionalista afirma que não é possível saber sobre Deus, ele não declara um fato, e, sim, a conclusão lógica de seu pressuposto: já que não é possível examinar Deus com os sentidos, Ele não pode ser conhecido. Mas talvez existam outras formas de conhecer as coisas. ... Deus enviou seu Espírito para informar-nos, e Seu Espírito investiga e nos revela todos os segredos mais profundos de Deus."

Não é possível descartar a idéia de qualquer deus ou ente sobrenatural. Todavia, volto a repetir, a probabilidade de sua existência é baixa, uma vez que se estudarmos os fenômenos a fundo, certamente descobriremos causas naturais ou fraudes, exatamente como tem ocorrido ao longo dos anos.

Um exemplo, é o milagre de Lanciano. Como há estudiosos que afirmam que o conteúdo do invólucro é carne humana com sangue tipo AB se este se encontra lacrado?

É o gato da caixa de Schröedinger.

"É impossível provar que Deus não existe como uma pessoa. O motivo disso é a lei da lógica: é impossível provar uma negativa."

Qualquer negativa é impossível de ser provada, assim como qualquer afirmativa o é, desde que o tal fenômeno afirmado jamais tenha ocorrido ou sido observado.

Peguemos um exemplo semelhante ao de Dawkins dado em Deus um Delírio:

Afirmo que existe uma xícara em órbita de Marte. Como posso provar isso? Ou vou até Marte e encontro a tal xícara ou descubro um meio indireto de detectá-la (um super telescópio).

Um exemplo prático é dizer que há vida em Europa. Há quem acredite e há quem não acredite (este acreditar em termos científicos) em tal teoria, uma vez que cada grupo expões suas razões apoiando um lado e outro dela.

"Negar, com base no método científico, a existência de uma esfera na qual, pela definição, ele não se aplica é adotar uma postura totalmente ilógica. Um pensador que passa a agir assim deixou de ser objetivo. O preconceito se apoderou dele."

Exatamente, mas afirmá-la como uma verdade objetiva (alethea), além de ilógico, é insensato. O melhor a fazer é deixar o caso aberto, exatamente como é a postura agnóstica. Há que se colherem evidências antes de se tecer qualquer afirmação a respeito da plausibilidade dos fenômenos ditos como milagres serem considerados como paranormais.

E, para mim, a melhor de todas: "Parece ser muito mais fácil se acreditar em um Deus que criou homem e mulher do que em uma mutação simultânea que produziu um macho e uma fêmea humanos em uma mesma geração, em um mesmo local."

Para mim, o raciocínio tecido por Ken Taylor se denomina limitação de pensamento enclausurado no dogmatismo religioso que de científico não possui nada.

É mais fácil chutar a bola para os deuses ou para os entes sobrenaturais que tentar entender o que ocorreu, a fim de compreender as causas de determinado fato acontecer ou ter ocorrido na natureza.

Além de dar trabalho (muito estudo e observações), pode-se não chegar a resposta alguma por meio da pesquisa científica, muitas vezes nos obrigando a agurdar novas tecnologias.


Para elucidar: o sexo não apareceu pela primeira vez em humanos como parece no sentido da frase, mas quando passou a haver trocas de genes entre bactérias primitivas.

Em breve conclusão, Sören Kierkegaard tinha razão: a verdade é aquilo em que acreditamos como verdade, ou seja, para nós a verdade é a verdade objetiva, aquela que foge aos parâmetros científicos.

Para Kierkegaard está associada à ideia de que a religião é, no seu fundamental, não uma persuasão da verdade de uma doutrina, mas sim a dedicação a uma posição que é inerentemente absurda, ou que dá "ofensa", o termo usado por Kierkegaard.

Nós obtemos a nossa identidade ao acreditar em algo que ofenda profundamente a nossa mente, o que não é uma tarefa fácil. Para existir, teríamos de acreditar e acreditar em algo que seja ominosamente difícil de acreditar.

Esta é a essência do processo existencialista em Kierkegaard, que associa a fé com a identidade.


Dessa forma, a subjetividade está na nossa fé (o mundo do dever ser e da emunah) e não na metodologia científica que busca a objetividade do mundo do ser (a alethea).

Assim, acho que a metáfora do perfume abordada no início do texto, não é muito apropriada, pois este perfume (o perfume do dogmatismo) pode cheirar um pouco mal se aplicado da forma errada.








segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O tiro pode sair pela culatra

Mais uma vez surge um novo blá blá blá contrário à Teoria da Evolução.

Desta vez não parte de "renomados cientistas" com uma "cosmovisão" crítica a respeito das teorias de Darwin e de seus seguidores, mas de um professor de direito de Berkeley.

O título parece o chamamento para uma guerra, que é o que criacionistas têm empreendido, desde a formulação das teorias de Darwin, em pról de sustentar o mito da criação como uma verdade incontestável acima de tudo que possa contrtadizê-la.

vejamos:

Munição para a “batalha”













Apesar do título belicoso, Como Derrotar o Evolucionismo com Mentes Abertas, de Phillip Johnson (Editora Cultura Cristã), é um bom livro para quem quer se situar em meio à controvérsia entre darwinismo e design inteligente.

Bem, se ter "mente aberta" é incentivar que algo que vem sendo confirmado deva ser derrotado, o que seria então ter uma mente fechada?

Nada mais "travador de mentes" que encerrar a questão científica no dogmatismo religioso, onde tanto o criacionismo, como a sua carinha nova o DI se encerram.

Infelizmente, este livro deve ser mais uma daquelas porcarias que surgem no mercado para enganar pessoas leigas exatamente como "O Delírio de Dawkins" de Mc. Grath.

Johnson, que é formado pela Harvard e pela Universidade de Chicago, leciona direito há mais de 30 anos na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Exatamente por isso, ele foi capaz de investigar o âmago dos argumentos darwinistas, atuando como uma espécie de “promotor de justiça” da teoria. E justiça seja feita: apesar de não ser cientista, Johnson demonstra amplo conhecimento dos temas em questão e analisa tudo de forma crítica e lúcida.

Fazendo um retrospecto a questão da análise a respeito do que é verdade, a investigação argumentativa (mundo da véritas) é bem diferente da investigação científica (mundo da alethea).

As críticas podem ser feitas, no que se refere a argumentos meramente hipotéticos, os quais ainda não possuam nada que os tenham confirmado.

Todavia, se algo apresenta estudo que aponte para confirmação ou desconfirmação de teorias, somente poder-se-á sanar a questão por meio de estudos cujos resultados se oponham à tese que embasa a respectiva teoria apresentada.


Logo na introdução do livro, o advogado justifica por que os jovens acabam sendo o público alvo da obra:

Prestem atenção no espírito do livro:

“[Os] jovens precisam tirar vantagem das maravilhosas oportunidades educacionais que nossa sociedade oferece, mas também precisam se proteger da doutrinação no naturalismo que geralmente acompanha a educação.

Aqui, a coisa já degringola contra o método utilizado no ensino, cujos estudos devem estar isentos de cargas valorativas e ideológicas, dentre elas a religião.

Livros didáticos e outros materiais educacionais tomam o naturalismo evolucionário como certo e, assim, admitem a resposta errada para a mais importante questão com que nos deparamos: Existe um Deus que nos criou e que Se importa com o que fazemos? Os jovens precisam estar preparados para a doutrinação e para isso precisam saber algumas coisas que as escolas não estão autorizadas a ensiná-los. Esse é o principal objetivo deste livro.”


De início, nosso doutor já comecou a falar besteiras. Nenhum livro didático ou científico sério toma nada como certo (acho que ele confundiu doutrina religiosa com ensino laico). Apenas apresenta a teoria como ela tem sido desenvolvida ao longo do período em que está sendo estudada.

Querer que um livro didático se aprofunde em questões científicas não é lógico nem correto, principalmente no segundo grau onde o contato com as matérias científicas é ainda inicial.

Exigir que estudantes de segundo grau tomem contato com disciplinas que apenas são ministradas em nível de especialização faria com que o curso perdesse o seu foco (formação generalista) e , portanto, os estudantes sairiam sem entender nada.

O aprofundamento das disciplinas começa na graduação e prossegue na pós graduação (mestrado, doutorado e PhD).

Também, não é objetivo do ensino laico ou de estudos científicos se preocupar com que deuses pensam, desejam ou se importam. Isso é tarefa da religião (aliás que insistência em tornar novamente o ensino um apêndice da crença religiosa que possuem determinados cristãos).

Para que tipo de doutrinação jovens devem estar preparados?

Doutrinação é o método de que se valem Estados totalitários como os nazi-fascistas, comunistas stalinistas, castristas, maoístas, estados teocráticos (estados islâmicos fundamentalistas e os estados religiosos europeus da antiguidade) e socialistas falastrões como los hermanos de America del Sur) a fim de dominar as massas, fazendo-as pensar como o Estado deseja que elas pensem, eliminando toda e qualquer visão crítica possível a fim de assegurarem seu poder.

De boas intensões, o inferno está cheio.....

Realmente, jovens são presas fáceis para doutrinadores, uma vez que seu senso crítico ainda não se encontra devidamente aguçado para percerber o quanto de carga ideológica se encerra nas doutrinas e as falhas lógicas nos argumentos do DI e do criacionismo. S
im, apenas argumentos, pois nada em termos científicos respalda estas teorias.

Se este é o principal objetivo do livro, aconselho a adultos, jovens e crianças ficarem bem longe dele, uma vez que não trará nenhum conhecimento ou visão crítica da teoria da evolução que mereça crédito.

Johnson então passa a utilizar seu “detector de conversa fiada” para analisar a teoria da evolução e chega a propor uma “verdadeira educação em evolução”, com uma abordagem mais autocrítica e menos triunfalista. Ou seja, ele ajuda o leitor a desenvolver uma visão cética com respeito às pretensões darwinistas.

Até aqui, acho que ele deveria usar seu "detector de conversas fiadas" para seu livro, uma vez que os cientistas, mesmo em teorias confirmadas mantém o seu ceticismo.

De acordo com o método Popper, nada é absolutamente verdadeiro (verdades objetivas), principalmente em teorias científicas quaisquer que sejam, pois a qualquer momento podem ser desconfirmadas.

Dessa forma, o livro não deve ser uma "educação em evolução", mas uma "educação em conversa fiada", a fim de respaldar a religião como resposta alternativa ao que até então foi construído pela teoria da evolução aliada à genética, ecologia, fisiologia, histologia, botânica entre outros ramos da biologia e interdisciplinarmente com a química, física e bioquímica.

Ou seja, este livro deve em todo o seu texto se pautar em argumentação e não em análises científicas a fim de desbancar uma teoria.

É o velho padrão criacionista de sempre: Detonar uma teoria demonstrando seus pontos fracos e, assim eleger como alternativa as caronistas: o criacionismo e seu disfarce o DI (ambos pautados no deus das lacunas), para então começar com toda aquela questão religiosa e terminar no plano da salvação onde só Cristo salva.

Desse modo, há que se ter uma visão cética em relação aos argumentos que este livro apresenta, pois sua pretensão é bem clara: doutrinar jovens e aliciá-los ao cristianismo fundamentalista onde a visão crítica relativa as suas crenças é totalmente anulada, chegando a tornar-se um tabu empreender qualquer tentativa neste sentido.

Certamente este livro não se trata de um debate científico, mas de debate puramente ideológico em prol da defesa dos mitos relativos à crença judaico-cristã-islâmica.

Portanto, se jovens pretendem ter visões críticas de algo, devem estudar muito e procurarem autores sérios para então examinarem seus estudos, a fim de ser possível traçar linhas de aprendizado e tecer críticas concretas e fundamentadas a respeito de determinada teoria.

Caso alguém se interesse por teoria da evolução, recomendo Dawkins (o ateu fundamentalista), Gold (o enrolado), Mayr (
o detestável) e o próprio Darwin (o anticristo).

Caso queiram entender um pouquinho sobre o Universo leiam Hawking, Sagan, Michio Kaku, Bryan Greene, Einstein e Perlmutter e assistam às quartas feiras e domingo O Universo no History Chanell (não é propaganda - não ganho nada com isso).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sofismas para justificar crenças


Introdução:

A argumentação preferida dos religiosos diz respeito à classificação de todos como crentes em algo, sendo os preferidos aqueles relativos à crença na descrença e o não ser o cético um cético quanto ao seu ceticismo.

Sob o ponto de vista lógico, estes argumentos se tratam de sofismas.

O sofisma é um argumento ardiloso, que apenas parece ser verdadeiro, mas encerra falhas lógicas em sua argumentação.

Vejamos os casos:

Caso 1 - A CRENÇA NA DESCRENÇA:


Sejam as seguintes proposições:

Q = crente em religião; ~Q = ateu (não crente em religião)

P = crer ; ~P = não crer; R= ter crença; ~R = não ter crença = descrença

Relação lógica: ~Q, R---------------- P ^~R

onde:

premissas: ~Q = ser ateu e R= ter crença

conclusão: P^~R = crer e ter descrença


Tabela da verdade:

_________premissa_______premissa__________conclusão
Q ____ P ____R __________~Q______~R_______P^~R
V_____V_____V____________F_______F________F
V_____V_____F____________F_______V________V
V_____F_____V____________F_______F________F
V_____F_____F____________F_______V________F
F_____V_____V____________V_______F________F SOFISMA
F_____V_____F____________V_______V________V
F_____F_____V____________V_______F________F SOFISMA
F_____F_____F____________V_______V________F


De acordo com a tabela acima, o raciocínio da "crença na descrença" se trata de um sofisma, uma vez que apresenta duas premissas verdadeiras com uma conclusão falsa em duas linhas da tabela.


Caso 2 - O cético não é cético em relação ao ceticismo:

Trata-se de outro sofisma preferido de religiosos. Vejamos suas falhas de raciocínio:

relação lógica: C, T ---------------- ~C ^ T

onde:

premissas: C = ser cético; T = ter ceticismo

conclusão: ~C ^ T = não ser cético e ter ceticismo


tabela da verdade:

premissa_______premissa___________conclusão
C______~C_____T____________ ~C ^ T
V_______F_____V_______________F SOFISMA
V_______F_____F_______________F
F_______V_____V_______________V
F_______V_____F_______________V


Assim, de acordo com o raciocínio acima o argumento do "cético não ser cético quanto ao cetiscismo" também se trata de um, sofisma.



Conclusões:

Desse caso, pode-se concluir que antes dos religiosos proferirem suas frases de efeito a fim de convencer os leigos sobre as razões de suas crenças, deveriam analisar o conteúdo lógico delas de modo a não cometerem as gafes acima.

Ao quererem estabelecer uma forma de lógica afim de tratarem os céticos e ateus como se fossem crentes em algo, no mesmo molde daqueles que professam crenças religiosas, inserem-se numa falha de raciocínio, que, embora ardilosa, e com aparência de real, se analisada sob a lógica da argumentaçao, esta é facilmente identificada.

A crença em religiões ou ideologias não requer argumentos plausíveis de modo a justificá-las. Crê-se pelo mero desejo de se crer.

Ateus aboliram a crença religiosa, ou seja, não se fiam na existência de deuses ou do sobrenatural sob qualquer forma, além de negarem a possibilidade e evidências de que, tanto os seres divinos, quanto o mundo sobrenatural possam existir. O ateu é um descrente quanto ao que se encerra no mundo sobrenatural.

Para o agnóstico, a questão do mundo sobrenatural e dos deuses está aberta a discussões. Até o momento, não há evidências objetivas que confirmem o mundo sobrenatural e seus seres, o que não nega sua possibilidade de que tal mundo exista, se encarado sob o método da falseabilidade.

Todavia, a probabilidade de que o sobrenatural exista é tendente a zero, ou seja, não é nula.

Quanto ao cético, este raciocina como o agnóstico. A fim de poder crer (este "crer" de acordo com o paradigma científico) no sobrenatural, necessita de evidências que o confirmem.

Deste modo, mesmo que as frases de efeito se tratem de meras brincadeiras, há muito de má fé em seu bojo, cujo fito é criar a dúvida frente àqueles que desconhecem a lógica argumentativa.

Não há como se igualarem todas as formas de pensamento tornando-as todas uma crença como aquelas alinhadas com religiões e ideologias.

Caso se aja desta maneira, o raciocínio sera uma falácia (argumento não ardiloso) ou um sofisma (argumento ardiloso que parece real), dependendo de seu teor, cujo objetivo é induzir as pessoas ao erro.


Bibliografia e recomendações de leituras:

ALVES, Alaor Caffé. Lógica: Pensamento Formal e Argumentação. Ed. Quartier Latin.

CASSIRER, Ernst. Linguagem e Mito. Ed. Perspectiva.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. Ed. Ática.

DAWKINS, Richard. Deus um Delírio. Ed. Companhia das Letras.

DENNETT, Daniel. Quebrando o Encanto: A Religiâo Como Fenômeno Natural. Ed. Globo.

DURKHEIM, Emile. As Formas Elementares da Vida Religiosa. Ed. Martins Fontes.

ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. Ed. Perspectiva.

HABERMAS, Jürgen. Entre Naturalismo e Religião: Estudos Filosóficos. Ed. Tempo Brasileiro.

LE BON, Gustave. As Opiniões e as Crenças. Ed. Ícone.

NASCIMENTO, Edmundo Dantes. Lógica Aplicada à Advocacia. Ed. Saraiva.

NOBRE, Marcos. Curso Livre de Teoria Crítica. Ed. Papirus.

PERELMAN, Chaim. Retoricas. Ed. Martins Fontes.

PERELMAN, Chaim & TYTECA, Lucie Olbrechts . Tratado da Argumentação: a Nova Retórica. Ed. Martins Fontes.

PERELMAN, Chaim. Lógica Jurídica. Ed. Martins Fontes.

REBOUL, Oliver. Introdução à Retórica. Ed. Martins Fontes.

SAGAN, Carl. Variedades da Experiência Científica: Uma Visão Pessoal da Busca por Deus. Ed. Companhia das Letras.

SAGAN, Carl. O Mundo Assombrado Pelos demônios: A ciência como uma Vela no Escuro. Ed. Companhia das Letras.

SAVIAN FILHO, Juvenal. Deus - Coleção Filosofia Frente e Verso. Ed. Globo.

SCHOPENHAUER, Arthur. Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão. Ed. Top Books.

SÉRATES, Jonofon Raciocínio Lógico. Ed. Jonofon.

SPONVILLE, André Comte. O Espírito do Ateísmo. Ed. Martins Fontes.








quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Falta de compreensão e má interpretação












Como sempre, nosso grande herói tupiniquim anti-evolução surge com mais uma pérola. Desta vez, compreende mau o que um cientista trata como fé na ciência, confundindo o que é o "acreditar" científico com o "acreditar" religioso.

Nosso Behe tupiniquim é hábil com a retórica, mas, para variar, comete sempre os mesmos escorregões costumeiros de criacionistas e de seguidores do DI.
vejamos:

retirado daqui


Geralmente em debates quando se levanta a questão da origem da vida, os darwinistas ortodoxos fundamentalistas xiitas dizem que isso é irrelevante na questão da evolução. Não é irrelevante.

Realmente, não é uma questão irrelevante. Todavia, o estudo da Teoria da Evolução somente pode ocorrer a partir do momento que a primeira coisa a ser considerada como viva (capaz de se organizar, colher energia do ambiente, transformá-la em energia para se sustentar e se reproduzir) apareceu.

Mas, estabelecer que o estudo da origem da vida deve ser explicado pela teoria da evolução é um erro crasso.

Este estudo encerra suas idéias na questãonass químicas orgânica e inorgânica, bem como na bioquímica, pois aqui estamos no mundo das reações químicas, onde não se aplicam estudos evolucionários, uma vez que não estamos lidando com o vivo, mas com o inerte.

A bioquímica estuda as reações que ocorrem dentro dos seres vivos, bem como aquelas reações que poderiam ocorrer para começar a estabelecer os parâmetros para se considerar algo vivo, conforme conhecemos.

Conforme já explanei, há hipóteses de que a vida tenha partido de ciclos inorgânicos o que , se confirmado, seria estudado por um novo ramo da química inorgânica que poderiamos denominá-lo de química pré-biótica.

A partir do momento em que ocorre algo ao menos próximo do que conhecemos como vida é que poderemos avançar para a questão evolucionária deste algo.

Assim, nosso herói tupiniquim ao colocar o carro na frente dos bois comete mais um dos erros costumeiros dos criacionistas:

Confundir as origens da vida com a evolução da vida (seleção natural), como é confundir a origem do universo com a evolução do universo. É óbvio que os estudos posteriores, seja a seleção natural, como a evolução do universo, somente podem ser realizados a partir do momento que ocorrem suas respectivas origens. Do contrário, não haveria que se falar nem em seleção natural e nem em evolução do universo.

Se fosse, nossos melhores autores de livros-texto de Biologia do ensino médio como Amabis & Martho e outros autores abalizados não trariam mais a evolução química precedendo a evolução biológica nos seus livros didáticos. Que a origem da vida é uma questão relevante na temática da origem e evolução da vida fica bem patente nesta pérola de citação de um escritor científico:

“Acho falso argumentar que a origem da vida é irrelevante para a evolução. Ela não é menos relevante do que o Big Bang é para a física ou a cosmologia. A evolução deveria ser capaz de explicar, em teoria pelo menos, desde o começo até o primeiro organismo que podia se replicar através de processos biológicos ou químicos. E para compreender completamente aquele organismo, simplesmente teríamos que saber o que veio antes dele. E agora mesmo nem estamos próximo disso. Creio que uma explicação material será encontrada, mas aquela confiança vem da minha que a ciência é suficiente para a tarefa de explicação, em termos puramente materiais ou naturalistas, toda a história da vida. A minha fé está bem fundamentada, mas ainda é fé” (Gordy Slack, escritor de ciência evolucionista).



Uau! Fé na ciência? Mas que contra-senso, seu Slack? Você não foi um pouco “descuidado”, “negligente”, “lerdo”, “relaxado”, “desmazelado”, “frouxo demais”, “relapso”, “frouxo” [esses termos entre aspas são significados da palavra slack, em inglês] nessa sua “declaração de fé” na descrição aproximada da realidade fugaz e extremamente complexa dos fenômenos naturais que se deixam conhecer tão-somente em parte? Sr. Slack, felizmente, ainda bem, apesar da sua infeliz declaração, o máximo que a Nomenklatura científica irá fazer é puxar o seu “slack”, mas ela é antropofágica e destruidora de carreiras acadêmicas dos oponentes e críticos dos paradigmas dominantes. Dos que ousam criticá-la, capice?

Não sr. Enézio, não ha contra-senso algum nas afirmações de Slack, se é que foi ele quem realmente disse isso tudo.

Sem origem da vida; sem seleção natural.
Em teoria, a origem da vida é explicada e, há várias que a explicam, sendo as mais utilizadas a teoria da abiogênse e a teoria da panspermia.

Caso as teorias sobre a origem da vida estejam corretas, realmente o que levou determinado ciclo ou molécula a se replicar, certamente teria questões evolucionárias envolvidas, no que se refere à seleção de combinações que tornassem possível esta "coisa" ou organismo agir como a vida que conhecemos. Aqui se encerra o "saber o que veio antes dele".

Sim, tembém tenho fé que a ciência possa explicar o mundo do ser, (materialmente) conforme os avanços que ela experimente no futuro. Aqui, Enézio, nossa fé está pautada no que vem ocorrendo de fato, o avanço científico, o qual não está apenas na retórica barata que você usa, mas na realidade material do avanço científico.

Os fundamentos da fé de Slack possuem lógica e sua fé pode ser traduzida em esperança que algo ocorra, conforme mostram as evidências.

Se não ocorrer, ou se ocorrer o contrário do previsto, somente será uma triste decepção e não uma desilusão como ocorreria se demonstrado que Jesus morreu e não haverá volta de messias nenhum.

Da próxima, seja menos "slack"; seja mais "real".

Paradigmas são pipas, papagaios, pandorgas, maranhões que os ventos epistêmicos atuais favorecem e alçam vôos magistrais e embelezam o céu acadêmico, até que surgem os ventos contrários das evidências no contexto de justificação teórica, e outros moleques vão empinar suas novas pipas, papagaios, pandorgas e maranhões.

Sr. Slack, a ciência é isso: empinar pipas enquanto os ventos são favoráveis.

Enézio, valendo-me de suas metáforas, "os ventos são favoráveis" até que os paradigmas se sustentem com base em evidências. Do contrário, "os ventos" mudarão de rumo e nossa pipa poderá se perder ou rasgar-se.

Quanto à teoria que ferrenhamente advoga, ela mais se parece uma pipa de aço, não há vento que a faça alçar vôo.

Faz-se exceção ao furacão religioso que apenas tem causado prejuízo no dicernimento de pessoas menos esclarecidas em prol de interesses de espertalhões que procuram sustentar as suas crenças como verdades absolutas.

Nada em termos científicos sustenta sua teoria o DI, cujo jargão é científico mas se trata de uma "roupinha" nova para o criacionismo de Paley.


Rubem Alves, filósofo e educador (Unicamp), diz que paradigmas são redes de pescar...

Realmente, um paradigma científico é isso mesmo. As pessoas são seguras por eles até que ele se confirme falso, daí a fragilidade de nossa "rede de pescar".

E quanto aos paradigmas religiosos e ideológicos? A rede aqui é bem mais tensa, uma vez que a forma de se livrar dela seria por desilusão ou por "cair na real" de que a pregação neles incutidas vão de encontro ao mundo do ser.












“Fé” na evolução? Parem imediatamente a ciência que eu quero descer! Aliás, eu já desci faz tempo. Em Piracicaba, 1998, após ler o livro A Caixa Preta de Darwin, de Michael Behe.

Realmente Enézio, você já deceu faz tempo e caiu no terreno pantanoso da "caixa preta de Behe", a qual é um argumento de "Paley a século XXI".


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Concepções pessoais tratadas como ciências











Segue mais uma entrevista repleta de retórica criacionista.

É espantoso, mas o jargão utilizado e a retórica carregada de subjetividade são sempre os mesmos (meus comentários em vermelho).

Tarcísio da Silva Vieira nasceu em Santa Helena de Goiás, em abril de 1981. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Rio Verde, é mestre em Química Orgânica pela Universidade de Brasília. Foi professor de Química e monitor de Bioquímica na faculdade em que se graduou, e professor de Química, Biologia, Física e Matemática em diversos cursinhos e colégios conveniados com as redes Objetivo e COC. Atualmente, desenvolve atividades no Centro Cultural da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), em Brasília, e leciona Biologia em colégios da Rede Adventista de Ensino, na mesma cidade. Na SCB, Tarcísio desenvolve atividades gerais como elaboração e revisão de material (livros, artigos, CDs, DVDs), traduções, palestras e preparo de material para as reuniões quinzenais no Centro Cultural da Sociedade.

Durante um congresso universitário em Goiânia, do qual participou como palestrante, concedeu esta entrevista a Michelson Borges:

Como foi a sua formação religiosa?

Nasci em um lar que poderia ser designado como católico não-praticante. Havia influência de correntes como espiritismo, de um lado, e protestantismo, de outro. Minha mãe sempre mencionava Deus e até me ensinou a falar com Ele. Foi ela quem me incentivou a procurar uma igreja quando criança, período em que tive os primeiros contatos com o cristianismo.

Por meio dessas afirmações pode-se perceber que havia várias vertentes religiosas presentes em sua vida, principalmente aquelas voltadas ao cristianismo.


Por que você se tornou ateu?

Ao alcançar certa maturidade, entre 14 e 15 anos, muita coisa se tornou confusa em minha mente.

Questões acerca de minha existência, vários problemas que assolavam minha família, "paixões da mocidade" que eram mais atraentes do que o conceito abstrato que eu tinha sobre Deus, explicações dadas em minha escola para muitos acontecimentos históricos e fenômenos naturais que se opunham completamente àquilo que eu aprendia na Igreja, tudo isso adicionado ao conhecimento superficial que eu tinha da Bíblia, acabaram me levando a questionar a veracidade da existência de um Criador.

Isso foi conseqüência natural de minha superficialidade em assuntos referentes a Deus, O qual, graças ao contexto materialista em que eu estava inserido, foi completamente ofuscado pelo ateísmo.

Questionar não se trata de um erro, mas de observar situações e tentar esclarecê-las de forma racional, em vez de meramente acreditar por acreditar.

Não há que misturar estudos laicos como história, geografia, biologia, física, química, etc. com religião, exceto se estudarmos o fenômeno religioso sob a ótica histórico-filosófico-sociológica e a mitologia que neste se encerra.

O que o fez mudar de idéia e aceitar o criacionismo?

Após aquele período de ateísmo, que durou aproximadamente até meus 18 anos, muitas coisas aconteceram em minha vida pessoal que me levaram a crer novamente em um Criador e aceitar a idéia de um Deus. Decidi então empenhar tempo e energia em buscar firmar meus pensamentos de forma que não tivesse aquele tipo de experiência novamente, em que o que eu acreditasse fosse refutado por supostas evidências de um mundo materialista.

E quanto as evidências de um mundo conforme aquele calcado na religião o que o Sr. Tarcísio teria a dizer?

Como sempre gostei muito de ciências (minha mãe que o diga, quando eu inventava de ir para a cozinha fazer "experimentos"), entre 15 e 18 anos, estudei muito biologia, matemática, física e química. Nesse período, já estava bem familiarizado com todos os aspectos discutidos no Ensino Médio nessas disciplinas. Ao aceitar novamente o conceito de um Criador e a idéia de um Deus pessoal, dediquei-me a estudar (com a ajuda de um grande amigo) a Bíblia com intensidade e profundidade, pois sabia que meu caminho para o ateísmo era fruto de minha superficialidade em assuntos bíblicos, como mencionei anteriormente.

Por que seria o criador o deus bíblico e não qualquer outro deus? Por que ,Tarcísio , você não estudou o Popol Vuh, a crença greco-romana, africana, chinesa, indiana, esquimó, germanica, celta, australiana, budista, assíria, maia, asteca, siberiana, etrusca, cretense, indígena sul ou norte americana, egípcia, hitita, babilônia, mongol, coreana, árabe antiga, xintoísta, zoroastrista, ainu, polinésia entre outras acerca da criação do mundo?

Simplesmente pelo fato de que o cristianismo, embora você, Tarcísio, tivesse passado por um período de reflexão e questionamentos, ainda estava fortemente arraigado a sua mente.

Ser ateu, já estava pré-concebido em sua mente que era um erro, devido a sua própria criação voltada à crença religiosa, conforme se percebe no primeiro item desta entrevista.

Você jamais foi ateu ou agnóstico de fato e nem jamais cogitou pensar que o cristianismo era uma balela ou que o deus bíblico poderia não existir.

Você sempre esteve preso ao cristianismo, somente tal ligação esmaeceu um pouquinho na sua fase de adolescência, talvez por crises pessoais, o que é muito comum nessa fase da vida.

Inconscientemente, mesmo na fase de esmaecimento da fé, você se manteve um cristão fervoroso. Do contrário teria ido buscar outras fontes religiosas a fim de entender a "colcha de retalhos" que é a fé humana em suas diversas nuances.


Ao prosseguir em meus estudos, o conhecimento que eu tinha de ciências incrivelmente ia se harmonizando com aquilo que estava descobrindo na Palavra de Deus. O grande ápice ocorreu quando passei a estudar a biografia de cientistas como Galileu, Kepler, Robert Boyle, Newton, Maxwell e outros, que harmonizavam o conhecimento científico com a fé em um Deus pessoal. Nessa época, passei a procurar desesperadamente material nessa área, até que num belo dia, chegou às minhas mãos um livro intitulado E Disse Deus – A Ciência Confirma a Autoridade da Bíblia, escrito por um químico. Fiquei encantado e desde então o criacionismo é uma responsabilidade que o Senhor Deus me permitiu conhecer, estudar e trabalhar.

Não, a ciência não confirma a autoridade da bíblia nem de qualquer outro mito da criação. Muito pelo contrário, afasta a autoridade deste livro, o qual volto a frisar, não se trata de um compêndio científico, mas de mitos e histórias desenvolvidas por civilizações do antigo oriente médio.

Autores como Newton, Galileu, Kepler, etc, viveram numa época em que o mundo estava saíndo das trevas, daí ainda seus conceitos serem fortemente presos à religião. Não havia ainda a liberdade de pensar, que era fortemente reprimida pela igreja.

Como se pode perceber na frase: " o criacionismo é uma responsabilidade que o Senhor Deus me permitiu conhecer, estudar e trabalhar" o excesso de cristianização dessa vertente que pretende se intitular como ciência é forte, o que já faz perder a sua credibilidade como ciência. Criacionismo deve estar relegado ao plano das religiões e não das ciências.


Como você via o criacionismo antes de estudá-lo mais a fundo?

Não cheguei a conhecer absolutamente nada sobre criacionismo antes de ler aquele livro que mencionei. Hoje entendo o motivo disso: os meios de comunicação, principalemente as revistas que eu gostava muito de ler (Superinteressante e Galileu), não davam nem dão espaço para discussão de idéias, de forma que o evolucionismo é propagado como verdade absoluta e inquestionável. Meu primeiro contato com o criacionismo foi bastante empolgante, pois eu já vinha trabalhando nesse sentido de harmonizar o conhecimento científico e a fé e um Deus pessoal - só não sabia o nome que se dava a isso (risos).

O nome que se dá a isso é proselitismo religioso.

Não Tarcísio, a teoria da evolução como qualquer ciência não é ensinada como verdade absoluta. Você comete um erro crasso ao fazer tal afirmação, a qual como um estudioso e mestre jamais deveria fazer.

Você pode harmonizar sua fé com o que bem quiser. Somente não pode e não deve estabelecer tal harmonização como plena veracidade acerca do mundo, pois isso se trata de mera concepção pessoal, carregada de subjetividade, o que vai em sentido oposto ao verdadeiro método científico.



Você teve uma experiência frustrante numa denominação evangélica. Fale um pouco sobre isso.

Quando passei a crer em um Deus pessoal eu não era protestante. Após um episódio, que hoje vejo como engraçado mas que na época me apavorou muito, decidi procurar uma denominação protestante, à qual pertenci por algum tempo. Na escola dominical, passamos a estudar os dez mandamentos, quando o professor, ao ler o quarto mandamento, disse que "não era preciso discutir aquele ponto pois ninguém mais tinha dúvidas quanto à guarda do domingo". Foi então que perguntei o motivo pelo qual poderíamos violar aquele quarto mandamento mas não poderíamos violar nenhum dos demais. Como já disse, quando decidi estudar a Bíblia, busquei me aprofundar. Isso havia me dado muitos argumentos que se opunham aos aspectos apontados pelo professor na defesa da guarda do domingo como dia de repouso.

Como o horário já estava avançado naquele dia, o professor propôs um sábado à noite para discutirmos o assunto. Pensei: "Que legal! Vou poder compartilhar com todos os jovens aquilo que eu e alguns amigos temos estudado." Então me dediquei ainda mais ao assunto. Busquei fatos históricos em que figuravam o imperador Constantino, profecias de Daniel e até argumentação de um grupo de judeus messiânicos que conheci.

Na data marcada, meus três amigos e eu fomos à igreja. Naquele sábado a noite, não se faziam presentes apenas os jovens, mas boa parte da congregação. Sentimos um pouco de hostilidade por parte das pessoas ali presentes, mas pensamos que era devido ao nosso nervosismo. Quando o debate começou, expusemos nossas idéias com base naquele material que mencionei, além de texto em grego e hebraico que aprendemos um pouquinho. Abruptamente, um dos dois pastores presentes pegou um microfone, interrompeu nossa argumentação e começou a nos repreender. Uma das frases que mais me impressionaram foi: "Você não pode estudar a Bíblia com a mesma mente que você usa para estudar coisas referentes ao seu mestrado!" Nessa época eu estava cursando mestrado na UNB. Aquilo me entristeceu muito, não porque eu não deveria estudar a Bíblia com a mente racional que eu utilizava no mestrado, pois é isso mesmo que Deus quer que façamos: que O busquemos de forma racional - me entristeci com a maneira como o pastor falou, com a voz alta e agressiva. Vi profunda ignorância na recusa ao diálogo; a mesma hostilidade com a qual estava acostumado nos freqüentes debates que tive com evolucionistas.

A certa altura, nos perguntaram se alguém que não guardasse o sábado seria castigado no inferno. Respondemos com outra pergunta: Desonrar pai e mãe seria pecado, uma vez que está no mesmo conjunto de mandamentos que o sábado? Não quero entrar em detalhes do que aconteceu naquela noite, mas o balanço final é que fomos convidados a nos retirar daquela denominação (para não dizer expulsos), caso pretendêssemos guardar o sábado. Esse episódio me marcou muito.

Tanto faz guardar sábado, domingo ou segunda como qualquer outro dia da semana. Simplesmente essa norma fora instituída como o objetivo de proporcionar o descanso às pessoas e assim poderem se dedicar à prática religiosa.

Aliás, o sábado guardado pelos adventistas é pura hipocrisia, bem diferente do que é guardar o sábado, segundo os 10 Mandamentos. Adventistas andam de carro, acendem luzes, esquentam comida, sobem e decem de elevador, guardam carros em estacionamento, tomam condução, usam água da torneira, etc..

Assim, para que adventistas guardem o sábado, deve ter alguém trabalhando. Não interessa que esse alguém não seja adventista; interessa apenas que ele garanta as condições para que os fiéis se dirijam a igreja e que o culto ocorra em condições normais.

Quanto ao pecado e ao conseqüente castigo, ambos são coisas que nós criamos em nossas mentes quando nos sentimos desconfortáveis com nossas atitudes. Nós mesmos nos punimos.

Quanto a buscar deuses de forma racional, Tarcísio, você erra, pois não há racionalidade nisso, uma vez que tal fenômeno como a propagação de ideologias, não segue a lógica.

Provar que deuses existem por meio de lógica, nos leva a saltos epistemológicos imensos, que largam falhas pelo caminho, sem se chegar ao encadeamento perfeito do raciocínio.

Deuses se buscam por experiências pessoais e não por meio da lógica.


Como conheceu a SCB e o Dr. Ruy Vieira, seu presidente?

Eu havia começado meus estudos de pós-graduação na Unicamp. Estando em São Paulo, viajava algumas vezes à Brasília. Numa dessas viagens, uma pessoa que conhecia meu interesse pelo criacionismo mencionou a existência de uma Sociedade Criacionista em Brasília, cujo presidente é o Dr. Ruy. O nome me pareceu familiar. Como muitos projetos de pesquisa na Unicamp são financiados pela Fapesp, lembrei-me de que um de seus presidentes havia sido Dr. Ruy Vieira. Fiquei mais entusiasmado ainda e pensei: "Será que um dos presidentes da Fapesp é criacionista?" Para minha felicidade, aquela pergunta foi respondida com um "sim"! Deus me deu, então, a oportunidade de conhecer, aprender e conviver com uma das mentes mais brilhantes do mundo e um caráter cuja humildade tem a mesma proporção.

O Dr. Ruy pode ser uma mente brilhante em seu campo de atuação, mas em seus comentários sobre biologia evolutiva deixa a desejar.

Seus erros, prefiro crer que sejam causados por má fé em busca da defesa de suas crenças em prol do proselitismo cristão em vez de falta de conhecimento.

Você costuma dizer que há equívocos em ambos os lados – criacionismo e evolucionismo. Como assim?

Uma das maiores virtudes da boa pesquisa ou de um bom estudo é o maior grau possível de objetividade quanto ao assunto em questão. A outra virtude de igual valor é o reconhecimento da necessidade de aperfeiçoamento de um dado modelo, e isso é conseqüência natural do reconhecimento de que nenhum modelo é perfeito, livre de falhas e questionamento. Muitos criacionistas e muitos evolucionistas cometem o mesmo erro quando não aplicam essas virtudes, e, como conseqüência, temos muitos equívocos que aparecem de ambos os lados, como nos ensina o professor Dr. Eduardo Lütz. A humildade e cautela na interpretação de fatos que ocorrem na natureza é muito importante em qualquer cosmovisão de mundo que venhamos a ter.


Exatamente, procuramos a verdade objetiva quando realizamos estudos científicos, o que leva a aperfeiçoar as teorias.

A TE segue este princípio, e, tanto o criacionismo como o DI também, até que se esbarre no criador. Ai a coisa degringola para as questões religiosas, encerrando qualquer debate.

Quais os pontos mais frágeis do darwinismo, do ponto de vista da biologia e da química?

Durante meu curso de graduação em Ciências Biológicas, percebi muitas coisas incoerentes no modelo darwiniano. Penso que muito disso se deu por conhecer um pouco de áreas com as quais a maioria dos biólogos não é muito familiarizada, como a matemática, a física e a química. Há pelo menos dois pontos que gosto de destacar:

(1) muitas idéias como a seleção natural têm uma grande aplicabilidade dentro daquilo que denominamos de microevolução. Ao se extrapolar aquelas idéias para o campo da macroevolução, verificamos que não há uma aplicabilidade que sustente o modelo em questão. Isso está vindo à tona em muitas conferências realizadas por evolucionistas.

Errado Tarcísio: Fósseis e genética sustentam esta extrapolação. O campo da macroevolução ainda se encontra engatinhando. Não é por isso que algo respalde o criacionismo, cujo padrão de alegações pega carona nas falhas teóricas da TE.

Teorias científicas Tarcísio, não se constróem calcadas em falhas de outras teorias, mas por sí mesmas, com bases em estudos que confirmem ou rechacem o tema proposto.

Dizer que a TE tem falhas e por isso o criacionismo está certo é uma falácia non sectur (aliás, vejo que falácias e sofismas são especialidades criacionistas).

(2) os defensores do darwinismo e do neodarwinismo concentram sua atenção no desenvolvimento da vida em nosso planeta.
Mas não há como a vida se desenvolver se ela não tiver um início.

A origem da vida é um campo completamente sem respostas, mas cheio de especulações, que os defensores da macroevolução evitam defrontar exatamente pela complexidade bioquímica das formas de vida que conhecemos.

Todos os experimentos em química que tentam simular a passagem da matéria inorgânica para compostos orgânicos, a formação de compartimentos que seriam os precursores das membranas celulares, a produção de biomoléculas em supostas condições de uma "terra primitiva", envolvem planejamento sintético e reagentes com altíssimo grau de pureza, o que é completamente oposto ao acaso e aos "caldos primordiais" ensinados nas escolas e universidades como verdade absoluta.

Esses experimentos nos mostram que qualquer que seja o mecanismo que Deus tenha usado para produzir seres vivos exigiu planejamento e inteligência.

Sequer temos idéia de como era a Terra primitiva. O que temos é um registro muito vago do que havia aqui, bem como a analogia com planetas do Sisitema Solar.

Partir da matéria inorgânica para a orgânica sabemos como fazer isso, mas não sabemos criar um ciclo auto-sustentável, que se alimente do exterior, cresça e se reproduza.

Todavia estabelecer que isso requereu planejamento inteligente, trata-se de mais uma falácia non sectur, pois nada na natureza, se observado por meio da ótica científica, demonstra que tal fato possa ter ocorrido.


Como biólogo com mestrado em química, de que forma você avalia a teoria da abiogênese?

A abiogênese postula que a matéria inanimada (sem vida) pode tornar-se matéria animada (portadora de características atribuídas aos seres vivos).

O primeiro aspecto a ser considerado quando se avaliam modelos que propõem o surgimento da vida ao acaso, é uma definição apropriada de vida. Isso se faz necessário para que tenhamos uma noção de onde, em que momento e com quais constituintes aquilo que era inanimado supostamente veio a manifestar características de organismos vivos. Isso raramente é discutido em trabalhos que buscam demonstrar a origem abiogênica da vida. As explicações para a origem dos seres vivos presentes em nossos livros-textos de Ensino Médio e de curso universitário, relatando a origem dos seres vivos a partir de compostos orgânicos provenientes de reações químicas entre substâncias inorgânicas em uma atmosfera primitiva (e isso é abiogênese, pois aquilo que é vivo teria surgido daquilo que não é vivo), misturam fato com fértil imaginação.

Ai Ai Ai Tarcísio !!! Reações químicas não se dão ao acaso e você deve saber disso muito mais que eu.

Não diga matéria não viva, isso está errado, pois o que é não vivo, um dia viveu e depois morreu. Diga matéria inerte.

Abiogenese ainda possui forte caráter de hipótese e há poucos estudos que a confirmam como uma teoria.

Todavia, quer mais imaginação que todas as marcas de criacionismo que andam por ai....

O que se faz em laboratório é demonstrar que a matéria inorgânica pode ser convertida em matéria orgânica, e o experimento de Urey-Miller é considerado um dos pioneiros nesse campo. Embora constituam os seres vivos, compostos orgânicos não manifestam características dos seres vivos.

A teoria da abiogênese carece de comprovação experimental e não é validada por nenhum dos vastos campos da química, principalmente a química orgânica, além de se tratar de uma grande desonestidade com aqueles que se interessam pelo assunto.

Por meio dessa teoria experimentalmente foi comprovado que os compostos orgânicos partem dos compostos inorgânicos. Porém aqueles ainda continuam inertes.

Qualquer pessoa que se dedicar ao estudo da biologia logo aprenderá que a vida é uma manifestação muito, mas muito complexa em termos bioquímicos, biofísicos e fisiológicos, em que muitas partes pontuais precisam trabalhar juntas para o funcionamento do todo.

Se essa mesma pessoa se interessar por química, entenderá muito rápido que todo e qualquer experimento exige, além de planejamento e controle das condições reacionais, a separação dos produtos obtidos para se dar seqüência a um novo experimento, dentro da rota sintética planejada, uma vez que as sínteses orgânicas em laboratório sempre levam à formação de misturas racêmicas (e produtos "indesejados"), desde que haja a possibilidades da formação de centros assimétricos na molécula. E os organismos vivos são repletos dessas moléculas ditas quirais. Logo ficará bem claro que a teoria da abiogênese não faz sentido algum.

Não Tarcísio organismos vivos, apesar de serem repletos de moléculas quirais, estas possuem um padrão de organização que o mantém vivo.

Em laboratórios os produtos podem até se formar em proporções iguais (racêmico). Mas, basta a adição de certos catalisadores para que a reação ocorra favoravelmente em sentido a formar apenas determinado tipo de isômero.

O mesmo ocorre com nosso organismo. Nossos catalisadores naturais impedem a formação de isômeros que poderiam nos ser prejuduciais.

É fato que a vida desenvolveu-se a partir da variedade levógira de compostos orgânicos, sendo que aminoácidos dextrógiros sao muito raros em nosso planeta.

Possivelmente, durante o período de origens da vida deve ter havido ambas as espécies de isómeros ópticos em quantidades próximas, ou mesmo é possível que catalisadores naturais tenham direcionado para a formação de apenas um tipo de isômero predominante , no caso o levógiro.

Por questões evolutivas ou bioquímicas, no que se refere à estabilidade molecular, ou mesmo a capacidade de gerar ciclos auto-sustentáveis capazes de se alimentar do meio e se reproduzirem, os isômeros levógiros firmaram-se como as matérias-base para a formação da vida como a conhecemos, o que poderia não ocorrer com os isômeros dextrógiros.

Mas este é um tema que ainda se encontra em estudos e a citação acima se trata de mera hipótese relativa a um panorama referente a uma Terra pré-biótica. Não há confirmações de nada que apóie o conteúdo dos dois parágrafos acima, exceto alguns estudos na área de ciclos auto-sustentáveis onde apenas partes deles foram reproduzidas em ambiente controlado.

Também há a hipótese de que a vida tenha vindo do espaço, uma vez que há meteoros carbonados denominados condritos que contêm hidrocarbonetos e aminoácidos.

Pelo estudo das propriedades radioativas dos meteoritos é possível determinar a sua idade, que em geral, possuem é de 4 bilhões de anos, o que corresponde aos primórdios do Sistema Solar.

A grande dificuldade com estes meteoritos é a sua fragilidade em relação aos outros. Assim, mesmo no caso de serem muito comuns no espaço, só uma pequena quantidade deve atingir a superfície terrestre, após sobreviver à travessia da atmosfera.

Para complicar ainda mais o problema, os condritos carbonados devem ser analisados logo após a queda, para evitar a sua contaminação com os organismos vivos terrestres.

Os condritos carbonados até então analisados apresentam quantidades levógiras e dextrógiras de compostos orgãnicos em igual quantidade, o que demonstra não terem sido contaminados com matéria orgânica terrestre (embora o artigo apresentado pelo IF - UFRGS seja datado de 1979, veja aqui sobre as análises dos meteoritos de Murchson e Murray).

Desse modo a presença de moléculas orgânicas existem em outros pontos do Sistema Solar, o que pode seguramente ser extrapolado para outros sistemas solares.

De acordo com o artigo apresentado e com estudos realizados, na análise da mais velha rocha (3.800 milhões de anos) encontrada na Groenlândia, detectou-se hidrocarbonetos de origem biótica.

Com efeito, como a quantidade de carbono 12, isótopo mais empregado nos processos biológicos, foi mais elevada do que em relação ao carbono 13, concluiu-se que esse fato era uma evidência de que esses hidrocarbonetos foram produzidos por fotossíntese, processo pelo qual as plantas transformam o dióxido de carbono em componentes orgânicos e oxigênio.

Assim, parece que a vida está presente na Terra há 3.300 milhões de anos, quando a idade da Terra era de somente 800 milhões de anos. A mais antiga vida terrestre conhecida anteriormente datava de 3.400 milhões de anos.

A partir destes estudos pode-se concluir que a vida é um fenômeno natural, normal e mesmo inevitável, que surge desde que as mínimas condições favoráveis apareçam.

Assim, Tarcísio, sua conclusão a respeito da abiogênese não fazer sentido, se analisada com base na sua argumentação, é mais uma vez uma falácia non sectur.


As universidades são mesmo centros de discussão de idéias?

Percebo que em alguns cursos existe mais discussão e debates sobre certos fatos e opiniões, já outros cursos são mais fechados quanto a discussões. Essas diferenças são facilmente entendidas analisando-se o contexto em que cada curso universitário está inserido.

Mas uma coisa me intriga: no meio acadêmico, em geral, idéias que sejam fortemente opostas aos modelos aceitos como verdade são recriminadas ou ridicularizadas.

Não Tarcísio não o são , desde que respaldadas cientificamente.

Tente discutir em um curso de História a possibilidade de grandes navegações em períodos anteriores a Colombo, mesmo existindo trabalhos publicados em importantes periódicos que relatam a existência de cocaína em múmias datadas do período do Egito antigo.

Caso o fato se confirme há que se analisar por que ele ocorreu.Todavia, se há cocaína em múmias, e não ha nada que ateste a vinda de egípcios para o novo mundo, há que se pesquisar as plantas locais ou as supostamente existentes à época da múmia de modo a se poder saber se não se trata de um composto semelhante ao alcalóide cocaína.


Ou tente em um curso de geologia argumentar que os derrames basálticos que formam a região Sul de nosso país se deram em períodos de semanas, e não de milhares de anos, conforme é aceito pela maioria dos geólogos, mesmo que se tenha dissertações de doutorado mostrando isso. Esses são alguns exemplos que podem ilustrar o quanto as universidades deixam a desejar no quesito discutir idéias.

Bem, aqui a relação é dúbia. Uma explosão vulcânica pode durar semanas, meses, anos ou séculos. Mas estabelecer que o mundo foi formado em semanas é demais... nada confirma tal fato.

Quanto ao derrame basáltico, este se deu há muito tempo e pode ter sido causado por uma erupção intensa de algumas semanas ou meses.


Você teve aula com o Dr. Marcos Eberlin. O que acha da pesquisa dele e do fato de ele considerar a homoquiralidade a "assinatura química de Deus"?

O professor Dr. Marcos Eberlin é um exemplo e um referencial para todo aquele que goste de química. Seriedade, responsabilidade, dedicação e espírito crítico estão entre muitas de suas características como profissional que o levaram a ser um respeitado pesquisador no mundo todo. Essas mesmas características devem ser também exemplo e referencial para um cristão que enxergue na natureza os "atributos invisíveis de Deus", conforme nos ensina Paulo, escrevendo aos romanos.

O Dr. Eberlin sempre deixava bem claro suas idéias a respeito de Deus, inclusive em entrevistas ao Jornal da Unicamp. Suas idéias eram levadas a sério ou pelo menos respeitadas devido à qualidade de suas pesquisas e seriedade de seu trabalho. Aí está um excelente exemplo ao cristão: defende suas idéias de forma inteligente, coerente (palavras e ações), sábia e prudente.

Muitos evolucionistas que escrevem e realizam palestras em que o principal objetivo não é discutir a validade das teorias evolucionistas, mas atacar criacionistas, argumentam que diante do desconhecido a resposta "porque Deus quis" é suficiente para os criacionistas, nos taxando de ignorantes e pseudopesquisadores, entre muitos outros adjetivos.

As pesquisas do Dr. Eberlin têm uma importância peculiar dentro da química, uma vez que o motivo pelo qual os seres vivos são constituídos por grupos de moléculas enantiomericamente puras é desconhecido desde a época de Pasteur e suas pesquisas com ácido tartárico.

Dentro da estrutura criacionista, ter um pesquisador como o Dr. Eberlin harmonizando seu conhecimento científico e suas pesquisas de ponta com sua fé em Deus, é mais um nobre exemplo de o quanto a medíocre resposta "porque Deus quis" não faz parte do repertório daquele que sabe que "os atributos invisíveis de Deus, assim como Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Rm 1:10).

Ao que parece a resposta deixa de ser "é por que Deus quis" e passa a ser "é porque Deus determinou, conforme analisei e evidenciei em minhas experiências".

O Dr. Eberlin é livre para ter suas concepções pessoais, mas não o é para estabelecê-alas como verdades.

Embora a qualidade de seus trabalhos seja excelente, esta excelência se esvai no momento que acrescenta elementos subjetivos em suas pesquisas.

A citação a Paulo de Tarso retoricamente demonstra qual é a resposta do criacionismo embora a sua tentativa Tarcísio, tenha sido de rechaçar a tão esperada resposta.

Simplesmente, para o criacionismo as coisas se dão da forma: "é porque Deus quis".




O que você acha da teoria do design inteligente?

Embora se oponha ao evolucionismo, o desing inteligente não é criacionismo disfarçado, como a mídia tenta impregnar na mente das pessoas. Por isso, é importante saber diferenciar as duas correntes de pensamento.

Sem dúvida alguma, vejo a teoria do design inteligente com bons olhos, não apenas por se opor ao evolucionismo, mas por ser mais consistente com os fatos observáveis.

Os passos metabólicos, o sistema imunológico e todo o alto grau de interdependência das reações químicas necessárias à manutenção da vida, são melhor explicados em termos de complexidades irredutível (modelo proposto pelo desing inteligente) do que pelas teorias evolucionistas encontradas nos livros-textos escolares ou universitários.

Errado Tarcísio: DI é criacionismo disfarçado, pois se fundamenrta em um projetista inteligente, que, pela concepção cristã, é o deus bíblico.

Nada a respeito dos exemplos acima, cogita sequer que se pense em projetistas inteligentes. Tão pouco nada respalda que a complexidade irredutível exista e que estruturas que hoje não mais se encontram presentes em células não tenham um dia feito parte delas.

O argumento do DI é uma roupinha nova para o relógio de Paley. Não faz sentido. O jargão é científico mas a falácia é a mesma.

Quais os seus planos para o futuro próximo?

Essa é a pergunta mais difícil (risos). Perdi meu irmão em 2005 e meu pai recentemente, em 2008. Então, muita coisa em relação à minha mãe precisa de minha atenção. Uma grande prioridade é o trabalho que tenho a oportunidade de desenvolver com o Dr. Ruy Vieira, na Sociedade Criacionista Brasileira.

Espero ser mais útil a cada dia e continuar a atuar na divulgação do criacionismo em nosso país, ao lado de pessoas que admiro e nas quais me espelho (tanto em minha formação intelectual quanto na formação de meu caráter).

Também aguardo algum concurso universitário no qual minha formação se enquadre para posteriormente ingressar no doutorado, pois o "homem da casa" agora sou eu e preciso estar atento às questões financeiras.

Também pretendo montar um centro de estudos em minha cidade, para atender alunos com dificuldade em Cálculo Diferencial, Estatística, Química, Bioquímica, Biofísica e outras disciplinas com as quais tenho familiaridade e que fazem parte do currículo universitário.

Peço a Deus que me dê sabedoria para que eu possa fazer feliz minha namorada (Jucila Katrinne) a cada dia, para que, quando o Senhor nos mostrar o momento, possamos nos casar.

E para finalizar, algo que tenho orado e considerado muito em meu coração. Como mencionei antes, saí de uma dada denominação religiosa e não me encontro em nenhuma oficialmente como membro, embora freqüente o templo adventista de minha cidade desde aquele episódio da discussão sobre o sábado. Há algum tempo, tenho estudado muito as doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as profecias bíblicas e muitos outros pontos que considero importantes para uma decisão racional.

O legal é que tenho encontrado muita coerência em todo o material que tenho estudado. E um de meus planos para o futuro próximo é ser batizado na Igreja Adventista, assim que concluir esses estudos que tenho feito.

Seus projetos são louváveis, mas procure divulgar a ciência e não a pseuodociência. Creia no que quiser, mas não estabeleça suas crenças como verdades acima de tudo.



A Polêmica relativa ao Sr. Reiss Continua....





A cruzada criacionista em defesa dos delírios do Sr. Michael Reiss o sacerdote da Igreja Anglicana defensor do ensino criacionista nas escolas prossegue.... (aqui) sob o seguinte título:

Biólogo defende criacionismo e é expulso da RS



Um dirigente da Royal Society britânica que defendeu, durante uma reunião de cientistas, o ensino do criacionismo nas escolas britânicas demitiu-se por causa do escândalo nascido de sua proposta.

Michael Reiss, diretor de educação da prestigiosa instituição científica, e que além de biólogo é sacerdote da Igreja Anglicana, se viu forçado a dar esse passo porque seus colegas concluíram que sua fala havia prejudicado a reputação da entidade.

Bem, ele não foi expulso. Ao que parece, resolveu se demitir por seus colegas se oporem as suas idéias um tanto retrógradas, as quais realmente depuseram contra o prestígio da institução, que prima pela seriedade no ensino das ciências.

Estabelecer que o criacionismo deveria ser ensinado nas escolas realmente é uma grande bobagem, pois esta vertente, além de não possuir qualquer base científica plausível, se trata de patente desrespeito às demais crenças que existem no Reino Unido, como já fora debatido em postagem anterior.

Em um discurso feito no Festival de Ciências realizado em Liverpool, Reiss havia dito que era contraproducente tirar das aulas de ciência as teorias que se contrapõem à evolução, com base no fato de que não têm validade científica.


A contraproducência está realmente em travestir a religião cristã como uma ciência séria e cientificamente embasada, despojada de valores, de crenças sem fundamento e ideologias.

Em sua idéia, o Sr. Reiss não revela que tipo de criacionismo deveria ser ensinado, uma vez que suas vertentes variam conforme as crenças religiosas existentes e passadas.





De acordo com Reiss, os professores de Ciências não deveriam ver no criacionismo uma "idéia equivocada", e sim uma cosmovisão alternativa, em que acreditam muitas crianças que cresceram no seio de famílias cristãs ou muçulmanas.

Criacionismo é apenas cosmovisão alternativa religiosa, uma vez que cada religião estabelece quem foi o seu criador e de que forma esse suposto criador atuou.

Não há bases científicas a respeito de criadores de mundos e tão pouco de deuses. Mas há bases científicas para o que a Teoria da Evolução apresenta.

O Sr. Reiss confunde o acreditar científico com o acreditar religioso ao mencionar a crença de crianças que vivem no seio de famílias religiosas.

Aqui faria até uma menção a Richard Dawkins em Deus um Delírio:

"Não existe criança cristã, judia, islâmica, budista ou qualquer outra coisa, assim como não existe criança nazista, comunista ou capitalista." Crianças são crianças, querem brincar, viver e serem felizes.

Infelizmente essas crianças, desde a mais tenra idade são condicionadas por seus pais a a crerem em suas religiões, sem lhes dar qualquer chance de pensarem livremente sobre qual credo desejam escolher ou se não desejam escolher nenhum deles, o que se caracteriza como desrespeito a sua individualidade.



Ao se tratar da propagação destes credos, entramos no campo da memética, que é o estudo dos memes, que é uma unidade de informação que se multiplica de cérebro para cérebro ou em locais onde a informação é armazenada (e.g. livros). O meme assim pode ser considerado uma unidade de evolução cultural que pode ser propagada.

Assim, memes podem ser as idéias, partes de idéias, sons, línguas, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma (ver aqui).

Desse modo a religião, assim como qualquer forma de adquirir conhecimento, sob o enfoque da memética podem ser tratadas como memes. Todavia, o conhecimento científico é aberto à discussão e à correções, uma vez que ciências se constróem com base em observações diretas e/ou indiretas do mundo natural.

Quanto às crenças religiosas, estas são imutáveis e inquestionáveis em seus dogmas, o que as exclui do conhecimento científico. Aqui se enquadra toda a gama de criacionismos, superstições, mitos, valores sociais e ideológicos.


Portanto o equívoco existe na proposta do Sr. Rees em desejar transformar uma crença em ciência, gerando patente confusão entre crença e ciência o que demosntra não falta de conhecimento mas pura má fé em prol do proselitismo relativo a sua crença o que abala o prestígio da Royal Society como instituição séria no ensino das ciências.


O ganhador do Prêmio Nobel de Medicina Richard Roberts descreveu as opiniões de seu colega como "escandalosas" e escreveu uma carta ao presidente da Royal Society, Lorde Rees de Ludlow, exigindo a demissão de Reiss.




Como houve grave dano à imagem da instituição, no que concerne às confusões e a má fé geradas pelo sacerdote, não creio que fosse conveniente o Sr, Rees manter-se no cargo que ocupava.

Caso fosse mantido o status cuo, daria demonstrações que a instituição compactuaria com as idéias do Sr. Reiss, o que continuaria depondo contra a sua imagem de instituição séria de ensino.

O ganhador do Nobel de Química Harry Koto, também membro da sociedade, escreveu por sua vez uma carta dizendo que já havia advertido para o perigo de manter um sacerdote como diretor de educação da instituição.

Realmente, sacerdotes cuidando do ensino não se trata de algo conveniente, pois esse filme já foi visto ao longo da história.







A tendência destes personagens é mesclar a ciência, a história e os demais estudos científicos às crenças religiosas a fim de justificá-las como algo em que se deve piamente acreditar.

Isso é um grave erro, uma vez que a carga de subjetivismos é alta e ciências não se constróem com subjetivosmos, mas busca-se a máxima aproximação à verdade objetiva (mundo da alethea, tratado aqui)


Com a polêmica instaurada, a Royal Society divulgou um comunicado dizendo que os comentários de Reiss, que havia falado na condição de dirigente da entidade, se prestavam facilmente a "interpretações erradas".

"Mesmo que não fosse essa sua intenção, houve dano à reputação da Society", diz o comunicado, que prossegue:

"O criacionismo carece de base científica e não deveria ter parte no currículo de ciências. E se um jovem levanta a questão do criacionismo numa aula de ciência, os professores deveriam ser capazes de explicar que a evolução é uma teoria com sólida base científica e que esse não é o caso, de modo algum, com o criacionismo."

Realmete, o dano à credibilidade da instituição ocorreu. O mínimo que poderia ter sido feito era destituir Ress de seu cargo.

Realmente, o criacionismo carece de bases científicas, pois até hoje nada o respalda, alem do excesso de carga subjetiva, falácias e sofismas que apresenta em seus argumentos, sem considerar que se trata de um assundo que se encerra em si mesmo no dogma da existencia de deuses, o que o torna incontestável além dos limites relativos a esses supostos seres.

A Teoria da Evolução, embora seja constantemente reparada, como ocorre em todos os campos da ciência, possui bases sólidas, principalmente após o estudo da genética, por meio do qual pode-se determinar semelhanças entre genomas de diversas espécies, principalmente aquelas pertencentes às mesmas ordens taxonômicas.

Segue abaixo uma nota em relação à qual não há mencões sobre a citação de seus autores.

Exame da nota:

(O Estado de S. Paulo)

Nota: O Lord Robert Winston, professor de ciência e sociedade no Imperial College, em Londres, comentou: "Receio que, nesta acção, a Royal Society só se tenha diminuído a si mesma... Este não é um bom dia para a reputação da ciência ou dos cientistas... Esse indivíduo só estava argumentando que deveríamos considerar e debater os equívocos públicos sobre a ciência - algo que a Royal Society deveria aplaudir."

Não vejo qualquer diminuição na ação da Royal Society, mas apenas a reparação de um erro calcado na irresponsabilidade e má fé de um de seus membros.

Debater equívocos científicos se faz por meio de estudos científicos que sigam em direção oposta àquilo que é tido como uma visão confirmada, ou seja, é apresentar um estudo que desconforme o anterior.

Não é por meio de concepções pessoais ou religiosas que se constróem as ciências, mas por meio de ciências e seus estudos, conforme a metodologia científica.


Os "poderosos"da Royal Society conseguiram deitar por terra o lema da entidade "Nullius in verba", que significa que não devemos acreditar em ninguém, mas sim usar a ciência para estabelecer a "verdade das matérias cientificas através da experimentação em vez de através do recurso à autoridade". Papel aceita tudo...

Não, nada foi posto por terra; o lema foi seguido à risca. Realmente não devemos acreditar em ninguém (esse acreditar no sentido de ter-se uma crença sem comprovações que a respaldem), mas estabelecer-se a ciência a fim de que esta busque a aproximação à verdade objetiva.

Porém, não foi o que ocorreu com o equívoco patrocinado pelo Sr. Reiss:

1- onde está o estudo que dá bases científicas ao criacionismo?

2- que tipo de criacionismo é o mais correto ou se aproxima de uma verdade objetiva?

3- onde reside a experimentação no criacionismo, quais os métodos que essa "ciência" utiliza?

4 - quem é o verdadeiro criador, quem o criou, de onde ele ou eles veio/vieram e qual/ quais sua/suas pretensões?

5 - a religião apenas se baseia em falácias, principalmente nos argumentos da autoridade e da circularidade, ou seja, é o mundo do é porque é, pois assim eu disse porque está e escrito e fim de papo.

Portanto, não vejo qualquer posição autoritária da Royal Society e tão pouco desrespeito ao seu lema.

A maluquice do Sr. Reiss, como dos criacionistas em geral pode ser comparada àquela que supostamente poderia ocorrer em uma Faculdade de Matemática caso um professor surgisse com a idéia de substituir os métodos estatísticos de previsão e as teorias de probabilidades por leitura de búzios, quiromancia, astrologia, leitura de tarô, leitura da borra de café, I Ching, feng shui, leitura de baralho, entre outros métodos de adivinhação. Imaginem só se houvesse um debate questionando a metodologia estatística com base nos métodos de adivinhação.

Qual desses métodos seria o verdadeiro?


R. Cada conhecedor relativo ao seu método tentaria assegurar que o seu é a verdade absoluta e ninguém chegaria a lugar algum.

Essa é a verdadeira face do criacionismo e de seu correlato o DI: Tratam-se de um amontoado de concepções subjetivo-religiosas, sem qualquer respaldo científico, que procura se tornar a verdade absoluta acima de tudo, sem exigir qualquer confirmação científica.

Como não poderia deixar de ser, o "devoto de Darwin" (Veja) Richard Dawkins foi um dos maiores críticos da posição de Reiss. O ateu fundamentalista autor de Deus, um Delírio reagiu com tremenda intolerância aos leves comentários do professor Reiss.

Esse é mais um exemplo do nível de discriminação que existe nos meios acadêmicos contra quem quer que sequer mencione a possibilidade de se questionar o darwinismo.


Caso realmente Dawkins tenha reagido da forma ora descrita, agiu com racionalidade, pois os comentários de Reiss não passam de uma grande bobagem do ponto de vista científico, além de encerrar alto teor de má fé sob o ponto de vista jurídico e pedagógico.




Dawkins apenas procura estabelecer uma ciência livre da sombra religiosa, onde nada é confirmado, apenas se acredita naquilo que é determinado.

A nota também encerra o erro corriqueiro patrocinado pelos criacionistas, o qual considero uma alegação meramente retórica de que a Teoria da Evolução seria inquestionável, com o fito lança-la no mesmo mundo da crença religiosa. A nota, cometendo grande impropriedade conceitual, faz menção ao "darwinismo" que é o ponto estudado em sociologia denominado Darwinismo Social.

Este em nada se relaciona à Teoria da Evolução, pois se trata de uma visão equivocada desta teoria.
Portanto, a alegação acima referente a disciminações, é falsa, uma vez que tanto a TE como qualquer outra teoria científica são amplamente abertas a qualquer questionamento, diferentemente do que se passa no seio das religiões.

Simplesmente, não há nada científico que eleve o criacionismo a teoria científica, o que automaticamente o exclui do mundo acadêmico.

A "darwinlatria" continua.[MB]

Não vejo qualquer darwinilatria, mas excesso de irracionalidade, má fé e religiosismo por parte dos adeptos do criacionismo.
O que de fato parece ocorrer é uma bibliolatria a fim de descaracterizar a verdadeira ciência em prol do proselitismo cristão.