sábado, 25 de outubro de 2008

Nó criacionista desatado As confusões com o arqueopterix

Mais uma vez, fazemos um retorno triunfal à má compreensão ou má fé dos círculos criacionistas quanto a explicar a relação entre aves e répteis.

Desta vez, a confusão paira sobre o fóssil do arqueopterix, um ave pré histórica que viveu no Jurássico superior, sendo a primeira ave extinta a ser encontrada.

Esta ave possuia cerca de 1 metro de comprimento e 4 quilogramas, sendo seu esqueleto mais pesado que o das aves normais, o que provavelmente, lhe limitava o vôo.

Excetuadas as penas, o arqueopterix se parece bastante com o compossognato e com outros pequenos dinossauros do tipo celurossauro. A maior diferença é que as patas dianteiras do arqueopterix foram modificadas para acomodar as penas. Os três dedos das patas dianteiras do arqueopterix tinham garras e suas mandíbulas abrigavam presas afiadas.


Além do Archoeopteryx, também tinham dentes duas outras espécies plumadas, batizadas pelos cientistas com os nomes de Ichthyornis e Hesperornis, que em grego significam "ave dos peixes" e "ave da noite".








O festival de abobrinhas é oriundo deste site (aqui).



Depois que Charles Darwin publicou seu livro A Origem das Espécies, em 1859, os evolucionistas iniciaram a busca de espécies intermediárias de “transição” para comprovar suas alegações. O primeiro fóssil de Archaeopteryx foi descoberto na formação calcária de Solnhofen, na Bavária, Alemanha, em 1861.

Os darwinistas o consideraram como a “salvação” que deveria dar apoio a sua teoria. O esqueleto do Archaeopteryx (cujo significado é “asa antiga”) é um fóssil incrivelmente raro, de grande valor. A importância desse fóssil para os darwinistas tem a ver com as suas características que, como eles alegam, pertencem tanto a aves quanto a répteis.

Com grande empolgação, eles apresentaram o fóssil como um “elo perdido”, intermediário entre répteis e aves. O Archaeopteryx foi honrado com um lugar de destaque em muitas exibições em museus e também em livros-texto como a “prova” definitiva a favor da evolução.


Entretanto, as várias críticas feitas com relação ao fóssil e às inconsistências que foram surgindo com um exame mais acurado dele permaneceram ignoradas.

O Archaeopteryx tinha garras com penas, nas asas, dentes na mandíbula e uma cauda óssea semelhante à dos de répteis – essas características levaram os darwinistas a interpretar o bicho como prova da teoria da evolução.

Entretanto, os últimos exames feitos dos fósseis de Archaeopteryx mostraram que essa criatura definitivamente não era uma forma intermediária, mas uma espécie extinta de ave, com várias características que a tornavam distinta das aves modernas.

Os cientistas hoje concordam que o Archaeopteryx possuía esqueleto, estrutura de penas e músculos de vôo idênticos aos das aves atuais, e era capaz de voar perfeitamente. Além disso, o exame científico comprovou que com a sua fúrcula (osso bifurcado em frente ao esterno no peito das aves) e a estrutura de penas assimétricas, o Archaeopteryx era uma ave voadora plenamente desenvolvida.

Resumindo, o Archaeopteryx não poderia ser classificado como uma forma intermediária, com base em algumas poucas características singulares. Particularmente, o sétimo fóssil de Archaeopteryx, que foi escavado em 1992, confirmou isso, e demoliu completamente as alegações evolucionistas baseadas em qualquer “semelhança” com os répteis.

Colin Patterson, um cientista evolucionista, afirma que as alegações feitas a favor do Archaeopteryx estão longe de ser científicas: “Seria o Archaeopteryx ancestral de todas as aves? Talvez sim, talvez não: não existe uma maneira de responder essa pergunta. É bastante fácil construir histórias a respeito de como uma forma dá origem a outra, e descobrir razões pelas quais os estágios deveriam ser favorecidos pela seleção natural. Porém, tais estórias não fazem parte da ciência, pois não existe maneira de submetê-las a testes.”

O texto já começa dizendo besteiras:
Cientistas não contam historinhas como fazem religiosos. As histórias que cientistas contam são pautadas em evidências, logo são testáveis, como veremos ao longo da desmistificação das besteiras criacionistas. Aliás o termo criacionista vem a calhar pois são criadores de bobagens conforme as que analisaremos abaixo.


Por que o Archaeopteryx não é uma forma intermediária
O Archaeopteryx realmente possui várias características que o diferem das aves modernas. Não obstante, suas características mostram também que ele era capaz de voar, ou seja, ele era uma ave verdadeira.

O mero fato de que o Archaeopteryx possuía várias características singulares não demonstra que fosse uma espécie de forma intermediária. Veja algumas provas de que ele não é um intermediário meio-dinossauro, meio-ave, mas sim meramente uma espécie extinta de ave:
Até hoje se discute se o arqueopterix é uma ave, um dinossauro, um intermediário entre ambos ou uma espécie única. Todavia as evidências apontam para que ele se trate de uma ave.

Outro problema nessa discussão sempre foi a falta de fósseis de transição. Não se encontrou ainda um fóssil de animal meio ave meio réptil. Entretanto, a natureza forneceu muitas evidências que mostram a relação de parentesco entre essas classes tão distintas.

1. A fúrcula do Archaeopteryx e a descoberta posterior do seu esterno


Os dinossauros não possuem fúrcula, embora o Archaeopteryx, como todas as aves, possua uma fúrcula. O anatomista David Menton refere-se à fúrcula do Archaeopteryx nestes termos:

O Archaeopteryx tem uma fúrcula robusta. Alguns fascinantes estudos recentes utilizando raios-X, mostrando pássaros em movimento quando em vôo, mostram como a fúrcula tem de ser flexível para suportar as forças incríveis necessárias para o bater de asas no vôo. Pode-se ver, em tempo real, a fúrcula fletindo-se em cada bater de asas.(vi)

Até a década de 1990, o fato de que faltava o esterno ao Archaeopteryx era apresentado como a mais importante evidência de que ele não podia voar (O esterno é encontrado na parte da frente da caixa torácica, e a ele são ligados os músculos necessários para o vôo. Este osso é presente em todas as aves atuais que voam ou que não voam – e até mesmo em morcegos!).

Entretanto, o sétimo fóssil de Archaeopteryx, descoberto em 1992, mostrou que essa afirmativa era incorreta, e que aquele fóssil continha realmente o esterno, que os evolucionistas de há muito imaginavam não existir. Esta descoberta destruiu completamente o fundamento mais básico da alegação de que o Archaeopteryx era uma meia-ave, que não voava.

Errado!!!! A possível ligação entre os dinossauros e as aves foi proposta, pela primeira vez, pelo naturalista Thomas Henry Huxley, em meados do século XIX.

Na década de 70, John Ostrom, da Universidade de Yale, realizou uma comparação anatómica meticulosa do Archaeopteryx (considerada a primeira ave no registo fóssil) com vários dinossauros, concluindo que este era muito parecido com um terópode (dinossauro carnívoro e bípede) conhecido por Deinonychus.
Ostrom deu particular atenção à fúrcula, um pequeno osso do punho, partilhado pelos dois fósseis, que é necessário para bater as asas.
A mais importante semelhança entre aves e dinossauros é a fúrcula, pequeno osso do punho, existente nos dois fósseis, e que é necessário para bater as asas.

Ultimamente, vários dinossauros semelhantes às aves foram descobertos, como o Velociraptor e o Oviraptor. As semelhanças foram ficando cada vez mais evidentes, entre elas os ossos e as patas com três dedos virados para a frente.

Entre as características que ligam dinossauros terópodes a pássaros são um furcula, ossos enchidos por ar e, em alguns casos como o Velociraptor Mongoliensis a presença de penas.
Durante a década de 90, na China, foram achados fósseis que praticamente sacramentaram a ligação ave-dinossauro.
Esses fósseis estavam tão bem preservados que conseguiu-se ver as asas com penas impressas nas rochas.Algumas dessas espécies descobertas na China:


- Archaeoraptor liaoningensis: era considerado o "elo perdido". mas se trata de uma fraude forjada por traficantes de fósseis. Leia mais aqui e aqui.











- Sinornithosaurus millenii: Tinha braços compridos, e possuía muitas penas e os ossos do peito e ombros semelhantes aos das aves;











- Beipiaosaurus inexpectus: Com pescoço e garras compridas, foi até agora o maior dinossauro com penas já encontrado. Tinha penas duras e curtas. Não voava, mas devia usar as penas para se aquecer ao sol (provando que as penas não tiveram em todos os estágios da evolução a função de voar);









- Protarchaeopteryx robusta: Tinha penas muito simétricas, o que indica que talvez não fosse capaz de voar;










- Caudipteryx zoui: Rápido corredor veloz, com penas primitivas, ainda insuficientes para o vôo;









O interessante é que estes fósseis, além de praticamente ratificarem a teoria da ligação entre aves e dinossauros, vieram demonstrar que durante o processo de evolução, as penas tiveram funções diferentes inicialmente.

Deviam servir como isolantes de calor ou para simples exibição, para fins de acasalamento.

Com o decorrer do tempo, após séries de adaptações, as espécies foram apresentando asas maiores. Desse modo, as asas puderam adquirir a função de vôo.

Essas descobertas reforçam outra hipótese: de que a presença de penas deveria ser uma característica comum entre os dinossauros terópodes, até mesmo em relação ao Tyrannosaurus rex. Com isso podemos dizer que os dinossauros não foram extintos. Apenas evoluíram para as aves.

Logo, as alegações acima estão desclassificadas como algo que induza a qualquer afirmação pautada em estudos consistentes. Mais estudos aqui.

2. A estrutura das penas do Archaeopteryx :

Uma das mais convincentes evidências de que o Archaeopteryx era uma verdadeira ave voadora é a estrutura de suas penas. A sua forma assimétrica, idêntica àquela das aves modernas, revelavam que o Archaeopteryx era perfeitamente capaz de voar. Como afirmou o paleontólogo Carl O. Dunbar.

Por causa de suas penas, [o Archaeopteryx deve ser] classificado distintamente como ave.(vii)
Alan Feduccia destaca também a estrutura assimétrica nas penas das criaturas ao afirmar que o Archaeopteryx era uma ave capaz de voar:

O significado das características assimétricas é que elas indicam a capacidade de vôo; aves que não voam, como o avestruz e a ema, têm asas [com penas] simétricas.(viii)

A forma e as proporções gerais das asas do Archaeopteryx são idênticas às das aves modernas.

O fato de que a estrutura da asa do Archaeopteryx se manteve até os dias de hoje, desde presumivelmente 150 milhões de anos atrás (desde o período Jurássico) indica que as suas asas foram criadas para o vôo.

Quem disser que o Archaeopteryx não era capaz de voar, não pode explicar o porquê daquela estrutura assimétrica.(ix)

Certo, porém não apresenta consistência em negar a origem reptiliana das aves.

As penas evoluíram de escamas encontradas em répteis e dinossauros. As aves têm vários tipos de penas, cada uma com sua estrutura especializada dependendo de sua função.

Os ornitólogos distinguem cinco tipos de penas: de contorno (que recobrem o corpo e também são penas de vôo), semiplumas, plúmulas de vários tipos (relacionadas ao isolamento térmico), cerdas e filoplumas (com função sensorial).

As aves dependem destas penas especializadas para propósitos cruciais. Sua habilidade de voar, em particular, depende das penas de contorno e de vôo.

As penas de contorno são encontradas na superfície do corpo e ajudam a fazer com que a ave fique aerodinâmica e plana, e reduz a turbulência. As penas grandes de vôo nas asas e cauda atuam como um leme no vôo, dando controle aerodinâmico.

As penas de vôo dividem-se em dois grupos principais, as remiges (penas das asas) e as rectrizes (penas da cauda).

A principal diferença entre ambas está na sua simetria. No caso das remiges, o bordo posterior é bastante mais largo, o que lhes confere capacidade de sustentação.

Quanto às rectrizes, essa assimetria é menos acentuada, uma vez que estão ligadas à orientação e “navegação” em vôo.

Em 1998, paleontólogos que trabalhavam na Província de Liaoning, no Nordeste da China, fizeram duas descobertas incríveis - e derrubaram por terra as dúvidas sobre o parentesco entre as aves e os dinossauros. As evidências vieram de dois fósseis extraordinariamente bem preservados: o do Caudipterix e o do Protoarchaeopterix.

Ambos possuíam penas, mas não eram capazes de voar - lembre-se que aves como o avestruz também não voam. Esses fósseis possuíam dois tipos de penas: plúmulas e penas com vexilos, que são as penas de contorno. Isso apenas veio confirmar as teses de Huxley.

As penas de vôo do Archaeopteryx estão bem preservadas, e são virtualmente indistinguíveis das penas de aves modernas. Possuem o ráquis central e as barbas laterais que encontramos em qualquer ave canora atual.

As penas também são assimétricas e mais largas na borda de saída do que na frontal -- uma adaptação mostrada pelas aves voadoras mas não em aves que não voam como os pingüins ou avestruzes.



Isso indica que o Archaeopteryx provavelmente era capaz de voar (embora os fósseis careçam de um grande esterno com quilha [ou carena], que todas as modernas aves utilizam para inserir seus potentes músculos de vôo, sendo os pontos de inserção muito menores do que nas aves modernas -- desse modo é possível que o Archaeopteryx conseguisse apenas planar não sendo capaz de imprimir energia a seu vôo). Veja aqui:


As grandes penas de contorno é a única classe de penas encontrada nos fósseis do Archaeopteryx -- não foram encontradas as felpudas penas menores, embora estas se encontrem em todas as aves modernas.


Todavia, entre as características de dinossauro que o Archaeopteryx exibe estão:


- articulação côncava simples nas vértebras cervicais, no lugar da articulação alongada em forma de sela encontrada nas aves;

- vértebras da região torácica livres e móveis, no lugar das fusionadas nas aves;

- presença de gastralia, ou costelas abdominais, que são encontradas em répteis e terópodos porém não em aves;

- uma caixa torácica sem os processos uncinados e que não se articula com o esterno, ao invés das articulações semelhantes a escoras entre os uncinados e o esterno encontradas em todas as aves;

-um sacro constituído de apenas 6 vértebras, no lugar das 11 a 23 encontradas nas aves (de acordo com o gênero);

-articulações móveis nos ossos do cotovelo, punho e dedos, no lugar de articulações fusionadas que encontramos nas aves;

- um encaixe do ombro voltado para baixo como nos terópodos, no lugar de voltado para fora como nas aves;

- ossos sólidos (compactos) e pesados, no lugar dos ossos pneumáticos das aves que são ocos e leves;

- uma longa cauda óssea com vértebras livres, no lugar de pequenos pigostilos fusionados encontrados nas aves.

Também existem alguns aspectos presentes no Archaeopteryx que estão presentes em formas primitivas de terópodos, e também em formas mais avançadas de aves.

Nos terópodos, por exemplo, o hálux, ou dedo maior do pé, localiza-se na parte posterior do pé formando uma pequena garra que não alcança o solo. Nas aves, este dedo é bastante alongado e é utilizado para empoleirar-se.
No Archaeopteryx, o hálux está inverso, mas é alongado em uma posição que é intermediária entre os terópodos e as aves.

Nos terópodos, os dedos dos membros anteriores são longos; nas aves, estes dedos se reduzem a diminutas terminações (as garras nas asas).

O Archaeopteryx está a meio caminho entre estas duas possibilidades.

Nas aves, as asas são apoiadas pela fúrcula, ou "ossinho da sorte", que é composta pela fusão das duas clavículas, e o Archaeopteryx também possui uma fúrcula fusionada (porém não tão forte como a das aves modernas).

Uns poucos terópodos tinham clavículas, como por exemplo as espécies de aspecto avícola como o Velocirraptor. E acredita-se que uma espécie de terópodo conhecido como Ovirraptor possuía uma fúrcula fusionada, como nas aves. Vide as fotos abaixo:



Terópodo










Archaeopterix









Ave moderna













O Archaeopteryx NÃO tinha membros capazes de empoleirar (tampouco existe esta característica em muitas aves modernas), e seu hálux não era tão bem desenvolvido como nas aves modernas.

As penas de vôo são virtualmente idênticas as penas das aves modernas, porém jamais se encontrou as outras classes de penas nos fósseis de um Archaeopteryx.

Embora o Archaeopteryx possuísse a fúrcula e penas de vôo das modernas aves voadoras, ele não tinha a grande quilha do esterno ou as articulações fusionadas dos membros anteriores que são uma parte necessária para o vôo, e é por isso que se questiona se o Archaeopteryx era capaz de voar por sua própria potência.

Assim, o jogo de palavras acima apresentado (em preto) não afasta a proximidade que existe entre o archaeopteryx, os terópodos e as aves modernas, sendo que o Archaeopteryx, mesmo que considerado uma ave, estar em um ponto intermediário entre estas e os répteis terópodes.

3. As garras nas asas do Archaeopteryx

Os evolucionistas destacam as garras nas asas do Archaeopteryx como evidência de que ele evoluiu a partir dos dinossauros, e que portanto ele era uma espécie de transição. Na realidade, entretanto, esta característica de maneira alguma sugere qualquer relacionamento entre essa criatura e os répteis.

De fato, duas espécies vivas de aves – Touraco corythaix e Opisthocomus hoazin – ambos têm garras que servem para se prender a ramos de árvores. Essas criaturas são aves plenamente emplumadas, sem qualquer característica de réptil. Esses exemplos modernos invalidam a alegação de que as garras nas asas do Archaeopteryx significam que ele deva ser uma forma intermediária.


Errado!!! A garra presente em asas de aves jurássicas, como presente em asas de aves modernas, apenas no início foi considerada uma ligação com os dinossauros.

Como anteriormente estudado, asas de répteis, de aves e de mamíferos se tratam de membros transformados adaptados ao vôo (veja
aqui).

Atualmente, de acordo com estudos realizados, foram desvendadas muitas características comuns entre as aves e dinossauros terópodes conforme segue:

- Pescoço alongado e móvel em forma de "S".

- Pé com três dedos - e apenas dois deles se apóiam no chão para andar.

- Ossos ocos: fundamentais para voar, pois tornam o esqueleto mais leve. Atualmente, apenas as aves possuem essa característica.

- Dados atuais mostram que o dromeossauro, incluindo Velociraptor, enquanto evoluía estava adquirindo características semelhantes às das aves.

A estrutura óssea do pulso permitia a esses animais girarem as mãos ao capturar suas presas - essa habilidade é usada pelas aves modernas quando realizam o vôo batido (vôo batendo as asas).

Outro dromeossauro, o Unenlagia, possuía uma articulação no ombro que lhe permitia mover os braços para cima e para baixo - outro componente fundamental para o vôo potente. O Unenlagia
foi um predador terrestre de dois metros de comprimento e seu fóssil foi descoberto na Patagônia.

A descoberta dos fósseis de
Caudipterix e de Protoarchaeopterix
vieram apoiar a hipótese de que as penas primitivas evoluíram para o isolamento térmico ou para exibição, em vez de serem usadas para voar.

Dentre os animais homeotérmicos (de sangue quente), aqueles cujo corpo se encontra coberto por penas ou pêlos são também os que apresentam as maiores taxas metabólicas. Sendo assim, a descoberta destes fósseis dá mais peso à hipótese de que estes dinossauros eram homeotérmicos.

Por outro lado, estas descobertas evidenciam que a existência de penas deveria ser uma característica bem disseminada no seio dos dinossauros terópodes.

Com estas descobertas, as descrições de muitas espécies podem ter que ser alteradas, à medida que os museus recriam a aparência destes precursores das aves modernas.

A maioria dos cientistas defende agora que os dinossauros não se extinguiram, mas que vivem ainda nos dias de hoje sob a forma alada, como águias, pardais, cegonhas, andorinhas, etc.

Se por um lado, estes achados fazem com que a ligação entre aves e dinossauros se torne mais evidente, por outro fazem com que o conceito de Ave se torne cada vez mais indistinto.


A comparação entre os fósseis de Liaoning e as aves modernas revela que os dromeossauros possuíam algum controle sobre o calor do corpo e que estavam desenvolvendo penas para o vôo. Os dromeossauros e as aves modernas são muito semelhantes em vários aspectos anatômicos, razão pela qual a maior parte dos estudiosos no assunto concorda que as aves evoluíram de dinossauros terópodos.

Não há mais dúvidas: a classe Aves é uma linhagem especializada dos dromeossauros, os quais eram predadores bípedes e cursores. Então, evolutivamente, as aves se desenvolveram a partir de predadores terrestres - os dromeossauros -, passaram para dinossauros basicamente terrestres de vôo batido (o
Caudipterix), e chegaram ao Archaeopterix
.

Esse, por sua vez sofreu mutações que originaram o
Iberomesornis, o dinossauro arborícola. Da mesma maneira, o Ibero originou o Enantiornithes, já uma ave, mas com baixa capacidade de vôo.


A "passagem" evolutiva seguinte foi o Ichthyornithiformes, capaz de realizar vôo pleno. Finalmente, chegou-se às aves modernas, os Neornithes. Todas essas passagens evolutivas de um animal para outro, ocorrem através de mutações genéticas.

Assim, a alegação do artigo (em preto) pode ser desconsiderada como algo que mereça crédito.

4. Os dentes da mandíbula do Archaeopteryx

Quando os biólogos evolucionistas descrevem o Archaeopteryx como uma forma intermediária, uma das principais características nas quais eles se baseiam são os seus dentes. Esta característica, entretanto, realmente não mostra relacionamento algum entre esta criatura e os répteis. Os evolucionistas enganam-se ao sugerirem que estes dentes são uma das características de réptil, porque dentes não são características exclusivas de répteis.

Isto é o óbvio. Há dentes até em moluscos.

O tubo digestivo dos moluscos é completo, isto é, inicia-se pela boca, continua por um esôfago, estômago, intestino e finaliza-se com o ânus. Neste, como em outros aspectos, os moluscos são muito evoluídos, apesar de serem vistos como animais simples ou primitivos.

O ânus se abre na cavidade do manto e assim os resíduos são levados para o exterior por uma corrente exalante.

Na base da boca, os moluscos (com exceção dos bivalvos) possuem uma estrutura denominada rádula, que é uma espécie de língua raladora dos moluscos.

Ela é coberta por carreiras longitudinais de dentículos curvos de quitina. Os músculos movimentam a rádula e os dentículos raspam o alimento, que no caso de gastrópodos marinhos, podem ser algas e outros organismos incrustados nas rochas.

Novos dentes são continuamente secretados. A presença da rádula é uma característica marcante nos moluscos. A rádula só não existe nos bivalvos pois estes alimentam-se filtrando a água. Pequenos organismos ficam retidos nas brânquias, de onde são conduzidos à boca.

Assim, o argumento acima não apresenta subsídios que afastem a hipótese da origem reptiliana das aves.

Alguns répteis modernos têm dentes, porém outros, não. Ainda mais importante do que isso, espécies distintas de aves com dentes não se limitam ao Archaeopteryx. O registro fóssil contém um grupo separado que podemos descrever como “aves com dentes” que viveram tanto na mesma época que os Archaeopteryx como posteriormente – e, de fato, até tempos bastante recentes.

Também há mamíferos modernos que tem dentes e outros não, por exemplo um gato e um tatu respectivamente.


Um fato bastante importante, sempre ou freqüentemente ignorado, é que a estrutura dental do Archaeopteryx e de outras aves com dentes é bastante diferente daquela dos dinossauros.

De acordo com medidas levadas a efeito por ornitólogos tão bem conhecidos como L. D. Martin, J. D. Stewart e K. N. Whetstone, a superfície dos dentes do Archaeopteryx e de outras aves com dentes são planas e têm raizes largas.


Entretanto, a superfície dos dentes dos dinossauros terópodes, que alegadamente são os antepassados dessas aves, são serrilhados como dentes de serras, e suas raízes são estreitas.(x)

Estudos feitos por anatomistas como S. Tarsitano, M. K. Hecht e A. D. Walker revelaram que algumas das “semelhanças” sugeridas entre o Archaeopteryx e os dinossauros são inteiramente resultado de interpretação falaciosa.(xi)

Sinceramente, desconheço o estudo acima citado, uma vez que não há fonte bibliográfica acessível.

Todavia, segue o
estudo abaixo:

“Cientistas da Universidade de Manchester fizeram um estudo comprovando que é possível ativar genes de galinhas para induzir ao crescimento de dentes. A pesquisa foi publicada na edição desta semana da revista Current Biology.

A descoberta pode ter aplicações na regeneração de tecidos humanos. Os pesquisadores queriam saber se a memória genética da ave - remontando há 80 milhões de anos, quando aves tinham dentes - poderia ser despertada. Então induziram o crescimento em galinhas normais, com sucesso.

O estudo foi possível depois que o bico de uma galinha mutante chamada Talpid, morta há 50 anos, foi reexaminado, e uma arcada dentária completa foi encontrada.

“O que descobrimos foram dentes similares àqueles dos crocodilos. Não por acaso, porque as aves são os parentes vivos mais próximos do réptil”, disse Mark Ferguson, cientista da universidade.“

Quanto aos dentes do arqueopterix (
aqui), eram inseridos em alveolos e pontudos e curvados para trás, tal como ocorre nos terópodos.

Estas características de réptil encontradas no Archaeopteryx também são encontrados
em primitivas aves extintas, como o Hesperornis e o Icthyornis. Todavia, características reptilianas do esqueleto do Archaeopteryx não são encontradas em nenhuma outra espécie de ave, viva ou extinta.

O Archaeopteryx tinha, por exemplo, um conjunto completo de dentes em cavidades alveolares, que são típicas dos dinossauros terópodos.

Embora o primitivo Hesperornis também possuísse dentes em cavidades alveolares, eles não existem em nenhuma ave moderna, e de acordo com os paleontólogos, esses dentes de réptil se perderam nas aves antigas conforme o bico das aves se desenvolvia.

Dessa forma, podemos considerar o estudo acima postado pelo autor do texto (em preto), se realmente ocorreu, como duvidoso, por encerrar impropriedades em sua avaliação, se relacionada à dentição do arqueopterix, bem como há que se desconsiderar a péssima retórica utilizada nos dois primeiros parágrafos.

5. O osso quadrato do Archaeopteryx

Refutando a alegação de que o osso quadrato do Archaeopteryx (o osso com o qual a mandíbula é articulada) é semelhante ao dos dinossauros, Haubitz et al. usaram tomografia computadorizada que revelou que esse osso quadrato de fato é idêntico ao das aves modernas.(xii)

O movimento das mandíbulas é outra importante evidência que destroi as alegações evolucionistas. Na maioria dos vertebrados, incluindo-se os répteis, somente a parte inferior da mandíbula é móvel; nos pássaros entretanto, incluindo-se o Archaeopteryx, a mandíbula superior também se move.


Errado!!!!!!!!!!!!

Quanto ao esqueleto cefálico das aves, este não apresenta aberturas. As órbitas são, no geral, grandes e as mandíbulas não têm dentes, tendo-se transformado num bico. É idêntico ao dos répteis, com um osso quadrado onde se suspende a mandíbula.

O crânio do Archaeopteryx também é tipicamente reptiliano em sua estrutura, exibindo:

- várias aberturas ou "fenestras" no crânio, dispostas como nos dinossauros terópodos e não como nas aves;

- um pesado porém curto osso quadrático que se inclina para frente como nos répteis;

- uma curvatura nas mandíbulas atrás da fileira de dentes, um processo retro-articular grande, que é encontrado nos répteis mas não nas aves; um osso malar delgado e reto como nos répteis;

- uma barra pré-orbital separando a fenestra ântero-orbital e a órbita do olho (uma característica dos répteis);
- um côndilo occipital e um forame magno localizado acima do limite dorsal do osso quadrado como nos terópodos, ao invés de abaixo do quadrado como em todas as aves; e uma estrutura cerebral que exibe hemisférios cerebrais delgados e alongados que não sobrepõem o mesencéfalo (nas aves, os hemisférios cerebrais são pesados e se entendem por sobre o mesencéfalo).
Assim, o estudo ora apresentado pode se considerar como desclassificado, uma vez que as informações resultante de suas conclusões estão completamente erradas.

6. Os dedos do Archaeopteryx

Outro golpe à tese evolucionista relacionada com o Archaeopteryx provém de seus dedos. Foi descoberto que o desenvolvimento embrionário dos ossos do antebraço é completamente diferente nas aves e nos dinossauros terópodes. Os antebraços dos dinossauros terópodes, ou “mãos”, consistem dos dígitos I, II e III, enquanto que as asas das aves consistem dos dígitos II, III e IV. Essa evidência importante, distinguindo dinossauros de aves, foi ressaltada em 1997 em um artigo na revista Science.(xiii)


O estudo realizado segue abaixo:


Segundo J.R. Hinchliffe, que utilizou como técnica a aplicação isotopos em embriões de pintinho para analisá-los, reivindica ter estabelecido que a "mão" de pássaros consiste nos dígitos II, III e IV, enquanto os dígitos da " mão " dos dinossauros terópodes consistem nos dígitos I, II, e III.
Assim conclui que, não há descendência entre aves (incluindo o Archaeopterix) e dinossauros (conf. "International Archaeopteryx Conference", Journal of Vertebrate Paleontology 5(2):177, Junho de 1985).


Em resposta, segue abaixo estudo apresentado em Ciência Hoje.
A identificação dos dígitos das mãos das aves é um dos pontos mais polêmicos na discussão de sua origem. Todos concordam que os animais que deram origem às aves tinham cinco dedos nas mãos e que perderam dois com o tempo.

O problema está na identificação dos dígitos que sobraram: enquanto os estudos experimentais embriológicos aceitos até agora diziam que os três dedos das aves seriam o segundo, o terceiro e o quarto, as evidências nos fósseis indicavam que os dígitos deveriam ser o primeiro, o segundo e o terceiro.

A controvérsia era um dos principais argumentos dos pesquisadores que se opõem a considerar que as aves descendam de um grupo de dinossauros.

No entanto, um estudo recém-publicado no Journal of Experimental Zoology mostra que os paleontólogos estavam com a razão: os dedos das aves recentes são o primeiro, o segundo e o terceiro.

Quanto ao Archaeopteryx, este também possuia os dedos 1, 2 e 3.

Assim, as evidências que suportam a teoria da evolução das aves, a partir dos dinossauros, ganha cada vez mais peso.

Portanto, está rechaçada a afirmação do articulista no que se refere aos dígitos das aves e dos dinossauros.

Além disso, os ornitólogos L. D. Martin, J. D. Stewart e K. N. Whetstone compararam os ossos astrágalos do Archaeopteryx com os dos dinossauros, e revelaram que não havia similaridade alguma entre eles.(xiv)

O suposto estudo não menciona qualquer diferença entre os astrágalos de terópodes e de aves. Apenas alega que tais diferenças existem.


O osso astrágalo pertence ao pé e articula com os ossos da perna (tíbia e fíbula) formando o tornozelo.Este articula com o calcâneo, que forma o calcanhar dos bípedes e que articula com dois ossos.

- O cubóide, que articula com os dois últimos metatarsais;
- O navicular, que articula com três cuneiformes que, por sua vez, articulam com os primeiros três metatarsais;

A fusão dos ossos do tornozelo (calcâneo e astrágalo) é um dos caracteres mais importantes para definir o estágio de evolução de terópodes totalmente adultos.


Nos ancestrais dos dinossauros não havia essa união, que permitia aos animais ficar em posição digitígrada e totalmente eretos (terópodes), sem despender muita energia. Aqui.

Os terópodes do Triássico encontrados na Formação Santa Maria, no Rio Grande do Sul, apresentavam dimensões muito mais modestas: tanto Staurikosaurus pricei quanto Guaibasaurus candelariensis tinham cerca de 0,7 m de altura, aproximadamente 2,3 m de comprimento e pesavam pouco mais de 30 quilos.

Outros terópodes da época seriam Herrerasaurus ischigualastensis (com 1,5 m de altura, 4,5 m de comprimento e cerca de 250 quilos) e Eoraptor lunenesis (com 40 cm de altura, 1,1m de comprimento e menos de 3 quilos).

As conclusões mais importantes tiradas pelos pesquisadores dizem respeito ao estágio de evolução do animal.

Características como a pneumatização das vértebras e dos ossos (o ‘osso oco’ das aves de hoje) e a perfeita fusão entre os ossos do tornozelo (astragalocalcâneo), que se articulam com a perna, o aproximam de gigantes de tempos mais recentes.

Quanto às aves, todos os ossos do tarso e metatarso se encontram fundidos num único osso, chamado tarsometatarso.

Um experimento do século passado, desenvolvido por Hampé, gerou embriões de galinha com anatomia das patas muito semelhante àquela dos répteis. Uma análise mais detalhada nos mostra que as patas das aves diferem das de outros répteis por possuírem ossículos do tornozelo fusionados, e uma fíbula reduzida.

Quando experimentalmente, se induz um crescimento maior da fíbula, nota-se a formação daqueles ossículos do tornozelo que haviam sido perdidos ao longo da evolução. Isso nos mostra que muitas vezes, o potencial genético necessário para formar certas estruturas não foi perdido, faltando apenas um estímulo para que a formação ocorra.

Assim, em se tratando das conclusões apresentadas pelo articulista, no que se refere ao estudo apresentado, pode-se concluir que também são equivocadas.

7. A estrutura óssea do Archaeopteryx


Não são confirmadas pelas descobertas científicas as interpretações de que o púbis do Archaeopteryx aponta para baixoalegadamente uma posição em transição com relação aos dinossauros, em que aponta para cima. A. D. Walker afirmou que conjecturas nessas direções são falsas e que da mesma forma como os pássaros, o púbis do Archaeopteryx aponta para trás.(xv)

Segue aqui um estudo:

Uma das classificações dos dinossauros feitas pela Paleontologia se baseia na estrutura da pélvis. Eles podem ser saurísqueos ("quadris de lagarto", com três extremidades ósseas) ou ornitísqueos ("quadris de ave", com quatro extremidades). Mas, curiosamente, as aves descendem dos saurísqueos.














Os ornitomimossauros ("lagartos imitadores de aves ") pertenciam ao grupo dos saurísqueos, nos quais uma das extremidades do osso púbis encaixava-se na pélvis.

Tinham pescoço longo, boca sem dentes e cauda comprida, com ossos separados. Acredita-se que possuíssem moela (estômago muscular) para triturar alimentos - uma característica das aves.




O arqueoptérix aliava características de dinossauros - pélvis com três extremidades, cauda longa etc. - às das aves, como as clavículas soldadas num osso único, a fúrcula, indispensável ao vôo.














Nas aves, as duas extremidades do púbis estão livres, formando uma estrutura de quatro pontas com o ísquio e o ílio. Elas também possuem o osso esterno, inexistente no arqueoptérix.













Os dinossauros podem ser divididos em dois grupos principais , conforme a estrutura da cintura pélvica (ossos da bacia):

ornitisquianos (cuja cintura pélvica é semelhante a de outros répteis que possuíam o ílio relativamente longo e um púbis direcionado para trás.

Os ornitisquianos representam uma linha mais derivada de dinossauros , que modificou ligeiramente a estrutura de sua pélvis (composta por um púbis voltado para trás), de forma muito similar à encontrada nas aves.

No entanto essa similaridade não os coloca em grau de parentesco próximo a elas. Todos apresentavam dentes especializados na parte traseira da boca e focinhos em forma de bicos córneos.

saurisquianos que em sua maioria possuíam um ílio mais curto e profundo e um púbis direcionado para frente. Vale lembrar que aves descendem de um ancestral saurísquio.

Os Dinossauros saurísquios eram divididos em quatro grupos:

- Prossaurópodes: iniciaram o seu desenvolvimento no final do Triásico e, durante o Jurássico, foram gradualmente substituídos pelos saurópodes.

- Sauropodomorpha ou saurópodes, gigantescos comedores de plantas;

- Theropoda ou terópodes, que incluíam todos os carnívoros. Estes deram origem às aves.

- Herrerassauros, que possuíam ossos pélvicos semelhantes aos dos saurisquianos (púbis direcionado para frente).
As aves e alguns dinossauros terópodes guardam muitas semelhanças, tais como patas de três dedos com pulso muito bem articulado, ambos os grupos possuem muitas cavidades nas vértebras, que continham vesículas aéreas, as quais eram partes dos pulmões.
A descoberta do Sinosauropteryx em 1996 mostrou que dinossauros e aves tinham outra característica em comum importante: uma cobertura de penugem.

Ainda podem ser citadas as seguintes semelhanças entre aves e terópodes:

- Estrutura semelhante entre braços de dinossauros e asas de aves
- Presença nos dois grupos de ossos ocos
- Estrutura de pernas e bacia semelhantes entre os dois grupos
Desse modo, variações apenas no púbis das aves e dos dinossauros não são argumentos suficientes a fim de rechaçar a teoria da origem das aves a partir dos terópodes.

Basear uma conclusão em apenas uma diferença desconsiderando as semelhanças apresentadas é prematuro uma vez que a postura de uma ave moderna ou do archaeopteryx difere daquela dos terópodes.

A própria seleção natural pode ter adaptado a estrutura óssea pubiana das aves a sua postura, exatamente como o bipedalismo fez com a pélvis humana.

Assim, o estudo ora apresentado pelo articulista, além de duvidoso no que se refere à conclusão que estatui, desconsidera dados de outras fontes de pesquisa que a tornam duvidosa. Portanto, o ora concluido não é algo que mereça o devido crédito.

Quanto à suposta conclusão de nosso amigo, ai vai o seu brilhantismo científico:

Em resumo, a “evolução” das aves não é uma tese consistente com as evidências biológicas ou paleontológicas, porém somente uma alegação fictícia, irrealista, derivada dos preconceitos darwinistas. O assunto da evolução das aves, que alguns especialistas insistem mencionar como sendo um fato científico, é um mito mantido vivo por razões ideológicas.

A verdade revelada pela ciência é que a criação das aves é resultado de uma sabedoria infinita. Em outras palavras, tanto o Archaeopteryx como todas as espécies de aves foram criadas pelo Deus todo-poderoso.
Nenhuma tese científica é absolutamente consistente. Aliás, quantas vezes teremos de repetir isso para que os criacionistas entendam queo modo de pensar da ciência é bem diferente do modo de pensar religioso. Este é dogmático, onde tudo é absoluto sem contestações, encerrado em si mesmo. Quanto àquela, é zetética, sendo que os questionamentos são infinitos.

A ciência não se trata de um sistema de crenças, onde se pede para que as perssoas acreditem em algo porque está escrito em um livro dito sagrado, ou porque os antepassados nos legaram histórias que contam sagas de deuses.

A ciência sai em busca de indícios, estuda estes indícios, e, por meio destes estabelece teorias que explicam de forma lógica fatos, procurando leis, segundo as quais esses fatos se comportam. Teorias, se bem embasadas, são aceitas, do contrário corrigidas ou rechaçadas, mas para tal deve-se trazer á tona indícios que a desconfirmem, não retórica filosófica ou religiosa.

Na visão apresentada pelo articulista, creio que é mais realista dizer que algum deus fez as aves,os répteis e tudo mais que há no universo. A falta de compreensão é tanta que classifica o pensamento darwinista de preconceituoso e ideológico (Preconceituoso com o que? Ideológico com o que?).

É importante frisar que a natureza (o mundo do ser) não leva em consideração o que nós humanos vemos como certo ou errado (o mundo do dever ser).

Ossos de aves semelhantes aos de dinossauros não se tratam de mito, mas de fato, uma vez que, tanto uns, quanto outros existem e estão ai para qualquer pesquisador estudar.

Quanto às fantasias criacionistas..... podemos ver a brilhante conclusão "científica" do articulista: "Diante do problema, chute a bola para deus que ele resolve" (até uma criança saberia estabelecer uma conclusão melhor que a do brilhante articulista).

A conclusão ora apresentada é a típica falácia non sectur, espantalho e da indução preguiçosa, extremamente usadas por criacionistas a fim de justificar as limitações e jogos retóricos por eles criados, com o propósito de rebater as teses apresentadas pela teoria da evolução.

Simplesmente encerra a questão sobre a origem das aves no dogmatismo religioso, o que não possui nada de científico, impossibilitando qualquer eventual debate que se possa estabelecer acerca da origem e evolução destes seres. A resposta é bem digna de um fundamentalista religioso.

CONCLUSÃO:

É sempre o mesmo método que criacionistas se utilizam:

Se baseiam em estudos inascessíveis, lançam um bombardeio retórico contra teorias que derrubam os mitos de sua fé e concluem que foi Deus.

Mais uma vez senhores criacionistas:

"NÃO É APONTANDO FALHAS EM TEORIAS QUE UMA OUTRA TEORIA CONSEGUE RESPALDO. TEORIAS SÃO FUNDAMENTADAS COM ESTUDOS QUE AS CONFIRMEM."
Todavia, repito: nada em termos científicos respalda o criacionismo e sua roupinha nova ,travestida de ciência, o DI.

Eis a suposta Bibliografia citada pelo articulista, porém toda ela inacessível exceto no sítio de onde foi coletado o artigo.


i Nature, Vol. 382, 1 August 1996, p. 401.

ii Carl O. Dunbar, “Historical Geology”, New York: John Wiley and Sons, 1961, p. 310.

iii Virginia Morell, “Archaeopteryx: Early Bird Catches a Can of Worms”, Science, Vol. 259, No. 5096, 5 February 1993, pp. 764-765.
iv John Ostrom, “Bird Flight: How Did It Begin?,” American Scientist, No. 67, January-February 1979, p. 47.

v Colin Patterson, “Darwin’s Enigma: Fossils and Other Problems”, El Cajon, CA: Master Book Publishers, 4th edition, 1988, p. 89.

vi “Bird Evolution Files out the Window: An Anatomist Talks about Archaeopteryx”, David Menton e Carl Wieland, Creation Ex Nihilo, Vol. 16, No. 4, July-August 1994, pp. 16-19.

vii Carl O. Dunbar, “Historical Geology”, New York: John Wiley and Sons, 1961, p. 310.
viii Storrs L. Olson, Alan Feduccia, “Flight Capability and the Pectoral Girdle of Archaeopteryx,” Nature, No. 278, March 1979, p. 248.
ix Alan Feduccia, Harrison B. Tordoff, “Feathers of Archaeopteryx: Asymmetric Vanes Indicate Aerodynamic Function,” Science, Vol. 203, 9 March 1979, p. 1021.
x L. D. Martin, J. D. Stewart, K. N. Whetstone, The Auk, Vol. 98, 1980, p. 86.
xi S. Tarsitano, M. K. Hecht, Zoological Journal of the Linnaean Society, Vol. 69, 1985, p. 178; A. D. Walker, Geological Magazine, p. 595.
xii Haubitz, M. Prokop, W. Döhring, J. H. Ostrom, P. Welinhofer, Paleobiology, Vol. 14, No. 2, 1988, p. 206.xiii Richard Hinchliffe, “The Forward March of the Bird-Dinosaurs Halted?”, Science, Vol. 278, 24 October 1997, pp. 596-597.
xiv L. D. Martin, J. D. Stewart, K. N. Whetstone, The Auk, Vol. 98, 1980, p. 86; L. D. Martin, “Origins of Higher Groups of Tetrapods”, Ithaca, NY: Comstock Publishing Association, 1991, pp. 485, 540.

xv A. D. Walker, Geological Magazine, Vol. 117, 1980, p. 595.


FONTES:



domingo, 19 de outubro de 2008

Nova pérola cristã

[CrerParaVer-g.jpg]


O mercado de livros cristãos em prol da defesa de suas crenças é algo que me parece alarmante. Todavia sua temática e a famosa BO (boa para otários), pois a argumentação possui falhas lógicas e impropriedades de raciocínio, além de demonstrar falta de conhecimento no que concerna à metodologia utilizada pela ciência.

Eis mais uma das pérolas do cristianismo:

Sabe aquele ditado popular de que os melhores perfumes estão nos menores frascos? Às vezes, isso também é verdade em relação aos livros. Em apenas 63 páginas, Ken Taylor dá seu recado no Crer Para Ver (Editora Textus), livreto que aborda, entre outras coisas, a possibilidade da realidade dos milagres, a importância dos pressupostos, a existência de Deus, a experiência cristã, as evidências da ressurreição de Jesus e a revelação na Bíblia. Taylor é o tradutor da paráfrase A Bíblia Viva e fala com propriedade e concisão dos temas mencionados.



Algumas citações de seu opúsculo:


"Afirmar que já se provou que todas as coisas seguem as leis naturais significa dizer que tudo já foi observado. Isso não é verdade. No caso dos milagres nas Escrituras, as observações das testemunhas oculares, tanto crédulas quanto céticas, encontram-se registradas, e é impossível conseguir mais detalhes dos eventos."

Ninguém, desde que seja sério, no campo das ciências jamais fez tal afirmativa. Quanto a testemunhas oculares, o monstro do lago Ness, o chupa cabras, vampiros, yetis, pé grande e lobisomens também as possuem.
Daí, afirmar que tais relatos são verdadeiros, há um longo percurso.


"A questão mais importante é saber se o Deus pessoal dos cristãos existe. Se Ele existe, os milagres são não apenas concebíveis, mas devem ser esperados."

Partindo-se do pressuponsto que Deus exista, na versão judaico-cristã-islâmica, não sei até que ponto milagres seriam obras exclusivamente do Deus Cristão, ou de outros deuses ou mesmo de entidades malígnas.

Caso tais supostos milagres ocorram em outras formas de crenças, (deus Ganesh que bebe leite, visões de Fátima, curas milagrosas por meio de óleo bento, curandeirismo, etc) cristãos, principalmente evangélicos, são os primeiros a afirmar que tais fenômenos não passam de obras do mal.

Como separar um suposto milagre como obra de Deus ou de Lúcifer? Se este ser é tão ardiloso, como não saber que foi ele quem atendeu ao chamamento do indivíduo? Como não saber se é ele quem domina as crenças que cegam a humanidade? Como não saber se é ele o patrocinador de toda essa intensa religiosidade que ocorre principalmente no mundo cristão? Como saber se a inspiração bíblica ou de outros livros sagrados não foi dada por ele ou por seus assistentes a fim de ludibriar os pobres humanos?

Nossa subjetividade seria suficiente para elucidar tal problema? Creio que não e, aqui paira uma sombra de dúvidas.

"Quando um cientista racionalista afirma que não é possível saber sobre Deus, ele não declara um fato, e, sim, a conclusão lógica de seu pressuposto: já que não é possível examinar Deus com os sentidos, Ele não pode ser conhecido. Mas talvez existam outras formas de conhecer as coisas. ... Deus enviou seu Espírito para informar-nos, e Seu Espírito investiga e nos revela todos os segredos mais profundos de Deus."

Não é possível descartar a idéia de qualquer deus ou ente sobrenatural. Todavia, volto a repetir, a probabilidade de sua existência é baixa, uma vez que se estudarmos os fenômenos a fundo, certamente descobriremos causas naturais ou fraudes, exatamente como tem ocorrido ao longo dos anos.

Um exemplo, é o milagre de Lanciano. Como há estudiosos que afirmam que o conteúdo do invólucro é carne humana com sangue tipo AB se este se encontra lacrado?

É o gato da caixa de Schröedinger.

"É impossível provar que Deus não existe como uma pessoa. O motivo disso é a lei da lógica: é impossível provar uma negativa."

Qualquer negativa é impossível de ser provada, assim como qualquer afirmativa o é, desde que o tal fenômeno afirmado jamais tenha ocorrido ou sido observado.

Peguemos um exemplo semelhante ao de Dawkins dado em Deus um Delírio:

Afirmo que existe uma xícara em órbita de Marte. Como posso provar isso? Ou vou até Marte e encontro a tal xícara ou descubro um meio indireto de detectá-la (um super telescópio).

Um exemplo prático é dizer que há vida em Europa. Há quem acredite e há quem não acredite (este acreditar em termos científicos) em tal teoria, uma vez que cada grupo expões suas razões apoiando um lado e outro dela.

"Negar, com base no método científico, a existência de uma esfera na qual, pela definição, ele não se aplica é adotar uma postura totalmente ilógica. Um pensador que passa a agir assim deixou de ser objetivo. O preconceito se apoderou dele."

Exatamente, mas afirmá-la como uma verdade objetiva (alethea), além de ilógico, é insensato. O melhor a fazer é deixar o caso aberto, exatamente como é a postura agnóstica. Há que se colherem evidências antes de se tecer qualquer afirmação a respeito da plausibilidade dos fenômenos ditos como milagres serem considerados como paranormais.

E, para mim, a melhor de todas: "Parece ser muito mais fácil se acreditar em um Deus que criou homem e mulher do que em uma mutação simultânea que produziu um macho e uma fêmea humanos em uma mesma geração, em um mesmo local."

Para mim, o raciocínio tecido por Ken Taylor se denomina limitação de pensamento enclausurado no dogmatismo religioso que de científico não possui nada.

É mais fácil chutar a bola para os deuses ou para os entes sobrenaturais que tentar entender o que ocorreu, a fim de compreender as causas de determinado fato acontecer ou ter ocorrido na natureza.

Além de dar trabalho (muito estudo e observações), pode-se não chegar a resposta alguma por meio da pesquisa científica, muitas vezes nos obrigando a agurdar novas tecnologias.


Para elucidar: o sexo não apareceu pela primeira vez em humanos como parece no sentido da frase, mas quando passou a haver trocas de genes entre bactérias primitivas.

Em breve conclusão, Sören Kierkegaard tinha razão: a verdade é aquilo em que acreditamos como verdade, ou seja, para nós a verdade é a verdade objetiva, aquela que foge aos parâmetros científicos.

Para Kierkegaard está associada à ideia de que a religião é, no seu fundamental, não uma persuasão da verdade de uma doutrina, mas sim a dedicação a uma posição que é inerentemente absurda, ou que dá "ofensa", o termo usado por Kierkegaard.

Nós obtemos a nossa identidade ao acreditar em algo que ofenda profundamente a nossa mente, o que não é uma tarefa fácil. Para existir, teríamos de acreditar e acreditar em algo que seja ominosamente difícil de acreditar.

Esta é a essência do processo existencialista em Kierkegaard, que associa a fé com a identidade.


Dessa forma, a subjetividade está na nossa fé (o mundo do dever ser e da emunah) e não na metodologia científica que busca a objetividade do mundo do ser (a alethea).

Assim, acho que a metáfora do perfume abordada no início do texto, não é muito apropriada, pois este perfume (o perfume do dogmatismo) pode cheirar um pouco mal se aplicado da forma errada.








segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O tiro pode sair pela culatra

Mais uma vez surge um novo blá blá blá contrário à Teoria da Evolução.

Desta vez não parte de "renomados cientistas" com uma "cosmovisão" crítica a respeito das teorias de Darwin e de seus seguidores, mas de um professor de direito de Berkeley.

O título parece o chamamento para uma guerra, que é o que criacionistas têm empreendido, desde a formulação das teorias de Darwin, em pról de sustentar o mito da criação como uma verdade incontestável acima de tudo que possa contrtadizê-la.

vejamos:

Munição para a “batalha”













Apesar do título belicoso, Como Derrotar o Evolucionismo com Mentes Abertas, de Phillip Johnson (Editora Cultura Cristã), é um bom livro para quem quer se situar em meio à controvérsia entre darwinismo e design inteligente.

Bem, se ter "mente aberta" é incentivar que algo que vem sendo confirmado deva ser derrotado, o que seria então ter uma mente fechada?

Nada mais "travador de mentes" que encerrar a questão científica no dogmatismo religioso, onde tanto o criacionismo, como a sua carinha nova o DI se encerram.

Infelizmente, este livro deve ser mais uma daquelas porcarias que surgem no mercado para enganar pessoas leigas exatamente como "O Delírio de Dawkins" de Mc. Grath.

Johnson, que é formado pela Harvard e pela Universidade de Chicago, leciona direito há mais de 30 anos na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Exatamente por isso, ele foi capaz de investigar o âmago dos argumentos darwinistas, atuando como uma espécie de “promotor de justiça” da teoria. E justiça seja feita: apesar de não ser cientista, Johnson demonstra amplo conhecimento dos temas em questão e analisa tudo de forma crítica e lúcida.

Fazendo um retrospecto a questão da análise a respeito do que é verdade, a investigação argumentativa (mundo da véritas) é bem diferente da investigação científica (mundo da alethea).

As críticas podem ser feitas, no que se refere a argumentos meramente hipotéticos, os quais ainda não possuam nada que os tenham confirmado.

Todavia, se algo apresenta estudo que aponte para confirmação ou desconfirmação de teorias, somente poder-se-á sanar a questão por meio de estudos cujos resultados se oponham à tese que embasa a respectiva teoria apresentada.


Logo na introdução do livro, o advogado justifica por que os jovens acabam sendo o público alvo da obra:

Prestem atenção no espírito do livro:

“[Os] jovens precisam tirar vantagem das maravilhosas oportunidades educacionais que nossa sociedade oferece, mas também precisam se proteger da doutrinação no naturalismo que geralmente acompanha a educação.

Aqui, a coisa já degringola contra o método utilizado no ensino, cujos estudos devem estar isentos de cargas valorativas e ideológicas, dentre elas a religião.

Livros didáticos e outros materiais educacionais tomam o naturalismo evolucionário como certo e, assim, admitem a resposta errada para a mais importante questão com que nos deparamos: Existe um Deus que nos criou e que Se importa com o que fazemos? Os jovens precisam estar preparados para a doutrinação e para isso precisam saber algumas coisas que as escolas não estão autorizadas a ensiná-los. Esse é o principal objetivo deste livro.”


De início, nosso doutor já comecou a falar besteiras. Nenhum livro didático ou científico sério toma nada como certo (acho que ele confundiu doutrina religiosa com ensino laico). Apenas apresenta a teoria como ela tem sido desenvolvida ao longo do período em que está sendo estudada.

Querer que um livro didático se aprofunde em questões científicas não é lógico nem correto, principalmente no segundo grau onde o contato com as matérias científicas é ainda inicial.

Exigir que estudantes de segundo grau tomem contato com disciplinas que apenas são ministradas em nível de especialização faria com que o curso perdesse o seu foco (formação generalista) e , portanto, os estudantes sairiam sem entender nada.

O aprofundamento das disciplinas começa na graduação e prossegue na pós graduação (mestrado, doutorado e PhD).

Também, não é objetivo do ensino laico ou de estudos científicos se preocupar com que deuses pensam, desejam ou se importam. Isso é tarefa da religião (aliás que insistência em tornar novamente o ensino um apêndice da crença religiosa que possuem determinados cristãos).

Para que tipo de doutrinação jovens devem estar preparados?

Doutrinação é o método de que se valem Estados totalitários como os nazi-fascistas, comunistas stalinistas, castristas, maoístas, estados teocráticos (estados islâmicos fundamentalistas e os estados religiosos europeus da antiguidade) e socialistas falastrões como los hermanos de America del Sur) a fim de dominar as massas, fazendo-as pensar como o Estado deseja que elas pensem, eliminando toda e qualquer visão crítica possível a fim de assegurarem seu poder.

De boas intensões, o inferno está cheio.....

Realmente, jovens são presas fáceis para doutrinadores, uma vez que seu senso crítico ainda não se encontra devidamente aguçado para percerber o quanto de carga ideológica se encerra nas doutrinas e as falhas lógicas nos argumentos do DI e do criacionismo. S
im, apenas argumentos, pois nada em termos científicos respalda estas teorias.

Se este é o principal objetivo do livro, aconselho a adultos, jovens e crianças ficarem bem longe dele, uma vez que não trará nenhum conhecimento ou visão crítica da teoria da evolução que mereça crédito.

Johnson então passa a utilizar seu “detector de conversa fiada” para analisar a teoria da evolução e chega a propor uma “verdadeira educação em evolução”, com uma abordagem mais autocrítica e menos triunfalista. Ou seja, ele ajuda o leitor a desenvolver uma visão cética com respeito às pretensões darwinistas.

Até aqui, acho que ele deveria usar seu "detector de conversas fiadas" para seu livro, uma vez que os cientistas, mesmo em teorias confirmadas mantém o seu ceticismo.

De acordo com o método Popper, nada é absolutamente verdadeiro (verdades objetivas), principalmente em teorias científicas quaisquer que sejam, pois a qualquer momento podem ser desconfirmadas.

Dessa forma, o livro não deve ser uma "educação em evolução", mas uma "educação em conversa fiada", a fim de respaldar a religião como resposta alternativa ao que até então foi construído pela teoria da evolução aliada à genética, ecologia, fisiologia, histologia, botânica entre outros ramos da biologia e interdisciplinarmente com a química, física e bioquímica.

Ou seja, este livro deve em todo o seu texto se pautar em argumentação e não em análises científicas a fim de desbancar uma teoria.

É o velho padrão criacionista de sempre: Detonar uma teoria demonstrando seus pontos fracos e, assim eleger como alternativa as caronistas: o criacionismo e seu disfarce o DI (ambos pautados no deus das lacunas), para então começar com toda aquela questão religiosa e terminar no plano da salvação onde só Cristo salva.

Desse modo, há que se ter uma visão cética em relação aos argumentos que este livro apresenta, pois sua pretensão é bem clara: doutrinar jovens e aliciá-los ao cristianismo fundamentalista onde a visão crítica relativa as suas crenças é totalmente anulada, chegando a tornar-se um tabu empreender qualquer tentativa neste sentido.

Certamente este livro não se trata de um debate científico, mas de debate puramente ideológico em prol da defesa dos mitos relativos à crença judaico-cristã-islâmica.

Portanto, se jovens pretendem ter visões críticas de algo, devem estudar muito e procurarem autores sérios para então examinarem seus estudos, a fim de ser possível traçar linhas de aprendizado e tecer críticas concretas e fundamentadas a respeito de determinada teoria.

Caso alguém se interesse por teoria da evolução, recomendo Dawkins (o ateu fundamentalista), Gold (o enrolado), Mayr (
o detestável) e o próprio Darwin (o anticristo).

Caso queiram entender um pouquinho sobre o Universo leiam Hawking, Sagan, Michio Kaku, Bryan Greene, Einstein e Perlmutter e assistam às quartas feiras e domingo O Universo no History Chanell (não é propaganda - não ganho nada com isso).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sofismas para justificar crenças


Introdução:

A argumentação preferida dos religiosos diz respeito à classificação de todos como crentes em algo, sendo os preferidos aqueles relativos à crença na descrença e o não ser o cético um cético quanto ao seu ceticismo.

Sob o ponto de vista lógico, estes argumentos se tratam de sofismas.

O sofisma é um argumento ardiloso, que apenas parece ser verdadeiro, mas encerra falhas lógicas em sua argumentação.

Vejamos os casos:

Caso 1 - A CRENÇA NA DESCRENÇA:


Sejam as seguintes proposições:

Q = crente em religião; ~Q = ateu (não crente em religião)

P = crer ; ~P = não crer; R= ter crença; ~R = não ter crença = descrença

Relação lógica: ~Q, R---------------- P ^~R

onde:

premissas: ~Q = ser ateu e R= ter crença

conclusão: P^~R = crer e ter descrença


Tabela da verdade:

_________premissa_______premissa__________conclusão
Q ____ P ____R __________~Q______~R_______P^~R
V_____V_____V____________F_______F________F
V_____V_____F____________F_______V________V
V_____F_____V____________F_______F________F
V_____F_____F____________F_______V________F
F_____V_____V____________V_______F________F SOFISMA
F_____V_____F____________V_______V________V
F_____F_____V____________V_______F________F SOFISMA
F_____F_____F____________V_______V________F


De acordo com a tabela acima, o raciocínio da "crença na descrença" se trata de um sofisma, uma vez que apresenta duas premissas verdadeiras com uma conclusão falsa em duas linhas da tabela.


Caso 2 - O cético não é cético em relação ao ceticismo:

Trata-se de outro sofisma preferido de religiosos. Vejamos suas falhas de raciocínio:

relação lógica: C, T ---------------- ~C ^ T

onde:

premissas: C = ser cético; T = ter ceticismo

conclusão: ~C ^ T = não ser cético e ter ceticismo


tabela da verdade:

premissa_______premissa___________conclusão
C______~C_____T____________ ~C ^ T
V_______F_____V_______________F SOFISMA
V_______F_____F_______________F
F_______V_____V_______________V
F_______V_____F_______________V


Assim, de acordo com o raciocínio acima o argumento do "cético não ser cético quanto ao cetiscismo" também se trata de um, sofisma.



Conclusões:

Desse caso, pode-se concluir que antes dos religiosos proferirem suas frases de efeito a fim de convencer os leigos sobre as razões de suas crenças, deveriam analisar o conteúdo lógico delas de modo a não cometerem as gafes acima.

Ao quererem estabelecer uma forma de lógica afim de tratarem os céticos e ateus como se fossem crentes em algo, no mesmo molde daqueles que professam crenças religiosas, inserem-se numa falha de raciocínio, que, embora ardilosa, e com aparência de real, se analisada sob a lógica da argumentaçao, esta é facilmente identificada.

A crença em religiões ou ideologias não requer argumentos plausíveis de modo a justificá-las. Crê-se pelo mero desejo de se crer.

Ateus aboliram a crença religiosa, ou seja, não se fiam na existência de deuses ou do sobrenatural sob qualquer forma, além de negarem a possibilidade e evidências de que, tanto os seres divinos, quanto o mundo sobrenatural possam existir. O ateu é um descrente quanto ao que se encerra no mundo sobrenatural.

Para o agnóstico, a questão do mundo sobrenatural e dos deuses está aberta a discussões. Até o momento, não há evidências objetivas que confirmem o mundo sobrenatural e seus seres, o que não nega sua possibilidade de que tal mundo exista, se encarado sob o método da falseabilidade.

Todavia, a probabilidade de que o sobrenatural exista é tendente a zero, ou seja, não é nula.

Quanto ao cético, este raciocina como o agnóstico. A fim de poder crer (este "crer" de acordo com o paradigma científico) no sobrenatural, necessita de evidências que o confirmem.

Deste modo, mesmo que as frases de efeito se tratem de meras brincadeiras, há muito de má fé em seu bojo, cujo fito é criar a dúvida frente àqueles que desconhecem a lógica argumentativa.

Não há como se igualarem todas as formas de pensamento tornando-as todas uma crença como aquelas alinhadas com religiões e ideologias.

Caso se aja desta maneira, o raciocínio sera uma falácia (argumento não ardiloso) ou um sofisma (argumento ardiloso que parece real), dependendo de seu teor, cujo objetivo é induzir as pessoas ao erro.


Bibliografia e recomendações de leituras:

ALVES, Alaor Caffé. Lógica: Pensamento Formal e Argumentação. Ed. Quartier Latin.

CASSIRER, Ernst. Linguagem e Mito. Ed. Perspectiva.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. Ed. Ática.

DAWKINS, Richard. Deus um Delírio. Ed. Companhia das Letras.

DENNETT, Daniel. Quebrando o Encanto: A Religiâo Como Fenômeno Natural. Ed. Globo.

DURKHEIM, Emile. As Formas Elementares da Vida Religiosa. Ed. Martins Fontes.

ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. Ed. Perspectiva.

HABERMAS, Jürgen. Entre Naturalismo e Religião: Estudos Filosóficos. Ed. Tempo Brasileiro.

LE BON, Gustave. As Opiniões e as Crenças. Ed. Ícone.

NASCIMENTO, Edmundo Dantes. Lógica Aplicada à Advocacia. Ed. Saraiva.

NOBRE, Marcos. Curso Livre de Teoria Crítica. Ed. Papirus.

PERELMAN, Chaim. Retoricas. Ed. Martins Fontes.

PERELMAN, Chaim & TYTECA, Lucie Olbrechts . Tratado da Argumentação: a Nova Retórica. Ed. Martins Fontes.

PERELMAN, Chaim. Lógica Jurídica. Ed. Martins Fontes.

REBOUL, Oliver. Introdução à Retórica. Ed. Martins Fontes.

SAGAN, Carl. Variedades da Experiência Científica: Uma Visão Pessoal da Busca por Deus. Ed. Companhia das Letras.

SAGAN, Carl. O Mundo Assombrado Pelos demônios: A ciência como uma Vela no Escuro. Ed. Companhia das Letras.

SAVIAN FILHO, Juvenal. Deus - Coleção Filosofia Frente e Verso. Ed. Globo.

SCHOPENHAUER, Arthur. Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão. Ed. Top Books.

SÉRATES, Jonofon Raciocínio Lógico. Ed. Jonofon.

SPONVILLE, André Comte. O Espírito do Ateísmo. Ed. Martins Fontes.








quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Falta de compreensão e má interpretação












Como sempre, nosso grande herói tupiniquim anti-evolução surge com mais uma pérola. Desta vez, compreende mau o que um cientista trata como fé na ciência, confundindo o que é o "acreditar" científico com o "acreditar" religioso.

Nosso Behe tupiniquim é hábil com a retórica, mas, para variar, comete sempre os mesmos escorregões costumeiros de criacionistas e de seguidores do DI.
vejamos:

retirado daqui


Geralmente em debates quando se levanta a questão da origem da vida, os darwinistas ortodoxos fundamentalistas xiitas dizem que isso é irrelevante na questão da evolução. Não é irrelevante.

Realmente, não é uma questão irrelevante. Todavia, o estudo da Teoria da Evolução somente pode ocorrer a partir do momento que a primeira coisa a ser considerada como viva (capaz de se organizar, colher energia do ambiente, transformá-la em energia para se sustentar e se reproduzir) apareceu.

Mas, estabelecer que o estudo da origem da vida deve ser explicado pela teoria da evolução é um erro crasso.

Este estudo encerra suas idéias na questãonass químicas orgânica e inorgânica, bem como na bioquímica, pois aqui estamos no mundo das reações químicas, onde não se aplicam estudos evolucionários, uma vez que não estamos lidando com o vivo, mas com o inerte.

A bioquímica estuda as reações que ocorrem dentro dos seres vivos, bem como aquelas reações que poderiam ocorrer para começar a estabelecer os parâmetros para se considerar algo vivo, conforme conhecemos.

Conforme já explanei, há hipóteses de que a vida tenha partido de ciclos inorgânicos o que , se confirmado, seria estudado por um novo ramo da química inorgânica que poderiamos denominá-lo de química pré-biótica.

A partir do momento em que ocorre algo ao menos próximo do que conhecemos como vida é que poderemos avançar para a questão evolucionária deste algo.

Assim, nosso herói tupiniquim ao colocar o carro na frente dos bois comete mais um dos erros costumeiros dos criacionistas:

Confundir as origens da vida com a evolução da vida (seleção natural), como é confundir a origem do universo com a evolução do universo. É óbvio que os estudos posteriores, seja a seleção natural, como a evolução do universo, somente podem ser realizados a partir do momento que ocorrem suas respectivas origens. Do contrário, não haveria que se falar nem em seleção natural e nem em evolução do universo.

Se fosse, nossos melhores autores de livros-texto de Biologia do ensino médio como Amabis & Martho e outros autores abalizados não trariam mais a evolução química precedendo a evolução biológica nos seus livros didáticos. Que a origem da vida é uma questão relevante na temática da origem e evolução da vida fica bem patente nesta pérola de citação de um escritor científico:

“Acho falso argumentar que a origem da vida é irrelevante para a evolução. Ela não é menos relevante do que o Big Bang é para a física ou a cosmologia. A evolução deveria ser capaz de explicar, em teoria pelo menos, desde o começo até o primeiro organismo que podia se replicar através de processos biológicos ou químicos. E para compreender completamente aquele organismo, simplesmente teríamos que saber o que veio antes dele. E agora mesmo nem estamos próximo disso. Creio que uma explicação material será encontrada, mas aquela confiança vem da minha que a ciência é suficiente para a tarefa de explicação, em termos puramente materiais ou naturalistas, toda a história da vida. A minha fé está bem fundamentada, mas ainda é fé” (Gordy Slack, escritor de ciência evolucionista).



Uau! Fé na ciência? Mas que contra-senso, seu Slack? Você não foi um pouco “descuidado”, “negligente”, “lerdo”, “relaxado”, “desmazelado”, “frouxo demais”, “relapso”, “frouxo” [esses termos entre aspas são significados da palavra slack, em inglês] nessa sua “declaração de fé” na descrição aproximada da realidade fugaz e extremamente complexa dos fenômenos naturais que se deixam conhecer tão-somente em parte? Sr. Slack, felizmente, ainda bem, apesar da sua infeliz declaração, o máximo que a Nomenklatura científica irá fazer é puxar o seu “slack”, mas ela é antropofágica e destruidora de carreiras acadêmicas dos oponentes e críticos dos paradigmas dominantes. Dos que ousam criticá-la, capice?

Não sr. Enézio, não ha contra-senso algum nas afirmações de Slack, se é que foi ele quem realmente disse isso tudo.

Sem origem da vida; sem seleção natural.
Em teoria, a origem da vida é explicada e, há várias que a explicam, sendo as mais utilizadas a teoria da abiogênse e a teoria da panspermia.

Caso as teorias sobre a origem da vida estejam corretas, realmente o que levou determinado ciclo ou molécula a se replicar, certamente teria questões evolucionárias envolvidas, no que se refere à seleção de combinações que tornassem possível esta "coisa" ou organismo agir como a vida que conhecemos. Aqui se encerra o "saber o que veio antes dele".

Sim, tembém tenho fé que a ciência possa explicar o mundo do ser, (materialmente) conforme os avanços que ela experimente no futuro. Aqui, Enézio, nossa fé está pautada no que vem ocorrendo de fato, o avanço científico, o qual não está apenas na retórica barata que você usa, mas na realidade material do avanço científico.

Os fundamentos da fé de Slack possuem lógica e sua fé pode ser traduzida em esperança que algo ocorra, conforme mostram as evidências.

Se não ocorrer, ou se ocorrer o contrário do previsto, somente será uma triste decepção e não uma desilusão como ocorreria se demonstrado que Jesus morreu e não haverá volta de messias nenhum.

Da próxima, seja menos "slack"; seja mais "real".

Paradigmas são pipas, papagaios, pandorgas, maranhões que os ventos epistêmicos atuais favorecem e alçam vôos magistrais e embelezam o céu acadêmico, até que surgem os ventos contrários das evidências no contexto de justificação teórica, e outros moleques vão empinar suas novas pipas, papagaios, pandorgas e maranhões.

Sr. Slack, a ciência é isso: empinar pipas enquanto os ventos são favoráveis.

Enézio, valendo-me de suas metáforas, "os ventos são favoráveis" até que os paradigmas se sustentem com base em evidências. Do contrário, "os ventos" mudarão de rumo e nossa pipa poderá se perder ou rasgar-se.

Quanto à teoria que ferrenhamente advoga, ela mais se parece uma pipa de aço, não há vento que a faça alçar vôo.

Faz-se exceção ao furacão religioso que apenas tem causado prejuízo no dicernimento de pessoas menos esclarecidas em prol de interesses de espertalhões que procuram sustentar as suas crenças como verdades absolutas.

Nada em termos científicos sustenta sua teoria o DI, cujo jargão é científico mas se trata de uma "roupinha" nova para o criacionismo de Paley.


Rubem Alves, filósofo e educador (Unicamp), diz que paradigmas são redes de pescar...

Realmente, um paradigma científico é isso mesmo. As pessoas são seguras por eles até que ele se confirme falso, daí a fragilidade de nossa "rede de pescar".

E quanto aos paradigmas religiosos e ideológicos? A rede aqui é bem mais tensa, uma vez que a forma de se livrar dela seria por desilusão ou por "cair na real" de que a pregação neles incutidas vão de encontro ao mundo do ser.












“Fé” na evolução? Parem imediatamente a ciência que eu quero descer! Aliás, eu já desci faz tempo. Em Piracicaba, 1998, após ler o livro A Caixa Preta de Darwin, de Michael Behe.

Realmente Enézio, você já deceu faz tempo e caiu no terreno pantanoso da "caixa preta de Behe", a qual é um argumento de "Paley a século XXI".