quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Posturas hilárias











As vezes chega a ser hilária a posição que os centros religiosos tomam contra tudo aquilo que atenta contra a base de suas crenças.

Dessa vez alegam ser o ateísmo uma postura anti-cultural (anti-cultural... seria realmente o ateísmo anti-cultural?).

Vejamos o texto abaixo:

Você já percebeu que o ateísmo é anti-cultural? Um dia desses, alguns amigos e eu estávamos esperando a hora passar em um shopping e fomos para o nosso lugar preferido: uma livraria.

Andando de um lado para o outro, um colega achou o livro de um autor que tenta desafiar a religião dizendo que Deus não existe.
O mais interessante foi notar em que parte estava aquele livro. Ele não estava em uma seção ateísta porque não existe esse tipo de divisão na livraria. Estava numa seção chamada “diversos”.

O livro deveria estar catalogado em uma estante errada, pois deveria estar nos assuntos sobre religião, uma vez que ateísmo nega a crença religiosa. No máximo deveria estar em filosofia, caso se referisse à filosofia do ateísmo.

Percebemos que o ateísmo é anti-social. Analise os mais diferentes tipos de sociedades, tanto modernas quanto antigas, e mostre-me uma que não tenha algum tipo de divindade. Toda civilização tem seus deuses, mitologia, divindades, crenças ou, no mínimo, como o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, um Deus.

Você não encontrará uma civilização sequer que seja ateísta, no coração do povo. Até já tentaram, mas ficou comprovado que não dá certo.

O governo pode até se declarar ateu, o povão pode ficar calado, mas nas raízes culturais está o fator religião correndo nas veias das pessoas.

É certo que todos os povos possuem suas crenças religiosas, uma vez que isso faz parte do ser humano como forma simplória de explicar os fenômenos naturais. Todavia crer em deuses não significa que eles existam realmente.

O fato do ateísmo negar a religião não é uma conseqüência de ser uma prática anti-social. Vejamos por que:

Negar uma crença religiosa, significa negar suas divindades, seus dogmas, bem como a ilusão por elas trazidas de que o indivíduo a ela pertencente se faz especial frente àqueles que pretencem a um credo distinto ou a nenhum deles.

Senão, vejamos o que diz o próprio cristianismo em sua versão deturpada pelo catolicismo e mais ainda pelo protestantismo:

Aquele que não acetar Jesus como o salvador passará pelo julgamento de Deus, uma vez que não possui a graça. Existiria postura mais anti-social e segregacionista que esta?

Vejamos o Judaísmo antigo: Aquele que se imiscui com outros povos de outros credos é expulso do seio da sociedade. Seria esta a vontade de Deus?

Vejamos o Islã em sua visão deturpada: O ocidente e sua cultura devem ser destruídos pois são contrários aos ensinamentos do profeta. Seria essa a sociabilidade e tolerância pregada pelas crenças religiosas?


Comunistas tentaram enfiar o ateísmo goela abaixo do povo, uma vez que a igreja, à época em que o czarismo sucumbiu, era aliada da nobreza.

Portanto, representava um perigo constante ao novo regime, uma vez que, como todos sabem, a igreja possui um forte poder de persuasão, o que poderia levar a uma contra-revolução comunista e o novo regime se esfacelar.

Desse modo, percebe-se que o raciocínio desenvolvido pelo texto se trata de uma falácia non sectur.


Isso porque o que nos mantêm vivos é realmente o Todo Poderoso e não há como escapar disso. Então, em qualquer sociedade que um ateu estiver presente, nesse fator cultural, ele não estará identificado com a própria civilização que o cerca, porque a característica “ateu” não representa grupo social algum. É nesse sentido da palavra que digo que o ateísmo é “anti-social”.

Opa!!!! Chegamos no objetivo da coisa: o proselitismo cristão começou... Quem seria o todo poderoso? Seria Jupiter, Odin, Olorum ou Amaterassu?

Mais uma vez segue a falácia non sectur ao mencionar que o indivíduo por ser ateu não se identifica com a sociedade.

Os ateus não se identificam com as crenças religiosas que a sociedade possui, apenas isso; é uma opção de escolha do indivíduo.

Há ateus que possuem muito mais caráter que determinados religiosos que andam por ai. Basta consultarmos a mídia.

Mas os ateístas são desafiados por alguns livros como Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, de Norman Geisler, Surpreendido Pela Alegria, de C.S. Lewis, Ele Andou Entre Nós, de Josh McDowel, Um Ateu Garante – Deus Existe, de Antony Flew, e vários outros, de ex-ateus convictos que terminaram optando por uma alternativa mais inteligente.

Se quiser discutir comigo, primeiro leia esses livros, porque o ser humano, por natureza, é religioso. As livrarias estão cheias de livros sobre religião, Deus, espiritualidade. Se você procurar a seção “ateísmo” numa livraria, corre o risco de ficar decepcionado. Poderá encontrar um ou outro exemplar que tenha a audácia de negar a Deus, mas sempre estará sendo do contra, sem nexo, nem identificação popular.

Sr. Valdeci, procure livros sobre ateísmo nas estantes referentes à religião ou filosofia (geralmente quando quero estes temas e aqui que os encontro). Não há uma seção sobre ateísmo como não há sobre catolicismo ou protestantismo ou wicca.

Estes livros costumam ser encontrados na seção religiões como aqueles sobre resistência dos materiais e mecânica dos fluidos se encontram na seção de engenharia ou de física.

Quanto as leituras indicadas, não perderei meu tempo com elas, pois a "alternativa inteligente" deveria ser denominada "opção cristã", ou seja, certamente, tais leituras possuem cunho tendencioso à opção referente ao cristianismo protestante.

Quanto ao conteúdo de livros ateus, geralmente, colocam a religião e seus dogmas à discussão aberta (e ainda acusam o ateísmo de anti-cultural...), o que não é feito em relação a nenhum livro acima citado, cujo conteúdo somente traz os prós do cristianismo, sem discuti-lo de forma aberta e racional.

Mais um recado: não seja presunçoso de achar que porque leu alguns livrinhos tendenciosos os demais não possuem gabarito para enfrentá-lo numa discussão sobre o tema religião.


Essas tentativas de não reconhecer a Deus são antigas. E elas contribuem para divulgar o nome de Deus. Se ficassem calados, contribuiriam menos para a teologia. Mas isso sempre existiu.

Os babilônios não aceitavam a existência e a liderança do Deus verdadeiro. Os escritores antigos sabiam muito bem disso. Lembra o que Davi já tinha escrito no Salmo 14? “Diz o tolo em seu coração: Deus não existe.” Daí eu pergunto: Por quê? E o salmista responde: É porque “corromperam-se e cometeram atos detestáveis” (verso 1). Aí está o perigo. Perceba que não é porque abandonaram, mas porque corromperam.



A teologia realmente é um estudo inútil, pois é uma visão do homem a respeito dos humores de supostos deuses. Teologia, na acepção da palavra, é o estudo a respeito de Deus pela sua revelação, por meio da bíblia.

Platão foi quem primeiramente se valeu deste nome no diálogo A República, para referir-se à compreensão da natureza divina de forma racional, em oposição à compreensão literária própria da poesia , tal como era conduzida pelos conterrâneos.

Mais tarde, Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com dois significados:
  • teologia como o ramo fundamental da ciência filosófica, também chamada filosofia primeira ou ciência dos primeiros princípios, mais tarde chamada de metafísica por seus seguidores.
  • teologia como denominação do pensamento mitológico imediadamente anterior à Filosofia, com uma conotação pejorativa, e sobretudo utilizado para referir-se aos pensadores antigos não filósofos (como Hesíodo e Ferécides de Siro).

Santo Agostinho tomou o conceito "teologia natural" da obra Antiquitates rerum humanarum et divinarum, de M. Terêncio Varrão, como única teologia verdadeira dentre as três apresentadas por Varrão: a mítica, a política e a natural. Acima desta, situou a teologia sobrenatural (theologia supernaturalis), baseada nos dados da revelação e, portanto, considerada superior. A teologia sobrenatural, situada fora do campo de ação da Filosofia, não estava subordinada, mas sim acima da última, considerada como uma serva (ancilla theologiae) que ajudaria a primeira na compreensão de Deus.

Teodicéia, termo empregado atualmente como sinônimo de teologia natural, foi criado no século XVIII por Leibniz, como título de uma de suas obras (chamada "Ensaio de Teodicéia. Sobre a bondade de Deus, a liberdade do ser humano e a origem do mal"), embora Leibniz utilize tal termo para referir-se a qualquer investigação cujo fim seja explicar a existência do mal e justificar a bondade de Deus.

Na tradição cristã (de matriz agostiniana), a teologia é organizada segundo os dados da revelação e da experiência humana. Estes dados são organizados no que se conhece como Teologia Sistemática ou Teologia Dogmática.

A Teologia é fortemente influenciada pelas mais diversas religiões, e portanto existe a Teologia-Budista, a Teologia-Islâmica, a Teologia-Católica, a Teologia-Mórmon, a Teologia-Evangélica ou Pentescostal, a Teologia-Hindú... e outras.

Quanto aos babilônios, estes não eram ateus, possuiam seus próprios deuses e sua própria crença assim como os possuiam os hebreus.

Por que deveriam reconhecer YHWH em detrimento de seus deuses? O que atesta se não os escritos hebraicos ser YHWH o deus verdadeiro?



Lembremos que os babilônios também possuíam seus escritos e façanhas de seus deuses, assim como os hebreus.


Quanto ao salmo Sr. Valdeci, sua interpretação é equivocada. Davi não se referia a ateus, mas a povos contemporâneos que professavam outras crenças. Não possuíam o Deus de Israel, mas possuíam seus próprios deuses.





Quanto a corromper, Davi se refere aos rituais realizados aos deuses, que algumas vezes atentavam contra a moral hebraica.

Tomemos por exemplo Baal: Este personagem teve a sua origem muito anteriormente como o principe do mundo epiteto que lhe garantia uma superioridade em relação aos outros componentes da divindade desta época. Este deus era conhecido também por Enki - O Senhor da Terra.

Na Bíblia se faz referência a Baal que poderia ser um epiteto de Hadad ou Adad que era uma divindade cananéia e suméria. Um deus da fertilidade.

Este deus Adad dos sumérios viria a ser o deus Sin dos acadios mais tarde, pai da bíblica Astarte (filisteus) e do seu irmão Camos ou Camoesh. Ambos também fizeram parte da mitologia Suméria e Acaádia, como Ishtar e Shamash.

Quanto ao relato bíblico, em Canaã, de regresso, os hebreus encontraram deuses estrangeiros. Em particular, viram no deus Baal uma ameaça especial. No livro dos Juízes (da Bíblia Hebraica), o hebreu Gedeão destrói os altares de Baal e a árvore sagrada pertencente aos midianitas.

Mais tarde, Elias, (sec. IX a.C.) condenou o rei Acabe por adorar Baal.

Realmente, oa que parece anti-cultural seria a crença em YHWH ou o ateísmo? Jamais vi movimentos ateus saírem por ai destruíndo templos, chutando imagens de santos, queimando igrejas ou mesmo pessoas.

Aliás os ateus pregam o livre pensamento o que não é uma atitude bem quista pelas religiões, mesmo hoje em dia.

Basta vermos o texto aqui citado, bem como a cruzada que protestantes fazem contra crenças que são contrárias ao seu mundo do dever ser.

Exemplos que vemos ainda hoje, é a existência do Index da igreja Católica, bem como da cruzada anti teoria da evolução patrocinada pelos protestantes fundamentalistas. Isto sim seriam posturas anti-culturais e contrárias ao livre pensamento.





O povo de Israel estava correndo o risco de ir para o mesmo buraco, não porque estivessem envolvidos completamente na apostasia, mas porque tentavam ser crentes e mundanos ao mesmo tempo.

O problema de tentar equilibrar é um perigo, pois o equilíbrio e o sincretismo correm na mesma avenida, apenas em direções opostas.
Com tudo isso, aprendemos esta grande lição: devemos ser 100% de Jesus.

(Valdeci Junior, conselheiro na Escola Bíblica da Rede Novo Tempo de Comunicação)

O povo de Israel corria perigo de assimilar elementos estranhos à sua cultura e, se isso tivesse ocorrido, o judaísmo morreria como morreram muitas crenças antigas do Oriente Médio e Norte da África (assimiladas pelo cristianismo e pelo islamismo) e da Europa (assimiladas pelo cristianismo).

Sincretismo Sr. Valdeci ocorre com todas as culturas quando se encontram com culturas distintas. Assim se deu com o judaísmo (possui muitos elementos babilônicos, persas e egípcios), com o cristianismo (que possui elementos judaicos, greco-romanos e bárbaros, acrescido depois com elementos das culturas africana e ameríndia).

A própria idéia de Jesus como méssias tem origem em Saoshyant que significa aquele que trará o benefício. Algumas passagens do Gathas, os hinos atribuíd
os a Zaratustra, o fundador do Zoroastrismo), que constituem a parte mais antiga do Avesta, sugerem que este acreditava no fim do mundo e que considerava ter recebido de Ahura Mazda (o deus supremo) a missão de convocar a humanidade para a batalha final contra o mal.

Contudo, Zaratustra terá tido consciência de que não veria esse fim durante a sua vida, pelo que ensinou que no futuro um homem viria para salvar o mundo.
Qualquer semelhança com as histórias de messias e juízo final seriam meras coincidências?
Lembremos que com a vitória dos assírios sobre o reino de Israel em 740 a.C., os israelitas foram enviados ao exílio em lugares na Assíria e “nas cidades dos medos”, algumas delas sendo então vassalos da Assíria .

Certamente que contatos com culturas diversas numa época difícil, faz com que povos assimilem os costumes, bem como as crenças religiosas, principalmente se elas trazem uma mensagem de júbilo em seu bojo, como era o conceito de messias e juízo final, quando todos os opressores serão vencidos por Deus.

Quanto ao Cativeiro da Babilônia, a primeira deportação teve início em 598 a. C. . Jerusalém é sítiada e Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilónia.

Zedequias
, tio do Rei Jeoaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo.

O Cativeiro colocou hebreus em contato com a cultura babilônica, de onde assimilaram-se várias lendas e crenças desta (dilúvio, paraíso, demônios, etc.).

Os hebreus já tinham tido contato com as crenças e a cultura egípcias, de onde assimilaram boa parte dos 10 Mandamentos bem como do Levítico.
Basta checarmos o Livro dos Mortos do Antigo Egito (Papiro de Any), que verificaremos muitas das prestações negativas e positivas dos 10 Mandamentos e do Levítico.

Assim, Sr. Valdeci, a crença que professa possui, em sua raiz, diversos sincretismos, o que demonstra ser a sua afirmativa sobre equilíbrio e sincretismo conduzirem a um buraco uma falta de entendimento a respeito da essência do tronco judaico-cristão-islâmico.

Tomando por base o seu raciocínio, o cristianismo, em sua raiz, já se encontra no buraco e, mais tarde, foi para um buraco negro, de onde não mais teria saída.


O protestantismo não fez resgate algum do cristianismo professado por Jesus, uma vez que este não possuia os elementos da lógica grega, adaptada por Paulo de Tarso, de modo a justificar o cristianismo como uma verdade e tão pouco elementos do direito romano, o que ainda é marcante na teologia cristã.


De Israel o cristianismo toma o teísmo. De Israel toma o cristianismo, também, o conceito de uma revelação e assistência especial de Deus. Daí a idéia de uma história, que é desenvolvimento providencial da humanidade, idéia peculiar ao cristianismo e desconhecida pelo mundo antigo. Na revelação cristã é filosoficamente fundamental, básico, o conceito de uma queda original do homem no começo da sua história, e também o conceito de um Messias, um reparador, um redentor. Conceitos indispensáveis para explicar o problema do mal, racionalmente premente e racionalmente insolúvel.

Quanto ao pensamento grego, deve-se dizer que entrará no cristianismo como sistematizador das verdades reveladas, e como justificador dos pressupostos metafísicos do cristianismo; não, porém, como elemento constitutivo, essencial e característico, porquanto este é hebraico e cristão.






Quanto ao direito romano, deve-se dizer que entrará no cristianismo como sistematizador do novo organismo social, a Igreja, e não como constitutivo de seus elementos essenciais e característicos, que são próprios e originais do cristianismo.




Aqui encontra-se uma boa explicação a respeito da filosofia cristã. Desse modo, Sr. Valdeci, ser 100% Jesus é difícil, uma vez que ainda não se tem conhecimento de qual foi realmente a verdadeira mensagem de Jesus, pois ele nada escreveu. O que se sabe é o que os outros disseram por ele.

O sr. deveria ler um pouco mais a respeito de filosofia e história das religiões antes cometer atropelos históricos, filosóficos e teológicos.

Recomendo também que preste mais atenção nas prateleiras das livrarias quando for proocurar determinados temas.



Dessa forma, todo o raciocínio abordado pelo Sr. Valdeci é equivocado, bem como falacioso e carente de elementos históricos e filosóficvos que embasem o seu conteúdo, além de fortemente tendencioso. Assim, não deve ser levado em consideração, no que se refere a justificar uma determinada postura, seja contra ateus, seja contra outros grupos cuja crença assuma padrões diferenciados daquela que o articulista professa.




segunda-feira, 3 de novembro de 2008

CETICISMO QUANTO À TIRINHA "O CÉTICO"

Por que será que eles mentem tanto? seria falta de conhecimento ou má fé? Para a maioria dos religiosos, creio que seja falta de conhecimento. Para a minoria, patrocinadora do DI e do Criacionismo, alguns até detentores de credenciais científicas, creio que seja pura má fé.

Desmestificar as mentiras criacionistas é difícil, pois requer consultas amplas e esforço que justifique o erro por eles cometidos. Mas como a mentira tem perna curta. sempre há uma resposta para os ardís por eles intentados.











Desta vez, o mito criacionista é respeito da tirinha acima, na qual surge a afirmação de que trilobitas foram os primeiros pluricelulares, há que se fazer uma correção.

Vejamos a resposta científica para tal ardil:


De acordo com o registro fóssil, os primeiros animais considerados metazoários (pluricelulares) são os poríferos, seguidos dos celenterados.







Os poríferos teriam surgido a pouco mais de um bilhão de anos atrás, a partir de protozoários coloniais, como o Volvox.

Volvox é um gênero de algas verdes coloniais que pertencem à divisão Chlorophyta. É uma colónia esférica em que existem mais de 500 a 50 mil células biflageladas que, unindo-se por filamentos citoplasmáticos e bainhas gelatinosas, constituem uma esfera oca. Os flagelos das células da camada externa imprimem à colónia um movimento coordenado em volta do seu eixo. As células maiores da colónia têm função reprodutora.





As esponjas estão entre os animais mais simples, com tecidos parcialmente diferenciados, porém sem músculos sistema nervoso ou órgãos internos. Eles são muito próximos à uma colônia celular de coanoflagelados, (o que mostra o provável salto evolutivo de unicelulares para pluricelulares) pois cada célula alimenta-se por si própria.




Existem mais de 15.000 espécies modernas de esponjas conhecidas, que podem ser encontradas desde a superficie da água até mais de 8.000 metros de profundidade, e muitas outras são descobertas a cada dia. O registro fóssil data as esponjas desde a era pré-cambriana, ou Neoproterozóico.


Os celenterados surgiram provavelmente entre 1 bilhão e 800 milhões de anos atrás, depois dos poríferos, portanto. Ao contrário dos poríferos, os celenterados apresentam cavidade digestiva. São também animais exclusivamente aquáticos.








Quanto aos trilobitás, estes surgiram no Paleozóico, período compreendido entre 542 milhões e 251 milhões de anos atrás.







Segundo o paleontologista Peter Ward (O Fim da Evolução), até quase 1950 a ausência de fósseis metazônicos mais velhos que a idade do Cambriano continuaram a confundir igualmente os evolucionistas e os historiadores da Terra. Outros além de remanescentes de simples criaturas celulares e matljke stromatolites, com efeito parecia como se criaturas maiores tivessem aparecido com uma celeridade que tornava ridícula a teoria da evolução de Darwin.

Essa concepção foi finalmente posta de lado, entretanto, pela descoberta dos fósseis das faunas Ediacariana e Vendiana do último período Precambiano.

Por meio de intensa inspeção de extratos imediatamente abaixo dos bem conhecidos depósitos basais Cambrianos nos anos entre 1950 e 1980 mostrou que a maior parte de fósseis esqueletizados (tais como trilobitas e brachiopodes) que supostamente apareceram tão repentinamente estavam na verdade precedidos por formas esqueletizadas tão pequenas que foram facilmente negligenciadas pelos geologistas pioneiros.

E Ward encerra a seção dizendo: "A longamente aceita teoria de súbito aparecimento de esqueletos metazônicos na base do Cambriano estava incorreta: o limite basal Cambriano marcou somente o primeiro aparecimento de formas relativamente grandes de esqueletos de porte, tais como os brachipodes e trilobitas, antes que o primeiro aparecimento de metazoanos esqueletizados. Darwin ficaria satisfeito.


O registro fóssil sustentou sua convicção de que os trilobitas e brachipodas apareceram somente depois de um longo período de evolução de formas ancestrais. Ward afirma claramente que descobertas de fósseis recentes pertencentes à explosão do Cambriano favorecem a teoria de Darwin.


A explicação encontra-se aqui e aqui, oriunda do site do ICB da UFMG, a qual fiz questão de copiar em sua íntegra.

Embora a terra tenha 4,6 bilhões de anos, a vida só surgiu por volta dos 3,5 bilhões de anos após o esfriamento e estabilização da crosta terrestre.

A história da vida não se desenvolveu de forma contínua, pelo contrário, é marcada por registros interrompidos em breves (e as vezes instantâneos – em termos geológicos) episódios de extinção em massa, seguidos de diversificação. O surgimento da vida e os episódios de extinção e diversificação só se tornaram conhecidos através de fortes marcas no registro fóssil.

Os primeiros registros de vestígio de vida foram encontrados na África e Austrália; os estromatólitos, ou seja, camadas de sedimentos capturados e aglutinados pelas células procarióticas (bactérias e cianofícias). Estas camadas se acumulavam umas sobre as outras, à medida que as marés as soterravam e provocavam mudanças em sua superfície.


Os estromatólitos e os organismos procarióticos que os produziram dominaram o registro fóssil em todo o mundo durante mais de 2 bilhões de anos. As primeiras células eucarióticas no registro fóssil data-se de 1,4 milhões de anos, assinalando um grande aumento na complexidade da vida.

Todavia os animais multicelulares não surgiram logo após o desenvolvimento das células eucarióticas; os multicelulares apareceram pela primeira vez pouco antes da ocorrência da explosão cambriana, há cerca de 570 milhões de anos. Os primeiros multicelulares são membros de uma fauna distribuída por todo o mundo - Ediacara, que recebeu o nome de seu afloramento mais famoso, situado na Austrália.


A fauna Ediacara é inteiramente desprovida de partes duras e foi considerada como representantes primitivos de grupos modernos, na maioria das vezes como membros do filo dos celenterados, incluindo também anelídeos e artrópodes. Esta fauna tem importância especial por ser o único vestígio de vida multicelular anterior a grande linha divisória que separa o Pré-cambriano do Cambriano, um limite marcado pela explosão Cambriana de grupos modernos dotados de partes duras.

No início da década de 1980 o paleontólogo Dolf Seilacher propôs outras interpretações para a fauna

A hipótese de Seilacher quanto a fauna Ediacara ainda não foi comprovada, mas não há dúvida de que Ediacara desapareceu por completo e não se sabe o por que.

A primeira fauna da explosão Cambriana, de organismos com partes duras são chamados de Tommotiana, em homenagem a uma localidade da Rússia mas encontradas em todo o mundo. Contem criaturas nas quais se pode identificar design moderno, embora a maioria apresente minúsculas lâminas, taças e barretes, com enorme disparidade entre a “pequena fauna conchosa”. Talvez ainda não tivesse ocorrido uma calcificação eficaz e as criaturas Tommotianas fossem ancestrais que ainda não tinham desenvolvido esqueletos completos e apenas depositavam pequenos pedaços de matéria mineralizada em diferentes partes de seus corpos.

As rochas Tommotianas abrigam uma imensa variedade de minúsculos fósseis que não podem ser classificados em nenhum grupo moderno. Talvez eles sejam apenas representantes sem maior importância de uma era de esqueletização primitiva e ainda imperfeita, que apresentavam anatomias singulares que surgiram no início da história da vida e desapareceram logo, sendo posteriormente substituídos pelos Trilobitos, no final da explosão Cambriana.

Num período geológico de 100 milhões de anos três faunas radicalmente diferentes existiram, as criaturas de Ediacara, grandes, com corpos moles e achatados como panquecas; as minúsculas taças e barretes Tommotianas; e finalmente, a fauna moderna, culminando em Burges com o limite máximo de diversidade anatômica.

BURGESS E SUA IMPORTÂNCIA.

Clique aqui para ver detalhes de exemplares da fauna do Burgess

O folheto de Burgess foi descoberto no alto das Montanhas Rochosas Canadenses, no interior do Parque Nacional de Yoho, próximo à fronteira oriental da Colúmbia Britânica, em 1909, por Charles Doolittle Walcott – maior paleontólogo dos EUA. (fig. 5 ).

Esse folheto possui os fósseis de animais invertebrados mais importantes do mundo. Como nossos registros fósseis limitam-se quase que exclusivamente á história das partes duras; a maioria dos animais tem somente partes moles e o revestimento externo não revela muita coisa sobre a anatomia interna dos organismos – temos aí a explicação para a tamanha importância de Burgess: os fósseis de Burges são preciosos porque preservaram com primorosos detalhes as partes moles dos organismos (ex: filamentos branquiais de um trilobito, última refeição no intestino de um verme...).

Os fósseis de Burgess Shale são a única fonte ampla e bem documentada sobre um dos acontecimentos mais cruciais da história da vida animal: o primeiro florescimento da explosão cambriana.

O começo da Era Paleozóica marca um intenso processo de diversificação – a “explosão cambriana” ou o primeiro aparecimento, no registro fóssil, de animais multicelulares com partes duras. A importância de Burges Shale está também em sua relação com esta etapa fundamental da história da vida.


A fauna de Burges não se situa dentro da explosão propriamente dita. Ela registra um momento logo depois, há cerca de 530 milhões de anos, antes que a implacável tesoura da extinção tivesse feito muitos estragos e, por conseguinte, quando os resultados do processo de diversificação ainda podiam ser vistos em toda a sua variedade. Sendo a única grande fauna de organismos de corpo mole desses tempos antigos, Burges Shale nos proporciona um inigualável panorama do início da vida moderna em toda a sua plenitude.

Primeiramente, Walcott interpretou os fósseis de Burgess de forma equivocada. Ele forçou a inclusão de todos os animais de Burgess Shale em algum grupo moderno, considerando-os coletivamente como versões primitivas ou ancestrais de formas posteriores mais aperfeiçoada.

Posteriormente, em 1971, Harry Whittington fez uma interpretação radicalmente diferente não só da fauna de Burgess mas (por implicação) de toda a história da vida, incluindo nossa própria evolução. Ele demonstrou que a maioria dos organismos de Burgess não pertencem a grupos conhecidos e que as criaturas desta única pedreira da Colúmbia Britânica provavelmente excedem, em diversidade anatômica, todo o espectro da fauna de invertebrados existentes nos oceanos modernos.

Comparando a reconstituição da fauna de Burgess Shale feita por Charles R. Knight (fig. 6) baseada inteiramente na classificação de Walcott, com a que acompanha um artigo publicado em 1985, defendendo um outro ponto de vista (fig. 7) verifica-se que:

1) Na reconstrução de Knight o elemento central é uma animal denominado Sidneyia, o maior dos artrópodes de Burgess conhecido por Walcott. Na versão moderna, Sidneyia foi enxotado para o canto inferior direito e seu lugar ocupado por Anomalocaris, o terror dos mares Cambrianos – com mais de 60 centímetros de comprimento – e um dos “inclassificáveis” de Burgess Shale.



3 – O CENÁRIO DE BURGESS SHALE: Os meios de preservação

Segundo uma velha piada paleontológica, “a evolução dos mamíferos é uma história de dentes se acasalando com outros dentes para dar origem a dentes ligeiramente modificados”. Isso porque a maioria dos fósseis de mamíferos são conhecidos apenas através de seus dentes porque, como o esmalte é muito mais resistente do que os ossos normais, os dentes permanecem quando tudo o mais tiver sucumbido à ação do tempo geológico.

Como condição prévia para a preservação das faunas de organismos de corpo mole sobressaem 3 fatores (raramente encontrados ao mesmo tempo):

1) Rápido sepultamento dos fósseis em sedimentos não agitados.

2) Deposição num ambiente isento dos agentes normalmente responsáveis por sua destruição imediata – essencialmente o oxigênio e outros fatores que promovem a deteriorazação, bem como a variedade de organismos, de bactérias e animais que se alimentam de cadáveres, os quais rapidamente eliminam a maioria das carcaças em quase todos os ambientes deste planeta.

Ambientes desprovidos de oxigênio são excelentes para a preservação das partes moles: nenhuma oxidação, nenhuma decomposição por bactérias aeróbicas. Tais condições são comuns em nosso planeta, particularmente em massa de água estagnada. Entretanto, as próprias condições que promovem a preservação também estabelecem que poucos organismos irão viver nesses lugares. O melhor ambiente, portanto nada contém para ser preservado.

3) Mínimo despedaçamento resultante de danos causados por calor, pressão e erosão.

Walcott encontrou quase todos os seus espécimes aproveitáveis numa camada de folheto com apenas 2,1 a 2,4 metros de espessura, que ele chamou de “leito filópode” – pés em forma de folhas. Ele escolheu este nome em homenagem a Marrella, o mais comum organismo de Burges.

Com a altura pouco maior que a de um homem e comprimento menor que o de um quarteirão, como foi possível que tamanha riqueza tivesse se acumulado num espaço tão diminuto?

Pesquisas recentes esclareceram a geologia desta complexa área e fornecem um cenário plausível para a formação do sedimento que preservou a fauna de Burgess:

Os animais de Burgess Shale provavelmente viveram sobre bancos de lama formados ao longo da base de um paredão maciço e quase vertical, chamado Talude Catedral – um recife constituído basicamente por algas calcárias (os corais formadores de recifes ainda não tinham evoluído). Esse habitats de águas moderadamente rasas, adequadamente iluminadas e bem aeradas, geralmente abrigam faunas marinhas típicas com alta diversidade.

O caráter típico do ambiente de Burgess deveria excluir qualquer possibilidade de preservação de organismos de corpo mole. Embora uma boa iluminação e aeração possam estimular o desenvolvimento de uma fauna altamente diversificada, essas mesmas condições também promovem uma rápida atuação de animais que se alimentam de cadáveres e dos processos de decomposição. Par serem preservados como fósseis de corpo mole esses animais tinham de ser removidos para algum outro lugar. Talvez os bancos de lama acumulados sobre as paredes do talude tenham se tornado espessos e instáveis. Pequenos tremores de terra poderiam ter provocado “correntes lodosas” e impelido nuvens de lama (contendo os organismos de Burgess) talude abaixo, as quais poderiam ter-se depositado em depressões adjacentes estagnadas e desprovidas de oxigênio.

A distribuição exata dos fósseis de Burgess confirma a idéia de que eles foram preservados graças a um deslizamento de lama localizado. Outras características dos fósseis nos conduzem à mesma conclusão: pouquíssimos espécimes apresentam sinais de deterioração o que sugere um rápido soterramento; nenhum rastro, pista ou qualquer outro vestígio de atividade orgânica foi encontrado nos leitos de Burgess, indicando assim que os animais morreram e foram soterrados pela lama tão logo chegaram ao local em que forma fossilizados.

2) Knight reconstitui cada animal como se fosse membro de um grupo bem conhecido que, posteriormente tivesse alcançado um grande sucesso. Marrella é reconstituído como um trilobito e Waptia como um protocamarão. A versão moderna apresenta alguns filos singulares – o grande Anomalocaris; Opabinia, com seus 5 olhos e um “focinho” frontal; e Wiwaxia, com seu revestimento de escamas e 2 fileiras de espinhos dorsais.

3) As criaturas de Knight seguem a convenção do “reino pacífico”. Estão todas aglomeradas numa harmonia aparente baseada na tolerância mútua; eles não interagem. A versão moderna mantém o ajuntamento irreal (um costume necessário, a bem da economia de espaço) mas retrata as relações ecológicas reveladas por pesquisas recentes: priapulídeos e vermes poliquetas enterram-se no lodo; o misterioso Aysheaia alimenta-se de esponjas; Anomalocaris everte suas mandíbulas e tritura um trilobito.



4) Considere o Anomalocaris como um exemplo da revisão de Whittington Knight inclui animais omitidos na reconstituição moderna: uma medusa e um estranho artrópode que parece ser a extremidade posterior de um camarão com a frente recoberta pela concha de um bivalve. Ambos representam erros cometidos na tentativa de forçar a inclusão dos animais de Burgess nos grupos modernos. A “medusa” de Walcott revelou-se um pequeno círculo de placas ao redor da boca de Anomalocaris e a extremidade posterior do seu “camarão” nada mais é que um apêndice alimentar deste mesmo predador. O que Walcott considerava serem os protótipos de dois grupos modernos veio a se converter em partes do corpo do maior e mais esquisito dos animais de Burgess.

4 – AVALIAÇÃO DAS RELAÇÕES GENEALÓGICAS DOS ORGANISMOS DE BURGES

As inferências evolutivas e genealógicas baseiam-se no estudo e no significado de semelhanças e diferenças. As similaridades assumem diferentes formas: algumas servem para orientar as inferências genealógicas; outras representam armadilhas e perigos para fazer a distinção entre um tipo e outro, é fundamental fazer uma rígida distinção entre semi claridades devidas simplesmente à herança de características presentes em ancestrais comuns (homologia) e semelhanças originadas através da evolução independente de estruturas anatômicas que desenvolveram a mesma função (analogia).

Tivemos tão pouco êxito na reconstrução das genealogias de Burgess porque cada espécies surgiu através de um processo não muito diferente da montagem de uma refeição a partir de um gigantesco cardápio chinês à velha moda: um item da coluna A, dois da B, com muitas colunas e longas listas em cada coluna.

São duas as razões pelas quais temos a capacidade de reconhecer grupos coerentes entre os artrópodes posteriores. Primeiro, as linhagens perderam essa potencialidade genética original para o recrutamento de cada uma das principais partes do corpo a partir de muitas possibilidades latentes. Em segundo lugar, a remoção da maioria das linhagens, através de extinção, deixou apenas uns poucos sobreviventes, com grandes lacunas intermediária.



5 – DISPARIDADE SEGUIDA DE DIZIMAÇÃO: UMA REGRA GERAL.

Se os componentes de corpo mole nunca tivessem sido encontrados, Burgess Shale seria uma fauna

Burgess Shale apresenta uma amplitude de disparidade no design anatômico que jamais voltou a ser igualada, nem mesmo por todas as criaturas de todos os oceanos modernos (fig. 9 ). A história da vida multicelular tem sido governada pela dizimação de um grande estoque inicial, gerado rapidamente na explosão Cambriana. Os últimos 500 milhões de anos se caracterizaram pela ocorrência de redução seguida proliferação no âmbito de uns poucos designs estereotipados, e não por um aumento generalizado nos limites de variação e na complexidade como sugere o cone da diversidade crescente.

6 - BURGESS SHALE COMO UMA AMOSTRA REPRESENTATIVA DO CAMBRIANO.

Burgess Shale nos proporciona uma lição de caráter geral e modifica completamente nossas concepções habituais a respeito da história da vida porque muitos aspectos dessa fauna trazem a nítida marca da convencionalidade.

Suas criaturas alimentam-se e movem-se da maneira usual, toda a comunidade mostra-se compreensível em termos modernos, a um ecólogo prático; elementos chave da fauna aparecem também em outras localidades e verificamos que Burges representa o mundo normal dos tempos do Cambriano e não uma bizarra gruta marinha da Colúmbia Britânica.

7 – OS DOIS GRANDES PROBLEMAS DE BURGES SHALE

A revisão de Burgess Shale coloca dois grandes problemas a respeito da história da vida.

Primeiro, como foi possível especialmente (à luz das nossas concepções usuais acerca da evolução, encarando-a como um fenômeno grandioso) que essa disparidade surgisse tão rapidamente?

E, segundo, se a vida moderna é resultado da dizimação de Burgess, quais aspectos da anatomia, que atributos da função, e quais alterações ambientais determinaram quem iria vencer e quem estava condenado a perecer?

Em suma, primeiro a origem e, depois, a sobrevivência e a propagação diferenciada.

A ORIGEM DA FAUNA DE BURGES SHALE

Existem três grandes tipos de explicação evolutiva para a explosão que conduziu à disparidade de Burgess.

O primeiro é convencional e tem sido aceito em quase todas as discussões publicadas. Os dois últimos possuem pontos em comum e representam tendências recentes no pensamento evolutivo.

1) O primeiro Enchimento do Barril Ecológico:

Na teoria darwiniana convencional, os organismos propõem e o ambiente dispõe. Os organismos fornecem a matéria prima na forma de variação genética que se expressa através de diferenças morfológicas. Dentro de uma população, em qualquer tempo, essas variações são pequenas e não direcionadas. A modificação evolutiva é produzida por forças de seleção natural provenientes do ambiente externo (tanto condições físicas, como interações com outros organismos).

Como os organismos proporcionam apenas a matéria-prima e como essa matéria-prima quase sempre tem sido considerada suficiente para todas as modificações que se processam de acordo com os ritmos darwinianos, caracteristicamente lentos, o ambiente transforma-se no motor que regula a velocidade e a extensão das alterações evolutivas.


Então quando nos perguntamos que peculiaridade ambiental poderia ter engendrado a explosão Cambriana, uma resposta óbvia nos vem de imediato à mente: A explosão Cambriana foi o primeiro enchimento do barril ecológico da vida multicelular. Foi uma época de oportunidades inigualáveis.

Quase todas as formas de vida podiam encontrar seu lugar ao sol. A vida estava se irradiando para os espaços vazios e poderia proliferar em progressão logarítmica, tal como uma célula bacteriana numa placa de ágar. Na efervescência desse período inigualável, a experimentação imperou pela primeira vez e última vez num mundo praticamente desprovido de competição.

“Competição menos severa” tornou-se a senha da interpretação. Whittington, escreveu:

“Havia provavelmente alimento e espaço abundantes nos diversificados ambientes que inicialmente foram sendo ocupados por esses novos animais, e a competição era menos severa do que nos períodos posteriores. Nessas circunstâncias, diversas combinações de características podem ter sido possíveis, enquanto estavam sendo desenvolvidas novas formas de captar os estímulos sensoriais dos arredores, de obter alimento, de fazer locomoção.... É assim que podem ter surgido estranhos animais que não se encaixam em nossas classificações dos quais alguns remanescentes podemos ver em Burgess Shale”.


2) Uma história direcional para sistemas genéticos

Na visão darwiniana tradicional, as morfologias possuem histórias que restringem seus futuros, embora o material genético não “envelheça”. Diferenças nas taxas e nos padrões de mudança constituem respostas de um substrato material inalterável (genes) às variações ambientais que reajustam as pressões da seleção natural.

Mas talvez os sistemas genéticos realmente “envelheçam” no sentido de se tornarem “menos propensos a perderem uma grande reestruturação” (Valentine). Talvez os organismos modernos não possam gerar uma rápida sucessão de designs fundamentalmente novos, quaisquer que sejam as oportunidades ecológicas.

A descoberta da fauna pré-cambriana de Ediacara, com forte possibilidade de que este primeiro conjunto de fósseis multicelulares talvez não tenha dado origem aos grupos modernos, sugere que todos os animais do cambriano, a despeito da disparidade de formas, podem ter divergido não muito antes a partir de um ancestral comum do final do Pré-cambriano.

Se isto ocorreu – se eles ficaram separados apenas por um curto período de tempo – todos os animais cambrianos podem ter sido portadores de um mecanismo genético muito similar em virtude do seu tempo estritamente limitado de vida independente.

“A resposta similar dos organismos de Burges pode refletir a homologia de um sistema genético em grande parte ainda conservado em comum e ainda bastante flexível, e não apenas a analogia da resposta a uma pressão externa comum. É claro que a vida teve necessidade do impulso externo da oportunidade ecológica, mas sua capacidade de resposta pode ter indicado uma herança genética comum, agora dissipada”.

3) Diversificação inicial e posterior fechamento como uma propriedade de sistemas.

Atu Kauffman, da Universidade da Pensilvânia, desenvolveu um modelo para demonstrar que o padrão de Burges, caracterizado por rápida disparidade máxima seguida pela posterior dizimação, é uma propriedade geral dos sistemas.

Para explicar seu modelo, Kauffman considera metaforicamente, o palco da vida como uma paisagem complexa, com milhares de picos de alturas diferentes. Quanto mais elevado for o pico, maior o êxito dos organismos que estão sobre ele. Sobre os picos dessa paisagem estão espalhados ao acaso uns poucos organismos iniciais. Eles se multiplicarão e trocarão de posições.

Os saltos grandes podem ser definidos como aqueles que levam um organismo para tão longe do seu antigo lar que o novo panorama não guarda nenhuma relação com o antigo. Os grandes saltos são extremamente arriscados mas proporcionam uma enorme recompensa para aqueles que obtêm sucesso. Se você aterrisa num pico mais alto do que aquele onde se encontrava, você prospera e se diversifica, se aterrisa num pico mais baixo ou num vale, você está liquidado.

Kauffman demonstra que a probabilidade de êxito é no início bastante alta mas logo cai e chega a praticamente zero – tal como na história da vida.

Se os saltos longos ocorrem com razoável frequência, todos os picos altos serão ocupados logo no início. Assim, os vitoriosos cavam trincheiras e a evolução produz sistemas desenvolvimentais tão ligados aos seus picos que, mesmo que surja uma nova oportunidade, as espécies não poderão mais mudar. Mesmo extinções ao acaso deixarão espaços inacessíveis a todos.

8 - A DIZIMAÇÃO DA FAUNA DE BURGESS

O padrão descritivo da disparidade de Burgess e da posterior dizimação basta para impor uma grande mudança em nossas concepções tradicionais a respeito da história da vida. Isto acontece porque a nova iconografia não apenas altera mas inverte completamente o convencional cone de diversidade crescente.


Em vez de um começo limitado e da ocorrência de limites de variação cada vez mais amplos com o decorrer do tempo, a vida multicelular alcança sua amplitude máxima logo no início e a dizimação posterior deixa apenas uns poucos designs sobreviventes.

A idéia de sobrevivência determinada pela capacidade anatômica ou pela complexidade – “maior aptidão competitiva” – tem sido a explicação favorita, praticamente nunca contestada, para a redução da diversidade de Burgess e, na verdade, para todos os episódios de extinção da história da vida.

Os argumentos que propõem a superioridade adaptativa como base para a sobrevivência correm o risco de incorrer no clássico erro do raciocínio circular. A sobrevivência é um fenômeno a ser explicado e não uma prova de que os sobreviventes eram “melhor adaptados” do que os aqueles que morreram.

Se quisermos afirmar que as extinções de Burgess preservaram os melhores designs e eliminaram aqueles cujo desaparecimento poderia ser previsto então não poderemos utilizar a mera sobrevivência como prova de superioridade. Precisamos, em princípio, ter a capacidade de identificar os vencedores através do reconhecimento de sua excelência anatômica ou superioridade competitiva.

Se encararmos honestamente a fauna de Burgess, porém seremos forçados a admitir que não dispomos do menor indício de que, na grande dizimação, os designs dos perdedores eram sistematicamente inferiores, em termos adaptativos aos dos que lograram sobreviver.

Qualquer um pode inventar uma história plausível após o fato ter ocorrido. Anomalocaris, por exemplo, apesar de ser o maior dos predadores do cambriano, não veio a ser um dos vencedores.

Assim, poderíamos argumentar que a sua singular mandíbula quebra-nozes, incapaz de fechar-se inteiramente e que provavelmente funcionava mais por constrição do que arrancando pedaços da presa, realmente não era tão adaptativa quanto as mandíbulas convencionais constituídas de duas peças que se juntam como tenazes. Mas é preciso enfrentar honestamente a situação oposta.


Suponhamos que Anomalocaris tivesse sobrevivido e prosperado. Nesse caso não ficaríamos tentados a dizer que Anomalocaris sobreviveu porque suas peculiares mandíbulas funcionavam tão bem?

De acordo com a revisão feita de Burgess, concluímos que não dispomos de nenhum indício vinculando o sucesso a um design previsivelmente melhor. A dizimação de Burgess pode ter sido uma autêntica loteoria.

Contudo, não temos nenhum indício de que os vencedores gozavam de superioridade adaptativa ou de que um observador conteporâneo pudesse ter apontado com as melhores e mais detalhadas monografias anatômicas da paleontologia do século XX que os perdedores de Burgess eram adequadamente especializados e bastante aptos.

Um pouco mais sobre teoria da evolução


CONCLUSÃO:

Assim, pode-se concluir que a afirmação feita na tirinha, em relação aos trilobitas está completamente equivocada.

Estas criaturas surgiram depois da fauna Edicarana ou Vendiana (anterior ao período Cambriano) após mais ou menos uns 5 milhões de anos, com a explosão cambriana.

Neste período surgiram praticamente todos os filos animais conhecidos, inclusive os precursores dos vertebrados, além de outros que a ciência não consegue classificar, todos eles organismos marinhos. O registro da existência destes seres é evidenciado através de fósseis encontrados em poucos lugares do mundo, como em Burgess Shale, no Canadá, e na província de Yunnan, na China.

O único grupo de animais com um bom registo fóssil que só apareceu depois do Cambriano foi o filo Bryozoa, cujos exemplares mais antigos pertencem ao Ordoviciano Inferior. Os fósseis conhecidos por Biota Vendiana (ou "biota Edicarana), que incluem animais com espículas como as das esponjas e possivelmente tubos de vermes, apareceram no período que antecede o Cambriano, mas a localização destes fósseis nos filos actualmente conhecidos ainda está longe de estar esclarecida.

O que não há dúvida é que o Cambriano foi uma época de extraordinária inovação e evolução, não só em termos do número de espécies, mas também no desenvolvimento de novos nichos e estratégias ecológicas, tais como a predação activa, a construção de abrigos subterrâneos complexos e a aparição ou diversificação das algas mineralizadas de vários tipos, como as algas coralinas e as dasicladáceas verdes.

Assim, é simplesmente desonesto levar má informação aos leitores leigos. Todavia, os meios religiosos procuram adaptar os fatos as suas teorias a fim de justificá-las como corretas e plausíveis.

Apelam para a omissão e para a mentira. Talvez seja este o ensinamento bíblico: "Mentir e omitir a fim de sustentar nossas crenças religiosas".


Com isso, retribuo a brincadeira:

Ainda querem que eu creia ( crer no sentido de fé) em criacionistas...




domingo, 26 de outubro de 2008

Enézio frustrado

Desta vez nosso heroi tupiniquim defensor do DI tenta por meio de jogadas retóricas rechaçar a história da transição entre répteis e aves.

vejamos o atigo abaixo:

aqui:

Cientistas chineses descobrem fóssil de possível elo entre dinossauros e aves

Da Efe
Em Londres


Cientistas chineses encontraram um fóssil de uma nova espécie que seria o elo da evolução dos dinossauros terrestres para as aves, o Epidexipteryx hui, que era coberto de penas mas não podia voar.

A equipe de pesquisadores da Academia de Ciências da China explica hoje na revista científica britânica "Nature" que a descoberta traz mais complexidade à história da evolução dos dinossauros para as aves e dá suporte à hipótese que a transição aconteceu a partir dos terópodes.



O estranho dinossauro com penas viveu na China entre os Jurássicos Médio e Superior e tem várias características do grupo dos terópodes, bípedes carnívoros.


O Epidexipteryx hui era coberto de penas mas não podia voar, segundo pesquisadores.

Este animal, do tamanho de uma pomba e que pesava cerca de 160 gramas, viveu pouco antes que o Archaeopteryx, considerado a ave mais antiga do mundo.

Muitas de suas características são as de uma ave, como dois pares de penas muito longas com o aspecto de laços que nasciam de sua pequena cauda.

Os cientistas, liderados por Fucheng Zhang, indicam, no entanto, que o Epidexipteryx hui não podia voar, pois tinha penas no contorno das extremidades.

Agora vejamos os comentários de nosso bastião tupiniquim defensor do DI:


Comentário do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: A coisa realmente importante sobre este fóssil se encontra “enterrada” quase no fim do artigo da BBC:

“Em primeiro lugar, enquanto outros dinossauros com penas datam após o surgimento da primeira ave conhecida, este fóssil parece ser mais próximo no tempo, abrindo assim uma nova janela sobre os eventos evolutivos na transição crítica dos dinossauros para as aves.”

Este fóssil localiza-se entre o Jurássico Médio e Superior e o Archaeopiteryx é do Jurássico Superior.

Há dinossáuros como o Dilong que viveu no início do Cretáceo o que em nada afetaria a história das aves, pois não há problema algum que dinossauros emplumados tenha vivido no mesmo periodo que o Archaeopiteryx.


O problema com a seqüência dromeossauro a dinossauro com penas a aves é que este fóssil aparece numa seqüência reversa quase que perfeita no registro fóssil. Este novo fóssil coloca um dinossauro com penas aparentemente antes da primeira ave, sendo assim uma grande notícia.

Não sei a que problema o Sr. Enézio esta se referindo. Realmente houve um sério problema: o fóssil confirmou que dinsossauros emplumados apareceram antes das aves, o que confirma mais um ponto na história evolutiva destes seres a partir daqueles.

Este fóssil está abaixo do Archaeopteryx que geralmente é relatado como sendo do Jurássico Superior, e a primeira ave.

Era o esperado que um dia tal elo da corrente evolutiva das aves desse o ar da graça. É realmente uma pena que muito dessa história se perdeu e reconstruí-la não é tarefa fácil.


Eu me pergunto se eles [os pesquisadores] não têm algo mais em suas mangas. Esta descoberta não será tão significativa se eles descobrirem somente aves com este fóssil. Na verdade, descobrir aves no estrato abaixo do Archaeopteryx seria, sem dúvida, uma grande manchete, e colocaria ainda mais em confusão as atuais teorias darwinistas sobre a evolução das aves.

Os pesquisadores não possuem nada nas mangas Sr. Enézio. Foi o registro fóssil quem mostrou a existência do Epidexipiteryx Hui (que pena ein!! essa coisa tinha que aparecer né Enézio...). É culpa da natureza que essa coisa tenha existido e não dos pesquisadores.

Até o momento não se encontraram aves em extratos abaixo do archaeopiteryx. Assim, pelo que até então foi evidenciado, a teoria da evolução das aves a partir dos terópodes mais uma vez se confirma.

Seria bom Enézio você se perguntar o que, em termos científicos dá respaldo ao DI, o que esse criacionismo disfarçado traz de benefícios para o desenvolvimento da ciência e o que há dentro da caixa preta do Behe que respalda esse arremedo mal feito de criacionismo denominado DI.

Quanto à bricadeira da charge: aqui, é bom elucidar que ovos com casca começaram com os nematoides (os vermes cilíndricos).

Todavia, considera-se o brotamento (comum em poríferos e celenterados) como ovos, uma vez que o zigoto é lançado no mundo à própria sorte.

Assim, antes de se fazerem piadinhas que nada acrescentam ao conhecimento, é melhor consultar a vasta bibliografia científica que existe a respeito do assunto reprodução de metazoários (os animais com mais de uma célula).

Aos interessados aqui e aqui seguem explicações sobre reprodução das espécies.