sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Mistério do Sexo Parte 3

3.3 - Algas:

As algas são organismos que anteriormente eram incluídos no Reino Plantae, porém atualmente pertencem ao Reino Protista, sendo a Ficologia (fico = algas; logia = estudo) o ramo da biologia que estuda esses seres: unicelular ou multicelular (filamentosas), eucariontes, fotossintetizantes e viventes em ambientes de água doce (rios, lagos ou superfícies úmidas) ou salgada (mares e oceanos).


3.3.1 - Reprodução assexuada

3.3.1.1 - Divisão binária
Nas algas Unicelulares, a divisão binária é o mecanismo básico de reprodução (diatomáceas, euglenófitas).

3.3.1. 2 - Fragmentação
Em muitas algas filamentosas, a reprodução ocorre por simples fragmentação do talo. Os fragmentos isolados crescem devido a multiplicação das células que os constituem, originando talos completos.

3.3.1.3 - Zoosporia
Algumas espécies de algas multicelulares produzem células flageladas, os zoósporos, que nadam até atingir locais favoráveis ao seu desenvolvimento, onde se fixam e originam novos talos (alga verde do gênero Ulothrix).

3.3.2 - Reprodução sexuada

3.3.2.1 - Fusão celular em algas Unicelulares
Nas Chlamydomonas, por exemplo, cada organismo adulto é haplóide. Dois indivíduos sexualmente maduros fundem–se e originam um zigoto diplóide. Logo após, ocorre uma meiose zigótica, originando 4 indivíduos haplóides. Cada um deles origina um novo organismo, que na maturidade poderá se reproduzir tanto assexuadamente quanto sexuadamente (alga verde do gênero Chlamydomonas).

3.3.2.2 - Conjugação de algas filamentosas
Algumas espécies de algas filamentosas apresentam células que se diferenciam em gametas masculinos, que atravessam pontes intercelulares, passam para células de outro filamento, diferenciadas em gametas femininos. Da fecundação surge o zigoto, que se liberta do filamento materno e se multiplica, originando um novo filamento (alga verde do Gênero Spirogyra).

3.3.2.3 - Alternância de gerações
A maioria das algas multicelulares apresentam alternância de gerações, ou seja, em seu ciclo de vida alternam–se gerações de indivíduos haplóides e diplóides (lga verde talosa do gênero Ulva).

3.4 - Briófitas:

A reprodução das briófitas apresenta duas fases: uma assexuada e outra sexuada.Os musgos verdes que podemos ver num muro úmido são plantas sexuadas que representam a fase chamada de gametófito, isto é, fase produtora de gametas.

O gametófito masculino produz gametas móveis, com flagelos, chamados de anterozóides.

Já o feminino produz gametas imóveis, chamados de oosferas. Levados pelas gotas de chuva, os anterozóides alcançam a planta feminina e nadam em direção à oosfera.
Da união de um anterozóide com uma oosfera, surge o zigoto, que, sobre a planta feminina cresce e forma um embrião, que se desenvolve originando a fase assexuada chamada de esporófito, isto é, fase produtora de esporos.

O esporófito possui uma haste e uma cápsula, no interior da qual formam-se os esporos. Quando maduros, os esporos são liberados e podem germinar no solo úmido. Cada esporo, então, pode formar uma espécie de "broto" chamado de protonema. Cada protonema, por sua vez, desenvolve-se e origina um novo musgo verde (gametófito).


3.5 - Pteridófitas:

As pteridófitas são as plantas vasculares pequenas e sem sementes, geralmente com alguns poucos centímetros de altura, vivendo em lugares úmidos e sombreados, atualmente divididas em quatro Filos: Psilophyta, Lycophyta, Sphenophyta e Pterophyta (o filo das samambaias).



Da mesma maneira que as briófitas, as pteridófitas se reproduzem num ciclo que apresenta uma fase sexuada e outra assexuada. Para descrever a reprodução nas pteridófitas, vamos tomar como exemplo uma samambaia comumente cultivada (Polypodium vulgare).

A samambaia é uma planta assexuada produtora de esporos. Por isso, ela representa a fase chamada esporófito.

Em certas épocas, na superfície inferior das folhas das samambaias formam-se pontinhos escuros chamados soros. O surgimento dos soros indica que as samambaias estão em época de reprodução - em cada soro são produzidos inúmeros esporos.

Quando os esporos amadurecem, os soros se abrem. Então os esporos caem no solo úmido; cada esporo pode germinar e originar um protalo, aquela plantinha em forma de coração mostrada no esquema abaixo. O protalo é uma planta sexuada, produtora de gametas; por isso, ele representa a fase chamada de gametófito.

O protalo das samambaias contém estruturas onde se formam anterozóides e oosferas. No interior do protalo existe água em quantidade suficiente para que o anterozóide se desloque em meio líquido e "nade" em direção à oosfera, fecundado-a. Surge então o zigoto, que se desenvolve e forma o embrião.

O embrião, por sua vez, se desenvolve e forma uma nova samambaia, isto é, um novo esporófito. Quando adulta, as samambaias formam soros, iniciando novo ciclo de reprodução.

Como você pode perceber, tanto as briófitas como as pteridófitas dependem da água para a fecundação. Mas nas briófitas, o gametófito é a fase duradoura e os esporófitos, a fase passageira. Nas pteridófitas ocorre o contrário: o gametófito é passageiro - morre após a produção de gametas e a ocorrência da fecundação - e o esporófito é duradouro, pois se mantém vivo após a produção de esporos.
Além da reprodução sexuada, alguns representantes deste grupo reproduzem-se assexuadamente, por brotamento.

3.6 - Espermatófitas:

São as plantas que produzem sementes. Algumas espermatófitas, em que a norma é a reprodução sexuada, podem igualmente produzir sementes sem que haja fertilização dos óvulos, através de um processo conhecido por apomixia.

3.6.1 - Gimnospermas

São plantas vasculares que possuem sementes nuas, o u seja, as sementes formadas não são envolvidas pelo ovário desenvolvido (por um fruto), mas inseridas em uma camada superficial constituída por escamas reunidas em forma cônica (estróbilo / pinha = estrutura reprodutiva). Dessa forma, são vegetais que não possuem frutos.


Assim, os estróbilos podem ser masculinos e femininos, denominados respectivamente por microsporângio e megasporângio, originando o grão de pólen e o óvulo. Os organismos desse grupo reúnem espécies monóicas ou dióicas, porém com reprodução sexuada:
As monóicas caracterizam-se por manifestar em uma mesma planta, ambas as estruturas reprodutivas. Normalmente os estróbilos masculinos se dispõem próximo à base da copa arbórea, e os estróbilos femininos mais em direção ao ápice.

As dióicas representam espécies onde os distintos estróbilos são formados em diferentes indivíduos, uma planta masculina e outra feminina.

O mecanismo de polinização mais comum entre as gimnospermas ocorre por intervenção natural do vento (anemofilia), ou por insetos (entomofilia) através do transporte do grão de pólen até às escamas do estróbilo feminino, proporcionando a fecundação quando os núcleos espermáticos haplóides do grão de pólen descem pelo tubo polínico, em um deles fusiona a oosfera, originando o zigoto alojado no interior da semente.

Quando amadurecem, as sementes se destacam da pinha, atingindo o solo e germinam, caso as condições sejam favoráveis.

3.6.2 - Angiospermas

As angiospermas são espermatófitas (plantas com sementes) cujos órgãos de reprodução sexuada estão reunidos em flores (antófitas = plantas com flores). Representam o grupo mais evoluído do reino vegetal, superando todas as outras plantas vasculares em diversidade, habitat ocupado e utilidade ao homem. Sob o ponto de vista reprodutivo, diferem das gimnospermas por apresentarem óvulos e sementes encerrados dentro dos carpelos, que mais tarde desenvolver-se-ão em frutos.

Para compreendermos os processos de reprodução das angiospermas, um conhecimento básico da morfologia floral se faz necessário.

As flores das angiospermas, como os estróbilos das gimnospermas, são ramos de crescimento definido que portam orgãos foliares diferenciados, destinados à reprodução sexual. Distinguem-se, basicamente, nesta estrutura, apêndices estéreis, sépalas e pétalas, compondo o perianto e, apêndices férteis, estames (androceu) e carpelos (gineceu). Estames e carpelos são os órgãos mais importantes da flor e são também designados como microsporófilos e megasporófilos, respectivamente. A utilização destes termos permite estabelecer relação com o ciclo de vida de outras divisões de plantas.

Os estames são formados pelas anteras, onde é produzido o pólen, o filete e o conectivo que interliga as duas estruturas. Os carpelos consistem de uma porção basal dilatada, o ovário, contendo os óvulos e uma superfície receptiva de pólen, geralmente, apical, denominada estigma. Ovário e estigma podem estar conectados por um estilete.

Quanto ao sexo, as flores podem ser hermafroditas (monóclinas) ou unissexuadas (díclinas), neste caso, as plantas podem ser monóicas (pistiladas e estaminadas no mesmo indivíduo), dióicas (pistiladas e estaminadas em indivíduos distintos) ou polígamas (díclinas e monóclinas no mesmo indivíduo).

O aspecto sexual das flores e plantas, aliados a outros fenômenos reprodutivos, condicionam o processo de polinização e fertilização nas angiospermas.
A reprodução sexuada, neste grupo, incluiu os seguintes fenômenos: esporogênese, gametogênese, polinização, fecundação e desenvolvimento da semente e do fruto.

3.6.2.1 - Esporogênese e Gametogênese
A partir das Pteridófitas a fase esporofítica no ciclo de vida das plantas, passa a ser a dominante ou duradoura, representada pelo indivíduo em si. Nas angiospermas, a produção das flores representa o estado final na maturação do esporófito.

Durante o processo de microsporogênese, dá-se no interior das anteras, isto é, nos sacos polínicos (microsporângios), a formação dos grãos de pólen ou micrósporos, a partir de divisões meióticas dos microsporócitos.

Os grãos de pólen maduros, envoltos por uma parede não contínua de exina, apresentam em seu interior um núcleo vegetativo e um núcleo germinativo. Ao ser depositado sobre o estigma receptivo da flor, este grão de pólen germinará, formando o tubo polínico, que corresponde ao microgametófito, onde se dará a gametogênese. O núcleo germinativo se divide originando os núcleos espermáticos (=gametas).

A megasporogênese é um processo efêmero que ocorre no início da formação do óvulo, que se encontra preenchido por um tecido denominado nucela. É a partir deste tecido que se diferencia a célula-mãe do saco embrionário ou megasporócito.

Por divisões meióticas formam-se 4 células, das quais 3 degeneram-se, a restante forma o megásporo que logo passa à fase gametofítica por divisões mitóticas de seu núcleo, originando o saco embrionário, dentro de um óvulo agora maduro. O saco embrionário é formado por 7 células, antípodas (3), sinérgides (2), 2 núcleos polares em uma grande célula central e a oosfera (=gameta).

3.6.2.2 - Polinização
É o processo de liberação do pólen da parte masculina onde foi formado, transporte e deposição sobre uma superfície estigmática receptora. Em condições favoráveis e compatíveis este pólen irá germinar, iniciando a formação do tubo polínico (fase gametofítica) e posteriormente a fecundação.

Pode ser realizada por um agente abiótico ou biótico que associados aos aspectos morfológicos da flor determinam as chamadas síndromes florais. A anemofilia e a hidrofilia são síndromes abióticas.

Na polinização biótica, as plantas desenvolveram estruturas ou elementos atrativos aos diferentes tipos de animais, que estimulam a alimentação, a atividade sexual ou ainda a criação de ninhos onde novos indivíduos de desenvolverão.

Dentre estes elementos, podemos citar, cores (atrativo visual), odor, pólen, nectar, óleo, resina, etc. Os insetos desenvolveram grande interação com as plantas, sendo a entomifilia a principal síndrome biótica. Os animais vertebrados também participam deste processo, a ornitofilia (aves) e a quiropterofilia (morcegos), são exemplos.

A polinização pode ocorrer dentro de uma mesma flor, autogamia ou entre flores diferentes, alogamia. A alogamia pode envolver duas flores de uma mesma planta, geitonogamia, ou de plantas diferentes, xenogamia. Um caso específica da autogamia é a cleistogamia, quando a transferência do pólen se faz no botão fechado. Geneticamente a geitonogamia é equivalente a autogamia, e a xenogamia também será caso os indivíduos envolvidos sejam clones.

A autogamia e a geitonogamia levam, então, a um processo de autofertilização, nada interessante do ponto de vista genético, mas que oferece em condições adversas algumas vantagens, como a não dependência do agente polinizador e produção de sementes garantida.

A fecundação cruzada estabelecida pela xenogamia, apesar de trazer vantagens gênicas e proporcionar uma progênie de qualidade superior, só é plenamente alcançada quando ocorrente entre flores díclinas ou unissexuadas. Nas angiospermas, contudo, ca. de 90% das espécies apresentam flores monóclinas. Desta forma é possível observar neste grupo diferentes mecanismos morfológicos ou fisiológicos, visando o impedimento da autogamia e autofecundação. Eles podem ser físicos, temporais ou químicos.

Os físicos seriam a hercogamia (separação espacial entre anteras e estigmas) e heterostilia (diferença de tamanho entre estames e estiletes), bem como o diocismo e monoicismo (separação de sexos em unidades distintas).

Dentre os temporais temos os diversos casos de dicogamia (liberação de pólen e receptividade do estigma ocorrendo em momentos distintos), principlamente a protandria (mais comum) e protoginia.
Os mecanismos de incompatibilidade química se fazem pelo não reconhecimento gênico do pólen na superfície do estigma ou do tubo polínico no interior do estilete.

3.6.2.3 - Fecundação
É a união íntima entre duas células sexuais, gametas, até a fusão de seus núcleos. Deste processo resulta a formação da semente e fruto nas angiospermas.

Após a deposição do pólen sobre o estigma receptivo, este germina, produzindo o tubo polínico, que cresce através do estilete, penetrando o ovário e através da micrópila, o óvulo.

Ao atingir o saco embrionário, o tubo se rompe liberando os dois núcleos espermáticos, sendo que um fecundará a oosfera, originando um zigoto e o outro se unirá aos 2 núcleos polares, originando um tecido de reserva, o endosperma (3n). Tal processo denomina-se dupla fecundação e é um caráter exclusivo das angiospermas.

A dupla fecundação no saco embrionário desencadeia uma séria de mudanças no óvulo e gineceu, e mesmo na flor como um todo, resultando no fruto e semente.

3.6.2.4 - Frutos e sementes
Representam o auge do processo reprodutivo. Os óvulos após fecundados estimulam modificações na parede do ovário através da ação de hormônios que podem também agir sobre outras estruturas acessórias da flor. Os frutos serão a proteção e o veículo de dispersão da semente madura, portadora do embrião de um novo indivíduo, fechando o ciclo de vida das angiospermas.

A reprodução assexuada também está presente nas angiospermas, sendo os indivíduos dela resultantes clones. A propagação vegetativa é naturalmente bastante comum e sua prática é usual na agricultura e horticultura.

Na agamospermia, outra forma de reprodução assexuada, o indivíduo produz sementes viáveis sem que ocorra a dupla fecundação.

A evolução do processo reprodutivo nas angiospermas, favoreceu a primazia deste grupo nos tempos atuais, acelerando o produção de sementes, muito lenta nas gimnospermas, expandindo as opções de dispersão desses diásporos, propiciando o vigor gênicos das populações e conseqüentemente, estimulando o processo de formação de novas espécies.

O Mistério do Sexo Parte 2

3 - AS DIVERSAS FORMAS DE REPRODUÇÃO:

Neste ponto serão apresentadas as formas que os seres vivos se reproduzem, ou seja, de forma sexuada, assexuada e por hermafroditismo.

3. 1 - Procariontes: veja aqui

Este grupo é um dos mais interessantes, uma vez que seus membros são capazes de praticar sexo (troca de material genético) intra e inter-espécies, o que os torna extremamente versáteis, formando verdadeiras quimeras dentre os seres vivos. Todavia, isso nos impede de rastrearmos suas origens, na busca de genes primitivos a fim de entendermos suas origens.

Mas isso tudo ocorre devido a ausência de uma delimitação nuclear dentro destas pequenas células. Assim, o material genético permanece livre no citoplasma, diferentemente do que ocorre nos eucariontes.

3.1.1 - archeae
Não possuem peptideoglicanos na parede celular, conseguem produzir metano como resíduo do metabolismo e têm capacidade de sobreviver em ambientes extremos de vida, como crateras de vulcões e regiões extremamente salinas.





A principal forma de reprodução é a assexuada por divisão binária, bipartição ou cissiparidade. Assim, as duas células-filhas com a mesma bagagem hereditária da célula-mãe.

3.1.2 - bactéria


A membrana plasmática é recoberta pela parede celular e, em algumas espécies, há a presença de uma cápsula. A parede celular é que auxilia na classificação das Bactérias, uma vez que são responsáveis pela suscetibilidade a doenças e coloração pelo método de Gram.




As Gram-positivas são sensíveis à sulfa e possuem parede formada basicamente de uma só camada, colorando de cor violeta na Coloração de Gram; as Gram-negativas são sensíveis à penicilina, possuem parede formada de duas camadas e ficam com cor rosa ao serem coradas. Essas últimas são consideradas mais perigosas, uma vez que suas paredes são menos permeáveis a antibióticos.

A reprodução pode ser assexuada ou sexuada.

3.1.2.1 - Conjugação bacteriana: duas bactérias unem-se temporariamente através de uma ponte citoplasmática. Em uma das células, denominada "doadora" ou "macho", ocorre a duplicação de parte do cromossomo.

Essa parte duplicada separa-se e, através da ponte citoplasmática, passa para outra célula, denominada "receptora" ou fêmea", unindo-se ao cromossomo dessa célula receptora. Esta ficará, então, com constituição genética diferente daquela das duas células iniciais. Essa bactéria "recombinante" pode apresentar divisão binária, dando origem a outras células iguais a ela.

Como regra geral, em qualquer mecanismo de recombinação gênica nas bactérias, somente uma fração do cromossomo da bactéria doadora é transferida para a bactéria receptora. A fração doada corresponde a uma porção duplicada do cromossomo.

3.1.2.2 - Transformação: Griffith a descreveu em pneumococos; de pedaços de DNA de “bactéria estranha”, dispersos no meio, algum é incorporado, em condições especiais e a bactéria passa a exibir o fenótipo (característica) da “doadora”.
Os cientistas têm utilizado a transformação como uma técnica de Engenharia Genética, para introduzir genes de diferentes espécies em células bacterianas (bactérias transgênicas).

3.1.2.3 - Transdução: transferência de material genético de uma bactéria para outra, através de vírus bacteriófagos ou fago (= vetor). Estes, vírus ao se formar, podem eventualmente incluir pedaços de DNA da bactéria que lhes serviu de hospedeira. Ao infectar outra bactéria, o vírus que leva bacteriano o transfere junto com o seu. Se a bactéria sobreviver à infecção viral, pode passar a incluir os genes de outra bactéria em seu genoma.


3.2 - Fungos:
Muitos fungos se reproduzem assexuadamente por meio de esporos, células dotadas de paredes resistentes que, ao germinar, produzem hifas.













Todavia, há a reprodução sexuada, conforme segue:

3.2.1 - Ciclo sexual em ficomicetos
A reprodução sexuada em um ficomiceto ocorre quando micélios de sexos diferentes se encontram. em Rhizopus, por exemplo, as hifas de sexos opostos formam hifas especializadas, chamadas gametângios, que crescem um em direção ao outro; ao se tocar, os gametângios se fundem.
Um ou mais núcleos haplóides de um dos sexos se fundem aos do outro sexo, originando zigotos diplóides. A região em que os gametângios se fundiram diferencia-se em uma estrutura esférica, de parede escura e espessa, onde os zigotos sofrerão meiose e cada um originará quatro esporos haplóides. Cada esporo, ao germinar, dará origem a um novo micélio.

3.2.2 - Ciclo sexual em ascomicetos
Também nos ascomicetos a reprodução sexuada ocorre quando há o encontro de hifas de micélios de sexos diferentes. Nesse caso as hifas dos dois micélios se fundem, originando células com dois núcleos.

Em algumas dessas células os núcleos se fundem, produzindo um núcleo zigótico diplóide. Este sofre meiose e origina núcleos haplóides, que se diferenciam em ascósporos. A hifa onde tudo isso ocorreu se tranforma em uma estrutura alongada, em forma de saco, denominada asco. Quando maduro o asco se rompe, liberando os ascósporos. Ao germinar, cada ascósporo dá origem a um novo micélio haplóide.

Alguns ascomicetos formam corpos de frutificação onde se localizam os ascos. Formar um corpo de frutificação é importante para fungos que vivem em ambientes relativamente secos, como o solo e troncos podres, pois o ascocarpo protege os ascos e facilita a disseminação dos esporos.

3.2.3 - Ciclo sexual em basidiomicetos
Nos basidiomicetos, quando micélios de sexos diferentes se encontram, suas hifas, se fundem e formam um micélio com células binucleadas ou dicarióticas. Essas hifas se organizam de maneira compacta, formando um corpo de frutificação denominado basidiocarpo, o cogumelo.

No basidiocarpo algumas hifas se diferenciam em estruturas especiais, os basídios, onde ocorre fusão dos núcleos, resultando em um núcleo zigótico diplóide. Este logo sofre meiose e origina quatro esporos haplóides, os basidiósporos.

Os basídios se localizam na parte inferior do chapéu dos cogumelos. Na extremidade livre do basídio localizam-se os quatro basidiósporos, que logo serão libertados. Ao cair em local adequado, rico em matéria orgânica, um basidiósporo germina e origina um novo micélio.

3.2.4 - Reprodução parassexuada: consiste na fusão de hifas e formação de um heterocarion que contém núcleos haplóides. Apesar de ser raro, o ciclo parassexual é importante na evolução de alguns fungos.

O ciclo parassexual consiste na união ocasional de diferentes hifas monocarióticas (de indivíduos diferentes) originando uma hifa heterocariótica em que ocorre fusão nuclear e “crossing-over” mitótico.

Posteriormente há a formação de aneuplóides por erros mitóticos e então o retorno ao estado haplóide por perda cromossômica. Desta forma são formadas hifas homocarióticas recombinantes.

Entretanto, acredita-se que este processo não seja muito comum em condições naturais devido à existência da incompatibilidade somática que impede que hifas de micélios diferentes se anastomosem ao acaso, processo que é evolutivamente interpretado como um mecanismo de segurança e preservação do genoma original.

O Mistério do Sexo Parte 1

1 - INTRODUÇÃO:

Muito se apregoa entre os círculos criacionistas e adeptos do DI que o sexo se trata de um tema inexplicável senão por intervenção sobrenatural. Mas isso não é real, tratando-se mais de um argumento da ignorância pró “Deus das lacunas”.

Os seres vivos pertencentes ao domínio Eucariota, em sua maioria, dividem-se em duas ou mais categorias denominadas como sexos.

Estas categorias se referem a grupos complementares que podem combinar o respectivo material genético (normalmente o DNA) por meio de conjugação (troca de material genético entre duas células ou organismos). Este processo é chamado de reprodução sexuada (envolve a fusão de dois gametas).

O sexo feminino é aquele que produz geralmente o gameta maior e imóvel que se denomina óvulo e o sexo masculino é aquele que produz os gametas menores e móveis e em grande quantidade denominados espermatozoides, sendo que tais gametas possui a metade do número de cromossomos daquela espécie.


Há espécies com mais de dois tipos de sexo e outras, como alguns fungos, que desenvolvem estruturas aparentemente semelhantes onde se produzem células sexuais, mas com capacidade para conjugar-se. Nestes casos, diz-se que o sexo é indiferenciado.

Em 1859, Charles Darwin, um dos idealizadores da teoria da evolução por seleção natural, publicou seu livro mais famoso, A origem das espécies. Para esse naturalista inglês, explicar a multiplicação das espécies – segundo ele, “o mistério dos mistérios” – era um desafio.

Ao contrário do que o título possa sugerir, "A origem das espécies" não resolveu de todo o problema da multiplicação das espécies ou especiação (como uma população dá origem a duas ou mais populações evolutivamente divergentes).

O melhor que Darwin fez foi insinuar possibilidades, a partir das quais esse e outros aspectos do darwinismo (corpo de conhecimento estruturado em torno da evolução por seleção natural, teoria que vê as mudanças na composição de populações como resultado de diferenças no sucesso reprodutivo de seus integrantes) vêm sendo explorados por seus sucessores.

De início, a teoria da evolução teve de se livrar dos resquícios do lamarckismo (teoria evolutiva que levava em conta mecanismos – hoje, desacreditados – como o uso e desuso dos órgãos e a transmissão de caracteres adquiridos), surgindo daí o chamado neodarwinismo.

Entre 1910 e 1920, a Teoria da Evolução aproximou-se gradativamente da genética. Nas duas décadas seguintes, com a chamada síntese evolutiva, os padrões macroevolutivos, relacionados ao surgimento de grupos taxonômicos acima do nível de espécie (gêneros, famílias, ordens etc.), passaram a ser vistos como desdobramentos das mesmas forças microevolutivas que atuam no interior de espécies e populações.

Na década de 1950, as inovações da incipiente genética molecular começaram a ser incorporadas à teoria da evolução. Em seguida, a abordagem molecular encontrou os biólogos de campo (ecólogos, pesquisadores do comportamento animal etc.), e dessa conjunção surgiram inovações importantes, incluindo definições mais rigorosas para vários conceitos da biologia.

Atualmente, a paleontologia, associada à geologia, à bioquímica e à genética levam a uma síntese evolutiva expandida, onde todas as idéias têm contribuído para uma expansão sobre a fundação criada por Darwin, originando uma teoria evolutiva plural e multiforme.

No curso deste estudo, um tanto que longo, tentaremos explicar as origens do sexo e as diversas formas de reprodução, bem como refutar todas as idéias referentes às mirabolâncias do criacionismo e de seu correlato o design inteligente - DI no que concerne à origem do sexo, bem como a outros temas.

Tentaremos também responder perguntas com teores um tanto tendenciosos e maliciosos, elaboradas por seguidores dessas doutrinas religiosas pró-cristianismo, travestidas de ciência, mas, que na verdade, se tratam de abordagens pseudocientíficas de temas complexos como a evolução das espécies e a seleção sexual.

Toda a informação aqui disponível se encontra em livros bem como em diversos sites. Meu trabalho foi reunir toda essa informação a fim de poder colaborar com a divulgação científica.

Pretendo também combater a pregação religiosa que vem tentando se imiscuir à ciência, com o fito de promover seitas fundamentalistas e seus preceitos descabidos, cujos fanáticos, em sua compreensão literal dos seus livros sagrados, pretendem estabelecer como única verdade acima de qualquer contestação.

Sem dúvida, tal ação, se levada a cabo, dogmatizaria a ciência e a faria perder seu caráter de estar sempre buscando as origens, causas e efeitos dos fenômenos que nos cercam, os quais nada possuem de intervenção divina, pois são meramente fenômenos cujas causas são naturais.



Bem, lancemo-nos, a partir daqui, em nossa deliciosa aventura sexual em busca dos prazeres do conhecimento!!!



2 - O SEXO
A reprodução assexuada parece ser uma ótima maneira de seres vivos passarem seus genes para a próxima geração. Afinal, nesse caso, os filhos são praticamente cópias genéticas dos pais.

Se isso é verdade, para que existiria o sexo?

Essa pergunta já incomodou muita gente e obteve muitas respostas, cada uma com sérias limitações, mas uma teoria lançada nos anos 80 parece resolver o problema. Segundo essa teoria, o sexo permite que os organismos equilibrem a constante luta evolutiva contra os seus próprios parasitas.

A teoria apresentada possui um nome peculiar: ‘A Rainha Vermelha e o Bobo da Corte: onde a diversidade de espécies e o papel de fatores bióticos e abióticos influem na evolução das espécies ao longo do tempo’.












Nele, Michael J. Benton, da Universidade de Bristol (Inglaterra), examina até que ponto fatores bióticos (modelo Rainha Vermelha) e fatores abióticos (modelo Bobo da Corte) seriam responsáveis por moldar a diversidade de espécies.

A reprodução assexuada parece ser uma ótima maneira de um ser vivo passar seus genes para a próxima geração. Afinal, nesse caso, os filhos são praticamente cópias genéticas dos pais. Se isso é verdade, para que existiria o sexo? Essa pergunta já incomodou muita gente e obteve muitas respostas, cada uma com sérias limitações, mas uma teoria lançada nos anos 80 parece resolver o problema. Segundo essa teoria, o sexo permite que os organismos equilibrem a constante luta evolutiva contra os seus próprios parasitas.

De início vamos entender quais são os tipos de sexos existentes:

2.1 - O SEXO DIFERENCIADO:

Nas espécies com sexo diferenciado os órgãos sexuais (genitálias) são diferentes e produzem gametas diferentes.

Estes órgãos podem estar separados em indivíduos diferentes e então a espécie chama-se dióica, como ocorre normalmente com aves e mamíferos, ou encontrarem-se no mesmo indivíduo, como acontece na maior parte das plantas verdes, denominadas monoicas.
Animais de espécies monóicas são também denominados hermafroditas, em que os indivíduos possuem órgãos sexuais masculinos e femininos.

Em muitas espécies dióicas, para além da presença de órgãos sexuais diferentes, também chamados "caracteres sexuais primários", pode haver outras diferenças exteriores nos indivíduos, tais como diferentes cores da plumagem na maior parte das aves, ou a presença de mamas esenvolvidas nas fêmeas e sua ausência nos machos, como acontece nos mamíferos (os "caracteres sexuais secundários"). Quando isto acontece, diz-se que a espécie exibe dimorfismo sexual.

Entre os mamíferos, aves e várias outras espécies, o sexo é determinado pelos cromossomas sexuais, chamados X e Y nos mamíferos e Z e W nas aves, em alguns peixes e insetos. Normalmente, os machos apresentam um de cada (XY), enquanto fêmeas têm dois cromossomos X (XX). Todos os indivíduos possuem pelo menos um cromossoma X, e o cromossoma Y é geralmente mais curto que o cromossoma X com o qual é emparelhado, e está ausente em algumas espécies, o que acarreta algumas variações consideráveis.

Para além da reprodução sexuada, existe ainda a reprodução assexuada, que não envolve o processo de fecundação. Em seres nos quais não se distingue fêmea e macho, existem outras formas de multiplicação do organismo, através de processos como: gemulação, bipartição, fragmentação, esporulação e outros.


2.2 - O SEXO INDIFERENCIADO:

Nas espécies com "sexo indiferenciado", como é o caso das bactérias e na maioria dos protistas (ou protozoários), dois indivíduos - duas células aparentemente iguais, conjugam-se e juntam o material genético para dar origem a novos indivíduos com uma herança genética partilhada dos dois progenitores (normalmente depois da meiose).

Nos fungos, dois indivíduos aparentemente iguais, mas com características sexuais diferentes, geralmente denominados de positivo e negativo, numa situação conhecida como heterotalismo, podem unir as suas hifas e juntar vários núcleos na mesma célula. Dois destes núcleos podem conjugar-se e o zigoto resultante sofrer meiose para dar origem a esporos haplóides que darão origem a novos indivíduos.

A reprodução assexuada não envolve trocas de gametas entre os indivíduos e os organismos formados são geneticamente idênticos ao organismo que os gerou. Caso ocorra uma mutação no DNA, estes organismos apresentarão diferenças em relação ao progenitor. Existem vários tipos de reprodução assexuada: divisão binária, brotamento, regeneração e esporulação.

A reprodução assexuada ocorre quando se formam clones a partir de um ser vivo, sem a intervenção de gametas. Os novos seres podem nascer a partir de fragmentos do ser vivo.

Entre os animais, um dos exemplos mais conhecidos é o da estrela-do-mar que, ao perder um dos braços, pode regenerar os restantes, formando-se uma nova estrela-do-mar do braço selecionado. O novo ser é geneticamente idêntico ao "progenitor". É o que se chama um "clone".

Nas plantas a reprodução assexuada é também freqüente, utilizando-se esta capacidade reprodutiva na agricultura.

Por exemplo, as laranjas da Bahia (sem sementes) provêm todas do mesmo clone (considerando clone o conjunto de todos os seres geneticamente idênticos, provenientes de um mesmo ser vivo), a partir de uma laranjeira mutante aparecida na região da Bahia no Brasil. Efetivamente, esta árvore, ao não produzir sementes só se pode reproduzir por enxerto ou estaca.

Há vários tipos de clonagem assexuada. Os mais conhecidos são:

Fragmentação - o organismo fragmenta-se espontaneamente ou por acidente e cada fragmento desenvolve-se originando um novo ser vivo (ex: algas, estrela-do-mar).

Divisão múltipla – O núcleo da célula-mãe divide-se em vários núcleos. Cada núcleo rodeia-se de uma porção de citoplasma e de uma membrana, dando origem às células-filhas que são libertadas quando a membrana da célula-mãe se rompe. Este tipo de reprodução é o processo em que uma célula se divide em duas, por mitose, e origina duas células geneticamente idênticas. Encontramos este tipo de reprodução em bactérias e protozoários.

Partenogénese - processo através do qual um óvulo se desenvolve originando um novo organismo, sem ter havido fecundação. (ex: abelha, formiga, alguns peixes, alguns répteis, alguns anfíbios).

Bipartição ou fissão binária ou cissiparidade - um indivíduo divide-se em dois com dimensões sensivelmente iguais. (ex: ameba, planária, paramécias).

Gemulação - num organismo formam-se uma ou mais dilatações - gomos ou gemas - que crescem e desenvolvem-se originando novos organismos. (ex: hidra de água doce, levedura) Neste tipo de reprodução um broto se desenvolve no indivíduo e após um tempo se desprende, passando a ter uma vida independente. Podemos citar como exemplos de organismos que se reproduzem por brotamento os fungos, as hidras, as esponjas e até certas plantas.

Esporulação - formação de células reprodutoras - os esporos - que, ao germinarem, originam novos indivíduos. (ex: fungos) A esporulação é o processo de reprodução onde os organismos produzem esporos que são liberados no ambiente e quando encontram condições favoráveis, germinam. Encontramos este tipo de reprodução em fungos e algas.

Multiplicação vegetativa - nas plantas, as estruturas vegetativas, raízes, caules ou folhas, por vezes modificadas, originam, por diferenciação, novos indivíduos.(ex: cenouras (raízes), batateira (tubérculo), fetos (rizoma), Bryophyllum (folha).

Apomixia - produção de sementes sem fecundação dos óvulos.

Regeneração - Alguns organismos possuem uma capacidade de regeneração muito grande. Quando algum fragmento é retirado, ao encontrar condições ideais de sobrevivência, pode se regenerar e dar origem a um novo indivíduo.

Isto pode acontecer nas planárias, esponjas e algumas plantas. Algumas partes de certas plantas, ao serem destacadas e implantadas no solo, ou imersas em água, desenvolvem raízes e dão origem à novas plantas. Esta prática e chamada de estaquia e é muito utilizada em jardinagem.


2.3 - HERMAFRODITISMO:

O hermafroditismo é uma anomalia sexual ainda pouco conhecida, configurando um distúrbio morfológico e fisiológico das gônadas sexuais de um indivíduo, que simultaneamente manifesta estrutura tecidual testicular e ovariana.

Por análise do cariótipo é sabido que não se trata de uma síndrome genética (mono ou trissomia halossômica), relacionada aos cromossomos sexuais X ou Y. No entanto, pode estar associado a uma ocorrência de dispermia, havendo fecundação normal (espermatozóide e ovócito de segunda ordem - óvulo) e outra fecundação paralela anômala (espermatozóide e um glóbulo polar – óvulo não diferenciado, em tese, inativo).

Contudo, na maioria dos casos é observada a presença de duas gônadas mistas, denominadas de ovotetis, ou seja, uma fusão do testículo e do ovário, existindo outras duas situações: a primeira onde há desenvolvimento de um testículo e de um ovário, cada qual disposto lateralmente no corpo, contrariando a simetria bilateral normal dos órgãos reprodutores; e a segunda com o desenvolvimento de uma ovotetis de um lado e uma das gônadas (testículo ou ovário) do outro.

A tendência do hermafroditismo é o aparente aspecto externo da genitália masculina, quando coexistentes testículo e ovário. Nas demais situações, com duas ovotetis ou ovotetis e gônada, a genitália possui aspecto feminino.

Em muitas espécies de peixes, como as garoupas, verifica-se um tipo de hermafroditismo insuficiente, ou seja, os indivíduos possuem órgãos sexuais masculinos e femininos, mas apenas um dos tipos se encontra ativo num determinado momento. Normalmente, o animal atinge a maturidade sexual com um determinado sexo e, no processo de crescimento, as gônadas convertem-se no outro sexo e tornam-se ativas mais tarde.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Bolas de Neve na Argumentação contra o Relativismo Cultural Parte II



A seqüência da avalanche continua aqui











Relativismo é a posição em que todos os pontos-de-vista são tão válidos quanto quaisquer outros e em que o indivíduo é a medida do que é verdade para si.



Errado!! Como já fora anteriormente exposto aqui, são pontos de vista culturais e isso não significa que cada um fará o que bem entender.


Eu vejo um grande problema nisso. A seguir está uma ilustração para demonstrar por quê?

O contexto: Um ladrão está sondando uma joalheria a fim de roubá-la. Ele entra para checar se há algum alarme visível, fechaduras, o espaço, etc. Neste processo ele inesperadamente se vê envolvido em uma discussão com o proprietário da joalheria, cujo passatempo é o estudo de filosofia e que acredita que a verdade e a moral são relativas.
- Então – diz o proprietário – Tudo é relativo. É por isso que eu acredito que toda a moral não é absoluta é que certo e errado é algo que o indivíduo deve determinar dentro dos limites da sociedade. Mas não há um certo e errado absoluto.
- É uma perspectiva muito interessante – diz o ladrão. - Eu entrei acreditando que existia um Deus e que existia certo e errado. Mas eu abandonei tudo isso e concordo com você que não existe um certo e errado absoluto e que nós somos livres para fazer o que queremos.
O ladrão deixa a loja e volta à tarde para assaltar. Ele desarma todos os alarmes e travas e está no processo de roubar a loja. Neste momento entra o proprietário por uma porta lateral. O ladrão saca uma arma. O proprietário não pode ver a face do ladrão porque este usa uma máscara de ski.
- Não atire em mim – diz o proprietário. – Por favor, pegue o que quiser e me deixe em paz.
- É exatamente isso que eu pretendo fazer. – Diz o ladrão.
- Espere um pouco. Eu conheço você. Você é o homem que estava na loja hoje cedo. Eu reconheço sua voz.
- Isso é muito ruim para você – diz o ladrão. - Porque agora você também sabe como eu sou. E como eu não quero ir para a cadeia eu vou ter que matar você.
- Você não pode fazer isso – diz o proprietário.
- Por que não?
- Porque não é certo. – implora o homem desesperado.
- Mas você não me disse hoje cedo que não há um certo e errado?
- Sim, mas eu tenho uma família, filhos que precisam de mim e uma esposa.
- E daí? Eu tenho certeza que você tem seguro e eles vão faturar um bom dinheiro. Mas como não há certo ou errado não faz diferença se eu mato ou não você. E já que se eu deixá-lo vivo você irá me delatar e eu irei para a prisão. Lamento, mas isso não vai acontecer.
- Mas é um crime contra a sociedade me matar.
- Isso é errado porque a sociedade diz que é. Como você pode ver, eu não reconheço o direito da sociedade impor moralidade sobre mim. Tudo é relativo. Lembra-se?
- Por favor, não atire em mim. Eu lhe imploro. Eu prometo não contar para ninguém como você é. Eu juro!
- Eu não acredito em você e não posso arriscar.
- Mas é verdade! Eu juro que não conto para ninguém.
- Desculpe, mas isso não pode ser verdade, porque não há verdade absoluta, não há certo nem errado, nem erro, lembra-se? Se eu deixar você viver e sair você vai quebrar sua promessa porque isso tudo é relativo. Não há chance de confiar em você. Nossa conversa esta manhã convenceu-me que você acredita que tudo é relativo. Por causa disso eu não posso crer que você irá conservar sua palavra. Eu não posso confiar em você.
- Mas é errado me matar. Não está certo!
- Para mim não é nem certo nem errado matar você. Uma vez que a verdade é relativa ao indivíduo, se eu matar você, esta é a minha verdade. E é obviamente verdadeiro que se eu deixá-lo vivo eu irei para a prisão. Lamento, mas você mesmo se matou.
- Não! Por favor, não atire em mim. Eu lhe imploro.
- Implorar não faz diferença.
(Bang!)


Historinha deveras interessante esta, porém não reflete a realidade do pensamento relativista.



Se o relativismo é verdadeiro, então qual o problema em puxar o gatilho?


Talvez alguém possa dizer que é errado tirar a vida de outra pessoa sem necessidade. Mas porque seria errado se não há um padrão de certo e errado?

Outros podem dizer que é um crime contra a sociedade. Mas, e daí? Se o que é verdade para você é simplesmente verdade, então qual é o erro em matar alguém para se proteger depois de roubá-lo? Se o que é verdade para você que para se proteger você deve matar, então quem se importa com o que a sociedade diz? Por que alguém seria obrigado a se conformar com normas sociais? Agir assim é uma decisão pessoal.

Isso eu posso dizer quem nem mais bola de neve é!!! É a Era do Gelo 4 !!!! Já foi exaustivamente exposta a falha dessa colocação aqui.

Isso é o caos social e nada no relativismo cultural fomenta este tipo de atitude.

Aliás, vc é incoerente. Uma hora diz que no relativismo, os padrões de certo e errado são derivados de normas sociais e, outra hora diz que pouco importam tais normas.

Normas possibilitam a vida em sociedade, então elas importam e muito.


Embora nem todos os relativistas ajam de maneira não-ética, eu vejo o relativismo como um contribuidor para a anarquia geral. Por quê? Porque é uma justificação para fazer o que você quiser.


Acho que em vez de professor o chamarei de “Senhor Gelo”, pois percebi que adora a falácia da “bola de neve”.



Relativismo Cultural não se trata de justificação para se fazer o que quiser, mas sim de uma forma para enxergar a cultura alheia e respeitá-la, sem querer impor seus pontos de vista, como os únicos verdadeiros acima de qualquer contestação.



CONCLUSÃO:
O Sr. João Flávio Martinez comete falhas conceituais e lógicas terríveis, além de falácias, no que consiste a expor e esclarecer a forma de pensar relativista.
Sua colocação é a de que o relativismo, acredito em qualquer de suas nuances, é o combustível para levar o mundo ao caos. Mas não é por ai.
O caos é atingido se não respeitamos o outro, se impomos nossos pontos de vista, se achamos que nossa cultura é superior às demais, como muito tempo fez o cristianismo e, se tiver oportunidades, continuará fazendo, em fim, é atentar contra as liberdades do outro e ter uma postura egoísta no seio da sociedade em que se vive.
As normas oriundas do "sistema relativista" conforme o Sr. João Flavio Martinez aborda é quem propiciaram a formação do Estado de Direito e o respeito ao indivíduo em suas liberdades.
Vale citar o adágio:
"O seu direito termina quando começa o do outro."
Ou seja, respeite as liberdades sem atentar contra a esfera de terceiros, pois se você o fizer será punido pelas normas do sistema relativista.

Bolas de Neve na Argumentação contra o Relativismo Cultural


Religiosos realmente são engraçados!!! Quando algo começa a questionar suas ideologias e crenças se valem de quaisquer meios a fim de refutá-los. Agem de forma pseudocientífica e com uma péssima retórica a qual envolve um poderoso arcabouço de falácias e distorções de disciplinas como ciências naturais, lógica e filosofia.




A pérola do dia está aqui "Relativismo I" escrita pelo Prof. João Flávio Martinez.

Vejamos (em preto a abordagem dele; em vermelho minha análise).




Relativismo é a teoria filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade ou valor absoluto. Ela parte do pressuposto de que todo ponto de vista é válido.



Errado!!! Se forem pontos de vista culturais, temos que considerar o que cada povo adota como certo ou errado. Todo ponto de vista é valido desde que considerado em sua cultura particular.

Eis a definição de relativismo: O relativismo é uma doutrina que prega que algo é relativo, contrário de uma idéia absoluta, categórica. Atitude ou doutrina que afirma que as verdades (morais, religiosas, políticas, científicas, etc.) variam conforme a época, o lugar, o grupo social e os indivíduos de cada lugar.


O relativismo, dessa forma, leva em consideração diversos tipos de análise, mesmo sendo análises aparentemente contraditórias. As diversas culturas humanas geram diferentes padrões segundo os quais as avaliações são geradas.

Max Weber, em suas obras sobre epistemologia, abre espaço para o relativismo nas ciências da cultura quando diz que a ciência é verdade para todos que querem a verdade, ou seja, por mais diferentes que sejam as análises geradas por pontos de vista culturais diferentes, elas sempre serão cientificamente verdadeiras, enquanto não refutadas.


Essa filosofia afirma ainda que todas as posições morais, todos sistemas religiosos, todos movimentos políticos, etc., são verdades que são relativas ao indivíduo.

Errado!!! São relativas à sociedade em que vive o indivíduo.


Infelizmente, a filosofia do relativismo é penetrante em nossa cultura hodierna. Com a rejeição de Deus, e do Cristianismo, a verdade absoluta particular está sendo praticamente abandonada.


Disse bem, a verdade absoluta particular e não do mundo. Quanto à rejeição de deus ou do cristianismo, considere o que cada um aceita em termos de religião. Essa diversidade existe , enquanto o ser humano tiver capacidade de pensar e contestar, a diversidade de pensamento continuará.


Nossa sociedade pluralista deseja evitar a idéia que há realmente o certo e o errado. Isto é demonstrável através de nosso ambiente social: do sistema judicial deteriorado que possui cada vez mais dificuldades em punir os criminosos, da mídia que continua a nos empurrar o seu pacote particular do que seja moralidade e decência, de nossas escolas que ensinam a evolução e a "tolerância social", etc.


A dificuldade em punir criminosos vem do próprio sistema legal que é elaborado por nossos representantes. Para se punir alguém há que se terem provas contundentes do fato criminoso. É melhor um culpado solto que um inocente preso.

Quanto à mídia, se está insatisfeito com ela, simplesmente a evite.

Quanto a TE em escolas, que tal substituir as aulas de estatística por jogo de búzios e tarô ou ainda deixar a previsão do tempo ao arbítrio dos deuses. TE é ciência e não crença religiosa, para fazer proselitismo e angariar fiéis.

Sobre a tolerância social, devemos tê-la. Se não gosta de negros, gays, gaúchos, loiros, católicos, macumbeiros, cientistas, simplesmente evite-os, mas não destile seu ódio sobre ninguém, pessoas têm o direito de serem e fazerem o que quiserem, desde que não afetem terceiros.


Como conseqüência, o relativismo moral está cada vez mais ganhando espaço no sentido de encorajar a todos em aceitar o homossexualismo, a pornografia na TV, a fornicação, e uma avalanche de outros pecados que outrora foram considerados errados e perniciosos, mas que agora estão sendo aceitos e até mesmo encorajados em nossa sociedade. Isto se infiltrou tanto em nossa moderna maneira de pensar que se você falar algo contra o relativismo e sua vã filosofia, então prontamente te rotulam como fanático intolerante.

Pura falácia da bola de neve... A censura existe para realmente não deixar que tais coisas aconteçam. Se não estão atuando devidamente denuncie a sua insatisfação ao MP.

Se não gosta do que a TV apresenta, ligue no canal gospel e assista até sentir sono. Do contrario compre uma TV a cabo e se não tiver recursos para tal, alugue DVDs de seu gosto e desligue sua TV.

Eu mesmo faz anos que não assisto a TV aberta, pois a programação, seja da Globo, do SBT e dos canais evangélicos se tornou um lixo.

No entanto, é necessário esclarecer que isto não passa de hipocrisia por parte daqueles que condena quem afirme que exista ainda moralidade absoluta hoje em dia. Parece que o único objetivo de seus proponentes é afirmar que todos os pontos de vistas a respeito do que seja a “verdade” são válidos, menos aqueles que defendem que há verdades absolutas, um Deus absoluto e coisas certas e erradas de modo absoluto.

Depende de quem é o seu deus... Deuses são absolutos para a cultura que os adora. Assim, os deuses indianos, do Xintó, da religião chinesa, africana, egípcia, assíria, grega, etc eram ou são absolutos para eles, mas não para os outros.


É o deus que cultua não foge à regra. É apenas mais um no mundo da diversidade religiosa.

Algumas expressões típicas que revelam basicamente as pressuposições dos relativistas são: "Esta é a sua verdade, não a minha”; "Isto é verdadeiro para você, mas não para mim," e "Não Há verdades absolutas."


Do ponto de vista lógico todas estas declarações não procedem. Nossa sociedade não pode florescer nem sobreviver em um ambiente onde todos fazem aquilo que acham melhor para si, onde que as circunstancias e a situação são os fatores que determinam suas ações, onde a mentira ou o engano é totalmente aceitável. Sem uma base comum de verdades absolutas, nossa cultura tornar-se-á fraca e fragmentada.

Disse bem, do ponto de vista lógico, mas não real. Permita-me lhe dar uma breve aula de lógica.



Em lógica há três princípios:


Identidade: se algo é verdadeiro então ele é verdadeiro;


Não contradição: uma idéia não pode ser verdadeira e falsa;


Terceiro excluído: ou o algo é verdadeiro ou é falso.


O raciocínio lógico deve se guiar por estes três princípios. Mas para exteriorizar o raciocínio, necessitamos do argumento que são proposições encadeadas por inferências. O argumento pode ser lógico, mas isso não significa que sua conclusão seja verdadeira, ou seja, que corresponda à realidade. A garantia que temos do raciocínio lógico é que sendo verdadeiras as premissas e valida a inferência a conclusão será verdadeira.

Assim para que o raciocínio nos conduza a verdade, são necessárias a veracidade das premissas e a correção do raciocínio.

Da veracidade das premissas quem cuida são os cientistas em geral e da correção do raciocínio cuidam os lógicos.

A lógica não guarda absoluta correspondência com a realidade, vide o argumento da flecha de Zenão - “um corpo não pode percorrer o infinito senão em um tempo infinito, logo o movimento não existe”. O argumento é lógico, mas sua conclusão não é verdadeira.

Assim, essa percepção é importante para o completo entendimento da maneira de pensar e sem dúvida é indispensável para a adequada utilização de recursos lógicos na vida.

Bem vejamos: quais são suas premissas para dizer que uma verdade é absoluta? Pelo visto vc fica no mundo da doxa (opinião), ao estabelecer a sua crença como a verdade suprema, enquanto cientistas sociais dizem não haver padrões, crenças e costumes absolutos para todas as culturas.

Se as suas premissas não são verdadeiras, então a sua tese de que existe verdade absoluta é falsa, portanto não existe verdade absoluta.

As premissas que afirmam a não existência de verdades absolutas quando tratam da diversidade cultural, são baseadas em verificações pautadas segundo as regras do método sociológico e análise de culturas (costumes, religiões, mitos e padrões ético-morais) de povos que não mais estão entre nós. Há vasta bibliografia sobre o tema.

Ao menos verificam-se que atitudes como adultério, assassinatos, furtos, roubos, desrespeito aos pais e aos mais velhos, negligência com jovens, gula, inveja, avareza, soberba, homossexualidade e preguiça são mau vistas em diversas sociedades, por causarem “prejuízos sociais”, ou seja, podem comprometer a sobrevivência dos demais, mas cada qual possui seu grau de tolerância dentro de seu respectivo grupo.

Caso as regras das sociedades não sejam obedecidas, a convivência social se tornará caótica e levará ao perecimento do grupo e do próprio indivíduo. Assim, posturas egoístas e atentatórias da paz social não são toleradas, se passarem dos limites e, portanto, o indivíduo será punido conforme dispõem as regras do sistema legal pertencente a sua sociedade.

Sobre a teoria argumentativa, argumentos são conjuntos de proposições, mas não proposições quaisquer. Devem estar concatenadas de forma específica, ou seja, devem se sustentar o que significa haver inferência entre elas.

Ao obedecerem com rigor aos princípios da identidade, não contradição e terceiro excluído e demais regras lógicas, o argumento é lógico. Logo, se tivermos certeza de que as premissas são verdadeiras e se são atendidos os princípios e regras lógicos, a conclusão será verdadeira.

Assim, argumentos não são falsos ou verdadeiros; isso é para as premissas e quem as formula e as testa é o cientista em seus diversos campos.

A questão da verdade singelamente se divide em três formas:


Alethea o conceito grego que é aplicado às ciências naturais;


Véritas que é o conceito romano aplicado na ciência do direito;


Emunah que é o conceito hebraico aplicado à revelação religiosa.

Todas estas formas podem ser combinadas a fim de darem corpo às premissas de um raciocínio lógico.

Para nosso caso (pesquisa social), ficamos com o conceito de alethea, pois não se trata de meros argumentos para convencer a pessoa, mas de buscar por algo que exista na realidade.

Dessa forma, a solidez de um argumento se traduz na composição de premissas verdadeiras e na condição que pode se considerar lógica uma inferência (obediência às regras do pensamento lógico).

Assim, argumentos são válidos ou inválidos.

O ponto interessante é que somente por meio da reductio ad absurdum é que o argumento contra a inexistência da verdade absoluta funciona. É logicamente perfeito; inclusive sob o ponto de vista dialético, pois busca tocar as paixões e emoções dos leitores e não o raciocínio deles, com um jogo retórico extremamente persuasivo.

Sob a ótica científica, que busca refletir a realidade e não a estrutura de pensamento ou tocar as emoções de quem quer que seja, o equivoco reside na ausência de premissas referentes aos estudos de culturas (crenças ideológico-religiosas, valores, fundamentos ético-morais, variabilidade desses itens ao longo do tempo).

A lógica formal busca a coerência interna do pensamento (a coerência do pensamento consigo mesmo) e não com o mundo (a realidade) que se liga ao estudo das condições cognitivas e não as condições formais da verdade, que é um problema da gnosiologia (teoria do conhecimento - epistemologia).

A lógica não tem como função encontrar a verdade, que é função das ciências naturais, exatas e sociais.

Ela é propedêudica à ciência, pois serve apenas para ordenar o que foi descoberto, dando coerência e sistematização ao pensamento científico, com vistas a justificar a verdade.

Logo, buscar a verdade envolve fatores objetivos e subjetivos que em nada se coadunam à lógica.

A verdade científica envolve a pesquisa empírica e, portanto, se traduz como a relação entre o pensamento e a realidade em conjunto com os meios para aprendê-la.

A lógica, portanto, não lida com a realidade do mundo inclusive o psicológico e o subjetivo, mas apenas com a realidade do pensamento, enquanto abstraído de suas relações com o mundo.

Assim, a lógica estuda:


as condições objetivas e ideais para justificar a verdade, sem cuidar da própria verdade e se ater às suas condições materiais ou subjetiva;

as condições formais para justificar a verdade que já é conhecida (a coerência interna do pensamento);

a coerência interna do pensamento a fim de possibilitar um contexto correto de justificação, ou seja, define de modo argumentativo premissas corretamente dispostas para uma conclusão justificada.


Logo, a lógica é condição necessária, mas não suficiente para se demonstrar a verdade, pois esta tem de ser buscada empiricamente e aquela estrutura o pensamento.

Portanto, considerando-se apenas a estrutura de pensamento sem conectá-la à realidade do mundo a fim de justificar crenças pessoais e ideológicas é fazer mau uso da lógica.

Reductio ad absurdum é excelente para analisar estruturas de pensamento sob o ponto de vista lógico formal, mas jamais pode ser considerada como realidade.

Crenças e ideologias não possuem fundamento lógico. Elas se sustentam por fatores sociais, psicológicos e culturais que atuam sobre nós sem que saibamos porque e como eles nos influenciam. A justificativa de nossas crenças se dá em nível lingüístico com maior ou menor força de convencimento.

Assim, passa-se da inferência para a apresentação de argumentos que julgamos pertinentes ou razoáveis mediante sentenças estruturadas de acordo com nossa comunidade lingüística.

Portanto, ao enunciarmos provas e conclusões estaremos apresentando os argumentos, que expressam intersubjetivamente as inferências anteriormente feitas em nosso interior.

A inferência deve ser feita por aquele que possui as provas que podem ser aduzidas em seu apoio. Logo meras opiniões não provam nada e nem podem ser denominadas de argumento. Somente após justificarmos a opinião é que ela se torna argumento, ou seja, o enunciado das inferências é que consiste no argumento e este deve possuir provas para sustentar as conclusões.

Todavia, tais provas não necessitam de estar caracterizadas pela certeza de sua verdade, mas podemos conjeturar a respeito da probabilidade de uma prova a fim de fazermos inferências razoáveis no sentido de uma deliberação de menor risco.

Inferências estão além de serem meros enunciados são na verdade processos psicológicos, o que está fora do campo da lógica que apenas visa a legitimidade do pensamento enquanto estuda as condições formais para justificar ou fundamentar alguma assertiva como conclusão de determinado argumento.


Contudo, devo admitir, entretanto, que há validade para alguns aspectos positivo do relativismo. Por exemplo, que uma sociedade considera direito (dirigir do lado esquerdo do carro) enquanto outra considera errado. Esses são costumes que são certo para uns e errado para outros. Mas são costumes puramente relativista baseados na cultura do país e não universalmente.

Alguns princípios de costumes sobre enterros, casamentos, sexo, variam de país para país ou até mesmo de cidade para cidade. Esse senso de “certo e errado” relativista não influi em nossa vida moral, pois não foi um mandamento de um Deus universal. Há coisas que são validadas apenas dentro da experiência humana particularmente individual. Eu posso me irritar com o som de uma música Rock e a outra pessoa não. Neste sentido o que é verdadeiro para mim não precisa ser necessariamente verdadeiro para outros. Sim, há aspectos positivos e verdadeiros dentro do relativismo.

Determinados costumes, gostos e princípios não afetam em nada a esfera de terceiros e nem podemos considerar como certo ou errado, Exceto se começam a nos atormentar e a exigir que os cumpramos quando pertencemos a uma cultura diversa.

Vi um caso referente a uns habitantes de Papua (Salvo engano no Discovery Civilization) que eles deixavam seus mortos mumificados no alto de uma encosta olhando para a aldeia deles. Isso se traduzia em sua crença como proteção dos ancestrais.

Mas, missionários cristãos chegaram e começaram a exigir deles que enterrassem seus mortos, o que era negar-lhes a vida espiritual.

Conclusão: ficaram muito aborrecidos, puseram os missionários para correr e continuaram com suas práticas de mumificação.

Isso é um típico exemplo de imposição de costumes e crenças a outrem, o que também é um atentado a liberdade do indivíduo por pensar de forma etnocêntrica.

Mas se eu vivesse entre eles, não ia querer a honra de ter o meu corpo mumificado olhando para a aldeia. Iria pedir a eles que quando morresse me cremassem.


Mas, isto não é válido o bastante para dizer que porque há um tipo de relativismo pessoal, nós então podemos estende-lo e aplica-lo em todas as áreas da vida e dizer que tudo o mais é relativo. Não, isto não é uma suposição válida nem lógica. Primeiramente, porque isto é uma grande contradição que acaba por destruir o alicerce dos defensores do relativismo.

Mais uma vez, atente-se a sociedade em que vc vive. É claro se eu estiver em uma cultura que goste de troca de casais, não permitiria isso comigo, pois estariam atentando contra minha esfera pessoal.

A relatividade do pensamento está na cultura e não no atentado à liberdade de outrem. Se eu gosto de determinada prática que me prejudique e a outrem, tendo o consentimento delas, desde que todos sejamos adultos e em nosso juízo perfeito, isso é um problema de cada um.

Mas se obrigo terceiros a tal prática, os estarei prejudicando e, portanto, deverei ser punido.

Caso decida seguir o candomblé em vez de ir a igreja adventista, é opção minha. O candomblé e seus deuses são a minha verdade religiosa absoluta e a igreja adventista e seu deus não. Por seguir o candomblé devo ser punido? É claro que não, pois não estou atentando contra ninguém.

Houve um caso interessante de uma indiazinha abandonada por ser deficiente, o que gerou grande alvoroço entre cristãos. Imagine vc ser nômade coletor e caçador. O que um deficiente faria com esse grupo?

Para nós é fácil condenarmos, pois se temos fome é só abrir a geladeira ou ir ao restaurante mais próximo e comermos, mas para eles não. Hoje comem na próxima semana não se sabe. Devem ser punidos por tal postura? É claro que não, pois pensaram na sobrevivência do grupo.

Mas e testemunhas de Jeová quando preferem que a pessoa morra ao negar uma transfusão de sangue devido a uma má interpretação bíblica? Cometem crime? É claro que sim (crime comissivo por omissão), pois não vivem a mesma condição de nômades coletores e têm todos os recursos disponíveis na sociedade em que vivem para salvar uma vida, mas se negam a faze-lo por conta de preceitos religiosos mal interpretados.

E se eu abandono um filho deficiente e deixo ele morrer de fome cometo crime? É claro que cometo (o mesmo do caso anterior), pois minha sociedade me proporciona recursos para cuidar dessa pessoa.


Além Disso, se todas as coisas são aparentes e relativas, então podemos afirmar que não existe nada de verdadeiro e absoluto entre as pessoas. Em outras palavras, se todas as pessoas negam a verdade absoluta e estabelece verdades relativas unicamente provindas de suas experiências, então tudo é aparente ao indivíduo. Perguntamos: Partindo dessa premissa, como então poderá alguém julgar o que é realmente certo ou errado, verdade ou mentira?

Novamente a falácia da “bola de neve” rola montanha abaixo!!!!

O que é mentira? Significa ludibriar o outro, pratica não tolerada em nenhuma sociedade.

O que é errado, é vc atentar contra o outro e contra sua comunidade prejudicando-os, o que pode levar ao caos social.

Bem o cunho da questão é religioso. Como podemos dizer que esta ou aquela crença é a verdade, senão nos valendo de petições de princípio?

Sob a lógica formal, não há como fazer isso. Apenas a dialética valendo-se de seu poder de conhecimento como fora visto no breve apanhado sobre lógica, é que pode dar conta deste aspecto. O mesmo vale para me convencer a respeito de ser capitalista ou socialista.

O mesmo vale sobre votar no Serra ou na Dilma para presidente, embora estes dois possam apresentar projetos que sob a lógica formal poderei analisá-los como bons ou ruins para o país e para mim.

E ainda: Se todas as “visões” morais são igualmente válidas, então que direito temos nós de punir alguém? Será que podemos sempre afirmar que aquilo ou aquela pessoa não tem razão? Para sabermos que algo ou alguém não está certo ou errado, nós primeiramente devemos ter um padrão de certo e errado pelo qual nós basearemos nossos julgamentos. Se aquele padrão de certo e errado for baseado no relativismo, então não temos nenhum padrão. No relativismo, os padrões de certo e errado são derivados de normas sociais. Se há mudanças na sociedade as normas morais de certo e errado podem mudar. Se seguirmos este paradigma, então não podemos julgar ninguém por qualquer coisa que tenha feito de errado, se o que consideramos errado agora pode tornar-se certo no futuro!

Novamente a falácia da “bola de neve” !!! Desse jeito vamos passar por uma nova era glacial ein professor!!!

Temos todo o direito de punir as pessoas conforme exaustivamente já expus. Pense sempre na comoção social que as coisas podem gerar, daí surgem nossos padrões de certo ou errado. Eles têm de evitar o caos social.

Não é no relativismo cultural que padrões de certo ou errado derivam de normas sociais (acho que não lê atentamente a bíblia e desconhece história antiga e direito antigo). Os padrões de certo e errado foram codificados por povos da antiguidade a fim de poderem viver em sociedade e para seus líderes tornarem seus domínios governáveis.

De fato, sociedades mudam ao longo do tempo e coisas que passam a escapar da esfera de atuação do Estado passam a ser descriminalizadas (como é o caso do adultério) e se o estado decide que tal coisa é de seu interesse, passa a criminalizá-las (ex. dirigir sob certo grau de teor alcoólico).

Mas seria deveras interessante se no Brasil tivéssemos práticas como: apedrejar adúlteras, matar quem adorasse uma imagem ou seguisse outros cultos que não os da sua igreja, castigar fisicamente fornicadores, matar homossexuais, matar que decide trabalhar de sábado ou blasfemar contra deus, mandar para fogueira os hereges, fundar nossa economia na escravidão, a termos um sistema de castas, proibir o carnaval, fornecer uma burka para as mulheres, isolar o sujeito por ser judeu, não dar direitos a um sujeito por ser estrangeiro, confiscar bens de pessoas por estar em guerra com o país do qual ela é oriunda, ter a mulher como um ser inferior, impedir a liberdade de pensar politicamente, entre outras façanhas.

Como vê isso tudo existe ou existiu um dia. Mas felizmente o mundo mudou e espero que continue, sempre assim, para melhor.

Assim a alegação de que não podemos julgar ninguém não é valida. O certo e o errado existem, variam e têm de assegurar a manutenção da sociedade, uma vez que o homem é um animal social, que, fora deste âmbito, seria extinto.

Mas muitas condutas que eram reprimidas nos Códigos de Hamurabi, e de Manu, Direito Chinês, Direito Romano, Direito Germânico e em sociedades que não possuem leis codificadas ainda continuam sendo reprimidas e continuarão por muito tempo, enquanto existir um grupo social de humanos.

Para concluir, se o relativismo é o ponto de vista verdadeiro, então minha ótica sobre a falsidade do relativismo é verdadeira? A verdade contradiz a si mesma? Claro que não!

Voltando à lógica, o que é verdadeiro, se assim foi detectada esta “verdade”, não trará contradições ao raciocínio e nos assegurará de fazermos as inferências corretas. Aqui professor o senhor se vale da reductio ad absurdum, mas procure olhar a realidade ao seu redor e olhar mais de perto as diversas culturas e seus padrões de certo e errado a fim de que possam viver em grupo.