sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Inconformismo do Pastor


O INCONFORMISMO DO PASTOR

Um artigo escrito pelo senhor Douglas Reis (Aqui) chamou-me muito a atenção, fiz as devidas criticas, mas como bom fundamentalista, falso e desonesto intelectual que é, para variar, me calou.

O artigo em questão intitula-se “O Evolucionismo de Cada Marcelo” e o foco é criticar a Teoria da Evolução como se isso automaticamente validasse a fantasia bíblica do criacionismo.

O Sr. Douglas se propõe a ponderar o que Marcelo Leite e Marcelo Gleiser defendem.


Marcelo Leite critica o posicionamento criacionista de Marina Silva e sua dubiedade onde, em um primeiro momento ela parece apoiar esta doutrina religiosa e em um segundo momento ela nega seu apoio. Deu-me a entender que Marina em seu íntimo é criacionista e por questões referentes ao “politicamente correto” não apóia formalmente esta idéia.

Vamos a nossa análise. Palavras do Sr. Douglas entre colchetes em azul; minhas em vermelho:
Aqui vai uma colocação do texto em que o Sr. Douglas Reis e sua total incompreensão do que é democracia e estado laico.

[O que é um Estado Laico? Certamente a expressão "laico" não adquire o sentido de "irreligioso" ou "ateu". Num Estado Laico não se pode beneficiar uma religião em detrimento de outras, o que caracterizaria favoritismo. Todos têm o direito de crer no que quiserem, isso é fato. Agora, cabe refletirmos:ensinar, ou mesmo cogitar a possibilidade alternativa de se ensinar o Criacionismo (como proposta científica) iria prejudicar a democracia em quê? Desde que alunos tenham a possibilidade de avaliar modelos de origens ou visões distintas da ciência, a democracia estaria salvaguarda - muito mais do que ao se beneficiar um modelo em detrimento de outros.]

Bem Douglas, vejamos:

Qual modelo de criacionismo deve ser implantado como "visão alternativa" da ciência referente à Teoria da Evolução? É a pergunta que não quer calar!!!
Existem “n” deles por ai, conforme cada versão religiosa. Se ensinar um em detrimento dos demais, prejudica-se a democracia sim e muito, ou seja, é dar respaldo a uma crença em detrimento das demais que existem no Brasil o que contraria a idéia de Estado laico.

Vejamos:

A Constituição da república Federativa do Brasil em seu artigo 5, inciso VI diz o segunte:

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Ou seja, ha uma proteção à liberdade da pessoa em pensar e crer naquilo quer bem entender no que se refere às suas ideologias e crenças religiosas.

Todavia, o que a ciência em si pesquisa, não se trata de fundamentos ideológicos ou teológicos, os quais se restringem à subjetividade individual, mas de questões objetivas, onde não importa o posicionamento político, religioso, ideológico, ou passional do indivíduo.

Assim, de forma alguma, em sendo formas de ciência e de se lidar com o conhecimento objetivo, a teoria da evolução, da relatividade, do eletromagnetismo, do big bang, da mecânica clássica, dos orbitais, etc. atentariam contra a liberdade de crença do indivíduo. Seus objetos de estudo necessitam de evidências concretas, colhidas no mundo real por meio do experimento e da observação.

Dessa forma, não interessa para o estudo científico a liberdade de consciência dos indivíduos. O que é coletado pelas evidências vale tanto para um cristão como para um pagão, pois estamos na esfera da objetividade, que jamais pode ser encarada como uma verdade absoluta acima de qualquer contestação.

A verdade objetiva é uma aproximação da verdade, pois a cada vez que um teste é empregado e as teses se confirmam, a teoria ganha credibilidade. Do contrário, abandona-se a teoria ou busca-se a correção daqueles parâmetros que se apresentaram não válidados pelos testes.

Mas quanto à idéia do criacionismo? Ela é atentatória à laicidade do Estado e à liberdade de consciência e de crença dos indivíduos?

Obviamente que sim, pois ao se dar preferência a um determinado modelo de criacionismo, os quais partem de subjetividades culturais, dá-se preferência a uma crença em detrimento de outra.

Nada, em termos científicos valida qualquer forma de criacionismo (os deuses respondem por tudo), ou tentativas subreptícias destes, como o design inteligente, o qual relega a um "criador inteligente" a responsabilidade da vida ser como ela é.

Ambas as idéias atentam contra:

  • À laicidade do Estado, pois em sendo a maioria das pessoas, no Brasil se dizem cristãs, estar-se-ia privilegiando esta forma de religião em detrimento das demais formas de crenças hoje presentes em nosso País, pois o Estado, ao incluir criacionismo como matéria obrigatória, estaria a promover uma forma religiosa, apenas o que diverge do conceito de Estado Laico que é aquele que não dá preferência a nenhuma vertente religiosa.
  • À liberdade de consciência e de crença dos indivíduos seria violada, pois haveria a obrigatoriedade de se pensar de uma forma uniforme, no que se refere à crença religiosa. Muitos indivíduos teriam a imposição de absorver conceitos que atentariam contra aquilo que sempre acreditaram em termos ideológicos e religiosos, o que se traduz em tolher a liberdade de livre escolha de crença. Todavia estabelecer como formas de estudo os "n" tipos de criacionismo, cada qual dentro da vertente religiosa/ideológica do indivíduo se faz impossível dentro de sala de aula, pois nada garante que não ocorreriam proselitismos.
Desse modo, as formas como as religiões abordam o mundo, são assuntos a serem tratados nos templos de suas respectivas crenças, ou em aulas, para quem quisesse, de filosofia das religiões, que abarcasse todas as suas formas, em todas suas nuances, desde as mais antigas, às mais atuais.

Sobre o aspecto liberdade de crença e de consciência, há e muito que se respeitar o direito das minorias (veja a questão do sábado para os adventistas).

Infelizmente, fundamentalistas (principalmente cristãos) agem assim: "Vinde ao meu reino; ao vosso uma banana." Belo exemplo de cristianismo (a cada dia vocês me decepcionam mais!!!).


Outro aspecto a ser considerado, é a análise do artigo 6 combinado com os artigos 205; 206, incisos I, II, III, VI e VII; artigo 210 parágrafo 1; artigo 215, parágrafo 1; artigo 216, incisos I a III e parágrafo 4 e artigo 220, parágrafo 2; todos da Constituição.

Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Nestes dois artigos, ambos firmam a educação como um direito de todos os brasileiros, sendo que no artigo 205, há clara disposição de que educar visa ao preparo do indivíduo ao exercício da cidadania e qualificação profissional.
Uma boa definição de cidadania encontrei aqui:

"Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade para melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca se esquecer das pessoas que mais necessitam."
Desse modo, pode-se concluir que a cidadania visa o desenvolvimento e o bem estar da nação.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
Aqui, todos devem ter sua igualdade respeitada pela escola, sem imposições de pensamentos que a violem ou estigmatizem indivíduos.
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
A liberdade de aprender, é aquela que o estudante tem de ter para se desenvolver nos diversos temas quando de seu aprendizado, bem como há o direito de que o saber seja divulgado.
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
O pluralismo de idéias se refere às formas de melhoria do ensino e o fomento ao debate em pról de que o aprendizado se desenvolva de forma clara e isenta, sem imposições de pensamentos e formas estanque.
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
A gestão democrática é a participação de todos no desenvolvimento do saber, ou seja, se trata da divulgação do conhecimeto.
VII - garantia de padrão de qualidade.
Toda escola tem de possuir padrão de qualidade a fim de capacitar o indivíduo ao seu futuro profissional. Não há que se ensinarem idéias falsas, ideologizações e impor-se limites ao aprendizado.
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
O ensino deve atentar ao relativismo cultural existente em nosso País, sem impor que um determinado valor sobrepuje os demais. Assim, há que se respeitar a crença e a ideologia de cada um.
§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
Quanto à religião, esta é facultada ao indivíduo querer ou não tê-la como disciplina, o que em nada atenta contra a laicidade do estado, uma vez que esta não é impositiva.
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
Tanto o caput do artigo, como seu parágrafo 1, protegem a diversidade das manifestações culturais do povo brasileiro, sem determinar que esta forma de cultura deve ser mais considerada que aquela.
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
Aqui, há que se respeitar à memória da diversidade de nosso povo em sua liberdade de expressão e modo de vida, além de se preservar a ciência, a arte e o desenvolvimento tecnológico.
§ 4º - Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
Neste parágrafo, aquilo que prejudique ou ameaçe o patrimônio cultural deverá ser punido na forma da lei. Isto é o Brasíl protege a cultura em suas diversas nuances.
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
Este artigo protege a liberdade de pensamento, a cultura, o desenvolvimento e a liberdade de expressão.
Quanto ao parágrafo 2, está vedada a censura às atividades culturais.
Em que o criacionismo atenta contra tudo isso?
Para o disposto no artigo 205, o criacionismo, em todas as suas formas, não prepara o indivíduo profissionalmente ou para a cidadania, pois não se trata de forma de conhecimento plausível ao desenvolvimento e ao aprendizado da biologia como consiste em prática violadora da liberdade de crença e, portanto, discrimina pessoas por sua forma de pensar. Ou seja, atenta contra a cidadania, uma vez que não visa desenvolver a nação e ao seu bem estar, mas a atender interesses individuais de seitas fundamentalistas.
No que se refere ao artigo 206, por sua prática ser exclusiva a uma determinada crença, estigmatizaria indivíduos que se recusariam a aceitar seus preceitos; tolhe a liberdade de aprendizado, pois dogmatiza o conhecimento limitando-o à crença religiosa; impede o pluralismo de idéias pois somente aquilo que é determinado pelo fundamentalismo cristão é o que deve ser debatido (ou seja, não ha debate); não abre espaço à gestão democrática, pois somente um grupo decidiria as questões do ensino e torna péssimo o padrão de qualidade das escolas no que se refere à abordagem científica, passando aos jovens e crianças uma falsa idéia do que é científico e do que é religioso ao mesclar ambas as formas de pensamento.
Em relação aos artigos 210 e 216, desrespeita a relatividade cultural do Brasil, suas formas de manifestação de pensamento, memórias dos grupos, modos de vida e valores, além de tornar, disfarçadamente, a religião cristã matéria obrigatória, a ser abordada nas aulas de biologia, prejudicando o conteúdo desta.
Sem dúvida o criacionismo, se levado a sério, causaria sérios danos ao patrimônio cultural brasileiro, uma vez que somente o cristianismo fundamentalista, em suas crenças e valores seria privilegiado.
É verdadeiro também que a criação científica estaria prejudicada, pois ao se ter falsas idéias nos ensinos médio e fundamental, a capacidade de pesquisa do indivíduo estaria restrita em disciplinas que, eventualmente, atentassem contra aquilo que foi implantado em sua mente a título de ideologia em defesa de uma crença. Ou seja, a igreja passaria a controlar o conhecimento.
No que se refere ao artigo 220, haveria restrição do pensamento, da informação e criação científica, pois somente o que os fundamentalistas determinariam é o que o indivíduo deveria aprender. Como exemplo prático, temos a atitude norte americana no que se refere ao ensino da evolução. Neste país, em muitos locais, os fundamentalistas cristãos desejam proibir o seu ensino nas escolas. Felizmente, são mal sucedidos em suas infindáveis batalhas judiciais.
No Brasil há clara vedação desta postura, referente à censura ideológica a restringir a informação, " o grande sonho fundamentalista", a fim de assegurar os seus interesses escusos.
Como podemos perceber, o criacionismo e seu correlato o DI, são poderosos instrumentos para causar dano ao desenvolvimento da nação, à tolerância a indivíduos e grupos distintos e à laicidade do Estado.
Assim, a idéia do criacionismo deve ser combatida em sua tentativa sorrateira de se infiltrar no ensino, travestido de ciência, de modo a cooptar indivíduos às crenças fundamentalistas, tornando-os fontes de rendimento fácil aos estelionatários religiosos que infelizmente, ainda estão aplicando seus golpes nas pessoas de boa fé e menos favorecidas intelectualmente.
Quanto à questão de aos alunos serem apresentadas "visões alternativas" da ciência, estas "visões alternativas” têm de ter evidências concretas que as apóiem. A ciência não se trata de uma plataforma para cada um expressar o que pensa, baseado em retórica sem fundamento lógico formal e protestar em contrário àquilo que atenta a sua ideologia.

O objetivo da ciência é entender nosso mundo, como ele funciona, de onde veio e para onde vai. Tal entendimento deve se pautar pelo concreto-objetivo e não por aquilo que achamos que deveria ser, como coloca o criacionismo.



A natureza não está nem ai para o que você crê ou deixa de crer, para seus valores, ideologias e sensos éticos. Ela é o que é. Está evoluíndo há 3,8 bilhões de anos e vai continuar assim por mais uns 5 bilhões de anos, até que nosso Sol morra.



Assim sr. Douglas, o lugar de se tratar a respeito de visões e vertentes religiosas, não é em sala de aula, mas no templo da sua respectiva crença.


[Um exemplo pode ser útil. Imagine que uma corrente de pensamento, a qual defendesse a infidelidade de Capitu (do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis), se impusse nos livros didáticos de Literatura. Entretanto, após a aceitação generalizada dessa corrente, surgisse uma outra, advogando justamente o oposto - a inocência de Capitu. Até aí, seria uma disputa justa entre formas opostas de pensamento. Mas, e se os professores que advogassem a primeira corrente conseguissem apoio e, através da sanção de uma lei, impedissem o ensino do pensamento diferente? Seria isso democrático? Favoreceria os educandos confiná-los ao acesso a uma forma de ver as coisas?]

Quanto a comparar o absurdo do criacionismo à trama de Dom Casmurro, confesso, isso foi bárbaro!! Até hoje, a suposta traição de Capitu, para a literatura nacional, é um mistério do Grande Machado (melhor escritor deste Páis, quiçá do mundo) que talvez nem ele mesmo soubesse responder.

Há muitas teses de graduação, mestrado e doutorado, em Literatura, que analisam esta questão.

Todavia, pertencem ao campo da lógica dialética, no que tange à análise das pistas deixadas por Machado, sejam elas contra ou a favor da traição de Capitu.

Entretanto, Dom Casmurro é uma obra de ficção e, certamente, Machado, com toda sua irreverência, plantou a dúvida em seus leitores.


Mas, quanto ao criacionismo, em suas pseudo-investigações, sequer se compara à trama ocorrida em Dom Casmurro.

Em um aspecto pode-se dizer que sim, pois criacionismo se trata de ficção; não literária, mas de fundamentalistas cristãos baseados em seus escritos sagrados, contextualizados fora de contexto.

Mas na realidade, diferentemente do que ocorre na obra de Machado, nada, absolutamente nada em termos científicos apóia o criacionismo ou o induz a um mero resquício de plausibilidade, a fim de que enseje uma outra versão dos fatos.


Em primeiro plano, porque a argumentação criacionista não é lógico-formal conforme se exige nas ciências, pois é a partir das evidências concretas que se podem tecer conclusões por meio da inferência lógica e o criacionismo não traz nenhuma.

Em segundo plano, porque sua argumentação é meramente dialética, ou seja, é de convencimento do leitor por meio da retórica, sem se preocupar com a concretude de suas evidências, que sequer existem. Sem considerar o fato de que a argumentação é falaciosa do tipo argumento da ignorância, ou seja o criacionismo está certo porque a ciência possui lacunas.

Tal forma de pensamento em nada se coaduna ao que é exigido pela ciência, nem tão pouco valida automaticamente as ideias sem fundamento do criacionismo e de seu correlato o DI.

Argumentos sem evidências concretas e recheados de artifícios falaciosos não significam nada na seara científica. Argumentos sem evidências são apenas posições de cunho pessoal, as quais não possuem valor como confirmação de nada, bem como falácias levam a incredulidade no que se refere ao argumentador.


Somente a fantasia cristã fundamentalista e seus pseudocientistas, que sequer se submetem ao escrutínio científico, tomam o criacionismo como uma visão alternativa da ciência e, pior, como uma verdade absoluta e incontestável acima de qualquer coisa.

Pergunto; É essa postura que significa fazer ciência?
Ou isso significa fazer proselitismo religiosa de modo a sustentar uma crença sem qualquer fundamento lógico - racional?

É engraçado que apenas cristãos fundamentalistas, em sua maioria, engajam-se nesse movimento. Muitos se passam por cientista; alguns até possuem credenciais científicas.
Na maioria, tais credenciais provêm de universidades de fundo de quintal, como a Bob Jonnes e Loma Linda, as quais não possuem nenhuma credibilidade no meio acadêmico, uma vez que são redutos formadores de fundamentalistas em defesa dos interesses cristãos na sociedade.

Já lhe disse isso várias vezes, Douglas, e você se nega a seguir este conselho:

“SEJA HONESTO CONSIGO MESMO!”

A mentira nobre somente existe se ela luta contra um sistema de injustiças, mas jamais deve ser usada para fazer proselitismos baratos, na defesa de ideologias, crenças religiosas e interesses escusos.

Desse modo, comparar a trama de Dom Casmurro ao conflito Teoria da Evolução X criacionismo, gerado por fundamentalistas inconformados com a inverdade de seus escritos sagrados, é uma falácia do tipo falsa analogia.

[Quanto ao segundo ponto, o que dizer de uma suposta "distinção fundamental" entre ciência e religião? Trata-e de uma típica falácia Argumentum ad Nauseam (na qual algo que é repetido à exaustão adquire foros de verdade). Criacionismo não é religião. Claramente, o Criacionismo tem pressupostos calcados no Teísmo bíblico (e isso no Ocidente; os muçulmanos também advogam um outro tipo de Criacionismo, o que não interessa aos propósitos dessa discussão). Se pensarmos no Evolucionismo, poderemos notar que sua matriz filosófica também norteia uma determinada praxis. Ambos os modelos trabalham com inferências, levantamento de dados, avaliação, hipóteses, construções de teorias, etc. As descobertas que fazem agregam conhecimento, mas não mudam a orientação filosófica dos modelos. Nesse aspecto, Criacionismo e Evolucionismo são similares. A prova é que os primeiros a empregarem o método científico eram... criacionistas!]


Estranho... algo que é pautado no teísmo bíblico não se trata de religião? Isso soa no mínimo paradoxal, para não dizer patético e incoerente Douglas!!! Seria ignorância de sua parte, ou seria falta de honestidade intelectual? Particularmente, me posiciono como sendo um misto de ambas.




É obvio que todo o conhecimento humano está calcado na filosofia. Todo e qualquer modelo científico faz suas inferências levantamento de dados, avaliação, hipóteses, construções de teorias, etc.
Porém, entre a ciência e a pseudociência há uma pequena diferença que se torna um grande problema:
Na pseudociência, os autores não se submetem ao escrutínio científico, e se porventura o fizerem, serão reprovados. Na ciência, os autores se submetem a este escrutínio e seus trabalhos são constantemente testados e revisados por pares, a fim de que se confirme ou se rechace a teoria construída.



Douglas, o fato de muçulmanos, wiccas, taoistas, hinduístas e macumbeiros advogam seus criacionismos, isso não valida automaticamente nenhum deles, no que se refere à ótica científica. Esta lida com questões objetivas, aqueles, com questões subjetivas, pertencentes ao seio de cada cultura deste planeta.



Adorei sua postura de pseudodemocrata fundamentalista! Realmente, os demais criacionismos não interessam, sob a ótica cristã de ver o mundo.

Maravilha!!! Você chegou onde eu queria!
Esse é o verdadeiro pluralismo cristão. Enquanto a discussão está no âmbito de promover a minha crença tudo bem...
Se for o criacionismo bíblico se batendo para desbancar a ciência, tudo bem.
Mas, e um embate de criacionismos para fomentar o pluralismo; que tal? Qual dos “n” criacionismos é o mais verdadeiro? O bíblico ou os demais?



Demonstre essa questão por meio de evidências científicas e não por meio de conversa mole que diz o que o ouvinte quer ouvir. Lembra de todo aquele debate sobre lógica formal e dialética que você me calou ao final? Pois é, aqui temos o exemplo de como elas se aplicam.



Simplesmente, Douglas, o criacionismo não é ciência pelo fato de não se pautar no método científico. Sua premissa base (Deus) é uma petição de princípio, sem nada que a evidencie ou respalde de modo concreto.
Ao contrário, a ciência para construir uma teoria tem de ter base sólida em evidências. Estas têm de passar pelo escrutínio científico.

Quando o criacionismo se submeteu ao escrutínio científico ou a uma revisão por pares elaborada por cientistas sérios? Traga-me uma única evidência concreta do criacionismo que tenha passado pelo escrutínio científico. Apenas uma.



Dizer que os precursores da ciência eram criacionistas, isso é um argumento completamente descontextualizado. Os exemplos clássicos como Newton, Kepler, Galilleo, etc. viveram em uma época complicada.
Se a pessoa se posicionasse contra os preceitos da igreja, ou morreria ou seria presa. Além disso, o conhecimento era algo que estava começando a ganhar corpo e assim muito ainda era atribuído a Deus.



Tal forma de argumentar, Douglas, também não traz qualquer validade ao criacionismo. Se estes autores vivessem hoje, certamente seriam os primeiros a ir contra todo esse arcabouço de idéias sem sentido que os criacionistas pregam.




No segundo ponto, Marcelo se preocupa com uma questão antiga: o argumento da primeira causa. Gleiser trabalha no sentido de negar a necessidade dessa causa.

Marcelo Gleiser afirma: “A ciência não se propõe a responder a todas as perguntas. E por um motivo simples: nós nem sabemos que perguntas são essas. Dado que jamais teremos um conhecimento completo da realidade, jamais poderemos construir uma narrativa científica completa."



[Oposto ao triunfalismo disfarçado de Marcelo Leite, que desqualifica o Criacionismo, vociferando que só o Evolucionismo é ciência, o seu homônimo expõe a debilidade da ciência, afirmando coisas que fariam Dawkins corar - de raiva! Em seu livro, O Capelão do Diabo, Richard Dawkins escreve um capítulo contra o relativismo na ciência, reivindicando a condição da ciência como detentora do verdadeiro conhecimento. Contudo, Geisler prefere a essa certeza máxima a "simplicidade do não-saber". Curiosamente, os darwinistas acusam cristãos de fomentar a ignorância e de crerem no que não podem explicar! ]


Douglas, a ciência responde aquilo que se encontra no mundo material (o natural), ou seja, lida com questões objetivas. Daí ela ser realmente a detentora do conhecimento.
O que está no mundo sobrenatural não é objeto da ciência, uma vez que esse mundo carece de evidências palpáveis, além de ser altamente subjetivo conforme cada cultura existente neste planeta.



A ciência lida com objetividade, com conhecimento que vale tanto para a cultura japonesa como para a congolesa.
Quanto aos criacionismos, será que aquele que os japoneses acreditam é o mesmo que o dos congoleses? Obviamente que não, pois são culturas com crenças, ideologias, valores e sensos éticos distintos uma da outra.



A ciência Douglas, ela consiste em:
  • observar as coisas e os fatos que se passam ao nosso redor;
  • procurar descobrir o que significam as coisas e os fatos e as regras segundo as quais se comportam;

  • por fim, aplicar essas descobertas para o uso e bem estar do planeta e de todos os seus seres viventes.



Não saber algo não se trata de propagar a ignorância, mas admitir que ainda não temos como responder muitas questões que surgem em nosso dia-a -dia.

Todavia, deter o conhecimento ou saber da existência de fontes que possuem credibilidade mas criticá-las sem fundamento, dissimular e valer-se de ardis em prol de interesses escusos e passar uma falsa idéia ao ouvinte despreparado, sim. Esta atitude é a propagação da ignorância em sua essência.



Como exemplo de atitude propagadora da ignorância, é dizer que um local tem marcas de inundação, logo isso confirma o modelo antediluviano. Esta forma de tratar questões científicas é uma idiotice desmedida, além de passar uma falsa idéia da ciência, pois não há evidências concretas de tal evento.
É o mesmo que eu dizer que sou saudável porque dou maçã ao gnomo que vive em minha casa ou porque tenho um amuleto com um trevinho de 4 folhas ou porque como testículos de tigre.



Tomar o criacionismo como ciência é o mesmo que se ler a sorte no tarô, em vez de usar o conhecimento estatístico para aplicar na bolsa de valores, se valer de curandeirismo para curar uma infecção, em vez do atendimento médico adequado, ou dançar para os deuses fazerem chover, em vez de bombardear as nuvens com cloreto de sódio.
Caso haja falsas idéias, ardis e subterfugios dando uma falsa impressão de verdade a uma teoria científica, o próprio método a rejeitará. Caso venha a passar pelo escrutínio científico, seus dias estarão contados.
O exemplo prático, é a farsa do homem de Piltdown e do Archaeoraptor liaoningensis. Não foi nenhum pseudocientista criacionista que atestou estas falsidades, mas sim cientistas sérios em seu árduo trabalho de pesquisa, por meio do método científico.

Assim, Douglas, adaptar fatos ao seu livro sagrado e varrer o que não interessa para baixo do tapete, se denomina desonestidade intelectual atada ao fundamentalismo religioso.



[A declaração final de Geisler é tentadora, no sentido de favorecer uma leitura que a ampliasse, tornando-a um severo juízo sobre a própria cosmovisão evolucionista (embora, muito provavelmente, o autor não quisesse dar a entender isso): "[...] prefiro continuar tentando [ao invés de admitir Deus como causa primeira] e aceitar que, por ser humano, minha visão de mundo tem limites." ]

Chutar o que ainda não sabemos para os deuses, Douglas, é o muro que se constrói além do qual não se pode ir, ou seja, é o limitar o conhecimento, que pode ser traduzido em propagar a ignorância.

Tal postura é confundir o insondado (o que ainda não sabemos e não temos tecnologia para tal) com o insondável (o que os reles mortais jamais compreenderão, pois as divindades assim desejam). É dar uma falsa idéia ao interlocutor de que nada se resolve sem os deuses.

Assim, é melhor continuarmos tentando a nos entregarmos ao misticismo, à crendice e à ignorância.


[Nas duas colunas analisadas, percebe-se que velhos preconceitos impedem os autores de encarar pressupostos com base religiosa apenas pela própria base religiosa. Este tipo de falácia genética, infelizmente, tem marcado a nossa época, impedindo uma averiguação racional de pressupostos cristãos. Esperemos que mais consideração sobre causas e efeitos favoreçam o debate, substituindo o preconceito, promotor de um não-debate, o qual a ninguém favorece.]
Douglas, entenda que religião é uma forma dogmática de se pensar. Parte-se da petição de princípio (deuses) e se constrói toda uma “teologia” ou sistema ético-filosófico que se vislumbra incontestável e acima de toda e qualquer outra forma de pensamento que o contradiga ou que demonstre suas falhas.

Não há base racional para o cristianismo ou qualquer outro "ISMO", pois estes são crenças baseadas em dogmas e, portanto, fogem a discussão lógico-formal exigida pelas ciências. Nem evolucionismo é racional, pois este é a teoria de Herbert Spencer (Darwinismo Social), que nada tem a ver com Teoria da Evolução.

A discussão de tais preceitos se perfaz por meio da lógica dialética, a qual busca convencer o ouvinte, não por evidências concretas, mas pelo argumento.


Questões cientificas são zetéticas, ou seja, parte-se de uma observação e tenta-se entende-la, por meio de inferências, dados, comparações, resultados, etc. Por trás de um porquê, há infinitos por quês, que levam a infinitos questionamentos sem que se chegue a um ponto estanque.

Vejamos o ponto estanque do criacionismo cristão é Deus, pois Ele é verdadeiro porque está na bíblia e esta é verdadeira porque foi inspirada por Ele. Mas saindo da circularuidade, qual a evidência concreta Dele?
Já dentro da Teoria da Evolução não há o estanque “Darwin disse ... Amém!!!” Se assim o fosse, ainda estaríamos elocubrando sobre a complexidade do olho. Pois não ousaríamos ir além do que nossa celebridade pensou e escreveu. Darwin não explicou a complexidade do olho simplesmente por falta de conhecimento a sua época.

Mas, para a infelicidade dos criacionistas, suas hipóteses de partir de algo simples para algo complexo se confirmaram no que se refere ao olho, à coagulação e ao flagelo bacteriano.




Quanto ao preconceito aventado, este não existe. É mais um choramingo de criacionistas, um argumento da piedade para justificar a ausência de evidências de suas mirabolâncias, que realmente é algo a ser considerado para derrubar suas fantasias sem nexo.




Considerando a pluralidade no que se refere ao debate, que tal, Douglas, se eu fosse ao púlpito de sua igreja falar sobre as impossibilidades e a implausibilidade da criação bíblica? Seria a hora, o local e as pessoas certas?




Agora, inverta a situação; é interessante vc ir a uma escola/universidade falar de criacionismo (religião) em plena aula de biologia, geofísica ou astrofísica? Obviamente que não, pelos mesmos motivos acima.




A atitude de criacionistas ao advogarem a promoção de um falso debate, Douglas, se chama desonestidade intelectual para com as pessoas. Principalmente contra jovens, crianças e pessoas leigas de boa fé.
É passar uma falsa idéia de algo ( a ciência e seu desenvolvimento), ou seja, é agir com dolo, é mentir. Traveste-se a religião de ciência a fim de promover sua crença em detrimento das demais, contrariando preceitos constitucionais de liberdade religiosa e ensino adequado, além de auferir vantagens por meio do ardil e do subterfugio.




Ou seja, vossa conduta é criminosa (art. 171 do Código Penal ) e é denominada de Estelionato, punível com 1 a 5 anos de reclusão e multa, além de ensejar indenização cível pelos danos materiais e psicológicos causados às vítimas (alienação da realidade por meio de lavagem cerebral).
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
Quer promover sua crença; faça em seu templo ou nos locais e de forma adequada.



A questão de se posicionarem tão ferrenhamente contra teorias que atentam contra vossa ideologia, Douglas, é que vocês, como bons fundamentalistas que são, têm medo de seu séquito passar a cogitar que somos animais, produtos de contínua evolução das espécies e, portanto, não somos feitos à imagem e semelhança de nada que seja divino.

Aliás, as pessoas começarem a pensar é um problema sério para os dominadores.
Aqueles podem começar a contestar estes e perceber a farsa de 2 mil anos do cristianismo promovida por seus divulgadores e, logo concluir que seu deus mequetrefe é uma mentira criada por espertalhões, em busca de controle da sociedade, em favor de seus interesses próprios.


Se somos produtos de uma evolução constante, não existe pecado original. Portanto, ninguém precisa ser salvo de nada. Assim, sua crença vai por água abaixo. Consequentemente, os fiéis debandariam, as finanças do templo cairiam, o que atentaria contra os interesses financeiros de muita gente. Ou seja, mexeu no meu bolso, mexeu comigo!!!



Tudo Douglas é uma "Questão de Confiança" em ser transparente, que é o quê você não é nem um pouco. Sequer aceita críticas de seus pensamentos patéticos e esvaziados de significado concreto.

Resumindo, você é mais um dos escritores de argumentos e textos BCOs ( Bons para Crentes Otários) porque crente esperto não se deixa engrupir por nada disso.



Afinal, gostaria de saber; qual é a de vocês? Em 200 anos de Darwin, ainda estão sendo atormentados pelas idéias dele? Tais idéias, em muito pontos, se encontram devidamente confirmadas, sendo boa parte no decorrer desse par de séculos. Qual a finalidade de promoverem suas “jihad/cruzadas” anticientíficas e obscurantistas?




Responda se puder. Seja transparente, ético e honesto, ao menos uma vez. Não me venha com aquele papo de salvar as pobres almas do fogo do Inferno e das garras do inimigo.



Meus caros criacionistas, Freud já deu o 3 golpe na humanidade (a questão da consciência ser a instância menos importante de nosso cérebro). Vocês estão bem atrasadinhos em sua luta!





Infelizmente Douglas, evolução, big bang e muito da teoria da origem da vida já são fatos. Em vez de ler a masssiva produção de lixo criacionista, leia revistas e artigos sérios da Nature, Scientific American e compre livros de biologia, astrofísica, bioquímica e química.


Quanto aos deuses estes ainda estão no mundo da fantasia, impotência e medo humano. O mesmo Sr. Freud observou o amiguinho imaginário, estudado na análise infantil. Tal situação é análoga à crença em divindades.





Ao se atribuir a este amigo imaginário, denominado divindade, seus sentimentos, valores, desejos, decisões, etc, a pessoa acaba por se anular e não mais é capaz de tomar uma atitude por si mesma. Torna-se um dependente da divindade, a qual se torna aquele ser que a protege e a ajuda em todas as dificuldades da vida.


Se um dia as coisas derem errado, a pessoa dependente da divindade poderá entender que esta a abandonou e assim sua vida corre sérios riscos de ir por água abaixo.






Há situações que evoluem para a esquizofrenia como ouvir que a divindade fala com o indivíduo, que ela se materializa ou que comanda o seu viver.


A pior fase ocorre quando o indivíduo começa a pensar estar fazendo o trabalho divino por ser um dos escolhidos da divindade. Este sentimento evolui para a tentativa de conversão das pessoas, por meio da pregação de sua verdade pessoal.




Quando rejeitado, o indivíduo passa a amedrontar aqueles que não lhe dão crédito com a danação eterna e com castigos que serão lançados pela divindade.


Se esta atitude não funcionar, a pessoa com o complexo de messias e seu séquito de dependentes podem tornar-se agressivos, injuriando ou mesmo chegando às vias de fato.

Neste ponto, necessitam de tratamento psiquiátrico ou mesmo serem tirados de circulação.




A necessidade da religião, Douglas, se dá pela segunte questão que como seres humanos temos de enfrentar: tememos morrer e acabar para sempre e percebermos que tudofoi em vão. Por isso, precisamos avidamente de uma válvula de escape para esta questão, que nos atormenta desde que tomamos consciência da vida.

Aqui surge a religião, vendendo o que não pode cumprir e dando uma esperança implausível, por meio da ilusão de termos um espírito, àqueles que querem ser eternos. As crençasprometem e prometeram a reencarnação, o juízo final e os escolhidos de Deus, a ida ao Valhala, o Nirvana, o Paraíso, as montanhas azuis, etc.




Em contrapartida, buscam auferir vantagens materiais aos seus pregadores e templos com a rica venda de ilusões aos seres humanos que não admitem o seu fim.

Todavia, nada em nossa vida é em vão, mesmo que um dia tenhamos um fim, pois deixamos um legado àqueles que virão no futuro.

Este legado deve ser a liberdade, a justiça, a verdade, a ética, a tolerância, a transparência, o conhecimento, o amor ao nosso mundo.

Jamais a mentira, o medo, o preconceito, a falsidade, o paradoxismo, a ignorância, a dissimulação, a intolerância, a presunção, o interesse próprio e a escravidão promovidos pela religião fundamentalista a qual você defende com tanto ardor.


Infelizmente, Douglas, me calar quando atento contra sua ideologia e suas fantasias insólitas é o seu costume. Cuidado, o amiguinho imaginário (Deus) está vendo suas infâmias, leviandade, desonestidade intelectual e seu falso cristianismo.




Ser honesto, meu caro, começa em sermos conosco mesmos. É examinarmos tudo o que defendemos, em relação aos seus prós e contras, a fim de sermos imparciais em nossas atitudes e juízos de valor.




Depois, fazemos isso com os demais a fim de encontrarmos a justiça e a democracia, não como conceitos vazios desprovidos de qualquer significado, como é o que mais se faz neste País e como, claramente, notei em seu texto (a democracia e a justiça apenas para o meu grupinho).




Mas como princípios norteadores de uma sociedade igualitária, honesta, transparente e para todos, sem se dar preferência a este ou àquele indivíduo, a esta ou àquela ideologia/crença religiosa/cultura, em detrimento das demais.
Ser democrático e justo é ser honesto com os jovens, crianças, idosos, desesperançosos e menos favorecidos, sem transformá-los em presas fáceis de nossos interesses escusos.

É ser transparente, aceitar críticas quando erramos, sabermos que não somos os donos da verdade e que nossa forma de pensar, no que tange às nossas ideologias e crenças, é apenas mais uma nessa vastidão que é a mente do ser humano em suas diversas nuances culturais.



Conclusão:

Ao longo desta explanação, pôde-se claramente perceber que o criacionismo viola diversos dispositivos constitucionais, além da disseminação de suas ideias ser poderoso artifício utilizado como meio para a prática criminosa do estelionato das igrejas fundamentalistas.

Cada um pode crer no que bem entender, desde que não atente contra a liberdade dos demais, ao desenvolvimento da nação e aos valores e diversidades culturais de nosso povo, com a imposição de sua forma ideológico - religiosa de pensar, tratando esta como se fosse a única verdade acima de tudo.

Ciência não se trata de subjetivismos ou crença cega em algo, mas em forma objetiva de entendermos como é porquê as coisas são conforme se apresentam.
É Douglas....
O debate deve existir, desde que as idéais sejam as de vocês e em prol de seus interesses.
Pena... para alguém que fala tanto em democracia, liberdade, justiça, pluralidade de pensamento, você agir me censurando.
Isso somente demonstra que não tem a mínima noção do que são os conceitos acima, bem como sua atitude é contraditória com aquilo que prega.
Para mim, vc se tornou uma "QUESTÃO DE DESCONFIANÇA".
SEJA HONESTO, ÉTICO E TRANSPARENTE DOUGLAS!
Se não pode ou tem medo de sê-lo comigo e com as demais pessoas, seja consigo mesmo.
Promova o debate em vez de se esconder por trás da censura, fingindo que ninguém é contra suas idéias ou então, tranque o seu blog para qualquer comentário.
Passe bem

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Mistério do Sexo Parte 19 (Ufa!! a última!!!)

11 - CONCLUSÃO:

A existência do sexo tem desafiado a mente de grandes evolucionistas desde o século passado. Muitas hipóteses foram propostas tentando identificar o principal benefício da reprodução sexuada.

Muitas obtiveram certa popularidade por algum tempo, mas depois foram deixadas de lado. Outras foram revistas e voltaram ao cenário científico após terem sido quase esquecidas.

A teoria da Rainha Vermelha, desde sua apresentação, foi inúmeras vezes desafiada, o que é demonstrado pelo grande número de trabalhos já publicados a seu respeito. No entanto, ao que tudo indica, a Rainha Vermelha, assim como Alice, continuam correndo à frente de seus adversários.

Os parasitas evoluem constantemente para maximizar sua infecciosidade e otimizar sua virulência, enquanto os hospedeiros tentam, por sua vez, evoluir rapidamente minimizar essas propriedades dos parasitas. Se um deles conseguir uma vantagem evolucionária significativa, isso poderá levar à extinção do outro.

A bem da verdade, se parasitas tivessem desenvolvido consciência, a última coisa que iriam desejar seria a morte de seu hospedeiro. Sem hospedeiro, sem lar e sem alimento.

Assim, o sistema imunológico dos hospedeiros tentará combater os parasitas que aos poucos vão se modificando para driblar o contra-ataque do organismo e, assim, sucessivamente.

Dessa forma, parasitas bem sucedidos e hospedeiros bem sucedidos estão sempre em um “equilíbrio” competitivo, no qual não há perdedores nem vencedores definitivos, apenas a co-evolução constante que mantém o status quo. Esse equilíbrio foi denominado de a dinâmica da Rainha Vermelha.

À primeira vista, a co-evolução de parasitas e hospedeiros pode não parecer bem balanceada, pois sabemos que os parasitas evoluem mais rapidamente do que os hospedeiros, por três motivos: maior tamanho populacional, tempos de geração mais curtos e elevadas taxas de mutação. Por essa lógica, os parasitas deveriam ganhar sempre.

Entretanto, sabemos que isso não é o que ocorre em populações naturais. A solução para esse aparente paradoxo foi fornecida pela primeira vez pelo grande evolucionista inglês William D. Hamilton (1936-2000), que mostrou que o equilíbrio podia ser mantido se os hospedeiros adotassem a reprodução sexuada.

Em reproduções assexuadas (onde não há troca de gametas), indivíduos se reproduzem praticamente produzindo clones de si mesmos, como é o caso de bactérias. Obviamente, nada na natureza é perfeito, apesar de parecer tudo lindinho a um primeiro momento. Reproduções assexuadas proporcionam pouca variação genética.

Em contrapartida, quando você tem uma reprodução sexuada (com troca de gametas), genes do pai se combinam com genes da mãe. Nem sempre dá pra se prever como será essa combinação e o que vai resultar dela.

A taxa de ariação genética é muito maior e, portanto, maior probabilidade de termos proles com variabilidade genética maior. Se somarmos a isso o fator das mutações, elevamos essa variabilidade, tornando cada hospedeiro um ambiente singular para o parasita e dificultando a sua adaptação.

Assim, mesmo que o pai não tenha resistência a um determinado agente infeccioso, características maternas poderão compensar isso, dando aos filhos maiores chances de combater as infecções.

Claro que essa combinação também poderá acarretar numa doença genética; na natureza nada é perfeito.

Ainda assim, geralmente esse mecanismo é tão eficiente que permite que o hospedeiro tenha resistência natural à infecção por parasitas que ele sequer encontrou. A partir desse raciocínio, Hamilton propôs que, evolucionariamente, o sexo emergiu como uma estratégia para lidar com parasitas e que representa uma real vantagem para as espécies.

O sexo propiciou uma melhor adaptação e condição de sobrevivência, indivíduos que se reproduziam sexuadamente tiveram melhores capacidades de continuarem vivos e gerarem mais descendentes.

Como vimos, seres humanos e seus parasitas, muito especialmente o Plasmodium, estão há milênios aprisionados no processo coevolucionário antagonístico constante da Rainha Vermelha.

Mas a nossa espécie é a única que tem consciência da própria evolução. E ela desenvolveu uma nova maneira mais rápida e eficiente de evoluir, por meio da cultura.

A evolução cultural é muito mais rápida e eficiente que a biológica, pois não depende de transmissão genética vertical. Em vez disso, ela recorre ao uso da linguagem e do aprendizado para transmissão vertical bidirecional (de pais para filhos e vice-versa) e também transmissão horizontal (entre indivíduos não-aparentados).

Nesse sentido, a evolução cultural é altamente “contagiosa” e se tornou muito mais importante para a espécie humana que a evolução biológica. A evolução cultural permitiu o desenvolvimento da ciência e da medicina e, mais recentemente, levou ao estudo detalhado e elucidação dos genomas do ser humano e de seus principais parasitas.

Pode parecer otimismo excessivo, mas é possível que o estudo detalhado da constituição genômica de seus inimigos parasitas finalmente permita ao Homo Sapiens adquirir a vantagem evolucionária que lhe permita escapar do jugo da Rainha Vermelha.

Também vale citar que os avanços tecnológicos nos permitirão ocupar os mais diversos ambientes, seja aqui mesmo na Terra, seja em outros mundos, nos fazendo também escapar das artimanhas do bobo da corte.


Desse modo, tratar a origem do sexo como algo que somente uma entidade sobrenatural ou infinitamente inteligente pudesse ter idealizado é uma grande tolice que não explica nada.

A função deste argumento da ignorância é “chutar” o problema adiante sem resolvê-lo além de gerar mais dúvidas que somente seriam respondidas por questões teológicas, as quais não fazem parte do escopo científico.

Argumentos retóricos como faz o criacionismo e a sua “carinha” nova, o DI, não são nada quando se tratam de ciência. Estes argumentos não podem estar baseados em meras convicções pessoais, mas em observações e confirmações científicas, conforme tentamos fazer ao longo deste trabalho.

Podemos especular, mas de forma alguma estas especulações devem ser tomadas como verdades absolutas acima de tudo. A verdade, que jamais pode ser entendida como absoluta, o que a tornaria imune a qualquer contestação, somente ganha respaldo por meio das devidas confirmações de nossas hipóteses.

A partir das confirmações ou não confirmações de nossas hipóteses é que construímos as teorias, as quais a todo tempo são submetidas a testes que não importa se as sustentarão ou as rechaçarão.

O que importa é que nos aproximemos da verdade objetiva a fim de podermos entender como a natureza funciona, assim nos aproximando de verdades universais sob determinadas condições. E.G. água ferve a 100o C a 1 atm, ao nível do mar seja no Japão, Austrália, França, Brasil, Sibéria ou Madagascar.

Os desígnios dos deuses, jamais devem ser considerados como respostas plausíveis aos questionamentos da natureza e da vida, pois estão presentes no subjetivismo de cada cultura e de cada indivíduo, não se tratando, de forma alguma, de verdades universais, mas de verdades absolutas a cada um dos círculos culturais onde se originaram. Tais concepções de deuses e seus desígnios seriam muito diferentes, no Japão, Austrália, França, Brasil, Sibéria ou Madagascar.

O Mistério do Sexo Parte 18

10.2.3.3 - Sistemas de complexidade irredutível:



Quanto aos sistemas de complexidade irredutível, estes não são tão irredutíveis assim, conforme apregoou Behe e como vivem a repetir os “neo-criacionistas”. Este tópico merece esclarecimentos mais profundos no que se refere à abertura da “Caixa Preta de Behe” e os segredos nela encerrados.


Vejamos:

10.2.3.3.1 - Resposta da Comunidade Científica para a complexidade irredutível

Da mesma forma que o design inteligente, o conceito que pretende apoiar, a complexidade irredutível falhou em obter aceitação notável dentro da comunidade científica. Um autor sobre ciência chamou ela de "estratégia da rendição intelectual completa."


10.2.3.3.2 - Redutibilidade de sistemas "irredutíveis"

Caminhos evolutivos potencialmente viáveis foram propostos para todos os sistemas alegados irredutivelmente complexos, como a coagulação do sangue, o sistema imune, e o flagelo, que eram os três exemplos que Behe usou. Mesmo seu exemplo de uma ratoeira foi demonstrado como redutível por John H. McDonald.

Se a complexidade irredutível é um obstáculo intransponível para a evolução, não deveria ser possível sequer conceber estes caminhos - Behe comentou que estes caminhos plausíveis derrotariam seu argumento.

Niall Shanks e Harl H. Joplin, ambos da East Tennesse State University, mostraram que os sistemas que Behe caracterizou como tendo complexidade bioquímica irredutível podem surgir natural e espontaneamente como resultado de processos químicos auto-organizados.

Eles também apontam que os sistemas bioquímicos e moleculares que evoluíram apresentam "complexidade redundante"-um tipo de complexidade que é o produto da evolução de um processo bioquímico.

Eles também apontam que Behe superestimou a significância da complexidade irredutível por causa de sua visão simples e linear das reações bioquímicas, resultante na sua seleção de instantes de funcionalidades seletivas de sistemas, estruturas e processos biológicos, ao mesmo tempo que ignora a complexidade redundante do contexto em que estas funções estão naturalmente inseridas. Também criticaram sua dependência de metáforas simplistas demais, como a da ratoeira.

Além disso, a pesquisa publicada no Nature, uma publicação que faz peer-review, demonstrou que as simulações de computador da evolução demonstraram que é possível que a complexidade irredutível evolua naturalmente.

É esclarecedor comparar uma ratoeira com um gato, neste contexto. Os dois normalmente funcionam para controlar a população de ratos. O gato tem muitas partes que podem ser removidos deixando-o ainda funcional.

Por exemplo, sua cauda pode ser encurtada, ou ele pode perder uma orelha em uma luta. Ao comparar o gato e a ratoeira pode-se ver que a ratoeira (que não é um ser vivo) apresenta melhor evidência, em termos de complexidade irredutível, de design inteligente, que o gato.

Mesmo para a analogia da ratoeira, vários críticos demonstraram formas em que as partes da ratoeira poderiam ter usos independente ou poderiam ser desenvolvidas em estágios, demonstrando que ela não é irredutivelmente complexa.

Além disso, mesmo os casos onde a remoção de um certo componente em um sistema orgânico causa a falha do sistema, não demonstram que o sistema não poderia ter sido formado em um processo evolucionário, passo-a-passo.

Por analogia, arcos de pedra são irredutivelmente complexos - se você remover qualquer pedra o arco irá colapsar - mesmo assim eles são construídos facilmente, uma pedra de cada vez, se usarmos de um molde que será removido depois.

De forma similar, arcos de pedra que acontecem naturalmente são formados pelo desgaste de blocos de pedra que foram formados anteriormente. A evolução pode trabalhar para simplificar ou para complicar. O que leva à possibilidade que funções biológicas irredutivelmente complexas podem ter sido obtidas em um período de complexidade crescente, seguido por um período de simplificação.

Em abril de 2006 uma equipe de cientistas liderada por Joe Thornton, professor assistente de biologia no Centro de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade do Oregon, usando técnicas para ressurreição de genes antigos, pela primeira vez reconstruiu a evolução de um sistema molecular de complexidade aparentemente irredutível. A pesquisa foi publicada no exemplar de 7 de abril da revista Science.

Parece que a complexidade irredutível não existe realmente na natureza, e os exemplos dados por Behe e outros não são de fato irredutivelmente complexos, mas podem ser explicados em termos de precursores mais simples. Há também uma teoria que desafia a complexidade irredutível chamada variação facilitada.

A teoria foi apresentada em 2005 por Marc W. Kirschner, um professor e chefe do Departamento de Biologia de Sistemas na Escola de Medicina Harvard, e John C. Gerhart, um professor em Biologia Celular e Molecular, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Em sua teoria, eles descrevem como certas mutações e mudanças podem causar uma complexidade aparentemente irredutível. Assim, o que parece ser uma estrutura irredutivelmente complexa é apenas "muito complexa", ou então elas não são bem compreendidas, ou não são bem representadas.

10.2.3.3.3 - Adaptação gradual a novas funções

Os precursores de sistemas complexos, quando não são úteis por si mesmos, podem ser úteis para executar outras funções não relacionadas. Biólogos evolucionistas argumentam que a evolução muitas vezes trabalha desta forma cega e atrapalhada, em que a função de uma forma anterior não é necessariamente a mesma função da forma posterior.

O termo usado para este processo é "exaptação". O ouvido médio dos mamíferos (derivado de um osso da mandíbula) e o polegar do panda (derivado de um osso do pulso) são considerados exemplos clássicos.

Um artigo de 2006 na Nature demonstrou estados intermediários que levaram ao desenvolvimento do ouvido em um peixe do Devoniano (cerca de 360 milhões de anos atrás). Além disso, pesquisas recentes mostraram que os vírus representam um papel inesperadamente grande na evolução, ao combinar genes de vários hospedeiros.

Os argumentos da irredutibilidade geralmente assumem que as coisas começam da mesma forma que elas terminam, como as vemos hoje. Entretanto, este pode não ser necessariamente o caso.

No julgamento de Dover uma testemunha da acusação demonstrou esta possibilidade usando a analogia da ratoeira de Behe. Ao remover várias partes, a testemunha tornou o objeto inútil como ratoeira, mas apontou que era agora um prendedor de gravata perfeitamente funcional, embora feio.

10.2.3.3.4 - Falseabilidade e Evidências Experimentais

Alguns críticos, como Jerry Coyne (professor de biologia evolucionária na Universidade de Chicago) e Eugenie Scott (antropólogo físico e diretor executivo do Centro Nacional para Educação de Ciências) argumentaram que o conceito de complexidade irredutível, e de forma mais genérica, a teoria do design inteligente não é falseável, e, portanto, não é científica.

Behe alega que a teoria de que sistemas irredutivelmente complexos não podem ter evoluído pode ser falseada por um experimento onde tais sistemas evoluam. Por exemplo, ele propõe pegar bactéria sem flagelos e impor uma pressão seletiva a favor da mobilidade. Se, após alguns milhares de gerações, a bactéria evoluir um flagelo, então Behe acredita que isto iria refutar sua teoria.

Outros críticos tomaram uma abordagem diferente, apontando para evidências experimentais que eles acreditam falsearem o argumento da complexidade irredutível do Design Inteligente. Por exemplo, Kenneth Miller cita o trabalho em laboratório de Barry G. Hall na E. coli, que ele aponta ser uma evidência que "Behe está errado."

Outra evidência de que a complexidade irredutível não é um problema para a evolução vem do campo da ciência computacional, onde análogos computacionais dos processos da evolução são rotineiramente usados para projetar automaticamente soluções complexas para problemas.

Os resultados destes Algoritmos Genéticos são freqüentemente irredutivelmente complexos já que o processo, como a evolução, tanto remove componentes não essenciais com o passar do tempo, como acrescenta novos componentes.

A remoção de componentes não usados sem função essencial, como o processo natural onde a rocha sob um arco natural é removida, pode produzir estruturas com complexidade irredutível sem a necessidade da intervenção de um projetista. Os pesquisadores que aplicam estes algoritmos estão produzindo automaticamente projetos humanos competitivos - mas nenhum projetista humano é necessário.


10.2.3.3.5 - Apelo à ignorância

Os proponentes do design inteligente atribuem a um designer inteligente as estruturas biológicas que eles acreditam serem irredutivelmente complexas, onde não há uma explicação natural ou a explicação é insuficiente.

Entretanto, os críticos vêem a complexidade irredutível como um caso especial da alegação "complexidade indica design", e, portanto, um apelo à ignorância e um argumento do tipo "Deus das lacunas".

Eugenie Scott, com Glenn Branch e outros críticos, alegou que muitos pontos levantados pelos proponentes do design inteligente são apelos à ignorância.

Behe tem sido acusado de usar a "argumentação pela falta de imaginação", e o próprio Behe tem reconhecido que simplesmente por que os cientistas não podem atualmente ver como um organismo "irredutivelmente complexo" evoluiu, isto não prova que não existe nenhuma forma possível da evolução ter acontecido.

A complexidade irredutível está no centro da argumentação contra a evolução. Se sistemas realmente irredutíveis fossem encontrados, a alegação é que o design inteligente é a explicação correta para sua existência.

Entretanto, esta conclusão é baseada na suposição que a teoria evolucionária atual e o design inteligente são os dois únicos modelos válidos para explicar a vida, o que se trata de um falso dilema.

Sigamos, na seqüência, uma abordagem de Francis Collins no que se refere ao DI.


10.2.3.3.6- Quando a ciência precisa de ajuda divina:


Segundo Francis Collins em “A Linguagem de Deus”, explica que assim como ocorre com o criacionismo, design inteligente parece abranger uma vasta gama de interpretações de como a vida aconteceu no planeta e a função que deus pode ter tido neste processo.

Todavia, a expressão Design Inteligente – DI é uma expressão moderna que traz consigo conclusões acerca da natureza, em especial o conceito de “Complexidade Irredutível”.


10.2.3.3.6.1 - Afinal existe um Design Inteligente?

O DI se concentra nas deficiências percebidas na Teoria da Evolução no que concerne a esta justificar a posterior complexidade da vida, sem, no entanto, considerar os primeiros organismos que se auto-copiavam.

O criador do DI é Phillip Johnson um advogado cristão da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que apresentou pela primeira vez sua “teoria” no livro Darwin on trial. Posteriormente, seus argumentos foram ampliados, especialmente por Michael Behe no livro Darwin´s black Box, onde está elaborado o conceito de complexidade irredutível.

O matemático com formação em teoria da informação Willian Dembski assumiu papel de liderança como comentarista do movimento DI.

O DI surgiu como sucedâneo de uma série de derrotas judiciais referentes ao ensino do criacionismo em escolas dos EUA, sendo um contexto cronológico que gerou críticas ao se referir ao DI como criacionismo sub-reptício ou criacionismo 2.0.

No entanto, tais termos não fazem justiça à consideração e sinceridade dos defensores do DI. Porém sob a perspectiva de Francis Collins este movimento merece sérias reflexões.

O movimento DI repousa sobre três propostas:

1 – A evolução gera uma visão de mundo ateísta e, portanto, aqueles que crêem em deus devem se opor a ela.

Phillip Johnson não era guiado por um desejo científico de entender a vida, mas por uma missão pessoas de defender Deus contra o que ele notou ser uma visão de mundo puramente materialista. Essa preocupação encontra repercussão na comunidade da fé, e lá, os pronunciamentos em tom de triunfo de alguns dos mais francos evolucionistas levaram a sensação de que uma alternativa respeitável em termos científicos deve ser identificada a todo custo (assim o DI seria o filho ilegítimo e rebelde de Dawkins e Denett).

O Instituto Discovery, incentivador do DI e onde Johnson trabalha como consultor, levou as intenções deste adiante, em seu “documento escora” (The Wedge), o qual pretendia ser um memorando interno, porém ganhou caminho na internet. Tal documento tem o cunho de influenciar a opinião pública a executar uma subversão no materialismo ateísta e substitui-lo por uma compreensão amplamente teísta da natureza. Assim, o DI apesar de ser apresentado como teoria científica, não nasceu da tradição científica.


2- A evolução tem fundamentos falhos, pois não pode justificar a complexidade da natureza.

O argumento utilizado pelo DI, de que a natureza possui um planejador é o mesmo proposto por W. Paley no início do século XIX, sendo que Darwin achou tal lógica bastante atraente antes de chegar às explicações sobre a evolução por meio da seleção natural. Mas para o DI, tal perspectiva ganhou nova roupagem, mais especificamente para a bioquímica e biologia molecular.

Behe explora esta perspectiva em Darwin´s black Box, de forma persuasiva, ao examinar os trabalhos internos da célula, bem como se impressiona com o trabalho das “máquinas celulares” (o flagelo), bem como quando se trata de órgãos completos (o olho humano) e mecanismos bioquímicos (coagulação).

Conforme alega Behe, estes exemplos não poderiam ter surgido da seleção natural, estando seus argumentos concentrados em estruturas complexas, as quais envolvem interações de muitas proteínas, cuja função se perde caso uma destas proteínas reste inativa.

Por exemplo, o caso do flagelo bacteriano, cuja estrutura é formada por 30 proteínas distintas, que caso uma delas fique inativa, o sistema como um todo pararia, ou funcionaria de forma inadequada.

Behe supõe que um componente deste motor possa ter evoluído ao acaso, durante um extenso espaço de tempo, mas sem uma pressão seletiva dos para mantê-lo, a menos que os demais 29 componentes se desenvolvessem ao mesmo tempo.

Behe alega que nenhum deles teria aproveitado a vantagem seletiva até que toda a estrutura estivesse montada e Dembski traduziu esta informação em elementos matemáticos, resultando numa probabilidade infinitamente pequena dessa evolução acidental em paralelo.

Assim, o principal argumento científico do DI compõe uma nova versão do argumento do ceticismo pessoal de Paley, expresso hoje na linguagem da Bioquímica, da Genética e da Matemática.

3 – Se a evolução não pode explicar a complexidade irredutível, deve então ter existido um planejador inteligente de algum modo, e ele entrou em cena para fornecer os componentes necessários durante o curso da evolução.

O DI toma cuidado para não especificar a identidade do planejador, mas a perspectiva cristã da maioria dos líderes deste movimento sugere que esta força viria de deus em pessoa.


10.2.3.3.7– As objeções científicas ao DI

As argumentações contrárias á Teoria da Evolução, apresentadas pelo DI, parecem atraentes, o que animou aqueles que procuram atribuir a deus um papel no processo evolucionário.

Mas de acordo com biólogos, mesmo aqueles que acreditam em deus, não mostraram interesse nessa idéia, relegando o DI a uma linha de pensamento de pouca credibilidade para a comunidade científica.

Isso ocorreu porque o DI não possui modo fundamental para se qualificar como teoria científica. As teorias científicas representam uma estrutura que dá sentido a um conjunto de observações experimentais, sendo sua função olhar para frente, prevendo novas descobertas e sugerindo abordagens para verificações experimentais adicionais.

Logo, apesar de seu apelo àqueles que crêem em deus a proposta do DI a respeito da intervenção de forças sobrenaturais para justificar entidades biológicas complexas, com numerosos componentes é um beco sem saída científico, exceto se usarmos uma máquina do tempo a fim de se verificar tal teoria.

A teoria do DI também não fornece elementos a fim de se verificar como a intervenção sobrenatural teria ocorrido para gerar a complexidade. Behe sugeriu que organismos primitivos teriam passado por um “carregamento prévio” com todos os genes necessários ao desenvolvimento de máquinas moleculares complexas formadas por diversos componentes considerados por ele como complexos.

Behe declara que tais genes latentes foram despertados num período de centenas de milhões de anos depois quando se fizessem necessários. Deixando de lado o fato de que não podemos encontrar nenhum organismo primitivo com tal esconderijo de informações genéticas para uso futuro, nossos conhecimentos sobre o índice de genes mutacionais ainda não utilizados tornam altamente improvável que tal armazém de informações sobreviva o bastante para ter utilidade.

Atualmente, parece que muitos exemplos de complexidade irredutível não sejam na verdade irredutíveis, fazendo que a argumentação do DI se encontre em processo de esfacelamento.

Desde o surgimento do DI (1991) a ciência avançou de modo considerável, especialmente no estudo do genoma de diversos organismos, partindo de várias partes diferentes da árvore evolucionária.

Com isso pôde-se perceber que os defensores do DI cometeram o erro de confundir o desconhecido com o desconhecível ou o insondado com o insondável.

Para os exemplos utilizados por Behe, têm-se as seguintes explicações:


10.2.3.3.7.1 - A Coagulação:

O sistema aparentemente começou com um mecanismo simples para sistemas hemodinâmicos com baixa pressão e baixo fluxo, que evoluiu para um sistema mais complicado necessário a animais com sistema cardiovascular de alta pressão, onde vazamentos têm de ser rapidamente interrompidos.

Uma característica importante desta hipótese evolucionária é o fenômeno bem estabelecido da duplicação genética. Ao serem examinadas as proteínas na cascata de coagulação a maioria dos componentes se mostra correlacionada ao nível de seqüências de aminoácidos.

Isso não é porque foram criadas proteínas totalmente novas por meio de informações genéticas totalmente aleatórias que enfim convergiram para o mesmo tema. Ao contrário, a semelhança de tais proteínas pode ser mostrada para refletir duplicações de genes antigos que então permitiram a nova cópia, libertados por uma necessidade de manter suas funções originais, uma vez que a cópia antiga ainda fazia isso, a fim de evoluir, gradativamente, e assumir uma nova função, guiados pela força da seleção natural.

Não se pode esboçar com exatidão as etapas que levaram á cascata de coagulação para humanos, e, talvez jamais possamos fazê-lo, uma vez que os organismos predecessores deste processo se perderam para sempre.

De acordo com a teoria da evolução, deve ter havido etapas intermediárias possíveis e muitas foram encontradas em espécies que ainda sobrevivem (vermes, moluscos), mas o DI faz silêncio sobre isso.

Assim, a premissa de que a cascata de coagulação deve surgir totalmente funcional, com bases em histórias sem sentido sobre o DNA é totalmente sem fundamento.


10.2.3.3.7.2 - O olho:

Darwin admitiu a dificuldade em se explicar o olho, porém propôs uma série de etapas na evolução deste órgão, sendo que a Biologia Molecular vem as confirmando rapidamente.

Organismos simples possuem sensibilidade à luz, seja como células fotossensíveis ou ocelos.

O nautilus exibe um avanço modesto em que a cavidade simples pigmentada que contém células fotossensíveis se transformou em um pontinho para a entrada de luz, aprimorando a aparelhagem com uma sutil mudança na geometria do tecido ao redor.

Ao ser acrescentada a substância gelatinosa, superposta às células fotossensíveis, isso permitiu a outros organismos focar a luz. Assim, não há problemas em se chegar ao olho humano com uma retina fotossensível e lentes para focar a luz. Basta acompanharmos o sistema visual dos seres vivos atuais.

Também há que se perceber que o design do olho não é tão perfeito assim. Os cones e bastonetes, camada mais baixa da retina, captam a luz. Esta precisa atravessar nervos e veias sanguíneas para atingi-los.

10.2.3.3.7.3 – O flagelo:

O argumento da complexidade desta estrutura repousa no fato de que suas subunidades não poderiam ter tido funções anteriores e úteis e, portanto, o motor não poderia ter sido montado agrupando-se tais componentes em etapas conduzidas pelas forças da seleção natural.

Pesquisas recentes rebatem tal posição. Especificamente, a seqüência comparada de proteínas de diversas bactérias demonstrou que os vários componentes do flagelo se relacionam a uma aparelhagem completamente diferente, usada por determinada bactéria para injetar toxinas em outras bactérias sob ataque (aparelhagem de secreção tipo III), o que proporciona vantagem para a sobrevivência do mais apto no organismo que a apresente.

Conclui-se que os elementos dessa estrutura foram duplicados e, em seguida convocados para um novo uso, por combinação dessa estrutura com proteínas que executavam funções mais simples, o que gerou todo o “motor”.

A aparelhagem de secreção tipo III é apenas uma peça do quebra cabeças denominado flagelo e, ainda estamos longe de determinar toda sua seqüência.

Assim, de acordo com os exemplos acima, cada peça fornece uma explicação natural às etapas que o DI abandonou ao sobrenatural. Portanto, os critérios de Darwin para destruir a sua teoria (a demonstração de que qualquer órgão complexo existiu sem poder ter sido formado por inúmeras modificações sucessivas e sutis destruirá completamente a minha teoria) ainda não foram atingidos, sendo que uma avaliação honesta dos conhecimentos atuais leva á mesma conclusão que segue na próxima frase de Darwin: “Mas não encontro semelhante caso”.


10.2.3.3.8– As objeções teológicas ao DI

De modo científico, o DI não consegue apresentar sustentação, pois não fornece oportunidade para a validação experimental nem base forte para a sua alegação sobre complexidade irredutível.

O DI também falha no sentido de ser uma preocupação daqueles que crêem em Deus, uma vez que se tornou a teoria do “Deus das lacunas”, uma vez que introduz a necessidade de intervenções sobrenaturais em fatos que seus defensores alegam inexplicáveis pela ciência.

Os avanços científicos preencheram muitas lacunas que antes eram supridas pela fé, sendo que religiões de “Deus das lacunas” correm o risco de ser desacreditada de forma muito simples.

Sem considerar o fato de que o DI retrata deus como um criador atrapalhado que de tempos em tempos tem de intervir para consertar as insuficiências de seu plano original, o que dá uma imagem insatisfatória de Deus.


10.2.3.3.9 – O futuro do DI

Dembski enfatiza a busca da verdade ao afirmar que o DI não deve se tornar uma mentira nobre para visões desestimulantes que consideramos inaceitáveis.

Em vez disso o DI tem de nos convencer de suas verdades e de seus méritos científicos. Isso acaba por pressagiar a morte do DI, uma vez que, segundo Dembski, se pudéssemos mostrar que sistemas biológicos formaram-se por meio dos processos darwinianos, o DI seria rejeitado, uma vez que causas não inteligentes teriam sido trazidas à baila quando as causas naturais se encarregam disso. Nesse caso, a navalha de Occam acabaria com o DI de forma bem eficaz.

Assim, numa visão sóbria das informações científicas atuais, as lacunas que o DI percebera na evolução estão sendo preenchidas pelos avanços científicos e não por deus, o que traça um rumo para o DI que trará sérios danos à fé.

A forma com que a teoria de Darwin foi retratada (teoria ateísta), torna compreensível porque evangélicos adotam com tanta convicção o DI. Mas e se tal teoria for derrubada, como vem sendo, o que acontecerá com Deus e com a fé?

Collins se posiciona que jamais seja como a visão de Dawkins, um mundo sem propósito, sem design, sem finalidade, sem mal, sem bem que é como esperaríamos que fosse, ou seja, indiferente, cego e impiedoso.

Neste ponto, Collins manifesta sua fé, porém como verdadeiro cientista, a relega a sua subjetividade, não compartilhando com a visão subjetiva de Dawkins.

Dessa forma, de acordo com o exposto nos três itens acima, nada tem piorado para a TE, muito pelo contrário, os estudos realizados sobre as alegações de complexidade irredutível, somente vieram a corroborar os modelos evolucionistas e a rechaçar a hipótese da complexidade irredutível.

Mas a coisa ficou muito ruim mesmo para o DI, pois seu principal argumento foi ceifado na base, pois a complexidade irredutível, não é tão irredutível assim. As estruturas alegadas irredutíveis são claramente explicadas pelo modelo evolucionista, em uma ascensão gradual do menos para o mais complexo.

Todavia, os criacionistas e os adeptos do DI levianamente silenciam quanto aos estudos realizados contra seus argumentos. Insistem em sua validade apenas se valendo de blá blá blá sem pé nem cabeça, sem trazer qualquer evidência que apóie cientificamente suas crenças.

Bem, acredito que com as explanações acima eu tenha desfeito o mal causado pelas notas apresentadas, não sei se por falta de conhecimento ou má fé, mas com o nítido fito de causar confusão em pessoas não familiarizadas com a biologia evolutiva e a genética.

O Mistério do Sexo Parte 17

10.2.3 aparelhos reprodutores, informação complexa especificada e complexidade irredutível.

alguns já perceberam o problema: sobra cada vez menos tempo para a evolução de sistemas tão complexos (isso que aqui se está tratando apenas de características anatômicas; quando a discussão caminha para os domínios da biologia molecular, com as dificuldades relacionadas com a origem da informação complexa especificada e os sistemas de complexidade irredutível, a coisa piora e muito para o darwinismo.[MB]

A nota, neste ponto apresenta um raciocínio um tanto confuso, pois em um momento está tratando de características anatômicas para a cópula e num segundo momento passa para biologia molecular, assuntos que estão muito distantes um do outro para fazerem parte da mesma discussão, mas vamos tentar. Dividiremos a questão em três tópicos:

10.2.3.1 - Aparelhos reprodutores:

No que concerne aos aparelhos reprodutores, convém o leitor se reportar aos itens 3 a 8 deste texto, uma vez que necessita-se de prévio conhecimento de como as espécies se reproduzem, pois há que se ter uma noção clara de como as formas de reprodução ocorrem ao longo das espécies hoje existentes.

Quanto à questão do tempo, tivemos aproximadamente 3.8 bilhões de anos para a vida acontecer e se desenvolver.

Cerca de 630 a 540 milhões de anos, durante o período Edicarano, que antecedeu o período Cambriano, surge a fauna edicarana que parecem representar os primeiros organismos multicelulares, inclusive verdadeiros animais, sendo, porém sua classificação incerta.

Não está muito claro que seres eram. Os fósseis ediacaranos podem ter sido organismos marinhos multicelulares, com formas variadas; ovulares, frondosos ou fusiformes.

Alguns fazem lembrar celenterados, outros vermes e ainda outros parecem antepassados sem carapaça dos artrópodes.

Já foram considerados como algas, líquenes, "protozoários gigantes" e até como formas de vida que não cabem nos reinos atualmente aceitos. Já se propôs para eles, inclusive, um novo filo (Vendobionte), que teria sido extinto durante aquele conturbado período da vida da Terra.

È muito provável que durante esta época tenha ocorrido a diversificação dos cromossomos sexuais, estabelecendo diferenças entre machos e fêmeas e, conseqüentemente, o surgimento dos órgãos sexuais masculinos e femininos, bem como a fecundação interna e a cruzada.

Dessa forma a vida teve todo o tempo do mundo para lançar-se em sua aventura sexual a fim de passar os genes das espécies adiante e, possivelmente, defender-se de parasitas e lanças mão de vantagens para ocuparem novos nichos ecológicos que pode ter culminado na explosão cambriana.

10.2.3.2 - Informação complexa especificada:

Quanto à questão da origem da informação complexa especificada seria interessante dizer o que criacionistas entendem por informação complexa especificada. Estaria isso se referindo ao aumento da informação genética?

Se este for o caso, de acordo com Ernst Mayr na obra “O que é Evolução”, novos genes são produzidos por duplicação de um gene já existente e sua inserção no cromossomo, em posição adjacente ao gene parental.


No devido tempo, este novo gene poderá adotar uma nova função. O gene ancestral com sua função original denomina-se gene ortólogo, por meio dos quais se traça a filogenia dos genes.

O gene derivado denomina-se gene parálogo, os quais são os responsáveis, em grande parte, pela diversificação evolutiva. Esta duplicação afeta não apenas um gene, mas um conjunto inteiro de cromossomos, ou mesmo o genoma inteiro.

Há também que se considerarem os genes saltadores. Um "gene saltador" é constituído de seqüências de DNA que, inserem-se aleatoriamente ao genoma. São conhecidos como "
transpósons" ou "elementos de transposição".

Assim os elementos de transposição, ou transposons, são regiões de DNA que podem se transferir de uma região para outra do genoma, deixando ou não uma cópia no local antigo onde estavam.
A transposição pode ser para o mesmo cromossomo, para outro cromossomo, para um plasmídio ou para um fago.

Descobertos inicialmente no milho, por
Barbara McClintock, em torno de 1950. Bem mais tarde em bactériase depois descobriu-se que estão presentes em todos os organismos.



Existe uma enzima associada com a transposição, denominada transposase.A transposase normalmente é codificada pelo próprio elemento de transposição, que, portanto, carrega consigo o mecanismo para a transposição.
Outros elementos importantes da transposição são as extremidades do mesmo, geralmente repetições invertidas na faixa de 30bp.

De acordo com Francis Collins na obra “A Linguagem de Deus”, ao serem analisadas seqüências de DNA estes elementos adquirem muitas mutações se comparados ao gene saltador originalo que lhes faz parecer muito antigos. São denominados Elementos repetitivos Antigos – ERA.

Collins menciona que há ERAs encontrados em locais semelhantes em genes de humanos e de camundongos. Há exemplos em ambos os genomas de que o ERA foi truncado em um exato par de bases no instante da inserção, perdendo parte de sua seqüência de DNA e toda a possibilidade de função futura.

Embora muitos possam ter se perdido em ambas as espécies, o encontro de determinados ERAs em mesmos locais tanto no genoma de camundongo como no genoma humano é prova convincente de que tal evento de inserção deva ter ocorrido em um ancestral comum ao humano e ao camundongo.

O processo de transposição em geral danifica o gene saltador. Mas é curioso notar que tanto em genomas humanos como de camundongos apresentam ERAs truncados em posições paralelas.

Há também o caso de fusão de cromossomos por extremidades. Um exemplo claro disso é o que ocorreu com o cromossomo 2 dos seres humanos, os quais se apresenta nos pongídeos (gorilas, orangotangos, chimpanzés e bonobos – apresentam 24 pares de cromossomos) como cromossomos 2a e 2b.

De acordo ainda com Collins, seqüências especiais ocorrem nas extremidades de todos os cromossomos de primatas, não acontecendo, em geral, em nenhum outro lugar. Todavia são encontradas onde a evolução as teria predito, ou seja, no nosso caso, no meio de nosso segundo cromossomo fundido.

De acordo com estudos atuais, acredita-se que a transposição descrita por McClintock esteja envolvida com a evolução dos organismos, pois os transposons, ao se moverem para outros locais do genoma, podem afetar a estrutura e o funcionamento de outros genes, ou seja, os transposons podem causar mutações.

Embora mutações possam proporcionar vantagens evolutivas para seus portadores, elas são maléficas na maioria dos casos. Assim, os transposons foram considerados uma forma parasitária de DNA, com cerca de 2-12 mil pares de nucleotídeos de extensão.

Além disso, devido a algumas similaridades entre os transposons e os vírus, alguns cientistas acreditam que esses dois grupos de organismos possuam uma origem ancestral comum.

Atualmente, os transposons têm sido utilizados por cientistas para gerar mutações em genes vegetais. Alguns estudos indicam que esses elementos genéticos móveis e as seqüências deles derivadas podem corresponder a até 45% do genoma humano.

Além disso, diversas doenças como o mal da vaca louca (encelofalopatia espongiforme bovina) e patologias humanas como hepatites A e B e distrofia muscular de Duchenne têm sido associadas com esses “genes cangurus”.

Como os genes em geral, os transposons passam verticalmente, de uma geração à seguinte. Um estudo realizado (aqui) trata da transferência horizontal de transposons de um organismo a outro, talvez mesmo de uma espécie a outra, idéias absurdas em face dos conhecimentos da genética convencional.

Essa estranha possibilidade foi sugerida por experimentos de Margaret G. Kidwell e Marilyn A. Houck, que encontraram indícios da passagem de um gene chamado de elemento P entre duas espécies de drosófila.

Se confirmada a passagem de transposons de uma espécie a outra, esses elementos poderão ser considerados como agentes de mudanças evolucionárias, ou mesmo participantes de papel na origem das espécies.

Neste último caso reforçariam a hipótese recente da evolução pontuada ou em saltos, segundo a qual as mutações não ocorreriam de maneira progressiva pelo acréscimo de pequenas alterações, mas de maneira abrupta após longos períodos de estabilidade.
Outro estudo (
aqui) trate de um estudo sobre a origem de DNA 'saltador' em espécies, sendo que tais fragmentos genéticos colonizaram vários animais independentemente.

Estes pedaços de DNA estranhamente independentes, colonizaram o genoma de uma quantidade impressionante de espécies animais, de morcegos a lagartos.

A descoberta dos chamados SPACE INVADERS, ou SPIN, para encurtar, pode ser a primeira prova de peso sobre a importância da transferência de DNA de uma espécie para outra na evolução dos vertebrados terrestres, sendo que, em pelo menos um caso, o troca-troca de material genético deu até origem a um novo gene em camundongos.

Em muitos casos, a quantidade de cópias de SPIN é tão abundante que ela seria capaz de reorganizar boa parte do genoma.

O rearranjo desses elementos saltadores com outros pedaços do genoma de camundongos parece ter sido responsável pela criação de um novo gene, segundo a análise feita neste estudo.

É provável que a abundancia de transposons afetem outras áreas do genoma, levando a modificações potencialmente importantes para a evolução das espécies.

O fato de apenas algumas espécies sem parentesco direto terem sido afetadas pelos SPIN indica que eles as contaminaram de forma independente, não tendo sido transmitidos de ancestral remoto para descendentes ao longo da evolução.

Para os pesquisadores, o mais provável é que um vírus, como o da varíola, tenha capturado o ancestral comum do transposon há milhões de anos e infectado várias espécies diferentes com ele, pois os vírus, têm a capacidade de inserir material genético estranho no genoma de seus hospedeiros.

O Mistério do Sexo Parte 16

10 – Notas criacionistas

Neste ponto analisaremos e tentaremos responder aos questionamentos feitos por criacionistas.

Tais questionamentos, devido ao seu teor, se tratam, em sua maioria, de argumentos da ignorância “pró-deus das lacunas”, uma vez que é evidente o seu teor malicioso no que concerne a gerar confusões ao universo leigo.


10.1 - primeira nota

A respeito do artigo “9.8 - Você gosta de sexo? Agradeça a um parasita” segue uma nota extraída daqui: (nota em azul, sendo minha resposta em vermelho)


E nos ambientes em que não há tantos parasitas, para que sexo? E nos seres que conseguem lidar bem com esses parasitas de forma mais simples, para que "inventar" um meio de reprodução tão complexo e dispendioso do ponto de vista do gasto de energia e dos riscos envolvidos no processo todo?
Bem, minhas perguntas a serem feitas seriam:

Qual seria um ambiente imune de agentes parasitários (bactérias, protozoários, vírus, vermes, ácaros, insetos hematófagos, peixes parasitas, etc)?

Será que os sistemas imunológicos de seres que se reproduziam assexuadamente “sabiam” antes de serem infectados como lidar bem com tais parasitas?

De acordo com o teor da pergunta, talvez o Jardim do Éden fosse um ambiente asséptico imune de micróbios, de vermes, e toda a sorte de parasitas. Será que Adão e Eva e os demais habitantes do Éden tinham flora intestinal e sistema imunológico?

Sabemos que na natureza, a fim da vida poder ter continuidade, esta vida se adapta aos diversos meios.

Respondendo a questão, parasitas podem ter tido mutações que proporcionaram eles a invadirem os clones produzidos por reprodução não sexuada e, portanto, causado uma mortalidade em massa, ou até mesmo extinguido algumas espécies.

Entretanto, como a vida evolui, indivíduos mutantes que possuíam cromossomos sexuais distintos ou quase idênticos (conforme visto no item 5), que já praticavam a troca de material genético (que ocorre desde as bactérias) sobreviveram, o que pode ter originado a reprodução sexuada.

Como vimos anteriormente, sexo não é particularidade de animais ou plantas considerados “mais evoluídos”, os metazoários; mas também de bactérias, protozoários, algas e fungos.

Quanto às espécies que se reproduzem assexuadamente hoje existentes, é provável que tenham desenvolvido mutações em outros genes, que não aqueles dos cromossomos sexuais (ver item 10.2.3.2 – Informação Complexa Especificada), e, assim, aprenderam a se defender dos parasitas e das adversidades do meio.

Logo, a invenção do sexo poderia já existir antes mesmo de ter ocorrido qualquer problema quanto à infestação por parasitas, para resolver questões relacionadas à adaptação, em relação ao meio, ou para integrar genes de outra espécie, como a conjugação em bactérias e determinados protozoários, a fim de se diversificarem e ocuparem outros nichos ecológicos.

O estudo apenas prova, mais uma vez, que o sexo é o melhor e mais vantajoso meio de reprodução, mas evita, como sempre, tocar no delicado e difícil tema da origem da reprodução sexuada e da complexidade envolvida na interdependência dos órgãos sexuais femininos e masculinos, que precisariam ter evoluído separadamente e, mesmo assim, ser perfeitamente compatíveis - um tipo de mutação dupla independente, na mesma geração e funcional.

O problema dos órgãos sexuais também se resume a uma questão meramente evolutiva relacionada à seleção natural das espécies.

Obviamente aqueles que eram incapazes de se acoplarem ou fazer a troca de material genético foram eliminados, e restaram os mais capacitados à execução da tarefa.

Quanto à origem da reprodução sexuada, nos tópicos acima (itens 5 e 9) foi explorada a possível origem de acordo com estudos realizados em cromossomos sexuais e com base na Teoria da Rainha Vermelha e do Bobo da Corte.

Para o caso de animais realizam fecundação cruzada, a resposta não está em se saber por que se desenvolveram pênis ou vaginas ou órgãos semelhantes com as mesmas funções, bem como todo o aparato reprodutor.
Tal informação é determinada pelos genes presentes nos cromossomos X e Y ou assemelhados. Assim, a questão se resume em saber por que surgiram pares de cromossomos sexuais distintos para machos e fêmeas e qual a influencia destes cromossomos nos genomas das espécies.

Todavia, salienta-se que há animais cujo sexo é determinado por temperatura, conforme exposto acima, se relaciona ao controle da regulação da enzima aromatase. Ver item 6.1 - DETERMINAÇÃO DO SEXO PELA TEMPERATURA EM REPTILA.
Parece que, mais uma vez, a melhor explicação está no design inteligente: o livro de Gênesis afirma que Deus criou o sexo como um presente para o primeiro casal, para ser desfrutado dentro do casamento, numa relação de amor e compromisso. O sexo, segundo a Bíblia, serve tanto para prover prazer e satisfação no relacionamento (e basta ler Cantares para descobrir isso, já que ali não se fala em filhos), quanto para possibilitar a reprodução da espécie.[MB]

Sim a explicação se encontra no DI, cujo desenhista/projetista é denominado seleção natural e não “criador inteligente”, deus, Shiva, ET, predador ou coisa que o valha.

Quanto ao cunho religioso, moral do sexo ou o sexo visto como tabu, tais formas de pensar variam de acordo com a cultura em que vive o indivíduo.

Mas sob a ótica científica e da natureza, sexo é meio para a espécie garantir a sua sobrevivência e uma via para que ela evolua e se adapte ao meio em que vive, interagindo entre si, com as outras espécies habitantes deste meio e com o próprio meio.

Faz-se ressalva de que em algumas espécies de primatas (macaco de Gibraltar e bonobos), incluindo o homem, sexo é fonte de prazer e serve como poderosa moeda de troca para as fêmeas garantirem sua sobrevivência e da sua prole, além de estreitarem os laços entre os membros do bando.

10.2 - Segunda nota
10.2.1 - Esta se relaciona ao item 4.1.2.4.1 - Descoberto aparelho reprodutor de peixe de 350 mi de anos;

Nota: Para o criacionista, o achado sugere outras coisas: (1) em tantos milhões de anos, o sistema reprodutor do Incisoscutum é praticamente o mesmo do tubarão moderno, assim, não houve "evolução";

Errado!!! Conforme segue abaixo:

A explicação se encontra no item 4.1 – Peixes.

Desse modo, de acordo com o exaustivamente explicado, dizer que tubarões não passaram por evolução ao longo destes 450 milhões de anos é dar as costas ao que está demonstrado pelo registro fóssil. Há que se comentar também que o Incisoscutum não se trata de um tubarão primitivo (Chondrichtyes), mas de um placodermo já extinto.

Ressalva-se também que os tubarões atuais não se tratam dos mesmos tubarões que viveram à época do Incisoscutum, durante o período carbonífero (entre 360 a 300 milhões de anos atrás).

De acordo com os registros fósseis, calcula-se que os
tubarões existam desde há 400 milhões de anos (desde o período devoniano), sem grandes alterações em sua morfologia, o que sugere um bom nível de adaptação e evolução.

Muitos deles já estão extintos, sendo que outras espécies de tubarões evoluíram e tomaram o lugar de seus antecessores, porém mantiveram seu aparelho reprodutor (clásper nos machos e cloacas nas fêmeas) e forma de reproduzir viviparidade.

Os tubarões ocuparam e ainda ocupam diversos nichos ecológicos, desde os mares tropicais aos oceanos Ártico e Antártico.

A nota sugere o mesmo que porque humanos se reproduzem como homo habilis (introdução do pênis na vagina) não houve evolução no gênero homo, ou seja, é pura falácia de criacionistas desinformados ou agindo de má fé (voto por esta), sugerindo um argumento da ignorância.


10.2.2 – Relacionada à complexidade da reprodução sexuada; anatomia e fisiologia:

(2) complexidades como a da reprodução sexuada - que depende de modificações anatômicas e fisiológicas simultâneas e compatíveis em dois seres diferentes - estão sendo observadas em seres cada vez mais antigos, como já ocorreu com as águas-vivas;

Errado !!!! Veja aqui.

Conforme exposto no item 3.9 - Cnidária os órgãos sexuais dos celenterados não são tão complexos quanto a nota apregoa, uma vez que a reprodução sexuada não se faz somente por acoplamento de genitais.

O exemplo claro de reprodução sexuada em cnidários é a hidra, cujo macho elimina espermatozóides na água; estes deslocam-se até uma hidra feminina, onde o óvulo é fecundado.

Para os demais cnidários a reprodução é assexuada.

Conforme exposto no item 3.10 - Os vermes, é onde tem início de fato a fecundação cruzada em que macho e fêmea se acoplam. Certamente foi a partir daqui que houve a seleção natural para melhor definir os órgão sexuais.

Ou seja, se os órgãos sexuais não permitirem o acoplamento entre macho e fêmea, não haverá cruzamento e, portanto aqueles que não acasalam não passam seus genes adiante e assim são eliminados os caracteres desfavoráveis, ou seja, estão fora da brincadeira.