sábado, 5 de janeiro de 2013

Dinossauros e o dilúvio: Mais um show de ignorância do criacionismo





Mais uma vez, vimos aqui denunciar a propagação da ignorância e o dano que os criacionistas causam, tanto à religião, por a levarem às raias do ridículo, como às ciências, por tentarem desqualificá-la  a todo custo, quando alguma descoberta contraria as ideologias que eles cultuam.



Dessa vez, nossos promotores da ignorância  vêm tratar a respeito do fim dos dinossauros, insistindo naquerla idiotice de dilúvio universal, arca de Noé, Terra jovem e que dinossauros conviveram com humanos a cerca de 6 mil anos.





Vejamos o rol de idiotices dos criacionistas: 





 Perola extraída daqui

Atividade vulcânica teria extinguido os dinossauros

A atividade vulcânica na região onde atualmente está a Índia, e não um asteroide, teria causado a morte dos dinossauros, de acordo com um novo estudo. Ao longo de dezenas de milhares de anos, a lava escorreu do planalto de Deccan, uma região vulcânica perto de onde atualmente está a cidade de Mumbai. Essa atividade teria expelido toneladas de níveis tóxicos de dióxido de carbono na atmosfera e provocado a extinção em massa por conta de um aquecimento global e acidificação dos oceanos, segundo uma pesquisa da Universidade de Princeton. Os achados, apresentados na última semana em São Francisco, EUA, durante o encontro anual da União Americana de Geofísica, serviram como munição para o debate que discutiu se um asteroide ou um vulcão teriam provocado a morte dos dinossauros há 65 milhões de anos.

De acordo com a outra teoria, um asteroide gigante teria se chocado em Chicxulub, no México, há aproximadamente 65 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], e liberado quantidades tóxicas de poeira e gás na atmosfera, o que teria bloqueado os raios do sol e causado um esfriamento da Terra, sufocando os dinossauros e causando envenenamento da vida marinha. O impacto do meteoro também poderia ter desencadeado atividades vulcânicas, terremotos e tsunamis. 


Vale aqui fazermos um parêntese na leitura:

Atentamos ao leitor que não existe cronologia evolucionista. Qualquer dado cronológico acerca da idade do planeta Terra é obtido pela GEOLOGIA, por meio do método de datação absoluta e pelo método de datação relativa.




O método de datação absoluta é aplicado para rochas magmáticas ou locais de deposição de cinzas vulcânicas. Não basta apenas moer a rocha e bingo. 

Estas rochas possuem minerais formados por diversos tipos de isótopos os quais, quando decaídos não formariam o retículo cristalino do referido mineral.

Um exemplo é o  método do urânio-chumbo: usam-se os cristais de zircônio, badeleyata e monazita, cujo retículo se fecha quando há apenas urânio e tório em sua formação , mas não se fecha quando há chumbo. Assim, todo e qualquer chumbo encontrado no mineral zircônio é oriundo do decaimento radioativo.




Quando se usa o método do potássio-argônio, os minerais analisados são biotita e moscovita, sendo que o retículo destes minerais se cristaliza com o potássio e, a partir do decaimento deste, o argônio fica confinado no retículo.

O método do rubídio-estrôncio analisa minerais como o plagioclásio, que durante a cristalização fracionada, tende a concentrar o estrôncio e deixar o rubídio livre na rocha, ainda na fase líquida desta. Logo, no magma residual, a relação Sr/Rb tende a aumentar ao longo do tempo, pelo decaimento do rubídio. 

O método do samário-neódimio é utilizado por eles serem não suscetíveis à partição quando da fusão de rochas de silicatos. Os efeitos na cristalização de minerais félsicos modifica a relação Sm/Nd, o que modifica a relação entre o Nd-143 e o Nd-144, com o aumento do isótopo radiogênico Nd-143. Isso dá a informação para se saber quando uma rocha ou um reservatório particular se separou do manto terrestre  no passado. 

O método do radiocarbono se utiliza para datar materiais orgânicos até de uns 60 mil anos de idade.

O método da termoluminescência é usado para datar materiais que contenham minerais cristalinos que foram ou aquecidos ou expostos ao sol.

Dessa forma podemos com segurança calcular a data do referido mineral, sem termos de nos preocupar com elementos filhos contaminando a amostra e, muitas vezes sendo esses métodos usados em conjunto.


Assim, os métodos de datação absoluta têm a sua base na física nuclear, onde os decaimentos são medidos e tratados conforme determinam suas leis. Cada núcleo atômico radioativo ou isótopo radioativo, têm o seu tempo específico de decaimento.



Cogita-se que neutrinos possam influir nas taxas desse decaimento (aqui). Criacionistas se valem disso dizendo que os neutrinos aceleram a taxa do decaimento radioativo e, portanto, é falsa a datação apresentadas por estes métodos, sendo seus dados completamente errados. Portanto está validada a terra jovem (aqui).

Mas, pensemos: os neutrinos são emitidos na fusão nuclear das estrelas e, onde quer que as coisas estejam, eles passam através delas, pelo menos aqui em nosso planeta. Ou seja, em nada eles alterariam a datação absoluta, pois ela se assenta no decaimento de isótopos radioativos e os vemos acontecer em sua faixa de tempo.

Outros aventam que ora os neutrinos aceleram, ora eles retardam a variação do decaimento radioativo (ver aqui). Mas essa linha de pensamento também é equivocada. Caso consideremos os ciclos de atividades solares, bem como o periélio (ponto mais próximo do Sol) e o afélio (ponto mais longe do Sol) de nosso planeta, o que obtemos é uma taxa média de decaimento. Ou seja, voltamos ao caso anterior.

Outra alegação criacionista é que o método de datação relativa guarda um raciocínio circular.





Esta metodologia somente nos dá uma idea do que veio antes e depois, sem permitir que possamos estabelecer a duração real (numérica) dos eventos. Esta ideia temporal se localizará dentro de um intervalo.


 No planeta Terra, pode haver deposição de sedimentos entre camadas de rochas magmáticas. Estas serão datadas pelo método de datação absoluto. 

Logo, a camada sedimentar terá uma idade fixada no intervalo de idade daquelas duas camadas. Aida pode ocorrer a deposição de fósseis em camadas de cinzas vulcânicas, passiveis de serem datadas pelo método de datação absoluto.


 Ou seja, o método de datação absoluta subsidia o método de datação relativa, o que elimina a circularidade aventada pelos criacionistas.

Também sabemos de que sedimentos elas são feitas e quais foram as condições dos referidos depósitos sedimentares, o que nos possibilitará conhecer a idade aproximada dos depósitos.
 

Estes depósitos podem conter determinados fósseis (aqueles que viveram por um curto período de tempo e tiveram grande dispersão pelo planeta - trilobitas e amonitas). Assim poderems datar sedimentos, onde estes não se depositaram sobre camadas magmáticas com base nos fósseis neles contidos.

Assim, não há circularidade no método, como aventam os criacionistas.


Ou seja, a idea que mentirosamente criacionistas pregam sobre a metodologia de datação é falsa (Violação do nono mandamento da Lei Mosaica: NÃO DIRÁS FALSO TESTEMUNHO!!!!).




 
 
Contudo, esse novo estudo mostra que o planalto de Deccan – uma das maiores províncias vulcânicas do mundo - já existia antes da extinção dos dinossauros e pode ter contribuído total ou parcialmente para a sua morte em massa. Em 2009, companhias de petróleo estavam perfurando a região da costa indiana e eles encontraram sedimentos enterrados a 3,3 quilômetros de profundidade. Os pesquisadores encontraram fósseis que datam do período Cretáceo-Terciário, quando os dinossauros foram varridos da face da Terra.

Junto com os fósseis, foram encontradas algumas pequenas espécies de plâncton, que estavam em conchas, após as camadas de lava, o que poderia indicar que isso aconteceu anos após as erupções [ou logo em seguida?]. Os fósseis, tanto de animais terrestres quando de vegetais, sugerem que os vulcões causaram extinção em massa tanto na terra quando no mar.

  
Aqui vale outro parêntese:

O que esta frase do artigo se refere é que camadas de plancton estavam depositadas após as camadas de lava, no fundo do oceano onde estavam prospectando petróleo.

Houve assim, uma deposição de restos de animais do cretáceo/terciário (época em que os dinossauros sumiram da face da Terra) acima das camadas de lava expelidas nas armadilhas do Decan. Isso indica que o evento KT ocorreu após a formação destes depósitos de lava.

Em quanto tempo tal deposição de resíduos ocorreu, o artigo original não menciona:

"Within the fossil record, plankton species got fewer, smaller and maintained less elaborate shells immediately after lava layers, which would indicate it happened in years after the eruptions."   



Há que se saber que, estes sedimentos viajaram mais de 1.000 milhas a partir das armadilhas do Decan até onde foram localizados.






Segundo este artigo ainda, há a afirmação de que as assinaturas de irídio, que atestam a queda de um asteróide ocorreram após a extinção em massa dos dinossauros.

"Sediments containing iridium, the chemical signature of an asteroid, show up after the extinction occurred, contradicting the notion that it could have caused a sudden die-off, Keller said."

 Podemos saber que foram anos de deposição, uma vez que esta deposição se deu no fundo do mar e, cada tipo de sedimento, tem uma "marca registrada" ou seja se foi uma deposição por deslizamento ou se foi feita paulatinamente e ainda que tipo de sedimento que se depositou e com que velocidade estes depósitos ocorrem.

Assim, não tem nada de "logo depois" da ocorrência das camadas de lava e nem de 40 dias ou noites, como teimosa e maliciosamente o comentário induz ao leitor incauto.






Foram anos e, anos são anos; não são dias ou meses...









De acordo com os pesquisadores que defendem que o vulcão teria provocado a extinção dos dinossauros, um meteoro não seria capaz de produzir níveis tóxicos suficientes de enxofre e dióxido de carbono para aniquilar os animais de vez, mas isso poderia ter contribuído para a sua extinção. 


Agora vamos à nota infeliz (teremos de fragmentá-la pois o graus de idiotices é muito grande):



Nota do blog Criacionismo: Esqueça os milhões de anos e tente visualizar uma catástrofe ocorrida em tempo relativamente curto (dias, semanas ou meses), 

Não dá para se esquecerem os milhões de anos!!! Eles são baseados em leis da física no que se refere ao decaimento de núcleos atômicos.




Agora, claro, o evento KT foi em um dia apenas. Já as armadilhas do Decan, formadas entre 60 e 68 milhões de anos atrás, ao final do Cretáceo, teve uma erupção que durou aproximadamente 2,5 milhões anos (entre 67,5 a 65 milhões de anos atrás), cobrindo aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros quadrados.




Obviamente que esta erupção pode ter tornado a vida muito difícil no planeta, devido a liberação de dióxido de enxofre, o que tornou o ar sufocante, baixou a temperatura do planeta em 2 graus Celcius e anda pode ter causado chuva ácida, comprometendo a vida, tanto em terra, quato nas águas.

Nem mesmo pode-se considerar que as armadilhas do Decan foram acionadas devido ao impacto em Chixulub, no que se refere à teoria destes locais serem antípodas. 

Ao se verificar onde a India se localizava há 65 milhoes de anos, considerando-se os efeitos da deriva continental, seu território estava a cerca de 1000 milhas de onde era o ponto antípoda de Chixulub.




O antípoda da época da formação do Decan está agora a leste do Oceano Pacífico. 

Os movimentos do leito oceânico são como uma esteira rolante; de um lado, subem para formar sulcos e, de outro, mergulham, em um processo chamado de subducção, Jon Hagstrum do U.S. Geological Survey,  diz: "metade do fundo do oceano desde então desapareceu" e evidências de um impacto antípoda "seria naquela metade." Ler aqui.


envolvendo provavelmente diversos impactos meteoríticos (não apenas um), rompimento da crosta terrestre com liberação de água sob pressão e muitos derrames de lava (em quantidade hoje praticamente inacreditável, não fosse o registro fóssil para atestar isso) e muita, muita água – fator que explicaria a fossilização em massa de incontáveis espécimes, não apenas dinossauros. 


 Há um indício de queda de asteróide na Ucrânia, datado de 2000 anos antes daquele ocorrido em Chicxulub.  Segundo os pesquisadores há indícios de ter havido uma chuva de meteoros, dado o tamanho dos dois corpos celestes e a distância entre as crateras (aqui). Ao que aparenta, esta chuva pode ter durado em torno de 1000 anos.


O fim dos dinossauros, dessa forma pode ter ocorrido devido a estes dois eventos interconectados (aqui). 




Não há nada no artigo que trate de águas saíndo das profundezas da terra, como ocorre com o imaginário do autor da infeliz nota.

Quanto a fósses eles não se formam em 10 ou 100 mil anos, mas em milhões de anos (aqui). 





Vejamos o que diz o paleontólogo britânico Michael J. Benton em "História da vida": 


  Fósseis

A chave para entender a história da vida são os fósseis (fig.1).Fósseis são restos de plantas, animais ou micróbios que um dia existiram. Podem ser petrificados, que literalmente significa "transformados em pedra", e estes são alguns dos exemplos mais comuns. 

Os fósseis petrificados podem ser de dois tipos:


Primeiro, aqueles que foram literalmente transformados em pedra, nos quais não resta nada do organismo original. A folha ou tronco de árvore, ou concha, ou larva, desapareceu por completo, e a cavidade restante foi substituída por grãos de areia ou lodo, ou, com mais frequência, por minerais em solução que fluíram pelos espaços na pedra que os circunda e, então, se infiltraram no espaço e se cristalizaram. 






O segundo tipo de petrificação, e o mais comum, ainda retém parte da matéria original do animal, talvez o carbonato de cálcio que compunha a concha, ou parte da cutícula ou restos carbonizados da planta. Nesses casos, grãos de rocha ou minerais meramente preenchem as cavidades.





 Assim, muitas pessoas podem se surpreender ao perceber que fósseis comuns, como um trilobita de 400 milhões de anos ou um amonite de 200 milhões de anos, são, na verdade, em grande parte constituídos do carbonato de cálcio original de sua concha ou de seu esqueleto externo, tal como em vida. 


De modo similar, os ossos dos dinossauros, em sua grande maioria, ainda são formados do fosfato de cálcio (apatita) original, o principal elemento mineralizado na época e hoje. 

Se observarmos atentamente a superfície externa desses fósseis, talvez com uma lente de aumento, podemos ver características extremamente definidas, como espinhas e linhas de crescimento na carapaça do trilobita, madrepérolas multicoloridas originais na concha do amonite, e cicatrizes musculares ou marcas de dentes na superfície do osso de um dinossauro. 


Se as conchas ou ossos fósseis forem cortados transversalmente e examinados no microscópio, veremos que todas as estruturas internas e camadas de crescimento originais continuam lá. Portanto, o corte transversal de um osso de dinossauro parece tão novo hoje quanto o corte transversal de um osso moderno. 



Nem toda planta ou animal que já existiu se transformou em um fóssil. De fato, se esse fosse o caso, a superfície da Terra estaria coberta com avalanches de fósseis em toda parte - grandes montes de fósseis de ossos de dinossauro, de trilobitas, de árvores gigantes de florestas carboníferas, de amonites e similares -, que provavelmente chegariam à lua. 



Ninguém sabe que proporção da vida terminou fossilizada, mas é sem dúvida uma fração minúscula, muito menos de 1%. 


As plantas ou animais devem ao menos possuir partes duras, como um esqueleto, uma concha ou um tronco de madeira enrijecido, para que possam ser prontamente preservadas. 

Ainda assim, a maioria das carcaças de animais e plantas mortas entra na cadeia alimentícia quase imediatamente, sendo revirada por animais ou decomposta por bactérias. 




Organismos mortos só podem se transformar em fósseis se está acontecendo a sedimentação, isto é, se areia ou lodo estão sendo despejados sobre os restos, talvez nas profundezas de um lago, sob um banco de areia em um rio, ou no fundo do oceano, abaixo da zona que é constantemente revolvida por correntes e ondas.

 O site da UFRGS explica a formação de fósseis conforme segue:


Quando um organismo morre, inicialmente ele é decomposto pelas bactérias e fungos que degradam a matéria orgânica. Depois disto, o organismo pode ser imediatamente soterrado ou passar por uma série de processos – desarticulação, transporte – e só depois ser soterrado. 

Esse soterramento irá acontecer quando a água, ou outro agente (vento, avalanche de terra, lahar, poeira vulcânica, areia movediça úmida ou seca, gelo), transportar o sedimento que irá recobrir o organismo. 




Depois de soterrado, o organismo irá passar por um processo chamado de diagênese, que consiste na compactação (pelo peso do sedimento) e na cimentação (o sedimento depositado sobre o organismo ou por dentro dele, através de processos químicos, se aglomera e passa a formar uma rocha sedimentar). Nestas condições, esse organismo agora pode ser considerado um fóssil. 

O movimento das placas tectônicas permite que uma rocha, que antes foi um fundo de mar, por exemplo, seja erguida acima da superfície e fique exposta. Nesta rocha exposta é que o paleontólogo vai procurar pelos fósseis.

A área da paleontologia que se ocupa em desvendar todos os processos acima mencionados é a Tafonomia. Tafonomia é a ciência que estuda os processos de preservação e como eles afetam as informações no registro fossilífero, englobando duas amplas subdivisões, a Bioestratinomia e a Diagênese dos Fósseis.



Uma análise tafonômica básica fornecerá importantes pistas sobre o que aconteceu com determinado animal desde o momento da sua morte até o dia em que o encontramos fossilizado, completo, ou muitas vezes, só partes dele. 

Esta análise consiste em estudar os processos de morte, necrólise e desarticulação, transporte, intemperismo, soterramento e, por fim, de diagênese dos fósseis.



 Aliás, se os dinos tivessem morrido por causa de nuvens tóxicas ou algo assim, o cadáver deles teria ficado exposto e decomposto, não fossilizado, o que depende de sepultamento em água e lama. 


Fósseis são restos de seres vivos ou evidências de suas atividades biológicas preservados em diversos materiais. Essa preservação ocorre principalmente em rochas, mas pode ocorrer também em materiais como sedimentos, gelo, piche, resinas, solos e cavernas.

Este raciocínio está completamente errado. Nem todos os dinossauros foram fossilizados e esta fossilização não aconteceu apenas no evento KT ou com o evento ocorrido no Decan. 

A fossilização representa a quebra deste ciclo e, portanto, deve ser sempre vista como um fenômeno excepcional. No decorrer do tempo geológico, apenas uma percentagem ínfima das espécies que um dia habitaram a biosfera terrestre preservou-se nas rochas (aqui).

Muitas espécies surgiram e desapareceram sem deixar vestígios, existindo portando muitos hiatos no registro paleontológico. (CASSAB, R.C.T.. 2004. Objetivos e Princípios. In: Carvalho, I.S.. (ed). Paleontologia. Vol 1. Rio de Janeiro: Interciência cap 1, p. 3-11.)


Águas ricas em cálcio neutralizam os ácidos dentro dos sedimentos, permitindo que partes moles, como pele, músculos e órgãos internos de vertebrados permaneçam intactos.

Houve fossilizações bem antes do evento KT e do evento do Decan, ocorrendo ao longo de todo o Cretáceo, dede que verificadas as condições necessárias para tal. 

Como sabemos, fossilização não depende apenas de água, mas de soterramento, que, muitas vezes, nada tem a ver com inundações e outros agentes.






Obviamente que uma inundação carrega sedimentos e podem acontecer repentinamente. Isso ocorre até hoje no Grand Canyon e grandes quantidades de sedimentos são carregadas para o mar.

Muitos animais podem ser apanhados de surpresa em leitos de rios e lagos lamacentos e em regiões de poços de piche, como o Rancho La Brea, onde ocorrem mamíferos da era do gelo.

NO Rancho La Brea, os ossos dos animais afundam no asfalto, eles se fossilizam, tornando-se marrom-escuro ou pretos. Porções voláteis do asfalto evaporam, deixando uma substância mais sólida, que se prende aos ossos. Além dos fósseis de grandes mamíferos, o betume também preservou vários pequenos "microfósseis", madeira e restos vegetais, e muitos grãos de pólen.




 Resumindo, o raciocínio do autor da infeliz nota demonstra COMPLETA IGNORÂNCIA no assunto fossilização.




 

Finalmente, se a extinção dos dinossauros ocorreu (unicamente) por causa de atividade vulcânica ou impacto meteorítico, por que apenas eles (bem fortes) foram extintos? 

Ora ora!!! O mais forte sobrevive!!! Mais uma vez, temos um raciocínio completamente errado. 





O que pode eventualmente sobreviver em uma extinção em massa não são os mais fortes nem os mais inteligentes, mas os melhor adaptados às novas circunstâncias.




Dinossauros não foram os únicos a seres extintos. Os amonites, que apareceram no Devoniano (sobreviveram à extinção Permo-Triássica) também foram extintos na data do evento KT ou extinção Cretáceo-Paleogena. 




Sem falar ainda:

 nos Rudistas (moluscos bivalves); 




nos Beleminites (cefalópodes assim como os amonites);




 insetos, plantas terrestres, peixes;

 mamíferos marsupiais da América do Norte;

 os asiáticos deltatheroidanos (parentes primitivos de marsupiais);

 pássaros  enantiornithines e hesperornithiformes.








Ou seja, não foram somente os mais fortes que desapareceram. Outras criaturas também se foram e outras como crocodilianos, anfíbios, peixes, neornithes e mamíferos, dentre outros, sobreviveram aos problemas. Conseguiram se adaptar e evoluir.

 
Pelo visto, derrames de lava, meteoritos, inundação, extinções em massa, etc., são eventos interligados que poderiam compor um único cenário catastrófico ocorrido há alguns milhares de anos. Um evento chamado dilúvio.[MB]

Bom, os trabalhos consultados em nada tratam sobre inundações. Obviamente que um asteróide que caísse no meio do oceano causaria terriveis tsunamis. Todavia, tsunamis não causariam uma extinção global, mas apenas localizada em regiões relativamente próximas às costas marítimas.

Em sendo assim, descarta-se a hipótese de um "dilúvio" e de uma arca idiota cheia de animais dentro singrando pelos mares Cretáceo-Paleogenos.




Aliás o autor da nota infeliz, para qualquer evento que contenha uma destruição em massa, diz que foi o dilúvio. Parece uma ideia fixa para justificar a sua fé (fraquíssima por sinal) em sua ideologia falida. Tanto que até é preciso MENTIR para justificar suas crendices.




 CONCLUSÃO:
 

Mais uma vez, nos foi apresentado um show de ignorância e desserviço acerca do conhecimento paleontológico do período em que se deu o fim da era dos dinossauros.

Insistentemente, o autor da infeliz nota se prende no mito do dilúvio, como se isto fosse uma verdade, bem como, na ideia nonsense de que homens e dinossauros conviveram no planerta Terra há uns 6 mil anos.




O que podemos extrais daqui, é a confirmação de que o criacionismo é um DESSERVIÇO; tanto à religião (por levá-la às raias do ridículo) quanto à ciência (por querer desqualificá-la em prol de suas ideologias fundamentalistas religiosas), bem como ainda ser péssimo para a educação das pessoas em idade escolar.

Criacionismo nas escolas é violação da lei e da Constituição do Brasil, conforme abordado aqui. 

Por essa razão, deve ser combatido e proibido e, quem insistir em travesti-lo de ciência, dentro da sala de aula, deve sim responder em juízo e a escola ser impelida a indenizar suas vítimas e o Estado, por não estarem cumprindo com sua missão, que não é evangelizar, mas preparar o aluno para a vida secular.


Criacionistas trazem apenas as trevas do conformismo e da ignorância travestidas de luz. Prestam um desserviço a humanidade se valendo de golpes sujos e atitudes dignas de um canalha, como se aproveitar da falta de conhecimento de crianças, adolecentes e pessoas menos intelectualizadas para pregar suas mentiras. 




Enquanto os biólogos evolucionistas seguem as pistas de Darwin e buscam informação sincera e honesta para elucidar cada vez mais o processo evolutivo das espécies em geral, criacionistas distorcem fatos, incriminam quem não acredita no que eles querem que acreditem e difundem desinformação e a ignorância.     

Criacionistas, ante a total falta de embasamento científico para sustentar suas crenças, apelam para o escárnio e para a ignorância, distorcendo a realidade e taxando aquilo que desconhecem como preconceito. Trazem a desinformação, a superstição, se valendo da leviandade e da desonestidade. 



   

Gente assim não merece respeito!!! Merece desprezo!!!  


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

BOAS E MÁS RAZÕES PARA ACREDITAR


Oi galera. 


Como último texto do ano, deixarei aqui uma carta de Richard Dawkins a sua filha Juliet, acerca das boas e más razões para se acreditar.




Para mim, Dawkins, Sagan (infelizmente falecido), Kaku, deGrasse Tyson, Greene e Hawking são os maiores divulgadores da ciência que temos na atualidade.

Digo isso para os últimos 35 anos - sou um fã incondicional de todos eles. 

Me lembro que quando tinha acho que uns 8 anos de idade (isso lá por 1976), implorava a minha vó para que deixasse eu assistir a Série Cosmos, depois do Fantástico. Ela sempre deixava. Sabe como são as vovós...

Depois eu ficava me perguntando como Sagan sabia de tudo aquilo e o que existia além de tudo aquilo e, como tudo aquilo tinha surgido; qual era o grande mistério das origens da vida; por que havia tantas espécies de animais vivas hoje; o que tinha acontecido com os dinossauros; e por que o homem se diferenciava dos outros animais, principalmente de primatas, onde eu via muita semelhança.

Perguntava a meus professores do primário e a resposta era um "insatisfatório" "FORAM OS DESÍGNIOS DE DEUS". Isso era muito frustrante!!!!

Até que ganhei uma coleção de livros onde parte dessas perguntas eram respondidas de uma forma bem mais inteligente e satisfatória. Logo percebi que as coisas não eram tão simples como "FOI DEUS".

Entendi que se eu quisesse ter uma "vaga" compreensão da realidade das coisas, deveria me lançar em uma jornada de anos a fio em estudos acerca das diversas ciências, principalmente no campo das ciências exatas.   

O tempo se passou, o primário acabou, veio o ginásio, o colegial e a faculdade de engenharia e de física, com suas iniciações científicas e a pós.

E, cá estou eu... escrevendo sobre ciências em um blog como hobby, não mais como profissão.

Espero que esta carta de Dawkins surta um bom efeito na vida dos leitores, no que consiste em separar ciência de mera crença cega.


Boa leitura e um bom 2013 a todos.





Querida Juliet,


Agora que você fez dez anos, quero lhe escrever sobre algo que é muito importante para mim. Você já se perguntou sobre como sabemos as coisas que sabemos? Como sabemos, por exemplo, que as estrelas, que parecem pequenos pontos no céu, são na verdade grandes bolas de fogo como o Sol e ficam muito longe? E como sabemos que a Terra é uma bola menor, girando ao redor de uma dessas estrelas, o Sol?


A resposta para essas perguntas é “provas”. Às vezes “prova” significa realmente ver (ou ouvir, ou sentir, cheirar…) que algo é verdade. Astronautas viajaram longe o suficiente da Terra para ver com seus próprios olhos que ela é redonda. Às vezes nossos olhos precisam de ajuda. A “estrela-d’alva” parece uma sutil cintilação no céu, mas com um telescópio você pode ver que ela é uma linda bola — o planeta que chamamos de Vênus. Uma coisa que você aprende diretamente vendo (ou ouvindo, ou cheirando…) é chamada de observação.


Frequentemente, a prova não é só uma observação por si só, mas há sempre observações em sua base. Se aconteceu um assassinato, é comum ninguém (menos o assassino e a pessoa morta!) ter visto o que aconteceu. Mas os detetives juntam diversas observações que podem apontar na direção de um suspeito. Se as impressões digitais de uma pessoa coincidirem com as encontradas num punhal, isso é uma prova de que ela tocou nele. Isso não prova que ela cometeu o assassinato, mas pode ser uma informação útil, junto com outras provas. Às vezes um detetive consegue pensar sobre várias observações e então de repente perceber que todas se encaixam e fazem sentido se fulano de tal cometeu o crime.


Os cientistas — os especialistas em descobrir o que é verdade sobre o mundo e o universo — frequentemente trabalham como detetives. Eles dão um palpite (chamado de hipótese) sobre o que talvez seja verdade. Depois dizem para si mesmos: “Se isso realmente for verdade, devemos observar tal coisa”. Isso é chamado de previsão. Por exemplo, se o mundo realmente for redondo, podemos prever que um viajante que caminhar continuamente numa mesma direção acabará no ponto de onde partiu. Quando um médico diz que você está com sarampo, ele não olhou para você e viu sarampo. A sua primeira observação lhe fornece a hipótese de que você talvez tenha sarampo. Então ele diz para si mesmo: se ela realmente está com sarampo, devo encontrar… E ele então consulta sua lista de previsões e testa-as usando seus olhos (você está com pintas?), mãos (sua testa está quente?) e ouvidos (seu peito está com um chiado?). Só então ele toma a decisão e diz: “Meu diagnóstico é que essa criança está com sarampo”. Às vezes, os médicos precisam fazer outros testes, como exames de sangue ou raios-X, que ajudam seus olhos, mãos e ouvidos a fazer observações.


O modo como os cientistas usam provas para aprender sobre o mundo é muito mais engenhoso e complicado do que consigo dizer numa breve carta. Mas agora quero deixar de lado as provas, que são uma boa razão para crer em algo, e alertá-la sobre três más razões para acreditar em algo. Elas se chamam “tradição”, “autoridade” e “revelação”.


Primeiro, a tradição. Alguns meses atrás, fui à televisão para ter uma conversa com cerca de cinquenta crianças. Essas crianças foram convidadas por terem sido criadas segundo diferentes religiões: algumas como cristãs, outras judias, mulçumanas, hindus ou sikhs. Um homem com um microfone ia de criança em criança, perguntando no que acreditavam. O que elas responderam mostra exatamente o que quero dizer com “tradição”. Suas crenças não tinham nenhuma relação com provas. Elas simplesmente papagaiavam as crenças de seus pais e avós que, por sua vez, também não eram baseadas em provas. Elas diziam coisas como: “Nós, hindus, acreditamos em tal e tal”; “Nós, muçulmanos, acreditamos nisso e naquilo”; “Nós, cristãos, acreditamos numa outra coisa”.


Como todas acreditavam em coisas diferentes, nem todas poderiam estar certas. O homem com o microfone parecia achar que isso não era um problema, e nem tentou fazê-las discutir suas diferenças entre si. Mas não é isso que quero enfatizar no momento. Eu simplesmente quero analisar de onde vieram as crenças. Vieram da tradição. Tradição significa crenças passadas do avô para o pai, deste para o filho, e assim por diante. Ou por meio de livros passados através das gerações ao longo dos séculos. Crenças populares frequentemente começam de quase nada; talvez alguém simplesmente as invente, como as histórias sobre Thor e Zeus. Mas depois de terem sido transmitidas por alguns séculos, o simples fato de serem tão antigas as faz parecer especiais. As pessoas acreditam em coisas simplesmente porque outras pessoas acreditaram nessas mesmas coisas ao longo dos séculos. Isso é tradição.


O problema com a tradição é que, independentemente de há quanto tempo a história tenha sido inventada, ela continua exatamente tão verdadeira ou falsa quanto a história original. Se você inventar uma história que não seja verdadeira, transmiti-la através de vários séculos não vai torná-la verdadeira!


A maioria das pessoas na Inglaterra foi batizada pela Igreja anglicana, mas esse é apenas um entre muitos ramos da religião cristã. Há outras divisões, como a ortodoxa russa, a católica romana e as metodistas. Todas acreditam em coisas diferentes. A religião judaica e a mulçumana são um pouco diferentes; e há ainda diferentes tipos de judeus e mulçumanos. Pessoas que acreditam em coisas um pouco diferentes umas das outras vão à guerra por causa discordâncias. Então você talvez imagine que eles têm boas razões — provas — para acreditar naquilo que acreditam. Mas, na realidade, suas diferentes crenças são inteiramente decorrentes de tradições.


Vamos falar sobre uma tradição em particular. Católicos romanos acreditam que Maria, a mãe de Jesus, era tão especial que ela não morreu, mas acendeu ao Céu. Outras tradições cristãs discordam, e dizem que Maria morreu como qualquer pessoa. Outras religiões não falam muito nela e, de modo diferente dos católicos romanos, não a chamam de “Rainha do Céu”. A tradição segundo a qual o corpo e Maria foi levado ao Céu não é muito antiga. A Bíblia não diz nada sobre como ou quando ela nasceu; aliás, a pobre mulher mal é mencionada na Bíblia. A crença de que seu corpo foi levado ao Céu não foi inventada até cerca de seis séculos após a época de Jesus. No início, só foi inventada, da mesma forma que qualquer história, como “Branca de Neve”. Mas, no transcorrer dos séculos, ela se tornou uma tradição e as pessoas começaram a levá-la a sério simplesmente porque a história havia sido transmitida ao longo de tantas gerações. Quanto mais velha a tradição se tornava, mais as pessoas a levavam a sério. Ela foi por fim escrita como uma crença católica romana oficial muito recentemente, em 1950, quando eu tinha a idade que você tem hoje. Mas a história não era mais verdadeira em 1950 do que quando foi inventada, seiscentos anos após a morte de Maria.


Vou voltar à tradição no fim de minha carta, e olhá-la de outro modo. Mas antes preciso tratar das outras duas más razões para crer em alguma coisa: autoridade e revelação.


Autoridade enquanto razão para crer em algo significa acreditar porque alguém importante ordenou que você acreditasse. Na Igreja católica romana, o papa é a pessoa mais importante, e as pessoas acreditam que ele deve estar certo só porque ele é o papa. Num dos ramos da religião muçulmana, as pessoas importantes são velhos barbados chamados de aiatolás. Muitos muçulmanos se dispõem a cometer assassinatos simplesmente porque aiatolás de um país distante deram essa ordem.


Quando digo que só em 1950 os católicos romanos foram finalmente informados que tinham que acreditar que o corpo de Maria havia subido para o Céu, quero dizer que em 1950 o papa disse que isso era verdade, e então tinha que ser verdade! É claro que algumas coisas que o papa disse ao longo de sua vida devem ser verdade e outras não. Não há nenhuma boa razão para você acreditar em tudo que ele diz mais do que você haveria de acreditar nas coisas que muitas outras pessoas dizem, só porque ele é o papa. O papa atual ordenou às pessoas que não controlasse o número de filhos que vão ter. Se sua autoridade for seguida com a obediência que ele deseja, os resultados poderão ser uma terrível escassez de alimentos, doenças e guerras, causadas por superpopulação.


É claro que, mesmo na ciência, às vezes nós mesmos não vemos as provas e temos de acreditar no que foi dito por outra pessoa. Eu não vi, com os meus próprios olhos, que a luz viaja à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Mas acredito em livros que me dizem qual é a velocidade da luz. Isso parece “autoridade”. Mas na realidade é muito melhor que autoridade, porque as pessoas que escreveram o livro viram as provas, e qualquer um de nós pode examinar as provas com atenção no momento que quiser. Isso é muito confortante. Mas nem mesmo os padres afirmam que há provas para a história de que o corpo de Maria subiu para o Céu.


A terceira má razão para acreditar em algo é “revelação”. Se você tivesse perguntado ao papa, em 1950, como ele sabia que o corpo de Maria tinha subido ao Céu, ele provavelmente teria dito que isso lhe fora revelado. Ele se fechou num quarto e rezou, pedindo orientação. Sozinho, ele pensou e pensou, e na sua intimidade teve mais e mais certeza de suas ideias. Quando pessoas religiosas têm uma simples sensação de que algo deve ser verdade, mesmo que não haja provas de que o seja, eles chamam sua sensação de “revelação”. Não só os papas afirmam ter revelações. Isso também acontece com muitas pessoas religiosas. É uma de suas principais razões para acreditar naquilo que acreditam. Mas isso é bom ou ruim?


Suponha que eu lhe dissesse que seu cachorro está morto. Você provavelmente ficaria muito triste, e talvez dissesse: “Você tem certeza? Como você sabe? Como aconteceu?”. Suponha então que eu respondesse: “Na verdade, eu não sei se Pepe está morto. Eu não tenho provas. Só tenho uma sensação esquisita, bem dentro de mim, de que ele está morto”. Você ficaria muito zangada comigo por tê-la assustado, porque você sabe que uma “sensação” por si só não é uma boa razão para acreditar que um cachorro está morto. Você precisa de provas. Todos temos sensações e pressentimentos de tempos em tempos, e descobrimos que às vezes estavam certos, às vezes não. De qualquer forma, pessoas diferentes podem ter sensações opostas, então como decidir quem teve a intuição correta? O único jeito de ter certeza de que um cachorro está morto é vê-lo morto, ou ouvir que seu coração parou de bater, ou obter essa informação de uma pessoa que viu ou ouviu alguma prova de que ele está morto.


As pessoas às vezes dizem que devemos acreditar em sensações íntimas, senão você nunca teria certeza de coisas como “Minha esposa me ama”. Mas esse é um argumento ruim. Pode haver muitas provas de que alguém ama você. Durante todo o dia em que você está com alguém que a ama, você vê e ouve pequenas provas, e elas se somam. Não é somente uma sensação interior, como a sensação que os padres chamam de revelação. Há outras coisas para apoiar a intuição: olhares, um tom carinhoso de voz, pequenos favores e gentilezas; tudo isso serve de prova.


Certas pessoas têm forte sensação de que alguém as ama sem que isso esteja baseado em provas, e então é provável que estejam completamente enganadas. Há pessoas com uma forte intuição de que um astro do cinema está apaixonado por elas, mas na realidade o astro de cinema nem sequer as encontrou. Pessoas assim são doentes da cabeça. Sensações íntimas ou intuições precisam ser apoiadas por provas, senão você simplesmente não pode confiar nelas.


As intuições são valiosas na ciência também, mas só para lhe dar ideias que você então testa, procurando provas. Um cientista pode ter um “pressentimento” sobre uma ideia que ele “sente” estar correta. Por si só, isso não é uma boa razão para acreditar nela. Mas pode ser uma razão para passar algum tempo fazendo experimentos, ou à busca de provas. Cientistas usam a intuição o tempo todo para ter ideias. Mas elas não valem nada até que sejam apoiadas por provas.


Eu prometi que voltaria à tradição, para examiná-la de outro modo. Quero explicar o que a tradição é tão importante para nós. Todos os animais são construídos (pelo processo chamado de evolução) para sobreviver no local em que seus semelhantes vivem. Leões são construídos para sobre sobreviver nas planícies da África. O lagostim é construído para sobreviver na água doce, enquanto as lagostas são adaptadas para a vida na água salgada. As pessoas também são animais, e somos construídos para viver bem no mundo cheio de… outras pessoas. A maioria de nós não caça para obter comida, como as lagostas ou os leões; nós a compramos de pessoas que, por sua vez, a compram de outras pessoas. Nós “nadamos” num “mar de pessoas”. Assim como um peixe precisa das brânquias para sobreviver na água, as pessoas precisam do cérebro que as torna capazes de se relacionarem umas com as outras. Assim como o mar está cheio de água salgada, o mar de pessoas está cheio de coisas difíceis de aprender. Como a linguagem.


Você fala inglês, mas sua amiga Ann-Kathrin fala alemão. Cada um de vocês fala a língua que lhes permite “nadar” no seu “mar de pessoas”. A linguagem é transmitida por tradição. Não há outra alternativa. Na Inglaterra, Pepe é um dog. Na Alemanha, ele é ein Hund. Nenhuma dessas palavras é mais correta ou verdadeira do que a outra. As duas foram transmitidas ao longo do tempo, só isso. Para serem boas em “nadar no seu mar de pessoas”, as crianças têm que aprender a língua de seu país, e muitas outras coisas sobre o seu povo; e isso só quer dizer que elas precisam absorver, como papel mata-borrão, uma enorme quantidade de informações sobre tradições (lembre que essas informações são aquelas passadas dos avós para pais e deste para filhos). O cérebro da criança tem que absorver informações sobre tradições. Não é de se esperar que a criança consiga separar a informação boa e útil, como as palavras de uma língua, das informações ruins e tolas como acreditar em bruxas, demônios e virgens imortais.


É uma pena — mas não deixa de ser assim — que, por serem sugadoras da informação sobre tradições, as crianças possam acreditar em qualquer coisa que os adultos lhes digam. Não importa se é falso ou verdadeiro, certo ou errado. Muito do que os adultos dizem é verdadeiro e baseado em provas, ou pelo menos sensato. Mas se parte do que é dito é falso, tolo ou até malvado, não há nada para impedir as crianças de acreditarem naquilo também. E quando as crianças crescerem o que farão? Bom, é claro que contarão as histórias para a próxima geração de crianças. Então, uma vez que uma ideia se torna uma crença arraigada — mesmo que seja completamente falsa e nunca tenha havido uma razão para acreditar nela —, pode durar para sempre.


Será isso o que aconteceu com as religiões? A crença de que há um Deus ou deuses, crença no Céu, crença em que Maria nunca morreu, que Jesus nunca possuiu um pai humano, que as rezas são respondidas, que vinho se torna sangue — nenhuma dessas crenças é apoiada por boas provas. E, no entanto, milhões de pessoas acreditam nelas. Talvez isso ocorra porque elas foram levadas a acreditar nessas coisas quando eram tão jovens que aceitavam qualquer coisa.


Milhões de pessoas acreditam em coisas bem diferentes, porque diferentes coisas lhes foram ensinadas quando eram crianças. Coisas diferentes são ditas para crianças muçulmanas e cristãs, e ambas crescem totalmente convencidas de que estão certas e as outras erradas. Mesmo entre cristãos, católicos romanos acreditam em coisas diferentes dos anglicanos ou de pessoas como os shakers [adeptos da Igreja milênio] ou quacres, mórmons ou Holy Rolers, e todos estão plenamente convencidos de que estão certos e os outros errados. Acreditam em coisas diferentes exatamente pela mesma razão que você fala inglês e Ann-Kathrin fala alemão. Ambas as línguas são, em seu próprio país, a língua certa para se falar. Mas não pode ser verdade que religiões diferentes estão corretas em seus próprios países, pois religiões diferentes afirmam que coisas opostas são verdadeiras. Maria não pode estar viva na Irlanda do Sul (um país católico) e morta na Irlanda do Norte (que é protestante).


O que podemos fazer sobre tudo isso? Não é fácil para você fazer alguma coisa, porque você só tem dez anos. Mas você pode experimentar o seguinte. Da próxima vez que alguém lhe disser algo que parecer importante, pense: “Será que isso é o tipo de coisa que as pessoas sabem por causa de provas? Ou será o tipo de coisa em que as pessoas acreditam só por causa de tradição, autoridade ou revelação?”. E, da próxima vez que alguém lhe disser que uma coisa é verdade, por que não perguntar: “Que tipo de prova há para isso?”. E, se ela não puder lhe dar uma boa resposta, eu espero que você pense com muito carinho antes de acreditar em qualquer palavra daquilo que foi dito.


De seu querido Papai



Sobre o autor: Richard Dawkins é evolucionista; docente no departamento de zoologia da Oxford University; membro do New College. Começou sua carreira de pesquisador na década de 60, como um aluno etólogo agraciado com o premio Nobel Nico Tinbergen, e desde então seu trabalho tem focalizado principalmente a evolução do comportamento.