quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Mais absurdos criacionistas











Uma reportagem da revista
Kerigma (tinha que ser para variar...) me chamou muito a atenção pois faz abordagens que realmente escapam ao bom senso e a lógica de qualquer indivíduo, exceto dos criacionistas.

A meu ver os comentários são um assinte á inteligência humana, e um atentado á ciência bem como às religiões que se pautam pelas escrituras.

Vejamos:


A origem da vida é a maior incógnita que o homem busca desvendar. A ciência tenta em vão provar suas teorias, que estão repletas de lacunas. As religiões também têm muito a opinar sobre o assunto e conquistam aqueles que possuem fé.

Mas ainda não se pode afirmar nada de concreto. Em entrevista, Michelson Borges aborda questões fundamentais sobre o assunto, entre as quais se encontram: a posição da igreja católica em relação ao evolucionismo, as contradições entre as pesquisas científicas e as afirmações bíblicas e também a origem dos dinossauros.

Michelson Borges é editor da Casa Publicadora Brasileira, um dos criadores da Sociedade Criacionista do Brasil, e tem feito palestras em diversos lugares no Brasil e exterior sobre as questões referentes ao evolucionismo e o criacionismo.


Errado!!! a origem da vida apenas é uma completa incógnita para os criacionistas, que a todo custo procuram sustentar a sua crença na bíblia.

Muito já se desvendou nessa área, embora não tenhamos chegado ainda a entender o mecanismo de como se fez a vida a partir da matéria inerte.


Aqui se encontra uma entrtevista com Günter Wächtershäuser, a qual trata de uma teoria de que uma forma primitiva de metabolismo precedeu a genética. O metabolismo é aqui compreendido como um ciclo de reações químicas produturas de energia capaz de ser utilizada para outros processos.


Isto significa que uma vez que um ciclo metabólico primitivo se estabeleceu, começou também a produzir compostos cada vez mais complexos. A denominação teoria do mundo Ferro-Enxofre tornou-se usual por analogia com a teoria do mundo do RNA.
Vale também a leitura das seguintes postagens:


Quem foi L.U.C.A.?
A História do Planeta Terra

Tirinha ignora avanços científicos

A manobra criacionista

Criacionismo contra-ataca

 
Kerygm@ - Qual a sua opinião sobre a posição da igreja católica ao afirmar que a criação e a evolução não são incompatíveis?

Michelson Borges - Essa posição católica se deve à postura liberal dela em relação à Bíblia. Se tida como a Palavra inspirada de Deus, que não se contradiz, a Bíblia não pode concordar com os postulados fundamentais do darwinismo.


Se antes de ter havido seres humanos sobre a Terra já havia organismos com ciclo de vida, isso significa que a morte também já existia e, portanto, não foi fruto do pecado. Se a morte é inerente à criação, logo a história do pecado (em decorrência do qual a morte passou a existir) também passa a ser ficção.


Conseqüentemente, a redenção também tem seu sentido esvaziado. Essa postura liberal me parece mais uma tentativa de evitar o debate; é um discurso convenientemente conciliatório.
 
Não se trata de uma postura de cunho meramente liberal a respeito da bíblia, mas de uma postura mais racional no que concerne a compatibilizar as escrituras com os avanços científicos e não o contrário.

A postura antidarwinista, que a todo custo os fundamentalistas desejam tornar como falsa, é perfeitamente explicada pelo entrevistado.

Sem o mundo mítico criado pela bíblia, não haveria pecado e, portanto, não há redenção e, logo o cristianismo e toda sua doutrina, bem como o judaísmo e o islã caem por terra.

Todavia, há que se considerar que as escrituras não devem ser entendidas em seu sentido literal (sola scriptura).

No movimento considerado históricamente como radical do século XIX, esse principio foi resignificado, passando a ser entendido ao pé da letra, adotando-se a idéia de que a
"A Escritura interpreta a própria Escritura", bem como a que a mesma era "suficiente como única fonte de doutrina e prática cristãs" em todos aspectos. Devido essa resignificação, passou-se a chamar o entendimento anterior reformado de "Prima Scriptura".


Isso é um erro muito grave que os cristãos cometem, pois as escrituras devem ser interpretadas como lição de vida e não como uma verdade incontestável acima de tudo.


Para os fundamentalistas, os fatos científicos devem estar de acordo com as escrituras, pois se assim não o for, devem ser considerados falsos, prevalescendo o que nelas se encontra, mesmo que haja evidências que afastem seus mitos.

Vale até mesmo mentir como é costume de Duane Gish (leia aqui) e inventar dados e distorcer situações, como as diversas histórias aqui encontradas. É essa a postura fundamentalista assumida pelos criacionistas e o ridículo da religião a respeito de a que ponto chega o fanatismo.




Kerygm@ - O papa João Paulo II certa ocasião afirmou que a teoria da evolução é mais do que uma hipótese, pois tem bases científicas. Quais são essas bases? Elas realmente excluem a teoria da evolução do patamar das hipóteses?

Michelson Borges - A grande contribuição de Darwin foi fornecer uma explicação científica para a diferenciação observada em organismos: a seleção natural. Isso, sim, é científico. Mas a seleção natural, diferentemente do que querem os darwinistas, dá conta apenas da chamada microevolução, ou seja, mudanças limitadas entre tipos de seres vivos em níveis taxonômicos (a palavra deriva de Taxonomia que é a ciência da identificação) também limitados.
 

Errado!!!! A seleção natural está demonstrada exaustivamente em registros fósseis.

A microevolução pode ser vista em apenas algumas gerações de determinadas espécies (o caso da rana pipiens, de cepas de vírus e bactérias). Todavia, estamos tratando de milhões de anos ao fazermos referências a diversidades interespecíficas.

Um reforço para a teoria da evolução interespecífica (macroevolução) veio com a genética e com os diversos genomas das espécies.
 
Confirmou-se que pequenas alterações em genes reguladores - Hox- podem levar a mudanças gritantes.





Um homeobox é um segmento de uma seqüência de DNA encontrado em genes envolvidos na regulação do desenvolvimento (morfogênese) de animais, fungos e plantas. Genes que têm um homeobox são chamados de genes homeobox e formam a família de genes homeobox.


Um homeobox mede cerca de 180 pares de bases; ele codifica um domínio de proteínas (o "homeodomínio") que pode ligar o DNA.


Genes homeobox codificam fatores de transcrição que tipicamente ativam outros genes numa reação em cadeia, por exemplo, todos os necessário para desenvolver uma perna. O homeodomínio liga o ADN numa maneira específica.

De qualquer modo, a especifidade de um único homeodomínio protéico não é geralmente suficiente para reconhecer apenas seus genes desejados como alvo.

A maior parte do tempo, as proteínas do homeodomínio agem na região promotora dos genes alvos como complexos com outros fatores de transcrição, muitas vezes outras proteínas de homeodomínio. Tais complexos têm uma especificidade de alvo muito maior que uma única proteína de homeodomínio.



Um certo subgrupo de genes homeobox são os genes Hox, que são encontrados em um complexo especial de genes, o complexo Hox (também chamado de "cluster" Hox). Genes Hox funcionam criando o padrão do eixo corporal. Dessa forma, ao fornecer a identidade de certas regiões do corpo, os genes Hox determinam onde as pernas e outros segmentos do corpo crescerão e se desenvolverão em um feto ou uma larva.



Mutações em qualquer um desses genes pode levar ao crescimento de partes do corpo adicionais, geralmente não funcionais em invertebrados.

Por exemplo, o complexo aristapaedia nas moscas Drosophila, que resulta em uma perna crescendo da cabeça no lugar de uma antena deve-se ao defeito em um único gene (essa mutação é também conhecida como Antennapedia). Mutação nos genes Hox de vertebrados geralmente resulta em aborto espontâneo.


Os genes homeobox foram encontrados pela primeira vez na mosca da fruta Drosophila melanogaster e subseqüentemente tem sido identificado em várias outras espécies, desde insetos até répteis e mamíferos.

Genes homeobox têm sido encontrados em plantas e fungos, (leveduras unicelulares). Isso sugere que essa família de genes evoluiu bem cedo e que os mecanismos básicos de morfogênese são os mesmos para muitos organismos.

Mutações nos genes homeobox podem produzir mudanças fenotípicas facilmente visíveis, pois podem estar ligados a regulação de hormônio do crescimento.

A interação entre o genótipo e o fenótipo é frequentemente descrita usando uma equação simples:

genótipo + meio ---> fenótipo

O Gene é uma seqüência de nucleotídeos do DNA que pode ser transcrita em uma versão de RNA.

O termo gene foi criado por Wilhem Ludvig Johannsen. Desde então, muitas definições de gene foram propostas.

O gene é um segmento de um cromossomo (longa sequência de DNA, que contém vários genes, e outras sequências de nucleotídeos - monômeros de DNA ou de RNA - com funções específicas nas células dos seres vivos) a que corresponde um código distinto, uma informação para produzir uma determinada proteína ou controlar uma característica, por exemplo, a cor dos olhos.

Dois exemplos de mutações em homeobox nas já mencionadas moscas das frutas são pernas onde deveriam ter antenas, e um segundo par de asas. Duplicações de genes homeobox podem produzir novos segmentos corporais, e essas duplicações provavelmente foram importantes na evolução de animais segmentados.

Sean Carroll (reportagem aqui) em seu livro "Infinitas Formas de Grande Beleza" apresenta a "Revolução nº 3" da evolução: a evo-devo (biologia evolutiva do desenvolvimento).

Mas seus fundamentos foram lançados mais de um século antes disso, por gente como o embriologista alemão Ernst Haeckel e pelo próprio Charles Darwin.

Darwin era um grande defensor do chamado princípio da recapitulação, proposto por Haeckel.

Segundo essa idéia, o desenvolvimento de um animal, de um embrião de uma só célula até um organismo adulto (a ontogenia), reencena toda a história evolutiva do grupo ao qual esse animal pertence (a filogenia).

É por isso que embriões de galinha, peixe, cachorro e homem são todos muito parecidos até uma certa fase do desenvolvimento.

Mas a teoria evolutiva tenta explicar exatamente como essas modificações que aparecem durante a embriogênese acontecem entre as diferentes espécies. Por que uma zebra é diferente de uma baleia?
Por que jibóias têm vestígios de patas? E como se produzem estruturas complexas como nadadeiras e patas durante a evolução?


As observações de Darwin e seus contemporâneos sobre o desenvolvimento, no entanto, permaneceram mais de um século no ostracismo.

Até recentemente, o processo através do qual um embrião gera um indivíduo completo era uma espécie de caixa-preta no pensamento biológico.

Quando o darwinismo (a primeira revolução) foi unido à genética (a segunda revolução), na chamada Moderna Síntese dos anos 1940, a embriologia ficou fora.

Os embriões só seriam devolvidos à evolução mais tarde, com o desenvolvimento da biologia molecular (que permitiu desvendar o DNA dos organismos) e com uma ajuda insuspeita: a dos monstros.

O avanço no conhecimento dos genes permitiu aos cientistas estudar fenômenos estranhos que vinham sendo descritos por embriologistas desde o século 19: mutações que fazem ovelhas nascerem com um olho só e moscas desenvolverem patas na cabeça, ou que aumentam o número de segmentos no corpo dos crustáceos.

O curioso era que essas aberrações pareciam surgir de alterações pequenas em genes únicos -um desses genes, batizado "eye-less", faz moscas nascerem sem olho quando é alterado.

E o bom-senso evolucionista tradicional dizia que toda a espetacular diversidade da vida (as "infinitas formas de grande beleza", nos dizeres de Darwin) se produzia não aos saltos mas pelo acúmulo lento e gradual de alterações discretas ao longo do tempo.

O que a evo-devo mostrou foi que realmente não há conflito algum entre essas visões.

Estudando as mutações que alteram o curso normal do desenvolvimento dos embriões, os embriologistas descobriram que os planos corporais das criaturas, por exemplo, são ditados por um conjunto limitado de "genes-mestres", batizados de genes homeobox -ou Hox, para os íntimos. São essas seqüências de DNA que dão instruções do tipo: "coloque uma pata aqui, um olho ali".

Os genes Hox, assim como a maioria dos outros genes, variam muito pouco ao longo da evolução.

Isso porque eles desempenham funções importantes demais para que sofram grandes mudanças cujo resultado seriam monstros inviáveis.

Todos os animais têm um conjunto de genes Hox e de outros genes-mestres que coordenam o desenvolvimento embrionário e que se mostraram espantosamente conservados desde o Período Cambriano, há 540 milhões de anos.
um gene é um pedaço de DNA que traz a receita para a produção de uma proteína -tipo de molécula que faz tudo no organismo. Como, então, o mesmo gene é capaz de produzir brânquias em camarões e asas em libélulas?
 
Aqui entra a segunda grande descoberta da evo-devo, que Carroll defende em seu livro como a verdadeira fonte da inovação na natureza: o que vale é a maneira como os genes são "ligados" ou "desligados" ao longo do desenvolvimento embrionário. E quem faz esse papel são seqüências de DNA que não entram na produção de proteínas (ou seja, não são "codificantes").




Esses "interruptores" genéticos não afetam a proteína produzida por um gene mas determinam quando e se essa proteína é produzida, e em que etapa do desenvolvimento.
Mudanças nos interruptores, argumentam os paladinos da evo-devo, produziram e produzem a imensa diversidade de formas vista na natureza ao mesmo tempo em que "poupam" os genes. Não só isso: elas habilitam o mesmo gene a ser "cooptado" a desempenhar funções diferentes num mesmo animal.

É de Carroll e seu grupo a descoberta de que um gene Hox chamado distal-less, que produz extremidades dos membros em animais, orquestra também a produção de manchas em asas de borboleta -graças à mudança em um desses interruptores, ou regiões reguladoras.
"Infinitas Formas" é um livro poderoso e repleto de evidências -ainda que pontuais- de uma fonte de variação que antes estava fora do alcance dos biólogos.

Além disso, e
studos realizados na Universidade da Califórnia de São Diego (UCSD), nos Estados Unidos, (leia aqui) indicam que animais aquáticos semelhantes a crustáceos, com vários membros em cada segmento do corpo, evoluíram para insetos terrestres de seis patas.

Isto ocorreu devido a mutações genéticas aparentemente simples. A ausência de um mecanismo genético que permitisse o surgimento de estruturas corporais radicalmente diferentes era freqüentemente apontada como uma falha na teoria da evolução, mas a descoberta feita pelos cientistas americanos reafirma a proposta de Charles Darwin.


A equipe da UCSD, coordenada pelo professor William McGinnis, estudou a ação dos genes regulatórios Hox, que contêm informações para produzir proteínas capazes de ativar ou desativar vários genes.

Em 1983, McGinnis e outros pesquisadores descobriram que as características dos genes Hox que determinam o exato posicionamento da cabeça, do tórax e do abdome durante o desenvolvimento de moscas-das-frutas estavam presentes no genoma de todos os animais, inclusive no do homem.


Hoje, quase duas décadas depois, a equipe de McGinnis observou que, quando os genes Hox sofrem mutações, proteínas diferentes passam a ser produzidas e selecionam os genes que permanecem ou não em funcionamento também de forma diferenciada.


Os biólogos modificaram genes Hox do crustáceo conhecido como Artemia e o inseriram em embriões de moscas-das-frutas. Fizeram o mesmo com genes Hox dos insetos. "Em ambos os casos, verificamos que novas proteínas foram sintetizadas e tiveram influência sobre o desenvolvimento de membros na região torácica dos embriões", explica McGinnis à CH on-line.


As proteínas mutantes reduziram o aparecimento dos membros, o que sugere que, há cerca de 400 milhões de anos, os ancestrais de Artemia perderam seus membros traseiros e se desenvolveram em insetos de seis patas por causa de alterações em genes regulatórios Hox.

Os resultados do estudo oferecem pistas sobre como outros genes regulatórios estão envolvidos em mudanças mais recentes na estrutura dos corpos de animais.

Essa pesquisa pode ainda ajudar os cientistas a compreenderem melhor certas doenças humanas, como alguns tipos de câncer. "Nosso trabalho é o primeiro a mostrar um grande salto na evolução que pode ser explicado por alterações naturais no DNA", diz McGinnis. "Haverá muitos outros exemplos no futuro."
Este caso pode ser a fonte da explicação de, por exemplo, porque seres humanos e pongídeos, com os quais compartilhamos de 90 a 98% de genes, são tão diferentes. Cerca de 3 ou 4 genes reguladores estão alterados e as mudanças são evidentes entre gorilas, orangotangos, gibões, chimpanzés, bonobos e humanos modernos.
Não foi possivel traçar um mapa dos genomas dentre os ancestrais humanos, dos pongídeos (os hominóides) e de demais símios, pois o patrimônio genético de fósseis antigos está perdido, mas semelhanças anatômicas demonstram as relações de parentesco entre estes grupos.

Já a extrapolação para o passado, como se todos os organismos tivessem derivado de um único ser, é pura especulação, sem base científica. Isso seria a macroevolução. A seleção natural explica bem como os seres vivos sobrevivem nos diversos ambientes, mas não explica como esses seres vivos vieram à existência.
 
Errado!!! Não se trata de especulação ou mera extrapolação, como erroneamente se referem os criacionistas, mas de evidências a partir do rastreamento de genomas e experiências com os genes Hox.

A seleção natural traz as explicações de como os seres se adaptam ao meio em que vivem. Este meio é alterado por variações climáticas, acidentes naturais, movimentos orogênicos e tectônicos.

A regra é a espécie ser extinta, uma vez que mudanças rápidas requerem adaptação rápida, daí seres que se reproduzem rápido se adaptarem mais facilmente (ratos, musaranhos, toupeiras, etc).

A evolução é a exceção, pois se a espécie responder às variações do meio em que vive, terá sua sobrevivência garantida, seja como está (caso de tubarões, os quais apresentaram poucas mudanças desde antes dos dinossauros), seja se adaptando ao meio como o caso das
baleias a partir do pakicetus e do ambulocetus.

 

Kerygm@ - Quais são os métodos que os cientistas usam para determinar a idade da Terra? Eles são confiáveis?

Michelson Borges - O método mais utilizado é o do decaimento radioativo, com um elemento "pai" e um "filho". Conhecendo-se a taxa/velocidade de decaimento e a quantidade dos elementos "pai" e "filho" na amostra, teoricamente seria possível datar as rochas, por exemplo. Esse é um assunto muito controverso, que exige discussões mais técnicas. Mas, de passagem, o que se pode dizer é que esse processo de decaimento não é assim tão preciso quanto parece. Certos fatores podem acelerar ou retardar esse "relógio". Além disso, pode haver contaminações nas amostras, o que ocasiona discrepâncias significativas no resultado final das datações.
 
Conforme visto aqui, as imprecisões não são tão gritantes. Estabelece-se como idade da Terra a mesma encontrada em rochas lunares e em meteoritos.

A partir do desenvolvimento dos diversos métodos abordados na indicação, a idade dos meteoritos, de rochas lunares e consequentemente a do Planeta Terra têm se mantido em 4,6 bilhões de anos, uma vez que, parte-se do pré-suposto que os corpos do Sistema Solar tenham se formado simultaneamente.


Aqui no planeta Terra, devido a experimentos nucleares, o nível de elementos radioativos aumentou contaminando amostras de rocha e de matéria orgânica, o que poderia diminuir a idade das amostras. Todavia isso não se verifica no espaço sideral, onde a idade de corpos celestes está datada em 4,6 bilhões de anos.

Quanto as rochas mais velhas de nosso planeta, estas estão datadas em torno de 4,5 bilhões de anos, o que pode ser explicado por haver ocorrido renovações da crosta terrestre.

Mas mesmo assim, não se trata de nenhum erro gritante, pois temos 100 milhões de anos em 4,6 bilhão de anos, o que representa cerca de 2,2% de erro, perfeitamente tolerável no que se refere a intervalos de confiança de cerca de 5%.

Desse modo as afirmações feitas pelo entrevistado são infundadas.

 
Kerygm@ - O que se pode afirmar, do ponto de vista criacionista, sobre os fósseis com características de humanos e de macacos?

Michelson Borges - Volta e meia surge uma notícia dando conta de que a "árvore da evolução humana" foi reestruturada, com certos "hominídeos" sendo rebaixados à condição de macacos, ou promovidos ao status de ancestral humano. Essa é outra área bastante especulativa. Via de regra, ou esses fósseis, geralmente muito incompletos, são simplesmente símios ou se tratam de seres humanos com algum tipo de deformidade física.


Errado!!!! Há muitas evidências anatômicas e fisiológicas de que os fósseis são de ancestrais humanos e não de deformações ou anomalias físicas, como o entrevistado cita.

Se fossem realmente deformações, por que não são encontradas hoje? porque não há humanos modernos com 1 ou 2,5 milhões de anos? Por que tais deformações não se encontram em sítios onde houve agrupamentos humanos? Como explicar que o cérebro de um astraloptecínio fossilizado (bebê de Taung) era um orgão mais compléxo que de um símio atual? (O Homem do Futuro - Discovery Civilization).

A árvore genealógica humana está incompleta, é verdade. Pode ser que tenha havido muitas outras espécies de humanos e símios que as tenhamos perdido para sempre. Mas esta especulação que o entrevistado faz é reduzir a nada o trabalho de cientistas.

Qual a evidência para afirmar que estes fósseis se tratam de mera deformação ou são símios?

Um estudo a respeito do osso esfenóide (
aqui e aqui) da face de símios e de humanos pode perfeitamente distinguir estes daqueles.

O esfenóide é um osso que ao longo da evolução dos símios se alterou cinco vezes.
Estudos recentes do osso esfenóide mostraram, no entanto, que Toumai (Sahelanthropus tchadensis), com cerca de 6 a 7 milhões de anos, não é um antepassado do Homem mas, provavelmente, de um símio.

O esfenóide parece estar está fazendo rotações que abrem espaço para o cérebro e causam algumas modificações na conformação óssea do crânio, principalmente no maxilar , que está se reduzindo.


Isto explica o aumento crescente dos problemas ortodônticos. A pesquisadora, Profª ANNE DAMBRICOURT MALASSÉ, do Instituto de Paleontologia Humana de Paris, acredita ainda que a evolução possui um componente genético, o que complementa a Teoria de Darwin, que afirma ser a evolução apenas ocasionada pelas variações dos meio aliada ao acaso das mutações.





Sua pesquisa fundamenta que a base craniana assim como o cranio inteiro está organizada em torno de um único osso, o ESFENÓIDE que é o osso mais complexo e diferenciado do crânio (é o pilar central do nosso grande quebra-cabeça craniano). 

"O esfenóide é a chave. A forma desse osso evolui durante milhões de anos e, a cada vez que se dobrou, levou ao aparecimento de uma nova espécie da família hominídea.


A história contada pelas flexões sucessivas (mutações) do esfenóide começou a cerca de 60 milhões de anos atrás (pró-símios). O esfenóide não havia se dobrado, era um osso achatado;

- 40 milhões de anos, o esfenóide se dobra para baixo pela 1ª vez, provocando a primeira grande mutação da nossa história. Aparecem os símios, sendo que o esfenóide levou à base do crânio, estando suavemente dobrado. Os olhos se moveram dos lados da face para a frente.

- 20 milhões de anos atrás; Surgem os grandes macacos. 

- 6 milhões de anos atrás, o esfenóide se dobra pela terceira vez sempre na mesma direção. Surgem os australoptecíneos;

- 2 milhões de anos atrás, houve uma quarta dobra do esfenóide. Os ancestrais humanos ficam ainda mais eretos; 

- 160 mil anos atrás o esfenóide se dobra uma quinta vez, tornando o nosso cérebro ainda mais complexo.
A evolução hominídea não ocorreu gradualmente, mas em grandes estágios e a cada vez que o esfenóide continuava o seu movimento era dado um passo no processo de hominização.



A teoria de que os macacos ficaram eretos em duas patas para se adaptar à savana está cada vez mais enfrentando fatos contraditórios, portanto o Homo sapiens não é o fim da linha".
Cabe citar também, neste documentário, o trabalho da Dra. MARIE JOSEPHE (ortodontista) que de forma independente e sem saber da pesquisa da profª. ANNE DAMBRICOURT MALASSÉ, chegou a mesma conclusão sobre o esfenóide.

O homem parece evoluir simultaneamente nas diferentes partes do mundo, o que ainda está acontecendo, sendo que os fopsseis confirmam tal fato.

Os padrões de rotação desse osso são os mesmos em diferentes partes do globo, nas mesmas datas. Resta saber se o padrão observado se trata de algo geneticamente programado. Assim, um estudo paleoantropológico de crânios ou demais ossos não se trata de apenas "olhar " o osso, mas de se fazerem comparações que levem a identificar semelhanças e diferenças, de forma que anormalidades, as quais seriam facilmente identificadas.

Logo, alegar simplesmente, sem apresentar evidências, que fósseis encontrados são anormalidade ou meramente símios é no mínimo desconhecer os estudos na área da paleoantropologia. É informar mal e ser desonesto com o leitor leigo.

Kerygm@ - E quanto aos homens gigantes que viviam antes do dilúvio, como explicar a ausência de fósseis?

Michelson Borges - Simplesmente porque estão sendo procurados nos lugares errados. A Bíblia diz que os cadáveres dos antediluvianos foram levados até as encostas de montanhas por um forte vento, onde foram soterrados. Portanto, esses fósseis dificilmente serão encontrados nos desertos da África, onde se concentram as pesquisas. Pena que os paleontólogos, motivados pela visão naturalista e pela teoria de que os seres humanos vieram da África, estejam procurando apenas nessas planícies.
 
Começa o festival de besteiras.... Bela desculpa para não se encontrarem os fóseis dos "gigantes antediluvianos"... E que precisão divina cirúrgica ein Michelson!?
Encostas de montanhas e vento forte selecionando apenas uma espécie dentre divérsos cadaveres que boiavam no "mar do dilúvio" e levando-a a encostas de montanhas... essa é boa demais!!!! Acho que é algum hoax do entrevistado.

Por que somente com os fósseis dos "gigantes ante-diluvianos" aconteceu tal evento? Só mesmo um milagre divino para explicar....

No que se refere a gigantes, certamente eram pessoas com estatura elevada (cerca de 2,30 a 2,70 metros) em um mundo onde a altura média era cerca de 1,60 metros. Hoje sabe -se que isso se trata de um distúrbio hormonal denominado "gigantismo pituitário", causado por tumores na glândula pituitária.

Assim, há que se olhar com reservas quando há a menção de "gigantes" na bíblia. Estes também são mencionados em outros "livros sagrados" e em lendas.
Até hoje é de se estranhar um indivíduo com gigantismo pituitário, dirá entre 4 e mil anos atrás.

Sobre as encostas de montanhas, estas contêm fósseis apenas se estas forem originadas de rochas sedimentares, as quais se encontram fósseis e vivem sendo investigadas.
 
Encontraram-se muitos fósseis de dinossauros abaixo do limite KT, sempre em rochas sedimentares muitas vezes em afloramentos rochosos na superfície, cuja origem são os movimentos orogênicos, mas até agora nenhum "gigante" com forma humana ou parecida foi encontrado.


Não é apenas em planícies africanas que se buscam fósseis humanos e de seus ancestrais. Na Espanha, Oriente Médio, Alemanha, China e Ilhas Britânicas, por exemplo, já se encontraram diversos fóseis de ancestrais humanos.

Os fósseis humanos, estes se espalham por todo o globo e não há registros de soterramento provocado por "catástrofes hídricas".

Até o momento, os mais antigos fósseis da linhagem humana se desenvolveram na África e a teoria mais aceita é que o homo ergaster dera o primeiro passa para fora deste continente, sendo que seus ancestrais se desenvolveram simultaneamente em diversos lugares, dando origem a linhagens como hildebergensis e destes evoluíram os neanderthais, homem de Pequim, homo florensis e na àfrica ao homo sapiens.

Há indícios de terem ocorrido levas migratórias de humanos a partir do Continente Africano as quais se mesclaram à populações locais dando origem aos humanos modernos, uma vez que os cruzamentos podem ter originado híbridos férteis.


Agora restam-me algumas perguntas:

Se os criacionistas sabem disso, por que até o momento não empreenderam uma busca pelos "gigantes bíblicos" nas encostas de montanhas? Qual é a desculpa para não fazer isso, já que todo o resto da comunidade científica ligada à paleoantropologia está "errada" em suas buscas?

Se encontraram o fóssil de algum gigante na encosta de uma montanha, por que até o momento não apresentaram-no ao mundo ou o submeteram ao método científico?

Ai está uma grande oportunidade (até o momento desperdiçada) para os criacionistas calarem a boca de todos os evolucionistas, agnósticos e ateus, inclusive a minha.

Kerygm@ - Os dinossauros foram criação divina ou dos antediluvianos?

Michelson Borges - Sem dúvida, Deus criou os dinossauros "originais", que eram herbívoros e pacíficos, só Deus é Criador. Mas, após o pecado, houve um processo que ocasionou alterações em alguns animais como os dinossauros, os tubarões e os leões, para citar apenas três exemplos; mesmo assim, a maioria dos dinos era herbívora. Creio que, assim como o ser humano faz hoje com os cães, deve ter havido algum tipo de experiência realizada pelos antediluvianos, ou até mesmo pelos anjos caídos, que acabou por ressaltar certas características dos grandes répteis. Impróprios para o mundo pós-diluviano, esses grandes animais acabaram, em sua maioria, sendo extintos pela catástrofe do dilúvio. E a enorme quantidade de fósseis de dinossauros é perfeitamente explicada por esse acontecimento descrito na Bíblia.
 
Mais bobagens a vista!!!! Imaginem só um mundo apenas de herbívoros.... experiências genéticas patrocinadas por uma "espécie ante diluviana", "anjos caídos", "pecado" alterando o comportamento de animais....que coisa mais surreal!!!!
Só faltou falar da Terra oca, da Atlantida de Shangrilá e da Lemúria. (aliás não há qualquer evidência sobre nenhum destes temas). Isso deve ser alguma gozação sua, não é Michelson, ou você pirou de vez!!!!

Se o mundo fosse como o cenário acima, jamais teria existido. Ou se tivesse chegado a existir, entraria em colapso populacional, o que culminaria em falta de alimentos, pestes e extinção em massa de espécies animais e vegetais.

Até no nível de protozoários existem aqueles que se alimentam de outros animais.
O colapso ocorreria antes de se formar algo mais complexo que o reino protista. Aqui algo sobre reinos em biologia.

Até hoje, a maioria dos animais é herbívora, pois são a base da
cadeia alimentar, segundo nível trófico. À medida que se sobe de nível na teia alimentar (várias cadeias intercaladas), o número de espécies se reduz, pois se alimentam das que se encontram em níveis tróficos inferiores e, assim, a energia transmitida de um nível para outro se reduz.

Apenas uma parte da energia que chega a um determinado nível trófico passa para o nível seguinte. Somente 10% da energia de um nível é produzido a partir do próximo, o que geralmente restringe o número de níveis a não mais do que cinco, pois em determinado nível a energia disponível é insuficiente para permitir a subsistência.


Quanto aos dinossauros, está confirmada sua destruição pela queda de um corpo celeste em Yucatan, há 65 milhões de anos associadas a fortes erupções vulcânicas (aqui).

As marcas do limite KT e da referida erupção existem, e datam de cerca de 65 milhões de anos. Mas, onde estão as marcas do dilúvio? Quando ocorreu este evento? Por que não se encontram mamíferos, dinossauros, fauna cambriana e fauna pré cambriana nos mesmos estratos geológicos?

Como os criacionistas costumam dizer: o dilúvio é pura especulação ou melhor... histórias da carochinha, pois nada em termos científicos embasa essa história. Aliás até para se fazer gracinhas existe um limite!!!
 
Kerygm@ - "Mas se havia um pecado acima de outros que exigia a destruição da raça pelo dilúvio, era o nefando crime de amalgamação de homens e animal, que desfigurava a imagem de Deus, e causava confusão por toda parte. Era propósito de Deus destruir por um dilúvio aquela poderosa de longeva raça que havia corrompido seus caminhos diante do Senhor". Muitos afirmam que essa declaração de Ellen White sugere que os homens e animais cruzaram gerando outras raças. Essa interpretação está correta?

Michelson Borges - Na seção "Perguntas", em meu blog (
www.michelsonborges.com ), publiquei um extenso estudo sobre "amalgamação". É um texto bastante polêmico. Um grupo defende que a amalgamação era entre animais e animais. Outro diz que poderia ser entre seres humanos e animais. Com os recursos tecnológicos atuais, isso parece até ser possível. Se era naquela época? Não sabemos.
 
A mistura de animais é possível desde que pertençam a espécies bem próximas, tais como leões e tigres, bois, bisões, gauros e búfalos, cavalos, zebras e jumentos, galinhas e perus, cães e lobos, por exemplo.
 
Destes cruzamentos, na maioria das vezes, não resultam em híbridos férteis. Por exemplo, o ligre, cujos machos são estéreis mas as fêmeas são férteis, produzido pelo cruzamento entre um leão e uma tigreza. Isso faz com que não se possa criar uma nova espécie.

Há também o beefalo ( cruzamento de boi com bisão americano).







Há a o zebroide o cruzamento de cavalo com zebra ,como a garota Eclyse, ai do lado.





Criadores e sitiantes sabem que a mula (exemplar fêmea) e o mú ou macho (exemplar macho) são híbridos estéreis que apresentam grande força e resistência, mús e mulas são bestas. São o produto do acasalamento do burro (Equus asinus) (2n = 62 cromossomos) com a égua (Equus cabalus) (2n = 64 cromossomos).





As mulas têm 2n = 63 cromossomos, porque são resultantes da união de espermatozóide com n = 31 cromossomos e óvulo com n = 32 cromossomos.
Considerando os eventos da meiose I para a produção de gametas, o mú e a mula são estéreis. Os cromossomos são de duas espécies diferentes e, portanto, não ocorre pareamento dos chamados cromossomos homólogos, impossibilitando a meiose e a gametogênese.
Por conseguinte não existe a espécie "mula" porque mús e mulas são estéreis e não se reproduzem e por não se reproduzirem, não se enquadram na definição de espécie.
Aqui um pouco sobre híbridos de animais a partir de cruzamentos de espécies próximas.

Quanto aos hibridos de laboratório (notícia aqui), o que se faz é simplesmente acrescentar´se um pedaço de DNA em determinados cromossomos, o que não altera o seu número de pares e assim a característica pode ser transmitida a descendentes. Mas isto não se trata de um processo natural.

É óbvio que a técnica acima não existia há alguns milhares de anos, onde sequer se conhecia o aço ou o vidro. Tal técnica somente foi dominada no século XXI.

Todavia, seria bem interessante se alguém encontrasse todo o aparato de um laboratório do século XXI ou mais sofisticado com 65 milhões de anos, com 5 mil anos, ou com apenas 100 anos de idade. Isso seria realmente uma reviravolta científica.


Kerygm@ - A revista Veja publicou uma matéria sobre a educação adventista, com o título "Graças a Deus e não a Darwin". Algumas das críticas contidas na reportagem diziam que "Falta ainda a essas escolas, no entanto, entender que o criacionismo foi superado pela ciência há mais de um século". Qual sua opinião sobre esta declaração?


Michelson Borges - A matéria em si me pareceu bastante contraditória num ponto: ao passo que elogia a educação adventista por sua excelência acadêmica, a critica por ensinar o criacionismo. A crítica seria válida se a educação adventista apenas ensinasse o criacionismo, mas não é isso o que ocorre.

Ambos os modelos são ensinados ali. Dizer que a ciência superou o criacionismo há mais de um século é quase como dizer que a ciência provou que Deus não existe.

Como ferramenta humana, a ciência tem seus limites e é incapaz de afirmar algo sobre o transcendente. O argumento mais básico do criacionismo é filosófico/teológico: Deus criou o Universo. E, como tal, não pode ser provado ou refutado empiricamente.

Para começar, criacionismo é pseudociência e não ciência, assim não se trata de modelo alternativo para nada.


O jargão é científico, mas não passa de retórica vazia sem qualquer evidência que o respalde, muitas vezes beirando as raias do absurdo. A única função do criacionismo é deturpar a teoria da evolução, do big bang e da origem da vida, por meio de uma falsa "cosmovisão" de como estes eventos poderiam ter ocorrido pela ação de um ser superior o qual é o deus judaico-cristão-islâmico.

 
Outro ponto seria que a escola, por se tratar de uma escola cristã, somente ensina o criacionismo sob o enfoque cristão, o que faz perder o sentido da tão buscada "cosmovisão". Por que o Colégio adventista não aborda as outras formas de criacionismo?
Para mim, a resposta é simples a escola tem de fazer o seu proselitismo pró-escrituras a fim de angariar fiéis para sua crença e ampliar suas receitas... digo, sua benevolência, a fim de salvar as pobres almas inocentes de crianças.

Assim, outros enfoques que levem a uma "cosmovisão religiosa" distinta do cristianismo não são viáveis. A isso se dá o nome de reducionismo teológico e egocentrismo ideológico.

 

Desse modo, a escola ao abordar o criacionismo sob ótica alternativa á verdadeira ciência, não cumpre sua função em dar várias visões, pois se tranca exclusivamente no cristianismo.
Logo, esta forma de ensino em nada contribui a dar visões críticas aos alunos. Seu objetivo é formar especialistas em apenas criticar as teorias científicas que contradizem os mitos das escrituras, sem trazer nada de concreto para a ciência.


O criacionismo também passa a desvirtuar a discussão científica para a teológica, fazendo o verdadeiro sentido da ciência se esvanecer em toda uma teia de falácias e sofismas.


Há muito, a ciência superou o criacionismo, pois há evidências aos montes que as escrituras não passam de puro mito, se filtrado de seu conteúdo histórico. A grande "sacada" deve seu mérito a Darwin e Wallace com as bases da Teoria da Seleção Natural e a evolução das espécies.

Assim, a afirmação "Dizer que a ciência superou o criacionismo há mais de um século é quase como dizer que a ciência provou que Deus não existe. " é uma falácia da derrapagem, pois provar que deus existe ou não, não é objeto da ciência mas de discussões teológicas e filosóficas a respeito de qualquer outro deus cultuado por ai afora.
 

Dizer que a ciência superou o criacionismo se refere à superação dos mitos do criacionismo por meio das confirmações científicas que ocorreram nos últimos 200 anos de teoria da evolução, de astronomia, ecologia, genética e bioquímica.
 

Realmente o argumento criacionista é apenas filosófico/teológico, ou seja nada tem de científico. "Deus criou o Universo." E, como tal, não pode ser provado ou refutado empiricamente, mas a probabilidade de Deus existir é tendente a zero, pois nada na natureza atesta que este ser ou algo parecido com ele exista ou que tenha feito algo, nem que tenha vindo de algum lugar.
 
O argumento criacionista se trata de PURA PREGUIÇA E COMODISMO, pois ao invés de realmente ir a fundo no problema, o empurra para os deuses.


É mentiroso, pois informa mal aos leitores leigos, é desonesto pois apenas critica pontos ainda obscuros em teorias científicas sem nada trazer ou construir em prol da ciência e de pronto estabelece que teorias são falsas.

A argumentação é vazia, pois se pauta em falácias e sofismas, sem considerar o apelo emocional religioso de cunho meramente cristão.

É absurdo, conforme as abordagens aqui apresentadas, pois cria um mundo de fantasias e mitos sem o mínimo bom senso, subestimando a capacidade e a inteligência do homem médio.

Leva o cristianismo ao ridículo, pois este perde seu foco e a discussão se torna uma sessão de piadas de péssimo gosto, como a que vimos pelas abordagens feitas pelo entrevistado.

Seu objetivo não é formar a visão crítica do indivíduo, mas tolhê-la a fim de que ninguém conteste a base de todo esse engodo que é o cristianismo na sua forma radical-fundamentalista.

Para o caso em tela, o autor se vale do argumento ad ignorantiam (algo é verdadeiro por não se ter provado que é falso; ou conclui que algo é falso porque não se provou que é verdadeiro). O fato de ser impossível provar que deuses ou seres sobrenaturais não existem ou que existem, por meio da ciência, não assegura que estes seres sejam reais e que interajam com o universo físico.


Teorias como a evolução, a origem da vida e o big bang se tratam de ciências e sua discussão é científica, conforme o método científico e sob o rigor da metodologia científica, diferentemente d a discussão filosófico-teológica que se pauta apenas em argumentação retórica.

Quanto ao criacionismo, este sequer submete-se ao método científico, uma vez que suas afirmações não possuem evidências sólidas e tão pouco os estudos são consistentes, além da gama de criacionismos ser vasta, conforme cada religião, o que quebra sua objetividade, tornando-se interpretação conforme o gosto do freguês.

Portanto, aconselharia ao Colégio Adventista ampliar sua "cosmovisão criacionista" trazendo outras crenças e mitos para serem analisados juntamente com os mitos da bíblia, e deixar claro aos alunos todas as nuances das diversas "cosmovisões criacionistas".

O Colégio deveria fazer um paralelo com o que realmente é científico e estabelecer as diferenças de modo claro entre o que é crença e mito e o que é ciência, no que concerne em suas abordagens metodológicas e matérias estudadas.

Depois de tudo o que li aqui, mais uma vez conclui que realmente criacionistas não são para serem levados a sério. Se não forem humoristas, estão a um passo de sê-lo.







Um comentário:

amanda disse...

Boa tarde claudio, seu blog foi indicado por um amigo comum e me interessei pelo link "ciencia x religiao", entao gostaria deixar a sugestao da leiura do livro Ciencia e Fatos Biblicos de Magno Paganelli, onde as relaçoes entre as descobertas humanas e as revelaçoes divinas sao discutidas, e uma leitura rapida, ja que este livro foi formado pela ediçao de varios artigos do autor e entendo que ira fomentar e aguçar ainda mais a sua busca pela nossa origem.
Parabens pelo blog e boa leitura!